
O Palacete

Danielle Steel

Traduo de Lus DIONSIO

Crculo de Leitores
Ttulo original: THE COTTAGE

Fotografia da capa: IMAGE ONE

ISBN 972-42-3528-9

Copyright 2002 by Danielle Steel Impresso e encadernado para Crculo de Leitores

por Printer Portuguesa Casais de Mem Martins, Rio de Mouro

em Outubro de 2005

Nmero de edio: 6025

Depsito legal nmero 232 205/05
Digitalizao e correco:

Ftima Toms

Esta obra destina-se ao uso exclusivo de portadores de deficincia visual.


Para os meus filhos maravilhosos,

Beatie, Trevor, Toda, Sam, Nick,

Victora, Vanessa, Maxx e Zara,

que so a luz da minha vida,

a alegria dos meus dias,

o regalo da minha existncia,

o consolo na dor,

a luz que me alumia,

a esperana que me enche o corao.

No h maior alegria que vs

e, quando tiverdes filhos um dia,

s quero que sejais to felizes como tenho sido

a amar e a ser amada.

Com todo o amor, Mam d.s.
CAPTULO 1

O sol banhava o elegante telhado da mansarda do Palacete quando Abe Braunstein fez a ltima curva do caminho que conduzia ao edifcio. Qualquer outra pessoa teria 
ficado sem respirao ao avistar a imponente manso. Um espectculo! Mas Abe j ali estivera dezenas de vezes. O Palacete era uma das ltimas casas lendrias de 
Hollywood. Uma reminiscncia dos palcios que os Vanderbilt e os Astor haviam edificado em Newport, Rhode Island, na viragem do sculo. O estilo era o dos palacetes 
franceses do sculo xvII: opulento, belo, elegante e requintado em todos os seus pormenores. Fora construdo em 1918, para Vera Harper, uma das grandes estrelas 
do cinema mudo e uma das poucas actrizes dessa poca que conseguira manter a fortuna. Casara mais de uma vez e ali vivera at morrer, com idade avanada, em 1959. 
Cooper Winslow comprara-o um ano depois. Como Vera no tinha filhos nem herdeiros, havia deixado todos os seus bens, inclusive o Palacete,  Igreja Catlica. J 
nessa altura, Cooper, cuja carreira profissional conhecia um xito estrondoso, pagara uma boa quantia por ele. A compra provocara grande agitao no meio social: 
a casa e a propriedade eram bens extraordinrios para um jovem de vinte e oito anos. Coop no hesitara um segundo em ir viver para o sumptuoso Palacete, que considerava 
estar  altura do seu estatuto de estrela.

A casa, no corao de Bel Air, encontrava-se rodeada de um parque com cinco hectares e meio de superfcie e jardins impecavelmente tratados; tinha um campo de tnis 
e uma enorme piscina revestida de azulejos azuis e dourados, e havia fontes em vrios pontos da propriedade. O traado dos jardins fora alegadamente copiado dos 
de Versalhes. No interior da manso, viam-se enormes tectos abobadados, muitos dos quais pintados por artistas franceses trazidos especialmente para o efeito. A 
sala de jantar e a biblioteca eram revestidas de lambris de madeira, e o madeiramento das paredes e cho da sala de estar haviam sido trazidos de um palacete francs.
Um cenrio perfeito para Vera Harper, primeiro, e para Cooper Winslow, depois. Abe Braunstein estava satisfeito por Cooper Winslow, em 1960, ter comprado a casa 
e o terreno a pronto, embora os houvesse posteriormente hipotecado por duas vezes. Mas nem isso os desvalorizara. Esta era, de longe, a propriedade mais valiosa 
de Bel Air. Hoje em dia teria sido extremamente difcil atribuir-lhe um preo. No havia casas semelhantes na zona, ou onde quer que fosse,  excepo, talvez, em 
Newport; mas a propriedade valia muito mais em Bel Air do que em qualquer outro stio, apesar de j estar a precisar de obras.

Quando Abe saiu do carro, dois jardineiros que arrancavam ervas em torno da fonte principal, e outros dois que trabalhavam num canteiro prximo trouxeram-lhe  mente 
a necessidade de reduzir o pessoal de jardinagem pelo menos a metade.  medida que olhava  sua volta, s via nmeros e notas de dlar a voar pelas janelas. Sabia, 
quase at ao cntimo, quanto custava a manuteno da propriedade. Era uma despesa louca, pelos padres de uma pessoa normal e, naturalmente, pelos de Abe. Tratava 
da contabilidade de pelo menos meia dzia das estrelas mais conhecidas de Hollywood e h muito que no o espantava nem chocava aquilo que gastavam em casas, carros, 
peles e colares de diamantes para as namoradas. Porm, todas essas extravagncias juntas nada eram, quando comparadas com as de Cooper Winslow. Abe estava convencido 
de que Coop Winslow gastava mais do que o rei Faruk. H quase cinquenta anos que esbanjava dinheiro como gua, e h mais de vinte que no interpretava um papel importante 
num grande filme. Nos ltimos dez anos, limitara-se a papis secundrios e participaes especiais, trabalhos pelos quais recebia muito pouco. Cooper sempre desempenhara 
papis de gal. No entanto, e por mais irresistvel que ainda fosse no ecr, cada vez lhe davam menos papis. De facto, h mais de dois anos que Coop no trabalhava 
em cinema. Mas afirmava encontrar-se com realizadores e produtores todos os dias. Abe viera falar com ele, sem papas na lngua, acerca desse assunto e da necessidade 
de reduzir radicalmente as despesas a curto prazo. H cinco anos que vivia atolado em dvidas e em promessas. E Abe estava-se 
nas tintas para o facto de Coop fazer anncios para o talho do bairro. S tinha uma opo: sair de casa e ir trabalhar... e o mais depressa possvel! Teria de alterar 
muita coisa na sua vida: reduzir drasticamente as despesas e o pessoal, vender alguns dos seus carros, deixar de comprar roupas e de se instalar nos melhores hotis 
mundiais. Ou isso, ou vender o Palacete, que era a alternativa preferida de Abe.

Quando o mordomo, de fraque, abriu a porta principal, Abe, que envergava um fato de Vero cinzento, camisa branca, e gravata branca e cinzenta, exibia um ar severo. 
O criado reconheceu o contabilista de imediato e cumprimentou-o com um ligeiro e silencioso gesto de cabea. Livermore sabia, por experincia, que sempre que o contabilista 
aparecia, o patro ficava num estado de esprito terrvel. Por vezes, s uma garrafa de champanhe Cristal e uma lata de caviar conseguiam devolver-lhe o habitual 
bom humor. J pusera ambas as coisas em gelo quando Liz Sullivan, a secretria de Coop, o avisara de que o contabilista viria ao meio-dia.

Liz atravessou o vestbulo, com um sorriso nos lbios, mal ouviu a campainha. Desde as dez da manh que se encontrava na biblioteca a passar uma vista de olhos por 
alguns documentos, preparando a reunio com Abe, sentia um aperto no estmago desde a noite anterior. Na vspera tentara avisar Coop do contedo da reunio, mas 
ele andara demasiado ocupado para lhe dar ouvidos. Como ia a uma festa de cerimnia, fora ao barbeiro e ao massagista e dormira uma soneca antes de sair. E, nessa 
manh, Liz ainda nem sequer o vira. Coop no estava em casa: fora tomar o pequeno-almoo ao Beverly Hills Hotel com um produtor, que lhe telefonara a propor um papel 
num filme. Era difcil segurar Coop, especialmente quando suspeitava que lhe queriam dar ms notcias. Havia nele algo de instintivo, uma espcie de radar supersnico 
que detectava as coisas que no queria ouvir. Como se de msseis Scud se tratasse, sabia esquivar-se delas com a maior das facilidades. Mas, desta vez, tinha de 
dar ouvidos a Liz. Prometera regressar por volta do meio-dia. Isso queria dizer cerca das duas horas.

- Ol, Abe! Prazer em v-lo! - cumprimentou Liz, num tom caloroso. Trazia calas de caqui, camisola branca e
um colar de prolas, que em nada a favoreciam, pois engordara consideravelmente ao longo dos vinte e dois anos em que trabalhara para Coop. Mas tinha um rosto agradvel 
e cabelos loiros. Possua uma beleza genuna quando Coop a contratara. Parecia modelo de um anncio ao champ Breck. Fora amor  primeira vista. No literalmente, 
pelo menos da parte de Coop. Ele achava-a espectacular, e prezava a eficincia e a forma maternal como ela o tratava desde o primeiro momento. Quando a contratou, 
Liz contava trinta anos, e ele, quarenta e oito. Ela adorara-o e h anos que tinha um fraquinho por ele. Dedicara-se de alma e corao  gesto impecvel da vida 
de Cooper Winslow, trabalhando catorze horas por dia, s vezes os sete dias da semana. Com o decorrer do tempo, esquecera-se de casar e ter filhos. Um sacrifcio 
que fizera de bom grado pelo velho actor. E continuava a pensar que ele o merecia. Passava boa parte do seu tempo preocupada com ele, especialmente nos ltimos anos. 
A realidade no era importante para Cooper Winslow. Considerava-a um incmodo, como um mosquito a zunir-lhe  volta da cabea, e evitava-a a todo o custo. A maior 
parte das vezes com xito, pelo menos do seu ponto de vista. De facto, quase sempre Coop s ouvia aquilo que queria ouvir, isto , as boas notcias. E filtrava o 
resto muito antes de chegar ao crebro ou aos ouvidos. At agora, no se sara mal. Abe viera, nessa manh, para lhe dar conta da realidade, quer ele gostasse, quer 
no.

- Ol, Liz! Ele est em casa? - indagou Abe, de semblante carregado.

Detestava tratar do que quer que fosse com Coop. Tinham vises opostas em relao a tudo.

- Ainda no chegou - respondeu Liz, com um sorriso afvel, enquanto o conduzia at  biblioteca. - Mas no tardar. Foi a uma reunio por causa de um papel principal.

- Em qu? Num filme de desenhos animados?

Liz, com muita diplomacia, no respondeu. Detestava que as pessoas fossem indelicadas com Coop. Mas tambm sabia que o contabilista estava extremamente irritado 
com ele.

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Coop no seguira nenhum dos seus conselhos, e a situao financeira tornara-se desastrosa nos ltimos dois anos. As ltimas palavras de Abe para Liz, ao telefone, 
no dia anterior, haviam sido: "Isto tem de acabar!" E era isso mesmo que vinha dizer a Coop. Mas, como de costume, Coop estava atrasado, facto que o aborrecia. Nunca 
chegava a horas a lado nenhum. E, por ser quem era e pela sua personalidade cativante, as pessoas acabavam sempre por ficar  espera dele. At Abe.

- Quer uma bebida? - perguntou Liz, fazendo as honras da casa, enquanto Livermore se mantinha impassvel. No seu rosto, nunca se vislumbrava qualquer expresso. 
Era um aspecto que parecia adaptar-se bem ao seu papel. Embora se dissesse que, por uma ou duas vezes, esboara um sorriso, quando Cooper o havia provocado implacavelmente 
por uma coisa qualquer, nunca ningum o vira efectivamente sorrir. Mas Cooper jurava a ps juntos que vira.

- No, obrigado - respondeu Abe, com um ar to imperturbvel como o do mordomo, embora Liz se apercebesse de que a irritao comeava a tomar conta dele a um ritmo 
galopante.

- Ch gelado? - perguntou Liz, tentando p-lo  vontade.

- Pode ser. A que horas acha que ele chega?

Era meio-dia e cinco. Ambos sabiam que a Coop pouco lhe importava chegar uma ou duas horas atrasado. Mas viria com uma desculpa plausvel artilhada, e um sorriso 
deslumbrante, que faria qualquer mulher cair de joelhos, mas no surtiria qualquer efeito em Abe.

- Creio que no deve demorar muito.  uma simples reunio preliminar, para lhe apresentarem o guio.

- Para qu?

Nos seus ltimos trabalhos, limitara-se a aparecer como figurante, entrando ou saindo de uma cerimnia de antestreia, ou conversando num bar com uma moa qualquer. 
Desempenhava quase todos os papis em traje de cerimnia. E tinha tanto charme na tela como na vida real. Conseguia sempre ficar com os fatos que usava nos filmes, 
feitos nos seus costureiros favoritos de Paris, Londres e Milo. Mas, para contrariedade de Abe, no deixava de comprar roupa, e

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gastar cada vez mais em antiguidades, cristais, linhos e objectos de arte de preos exorbitantes. As facturas iam-se amontoando em cima da secretria de Abe, juntamente 
com a do seu mais recente Rolls Royce. Dizia-se que, ultimamente, andava de olho numa srie limitada de um Bentley Azure descapotvel a turbo, que custava a mdica 
quantia de meio milho de dlares. Seria um belo acrescento aos dois Rolls, um descapotvel e um sedan, e  limusina Bentley, mandada fazer de encomenda, que tinha 
na garagem. Coop via os carros e o guarda-roupa como necessidades da vida, no como luxos. Tudo o resto era secundrio.

Um criado apareceu ento com dois copos de ch gelado numa bandeja de prata. Livermore desaparecera. Abe olhou para Liz, de sobrolho franzido, ainda o jovem nem 
sequer abandonara a sala.

- Ele tem de despedir pessoal. Quero que o faa ainda hoje.

O criado olhou para trs, por sobre o ombro, com ar preocupado, e Liz esboou um sorriso tranquilizador. Uma das suas funes era manter toda a gente satisfeita 
e pagar as contas. Os salrios dos criados encontravam-se no topo da sua lista de prioridades, porm, s vezes, at esses pagamentos tinham de ser protelados. Os 
criados j estavam habituados. E ela prpria no recebia h seis meses. Tivera alguma dificuldade em explicar esse facto ao noivo. Geralmente, s depois de Coop 
fazer um anncio ou de receber um pequeno papel num filme  que ela via algum dinheiro. Podia dar-se a esse luxo. Ao contrrio de Coop, tinha um p-de-meia e, durante 
anos, vivera com alguma frugalidade. Sempre que podia, Coop era extremamente generoso com ela.

- Talvez pudssemos deixar isso para mais tarde, Abe. Vai ser muito duro para eles.

- A situao financeira de Coop no permite pagar-lhes os salrios, Liz. Voc sabe disso muito bem. Vou aconselh-lo a vender os carros e a casa. No receber muito 
pelos carros, mas, se vender a casa, podemos pagar a hipoteca e as dvidas, e Coop poder levar uma vida decente e descansada. Pode comprar um apartamento em Beverly 
Hills e voltar de novo  ribalta. - H muito que estava afastado dela.

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Mas Liz sabia que a casa fazia parte de Coop, como um brao ou uma perna. Era o seu corao. H mais de quarenta anos que fazia parte da sua identidade. Coop preferiria 
morrer a vender o Palacete. E no se desfaria dos carros. Disso tinha ela a certeza. A ideia de Coop ao volante de um carro que no fosse um Rolls ou um Bentley 
era impensvel. Era essa a sua imagem de marca. Muitas pessoas no faziam a menor ideia de que se encontrava numa situao financeira extremamente complicada. Achavam 
apenas que se desleixava um pouco a pagar as suas contas. H alguns anos, tivera um pequeno problema com o IRS, que Liz resolvera com os dinheiros que ele havia 
recebido pela sua participao num filme na Europa. Essa situao nunca mais voltara a repetir-se. Mas, agora, as coisas estavam pretas. S precisava de entrar num 
grande filme, costumava ele dizer. Liz fez saber isso mesmo a Abe. Sempre defendera Coop. H vinte e dois anos que o fazia. Porm, nos ltimos tempos, cada vez se 
tornava mais difcil, devido  forma irresponsvel como ele se comportava. Mas esse era o Coop que ambos bem conheciam.

Abe estava farto.

- Ele j tem setenta anos. H dois anos que no entra num filme, e h vinte que no lhe do um papel principal. Se fizesse mais anncios ajudaria um pouco. Mas no 
 suficiente. No podemos manter esta situao durante muito mais tempo, Liz. Se Coop no pagar tudo o que deve, ir parar  cadeia.

H mais de um ano que Liz utilizava cartes de crdito para pagar cartes de crdito. Esta situao estava a dar com Abe em doido. Havia ainda uma srie de outras 
contas por pagar. A ideia de Coop na cadeia era absurda.

Era uma hora da tarde quando Liz pediu a Livermore para trazer uma sanduche a Abe, que parecia prestes a deitar fumo pelos ouvidos. Estava furioso com Coop, e s 
a devoo  profisso o mantinha ali sentado. A determinao de fazer o que se propusera mantinha-se, com ou sem a ajuda de Coop. Gostaria de saber como  que Liz 
ainda se aguentava ao p dele, ao fim daqueles anos todos. Sempre suspeitara de que havia um romance entre eles e ficaria espantado se lhe dissessem o contrrio. 
Tanto Coop como Liz eram pessoas

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inteligentes. Ela adorava-o h anos e nunca fora para a cama com ele. Nem ele lhe pedira tal coisa. Para Coop, algumas relaes eram sagradas, e esta, nunca ousaria 
manch-la. Afinal de contas, era um cavalheiro.

Abe acabou a sanduche  uma e meia, altura em que Liz conseguira fazer versar a conversa sobre os Dodgers, o clube favorito do contabilista. Sabia que ele era um 
apaixonado do basebol. Pr as pessoas  vontade era uma das coisas que Liz fazia melhor. Abe quase esquecera as horas quando ela virou a cabea para o lado. Conhecia 
o barulho do carro na gravilha. Abe no ouvira coisa alguma.

- A est ele! - exclamou Liz, com um largo sorriso nos lbios, como se anunciasse a chegada dos trs Reis Magos.

E, como sempre, Liz tinha razo. Coop vinha ao volante do Bentley Azure descapotvel que o vendedor lhe emprestara h vrias semanas. Era uma mquina esplndida, 
talhada na perfeio para ele. Ouvia um CD de La Bohme, quando fez a ltima curva e parou o carro diante da casa. Era um homem elegante, de cortar a respirao, 
com traos finos e queixo fendido. Tinha olhos azul-escuros, pele clara e macia, e cabelos cor de prata, imaculadamente tratados e penteados. Mesmo com a capota 
descida, no trazia um nico cabelo fora do lugar. Nunca se lhe via tal coisa. Cooper Winslow era o eptome da perfeio em todos os pormenores. Msculo, elegante, 
com extraordinrio  vontade. Raramente perdia as estribeiras ou se mostrava desanimado. Tinha um ar de elegncia aristocrtica, que aperfeioara como uma arte e 
se lhe tornara natural. Provinha de uma antiga famlia de Nova Iorque, com antepassados distintos e sem dinheiro.

No incio da sua carreira, desempenhava todos os papis de menino rico, de classe abastada, uma espcie de Cary Grant dos nossos dias, com ares de Gary Cooper. Nunca 
fizera de vilo ou de duro, s papis de playboy e de fogosos heris impecavelmente vestidos. As mulheres adoravam os seus olhos meigos. Nunca teve mau ntimo, nem 
nunca foi mesquinho ou cruel. As mulheres com quem saa adoravam-no, mesmo depois de se separarem dele. Conseguia quase sempre engendrar maneira de o deixarem, quando 
j estava

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cansado delas. Era perito a lidar com as mulheres, e a maior parte daquelas com quem mantivera um romance dizia bem dele. Achavam-no divertido. Coop tratava-as com 
extrema cortesia enquanto o romance durava. E quase todas as grandes estrelas femininas de Hollywood haviam sido vistas, em uma ou outra ocasio, nos seus braos. 
Fora sempre um celibatrio e um playboy. Aos setenta anos, conseguira escapar daquilo a que chamava "a rede". E no aparentava a idade que tinha.

Sempre tivera um cuidado extremo consigo. Nunca pareceu ter mais de cinquenta e cinco anos. Quando saiu do sumptuoso carro, envergando blazer, calas cinzentas, 
e uma imaculada camisa azul mandada fazer em Paris, evidenciaram-se os ombros largos, fsico impecvel e pernas interminveis. Tinha um metro e noventa e trs, coisa 
rara em Hollywood, onde a maioria das estrelas havia sido sempre de baixa estatura. Acenou para os jardineiros em sinal de cumprimento, com um radioso sorriso onde 
se salientava a dentadura cuidada; mas uma mulher teria tambm reparado nas mos, igualmente bem tratadas. Cooper Winslow parecia ser o homem perfeito. E, num raio 
de oitenta quilmetros, podia constatar-se o fascnio que exercia sobre as pessoas. Era um man, tanto para as mulheres como para os homens. Apenas um reduzido nmero 
dos seus conhecidos, entre os quais Abe Braunstein, se mostrava indiferente ao seu charme. Para todas as outras pessoas, porm, havia nele um irresistvel magnetismo, 
uma espcie de aura, que fazia com que se virassem e esboassem um sorriso de admirao. Em suma, era um homem de espectacular aparncia.

Livermore, que tambm o vira chegar, abriu-lhe a porta.

- Ests com bom aspecto, Livermore. Morreu algum hoje?

Coop metia-se sempre com o mordomo por causa do seu ar sisudo. Faz-lo sorrir era para si um desafio. H quatro anos que Livermore trabalhava para Coop, e o velho 
actor estava imensamente satisfeito com ele: agradavam-lhe a sua dignidade, a firmeza, a sua eficincia e estilo. Emprestavam  casa precisamente o tipo de imagem 
que Coop pretendia alcanar. E Livermore tomava conta do guarda-roupa de forma

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irrepreensvel, o que era importante para Coop. Tratava-se de uma das principais tarefas do mordomo.

- No, senhor. Miss Sullivan e Mister Braunstein esto na biblioteca. Acabaram de almoar.

No lhe disse que o esperavam desde o meio-dia. De qualquer forma, Cooper estar-se-ia nas tintas para esse facto. Do seu ponto de vista Abe Braunstein trabalhava 
para si, e se tivera de esperar a nica coisa que tinha a fazer era cobrar-lhe esse tempo de espera.

Ao entrar na biblioteca, em passadas largas, Coop lanou um sorriso cativante a Abe, parecendo algo divertido, como se acabasse de ouvir uma piada. Cooper Winslow 
danava ao seu prprio ritmo.

- Espero que lhe tenham servido um almoo decente afirmou, como se houvesse chegado a tempo, e no quase duas horas atrasado. Geralmente, o seu estilo fazia com 
que as pessoas baixassem a guarda, esquecendo a irritao por causa do atraso, mas Abe no se deixou levar em manobras de diverso e foi directo ao assunto.

- Estamos aqui para falar de finanas, Coop. Temos de tomar algumas decises.

- Claro! - retorquiu Coop, rindo, ao mesmo tempo que se sentava no sof e cruzava as pernas. Sabia que, dentro de segundos, Livermore lhe traria um clice de champanhe, 
e assim aconteceu. Era o vintage Cristal que costumava beber, servido  temperatura ideal. Possua dzias de caixas dele na adega, alm de outros vinhos franceses 
fabulosos. Tanto a adega como o seu gosto eram lendrios. - Vamos dar um aumento a Liz. - E sorriu para a secretria, cujo corao comeou a bater mais depressa. 
Tambm ela tinha ms notcias a comunicar-lhe. Receara dar-lhas durante toda a semana, esperando pelo fim-de-semana para esse efeito.

- Vou despedir todo o seu pessoal domstico hoje declarou Abe sem cerimnia. Coop soltou uma gargalhada, enquanto Livermore abandonava a sala com o seu habitual 
ar impassvel, como se nada tivesse sido dito. Coop bebeu um gole de champanhe e pousou o copo em cima de uma mesa de mrmore que comprara em Venice, aquando da 
venda do palacete de um amigo.

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-  uma ideia brilhante. Como  que se lembrou disso? No seria melhor crucific-los, ou dar-lhes um tiro? Para qu despedi-los? Isso so coisas de classe mdia!

- Estou a falar a srio. Tm de ser despedidos. Acabmos de lhes pagar os salrios. H trs meses que no recebiam. E no temos possibilidades de lhes voltar a pagar. 
No podemos continuar com esta despesa, Coop. - Havia um tom de lamento na voz do contabilista, como se soubesse que nada do que dissesse ou fizesse poderia convencer 
o velho actor a lev-lo a srio. Quando falava com Coop, tinha sempre a sensao de estar a falar para o boneco. - Vou avis-los do despedimento ainda hoje. Tm 
de sair no espao de duas semanas. Vou deixar-lhe uma criada.

- Maravilhoso! E sabe engomar fatos? Qual  que me vai deixar?

Tinha trs criadas, uma cozinheira, o criado que servira o almoo, Livermore, oito jardineiros e um motorista em regime de part-time para os eventos importantes. 
Um autntico exrcito, embora pudesse prescindir de muitos deles. Mas gostava de ser bem servido e de satisfazer todos os seus desejos.

- Vou deixar-lhe a Paloma Vldez.  a que tem o salrio mais baixo - sentenciou Abe, pragmtico.

- Qual delas ? - Coop olhou para Liz com ar inquisitivo. No se lembrava de ningum com aquele nome. Duas das criadas eram francesas, Jeanne e Louise, e essas sabia 
quem eram, mas o nome Paloma no lhe dizia nada.

-  a salvadorenha que contratei o ms passado. Pensei que gostasse dela - respondeu Liz, como se estivesse a falar com uma criana. Coop parecia baralhado.

- Pensei que o nome dela era Maria, e  isso que lhe tenho chamado, mas nunca me responde. Ela no vai conseguir dar conta da casa toda.  ridculo - disse Coop, 
em tom jovial, enquanto olhava para Abe, no parecendo perturbado pela notcia.

- No tem alternativa - ripostou Abe bruscamente. Tem de despedir pessoal, vender os carros e, durante o prximo ano, no comprar rigorosamente nada, mas mesmo nada: 
nem carros, nem fatos, nem um par de meias, nem quadros, 

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nem uma toalhinha de mesa. E, ento, talvez consiga comear a sair do buraco em que est metido. Gostaria de v-lo vender a casa ou, pelo menos, arrendar a casa 
do caseiro, e talvez at parte desta, o que faria entrar algum dinheiro. Liz disse-me que a ala de hspedes nunca  utilizada. Podia arrend-la. Por ela e pela casa 
do caseiro era capaz de receber bom dinheiro. No precisa de nenhuma delas. - Ponderara maduramente esta questo. Era uma pessoa muito conscienciosa das suas obrigaes.

-  ridculo arrendar parte da casa. Porque no a transformamos num colgio interno? Ou numa escola de etiqueta? Que ideia mais estapafrdia essa de arrendar a casa! 
Coop estava deleitado com a situao, no mostrando qualquer inteno de fazer o que quer que fosse. Abe fitava-o de semblante carregado.

- Acho que no est a ver bem a situao em que est metido. Se no seguir os meus conselhos, vai ter de pr a casa  venda e ficar sem ela no espao de seis meses. 
Est quase na bancarrota, Coop.

- Isso  ridculo. A nica coisa de que preciso  de entrar num grande filme. Hoje deram-me a ler um argumento espectacular - retorquiu Coop, esboando um sorriso 
de satisfao.

- O seu papel  importante? - indagou Abe, impiedoso. Continuava a bater na mesma tecla.

- Ainda no sei. Disseram que depois me escrevem. O papel pode ter a importncia que eu quiser.

- Cheira-me a participao especial - comentou Abe, perante o ar crispado de Liz. Detestava que as pessoas fossem cruis com Coop. E a realidade parecia ser sempre 
cruel para ele, tanto que Coop no lhe ligava nenhuma. Evitava-a. A nica coisa que queria da vida era que fosse agradvel, divertida, fcil e bela em todas as ocasies. 
Para si, era. S no tinha condies econmicas para manter esse estilo de vida, mas isso nunca o impedira de viver como queria. Nunca hesitara em comprar um carro 
novo, em mandar fazer meia dzia de fatos, ou em comprar uma pea de joalharia para oferecer a uma mulher. E as pessoas estavam sempre dispostas a fazer negcio 
com ele. Queriam o prestgio de o ter a exibir

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as suas coisas. Acreditavam que ele acabaria por pagar, o que acontecia quase sempre. Fosse como fosse, as contas apareciam pagas, muitas das vezes graas a Liz.

- Abe, voc sabe to bem como eu que, com um grande filme, ficaremos novamente a nadar em dinheiro. Na prxima semana posso receber dez, quinze milhes de dlares 
por um filme. - Continuava a viver num sonho.

- Receba-os, se tiver sorte. At pode receber quinhentos mil, ou trs, ou dois, tanto me faz. Voc j no consegue receber grandes cachs, Coop. - A nica coisa 
que no disse foi que a poca urea de Cooper Winslow j passara. At Abe sabia que no podia dizer-lhe tudo o que pensava. Mas a verdade  que o velho actor teria 
muita sorte se recebesse cem ou duzentos mil dlares. Por muito bem-parecido que fosse, Cooper Winslow era demasiado idoso para actor principal. Esses tempos haviam 
acabado para sempre. - No pode continuar a valer-se da sorte. Se disser ao seu agente que quer trabalho, talvez ele lhe arranje anncios por cinquenta ou cem mil 
dlares, se o produto for de peso. No podemos estar  espera de uma grande quantia, Coop. Tem de fazer cortes no oramento at isso acontecer. Pare de gastar dinheiro 
como gua, reduza o pessoal ao mnimo, arrende a casa do caseiro e parte desta, e talvez o panorama fique menos sombrio nos prximos meses. Se no o fizer, ter 
de vender a casa ainda antes do final do ano. Seria a melhor coisa a fazer. Mas a Liz acha que voc est determinado a no sair daqui.

- Sair do Palacete? - Coop riu-se ainda com mais vontade. - Mas que ideia mais estapafrdia! Vivo aqui h mais de quarenta anos.

- Bem, mas deixar de viver, se no comear a apertar o cinto. No  segredo nenhum, Coop. J lhe chamei a ateno para isso h dois anos.

- Pois chamou, e ainda aqui me mantenho, e no estou nem na bancarrota nem na cadeia. Tem de tomar antidepressivos, Abe. Talvez o ajudem a ver as coisas de forma 
menos sombria. - Costumava dizer a Liz que Abe parecia um cangalheiro, at na forma de vestir. Coop nunca lho dissera, mas no gostava mesmo nada que ele andasse 
de fato de Vero

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em Fevereiro. Esse tipo de coisas aborrecia-o, mas no queria embara-lo comentando-as. Pelo menos, no estava a sugerir a Coop que vendesse tambm o guarda-roupa. 
- Est mesmo a falar a srio acerca dessa questo do pessoal, no est? - Coop olhou de relance para Liz, que o observava com ar complacente. Imaginava o desconforto 
que ele devia estar a sentir.

- O Abe tem razo. Voc est a gastar demasiado em salrios, Coop. Talvez devesse fazer uns cortes durante uns tempos, at haver mais dinheiro. - Liz deixava-o sempre 
ter os seus sonhos. Precisava deles.

- Como  que uma salvadorenha, sozinha, pode dar conta da casa toda? - perguntou Coop, perplexo. Era uma ideia absurda. Pelo menos, para ele.

- Ela no ter de o fazer, se voc arrendar parte da casa
- retorquiu Abe, pragmtico. - Pelo menos, isso resolver um problema.

- H dois anos que a ala de hspedes no  utilizada, e h quase trs que a casa do caseiro se encontra fechada. Julgo que tanto uma como outra no lhe faro falta 
- lembrou Liz, num tom afvel, parecendo uma me a tentar convencer o filho a dar alguns dos seus brinquedos aos pobres ou a comer a carne.

- Por que carga de gua iria eu querer estranhos na minha casa? - indagou Cooper, algo aturdido.

- Porque voc no quer vender a casa, s por isso replicou Abe -, e no tem alternativa. Estou a falar muito a srio, Coop.

- Bem, vou pensar no assunto - prometeu Coop, algo hesitante. A ideia no fazia o menor sentido. Ainda tentava imaginar como seria a vida sem qualquer tipo de apoio. 
No devia ser muito divertida. - E no est  espera que eu me ponha a cozinhar, pois no? - Parecia desorientado.

- A julgar pelos seus cartes de crdito, costuma ir jantar fora todas as noites. Nunca ir sentir falta da cozinheira. Ou do resto dos criados. Podemos mandar vir 
um servio de limpeza, de tempos a tempos, se as coisas comearem a andar fora dos eixos.

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- Que maravilha! E porque no um porteiro? E talvez tambm pudssemos contratar um grupo de presos em liberdade condicional. - Os olhos de Coop faiscavam, perante 
o ar exasperado de Abe.

-J tenho os cheques e as cartas de despedimento replicou Abe, com ar severo. Queria ter a certeza de que Coop percebia que ele ia mesmo despedi-los. No havia outra 
alternativa.

- Vou falar com um corretor imobilirio na segunda-feira - informou Liz, numa voz sumida. Detestava irrit-lo, mas ele tinha de saber. No podia fazer uma coisa 
daquelas sem lhe dar conhecimento. Tambm achava que o arrendamento dos dois espaos no era m ideia. Coop no teria de abandonar o Palacete e receberia uma boa 
quantia. Era uma das melhores ideias de Abe. E seria muito mais fcil para Coop do que vender a casa.

- Est bem, est bem. Mas certifiquem-se de que no me metem um assassino dentro de casa. E nada de crianas, por amor de Deus, ou ces a ladrar. Para dizer a verdade, 
s estou interessado em inquilinas, e bonitas. Eu prprio fao as entrevistas - assentiu, meio a brincar. Liz achava que ele estava a ser extremamente razovel, 
e ia tentar arranjar inquilinos o mais depressa possvel, antes que ele desse o dito por no dito.
-  tudo? - perguntou a Abe, enquanto se levantava para mostrar que j estava farto. Fora uma dose forte de realidade para Coop. E era bvio que queria que Abe se 
fosse embora.

- Por agora,  tudo - respondeu Abe, pondo-se de p. Eu estava mesmo a falar a srio, Coop. No compre nada!

- Prometo. Terei o cuidado de ver se as meias e as cuecas tm buracos. Deixo-o dar-lhes uma olhadela da prxima vez que c vier.

Abe no ripostou e encaminhou-se para a porta. Entregou os envelopes que trouxera a Livermore, pedindo-lhe para os distribuir pelo pessoal. Tinham todos de sair 
no espao de duas semanas.

- Que homenzinho desagradvel - comentou Coop para Liz, sorrindo, depois de Abe sair. - Deve ter tido uma infncia terrvel, para pensar daquela maneira. Provavelmente, 
passava o tempo a arrancar as asas s moscas. E, por amor de Deus, haja algum que deite fogo aos fatos com que anda!

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- As intenes dele so as melhores, Coop. Lamento, foi uma reunio muito dura. Farei o meu melhor para que a Paloma esteja preparada dentro de duas semanas. Vou 
pedir ao Livermore que lhe ensine como se trata do seu guarda-roupa.

- Estremeo s de pensar nisso. Espero que ela no me meta os fatos na mquina de lavar. Talvez tenha de mudar de visual. - Esforava-se por no se deixar abater 
pela situao e continuava, pelo menos aparentemente, divertido. - Vai ser uma calmaria aqui em casa: s voc, eu e a Paloma, ou Maria, ou l como  que ela se chama. 
- Os olhos de Liz adquiriram um brilho estranho. - Que  isso? Ele no a vai despedir, pois no?

Por uma fraco de segundos, Liz vislumbrou um olhar de pnico no velho actor, que quase lhe despedaou o corao. S a custo, ao fim de um ror de tempo,  que conseguiu 
articular a resposta.

- No, no vai, Coop... mas vou-me embora na mesma... - sussurrou. Contara a Abe no dia anterior, e fora esse o nico motivo por que ele no a despedira tambm.

- No seja tonta. Preferia vender o Palacete a v-la ir-se embora, Liz. Vou esfregar escadas, se for preciso, para ficar consigo.

-  que... - tinha os olhos marejados de lgrimas. Vou-me casar.

- Vai qu? Com quem? No  com aquele dentista ridculo de San Diego, pois no?

Isso fora h cinco anos. Coop j no estava a par desse tipo de coisas. No conseguia conceber o facto de perder Liz e nunca lhe passara pela cabea que ela pudesse 
casar-se. Tinha cinquenta e dois anos, e tudo levava a crer que iria ficar l em casa eternamente. Ao fim de todos aqueles anos, eram como famlia.

-  corretor da Bolsa em So Francisco. - As lgrimas corriam-lhe pelas faces.

- Quando  que comearam a namorar? - indagou Coop, com ar chocado.

- H cerca de trs anos. Nunca me passou pela cabea que acabaramos por casar. O ano passado, falei-lhe nele.

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Sempre imaginei que iramos namorar a vida inteira. Mas ele vai-se reformar este ano e quer que eu v viajar com ele. As filhas j so adultas, e disse-me que era 
agora ou nunca. Acho melhor aproveitar a oportunidade.

- Que idade tem ele? - Coop estava horrorizado. Era a ltima m notcia que esperava ouvir.

- Cinquenta e nove. Est muito bem conservado. Tem um apartamento em Londres e uma bela casa em So Francisco. Vendeu-a h pouco tempo, e vamo-nos mudar para um 
apartamento em Nob Hill.

- Em So Francisco? Vai morrer de tdio, ou enterrada num terramoto. Liz, voc vai detestar. - Coop acusara o toque. No se imaginava sem ela. Liz no conseguia 
parar de chorar.

- Talvez.  provvel que at volte a correr para c. Mas achei que devia casar-me, pelo menos uma vez, quanto mais no seja para poder dizer que j fui casada. Pode 
telefonar-me quando quiser, Coop, esteja eu onde estiver.

- Quem vai fazer as minhas reservas e falar com o meu agente? No me diga que vai ser a Paloma, ou l como  que ela se chama!

- Da agncia disseram-me que faro tudo o que puderem por si. Abe tratar da contabilidade. Pouca coisa me resta. - A no ser atender os telefonemas das namoradas, 
dar notcias frescas ao agente de imprensa, sobretudo acerca das mulheres com quem ele saa. Coop teria de comear a fazer os seus prprios telefonemas. Seria uma 
nova experincia. Liz sentia-se como se estivesse a tra-lo, a abandon-lo.

- Est realmente apaixonada por esse tipo ou, simplesmente, entrou em pnico? - Ao longo dos anos, nunca lhe ocorrera que ela ainda desejasse casar. Liz nunca lhe 
contara nada, e ele tambm nada lhe perguntara, acerca da sua vida amorosa. Andara to ocupada a tratar dos encontros, das compras, das festas e das viagens de Coop 
que, no ano anterior, poucas vezes se encontrara com o homem com quem ia casar, facto que o levara a apressar o pedido de casamento. Queria afast-la de Cooper Winslow, 
que considerava narcisista e egocntrico.

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- Acho que estou apaixonada. Ele  uma pessoa maravilhosa, muito atencioso comigo. Quer tomar conta de mim e tem duas filhas muito simpticas.

- Que idade tm? No a consigo imaginar com filhos, Liz.

- Dezanove e vinte e trs. Gosto delas, e elas tambm parecem gostar de mim. A me morreu quando ainda eram muito pequenas, e foi o Ted que teve de as educar sozinho. 
E com bons resultados. Uma trabalha em Nova Iorque, e a outra est em Stanford, no curso preparatrio para Medicina.

- No posso acreditar! - Coop estava completamente destroado. O dia para si comeara de forma desastrosa. Nem sequer se lembrava de que estava prestes a arrendar 
a casa do caseiro e a ala de hspedes. A nica coisa que o preocupava naquele momento era o facto de ir perder Liz. - Quando  que casam?

- Dentro de duas semanas, logo que saia daqui. E desatou a chorar. De sbito, at ela comeava a achar a ideia horrvel.

- Quer realizar a cerimnia aqui?

- Vamos realiz-la em casa de um amigo, em Napa.

- Muitos convidados? - Coop estava perplexo. Nunca esperara isto.

- No. S ns os dois, as filhas dele e os donos da casa. Se fosse uma cerimnia maior, t-lo-ia convidado, Coop. No tivera tempo para planear a cerimnia do casamento. 
Andara demasiado atarefada a tratar dos assuntos de Coop. E Ted no queria esperar mais. Sabia que, se o fizesse, ela nunca abandonaria Coop, sentia-se responsvel 
por ele.

- Quando  que resolveu tomar essa deciso?

- H uma semana.

Ted viera passar o fim-de-semana com ela e pressionara-a. A deciso coincidira com o propsito de Abe despedir o pessoal. Por um lado, sabia estar a fazer um favor 
a Coop, que no se encontrava em condies econmicas de a manter ao seu servio. Mas sabia tambm que a despedida seria muito dura para ambos. No se imaginava 
a deix-lo, e s de pensar nisso ficava com o corao despedaado. Estragara-o com mimos, nos ltimos vinte e dois anos. Andava constantemente preocupada, cuidando 
dele como uma me. Sabia

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que, em So Francisco, ficaria muitas noites acordada por sua causa. Avizinhava-se um terrvel perodo de habituao para ambos. Coop era, para ela, o filho que 
nunca tivera e que, h anos atrs, deixara de desejar.

Coop ainda estava sob o efeito do choque quando Liz saiu, depois de atender um telefonema. Era Pamela, o ltimo romance do velho actor. Tinha vinte e dois anos, 
demasiado jovem, mesmo para os seus prprios padres. Era modelo e aspirava a ser actriz. Conhecera-a numas filmagens que fizera para a GQ. A revista contratara 
meia dzia de modelos para posarem ao seu lado, e a beleza de Pamela chamara a ateno de Coop. H cerca de um ms que namoravam. A rapariga estava perdida de amores 
por ele, embora Coop tivesse idade suficiente para ser seu av e no parecesse andar muito satisfeito com a relao. Ia lev-la a jantar ao The Ivy, e Liz lembrou-lhe 
que ficara de ir busc-la s sete e meia. Coop abraou Liz calorosamente antes de ela sair, e lembrou-lhe que poderia regressar se a vida de casada no lhe agradasse. 
No fundo, esperava que isso acontecesse. Coop tinha a sensao de estar a perder a irm mais nova, a melhor amiga.

J no carro, Liz recomeou a chorar. Amava Ted, mas no imaginava a sua vida sem Coop. Ao longo dos anos, ele fora a sua famlia, o seu melhor amigo, o seu irmo, 
o seu heri. Adorava-o. Tivera de apelar a todas as suas foras a fim de ganhar coragem para aceitar casar com Ted e contar a Coop. Na semana anterior, no pregara 
olho e, antes de Coop chegar a casa, andara desgostosa toda a manh. Sentia-se desalentada. Deixar Coop seria como abandonar o convento ou sair do ventre da me. 
S esperava ter tomado a deciso certa.

Depois de Liz sair, Coop manteve-se na biblioteca. Encheu outro clice de champanhe e bebeu um gole. Depois subiu lentamente as escadas e dirigiu-se para o quarto. 
No caminho, cruzou-se com uma mulher pequena, de bata branca, que aspirava ruidosamente as escadas. Exibia uma enorme ndoa na parte da frente da bata, de sumo de 
tomate ou de sopa. Os cabelos estavam apanhados numa longa trana que lhe caa pelas costas, e usava culos escuros, facto que chamou a ateno de Cooper.


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- Paloma? - perguntou, cautelosamente, como se estivesse a v-la pela primeira vez. Trazia uns tnis a imitar pele de leopardo, o que o deixou estarrecido.

- Paloma Jess. Mister Weenglow?

Havia nela algo de muito independente. No tirou os culos, continuando a fit-lo por detrs das lentes escuras. Era impossvel dizer ao certo quantos anos teria, 
mas devia rondar a meia-idade.

- Winslow, Paloma. Tiveste algum acidente? - Cooper referia-se  ndoa na bata. Dava a sensao de que algum lhe atirara com uma piza.

- Comemos "esbarguete" ao almoo, e deixei cair a colher em cima da "pata". E no tenho nenhuma lavada.

- Isto est bonito - murmurou Cooper, entre dentes, continuando o seu caminho, ainda abalado com a notcia da partida de Liz e a matutar em como seria quando Paloma 
comeasse a tratar do seu guarda-roupa. Assim que fechou a porta do quarto, Paloma, que o olhava fixamente, revirou os olhos em sinal de enfado. Era a primeira vez 
que falava com Cooper, mas, pelo pouco que conhecia do patro, nunca morrera de amores por ele. Saa com mulheres que tinham idade para serem suas filhas e parecia 
estar crivado de dvidas. No conseguia lembrar-se de nada que lhe agradasse nele. Abanou a cabea em sinal de desaprovao e continuou a aspirar as escadas. Tambm 
no lhe agradava nada ficar sozinha com ele na casa. Mas no iria barafustar. Tinha muitos familiares em So Salvador para sustentar e precisava do dinheiro. Mesmo 
que isso significasse trabalhar para uma pessoa como ele.
CAPTULO 2

Mark Friedman acabara de assinar o ltimo documento. Depois, na companhia da corretora imobiliria, deteve-se um pouco a olhar a casa vazia, de corao destroado. 
A casa fora vendida em apenas trs semanas. Haviam conseguido um bom preo por ela, mas isso nada significava para Mark. Olhar as paredes e as salas vazias onde 
vivera com a famlia durante dez anos era como ver o ltimo dos seus sonhos desaparecer.

Ainda pensara em ficar com a casa, mas Janet pedira-lhe para a vender logo que ela chegasse a Nova Iorque. Percebeu ento que, independentemente do que dissera nas 
semanas anteriores, Janet no fazia tenes de voltar para ele. S duas semanas antes de partir lhe dissera que ia deix-lo. E o advogado dela j contactara com 
o seu. Toda a sua vida se desfizera nas ltimas cinco semanas. A moblia ia j a caminho de Nova Iorque. Dera tudo o que tinha  mulher e aos filhos. Estava alojado 
num hotel perto do escritrio e acordava todas as manhs com desejo de morrer. Vivera dez anos em Los Angeles e estivera casado durante dezasseis.

Mark tinha quarenta e dois anos, era alto, magro, loiro e de olhos azuis, e at h cinco semanas atrs estivera convencido de que era feliz no casamento. Conhecera 
Janet na Faculdade de Direito, e casaram-se mal acabaram o curso. Ela engravidara quase de imediato. Jessica nasceu no dia em que faziam um ano de casados e tinha 
agora quinze anos. Jason tinha treze. Mark era advogado de Direito Fiscal numa importante firma de advocacia e, dez anos antes, fora transferido de Nova Iorque para 
Los Angeles. Ao princpio, custara-lhe um pouco adaptar-se  cidade, mas acabou por se apaixonar por ela. Descobrira a casa em Beverly Hills ao fim de poucas semanas, 
ainda antes de Janet e os filhos chegarem de Nova Iorque. Parecera-lhe perfeita para eles. Tinha um enorme jardim e uma pequena piscina. E, agora, as pessoas que 
acabavam de a comprar queriam fechar o negcio o mais depressa possvel pois estavam  espera de gmeos dentro de

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seis semanas. Enquanto dava uma ltima volta pela casa, perdido nestes pensamentos, Mark no conseguiu deixar de pensar que a vida daquele casal estava no incio, 
ao passo que a sua havia acabado. Ainda no acreditava no que lhe acontecera.

Seis semanas antes, era um homem feliz, com uma mulher bonita por quem estava loucamente apaixonado, um emprego que adorava, uma casa maravilhosa e dois filhos lindssimos. 
No tinham problemas de dinheiro e estavam todos de perfeita sade. Seis semanas mais tarde, a mulher deixara-o, a casa fora vendida, a famlia vivia em Nova Iorque, 
e ele ia divorciar-se.

A corretora no o acompanhou na sua deambulao pelas salas vazias. Os bons momentos que ali partilhara com a mulher eram os nicos pensamentos que lhe povoavam 
a cabea. Na sua perspectiva, no houvera nada de errado no seu casamento, e at Janet admitira que fora feliz com ele.

"No sei o que aconteceu", dissera, lavada em lgrimas, quando lhe disse que se queria separar. "Talvez fosse o tdio... talvez eu devesse ter voltado a trabalhar 
depois de o Jason nascer..." Mas nada disto explicava por que razo ela o trocara por outro homem. H cinco semanas, admitira estar loucamente apaixonada por um 
mdico de Nova Iorque.

Um ano e meio antes, a me de Janet adoecera gravemente. Primeiro, um ataque cardaco, depois, herpes zster, e, por fim, um derrame cerebral. Fora um infindvel 
perodo de sete meses em que Janet viajara constantemente entre Los Angeles e Nova Iorque. O pai dela estava arrasado e contrara Alzheimer, a me sofria crises 
atrs de crises. Mark tomava conta das crianas durante os perodos de ausncia de Janet. O primeiro desses perodos, aps o ataque cardaco, durara seis semanas. 
Mas ela telefonava-lhe trs, quatro vezes por dia. Mark nunca suspeitara de nada. Mas as coisas no tinham acontecido de repente. Com o decorrer do tempo, Janet 
apaixonara-se pelo mdico da me, um indivduo simptico, carinhoso, extremamente atencioso. Certa noite, tinham ido jantar juntos e fora assim que tudo comeara.

Janet manteve este tipo de relao durante um ano. Foi uma situao desgastante. Achava que era uma coisa passageira 

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e que, mais cedo ou mais tarde, iria encontrar uma soluo para o problema. Asseverou a Mark que tentara acabar vrias vezes. Mas a paixo que ela e o mdico nutriam 
um pelo outro era to grande que se tornara uma obsesso. Estar com Adam, como contou, era como estar viciada em drogas. Mark ainda sugeriu terapia e aconselhamento 
de casais, mas Janet recusou. J decidira o que fazer. Voltaria para Nova Iorque e veria at onde as coisas iriam dar. Precisava de estar fora do casamento, pelo 
menos durante algum tempo, de modo a poder gozar o romance livre de presses. Mal chegou a Nova Iorque, disse a Mark que queria o divrcio e pediu-lhe que vendesse 
a casa. Queria metade do dinheiro da venda, para comprar um apartamento. Enquanto passeava o olhar pelas paredes vazias do quarto, Mark pensava na ltima conversa 
que tivera com Janet. Nunca se sentira to perdido e s na vida. Tudo aquilo em que acreditara, com que contara e em que pensara, se perdera. E o pior  que no 
fizera nada de errado, pelo menos achava que no. Talvez se tivesse dedicado em demasia ao trabalho, ou no a tivesse levado a jantar fora as vezes suficientes, 
mas parecia haver um ptimo relacionamento entre os dois, e ela nunca se queixara.

O segundo pior dia da sua vida, depois daquele em que ela lhe falou do romance com o mdico, foi quando contaram aos filhos que iam separar-se. Estes queriam saber 
se ele e a mam iam divorciar-se, e ele respondera-lhes honestamente que ainda no sabia. Mas, na altura Janet j sabia. S ainda no queria diz-lo aos filhos, 
ou a Mark.

Os midos choraram imenso e, sem razo aparente, ao princpio, Jessica culpara o pai de tudo. Para eles, a separao no fazia qualquer sentido. Aos quinze e treze 
anos, fazia ainda menos sentido do que para Mark. Pelo menos, ele sabia o motivo da separao. Mas, para os midos, era um mistrio inexplicvel. Nunca haviam visto 
os pais a discutir ou em desacordo, coisa que raramente acontecera. Talvez houvessem discutido por causa da decorao da rvore de Natal e, uma vez, Mark tivera 
um acesso de fria quando Janet espatifou o carro novo, mas acabara por lhe pedir desculpa, dando graas a Deus por ela no se ter ferido. Era um indivduo calmo 
e ntegro. Adam era mais animado do que Mark. Tinha quarenta 

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e oito anos, uma intensa actividade profissional, e vivia em Nova Iorque. Possua um veleiro em Long Island e estivera no Place Corps durante quatro anos. Tinha 
amigos interessantes e uma vida divertida. Era divorciado e nunca tivera filhos. A ex-mulher nunca engravidara, e tambm no quiseram adoptar nenhuma criana. E 
estava radiante com a ideia de poder ter filhos de Janet. Queria dois. Mas Janet no referiu esse facto nem a Mark nem aos filhos, que ainda no sabiam nada acerca 
dele. Estava a pensar apresent-lo logo que se instalassem em Nova Iorque. Mark suspeitava que ela no fazia tenes de lhes contar que se divorciara por causa de 
Adam.

Mark sabia que era mais sisudo do que Adam. Gostava do seu trabalho, adorava Direito Sucessrio, mas esse era um assunto que no podia discutir em profundidade com 
Janet. Ela pensara em seguir Direito Criminal, ou ser advogada de menores, e sempre achara o Direito Comercial aborrecido. Ela e Mark jogavam tnis vrias vezes 
por semana, iam ao cinema, passeavam com os filhos, jantavam com amigos. Fora uma vida tranquila para todos os elementos da famlia. E agora, a tranquilidade acabara. 
A angstia que sentia tornara-se praticamente uma dor fsica. Nas ltimas cinco semanas, vivera constantemente com a sensao de ter uma faca na barriga. Comeara 
a ir a um terapeuta, por sugesto do mdico, depois de lhe ter telefonado a pedir calmantes, porque j no conseguia dormir. A vida tornara-se um inferno. Tinha 
saudades dela, dos filhos e da vida que levavam. Num piscar de olhos, tudo desaparecera, at a casa.

- Pronto, Mark? - perguntou a corretora, espreitando  porta do quarto. Mark estava imvel, a olhar para o ar, perdido nos seus pensamentos.

- Ah, claro - respondeu, saindo, no sem antes deitar um ltimo olhar ao aposento. Era como se estivesse a despedir-se de um mundo perdido, ou de um velho amigo. 
Seguiu a corretora at  porta, e foi ela que a fechou. Dera-lhe as chaves todas. O dinheiro, que ia dividir com Janet, seria depositado na sua conta nessa mesma 
tarde. Haviam conseguido um bom preo, mas isso pouco lhe importava.

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-J est em condies de procurar alguma coisa para si?
- indagou a corretora, esperanosa. - Tenho umas casas pequenas, no cimo das colinas, que so ptimas. E h uma, que  uma autntica jia, em Hancock Park. Tambm 
se podem encontrar por a uns apartamentos muito engraados. Fevereiro sempre fora um bom ms para procurar casa. O remanso das frias acabara e na Primavera apareciam 
boas oportunidades no mercado. A corretora sabia que Mark possua dinheiro suficiente para comprar uma casa nova, apesar de s ter direito a metade do valor da que 
vendera. Alm disso, tinha um bom emprego. O dinheiro no era problema para Mark. Todos os seus problemas fossem esses!

- Estou bem no hotel - retorquiu Mark, entrando no Mercedes, depois de lhe agradecer de novo.

A corretora fizera um bom trabalho, fechando o negcio da venda em tempo recorde. Quase desejou que ela no tivesse sido to eficiente, ou nem sequer tivesse conseguido 
vender a casa. Ainda no se sentia preparado para ir viver noutro lugar. Tinha de falar sobre isso com o terapeuta. Nunca fora a um terapeuta, e este parecia ser 
boa pessoa, mas Mark no sabia muito bem se a experincia viria a resultar. Talvez pudesse ajud-lo a resolver o problema do sono, mas, quanto ao resto, que poderia 
ele fazer? Por mais coisas que dissesse nas sesses de terapia, a verdade  que Janet e os filhos no estavam consigo e, sem eles, a sua vida no fazia qualquer 
sentido. No queria uma nova vida. S queria t-los. Agora, Janet tinha outra pessoa, e talvez os seus filhos viessem a gostar mais de Adam do que dele. Era um pensamento 
avassalador. Nunca se sentira to indefeso e to perdido na vida.

Ao meio-dia, estava de novo no escritrio, sentado  mesa de trabalho. Ditou uma pilha de cartas  secretria e analisou alguns relatrios. Nessa tarde, tinha uma 
reunio com os seus scios. Nem sequer se preocupou em almoar. Perdera uns quatro ou cinco quilos nas ltimas cinco semanas. S lhe restava continuar o seu caminho, 
pr um p  frente do outro e tentar no pensar mais no assunto.  noite, voltava a lembrar-se de tudo e ouvia as palavras de Janet vezes sem conta, bem como o choro 
dos filhos. Telefonava-lhes todas as noites. Prometera ir visit-los dentro de semanas. Ia lev-los 



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s Carabas nas frias da Pscoa. Depois, viriam passar uns dias consigo no Vero, mas agora no tinha onde aloj-los. Pensar em tudo isto deixava-o de rastos.

Quando, ao fim da tarde, encontrou Abe Braunstein, numa reunio sobre as novas leis fiscais, estava com ar de quem tem uma doena terminal. O contabilista ficou 
perplexo. Mark costumava exibir um ar saudvel, jovem e atltico, e estava sempre de bom humor. Agora, parecia algum a quem morrera um ente querido. E era isso 
mesmo que sentia.

- Sente-se bem? - perguntou Abe, preocupado.

- Sim... estou bem - respondeu Mark, com ar distante, aptico. Estava plido, abatido.

- Voc est com ar adoentado e muito mais magro. Mark fez que sim com a cabea, sem articular qualquer resposta. Depois da reunio, sentiu-se um imbecil por no 
ter reagido  preocupao de Abe. Seria a segunda pessoa a quem ia contar o seu problema. A primeira fora o terapeuta. No tivera estmago para contar a ningum. 
Era uma situao humilhante, que dava dele a imagem de um perdedor, e preocupava-o o facto de as pessoas poderem pensar que fora uma besta para a esposa. Queria 
explicar o que se passara, mas sentia-se dividido entre a vontade de desabafar e a necessidade de se esconder.

- A Janet foi-se embora - disse Mark, disfaradamente, ao sarem da reunio. Eram quase seis horas. As palavras saram de tal modo sumidas que ele prprio mal as 
ouviu. Dava a sensao de que a alma se separara do corpo. Abe no percebeu o que ele queria dizer.

- Foi viajar? - perguntou, confuso.

- No. De vez - explicou Mark, amargurado. Contar a verdade era, de certa forma, um alvio. - Mudou-se para Nova Iorque, com os midos. H trs semanas. Acabei de 
vender a casa. Vamo-nos divorciar.

- Lamento muito - disse Abe, sentindo pena dele. A pobre criatura estava de rastos. Mas era jovem e poderia arranjar outra mulher, e at ter mais filhos. Era um 
homem bem-parecido. -  uma situao muito difcil. No sabia. No ouvira o mnimo rumor acerca do assunto, embora fizesse muito trabalho contabilstico com a firma 
de Mark.

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Mas geralmente falavam de leis fiscais ou de clientes, no dos seus assuntos pessoais. - Onde  que est a viver agora?

Num hotel, a dois quarteires daqui. No  grande coisa, mas, por agora, no est mal.

- Quer ir comer qualquer coisa? - Abe tinha a mulher  sua espera em casa, mas Mark parecia precisar de um ombro amigo. E precisava, mas sentia-se demasiado abatido 
para ir onde quer que fosse.

- No, obrigado. - Mark conseguiu, a muito custo, esboar um sorriso. - Talvez noutra altura.

- Eu telefono - prometeu Abe, e foi-se embora.

No sabia de quem era a culpa do divrcio, mas era evidente que Mark no estava feliz com a situao. No parecia que tivesse outra mulher. Perguntou a si mesmo 
se Janet no teria um amante. Era uma mulher atraente. Sempre os vira como o prottipo do casal americano. Ambos loiros e de olhos azuis, e com dois filhos que pareciam 
sados de psteres publicitrios do estilo de vida americano. Dava a impresso de terem vindo de uma quinta do Midwest, embora houvessem crescido entre os prdios 
de Nova Iorque. Foram aos mesmos bailes de liceu, mas nunca se encontraram. Ela fora para Vassar, ele, para Brown, e conheceram-se, finalmente, na Faculdade de Direito 
de Yale. Levavam a chamada vida perfeita. Mas nada mais de que isso.

Mark ficou no escritrio, a remexer os papis em cima da secretria, at s oito horas. Depois, voltou para o hotel. Ainda pensara comprar uma sanduche no caminho, 
mas no tinha fome. Mais uma vez. Prometera, tanto ao mdico como ao terapeuta, que iria fazer um esforo para comer. "Amanh", prometeu a si prprio. S lhe apetecia 
ir para a cama e ficar a olhar para a televiso. E talvez acabasse por adormecer.

O telefone estava a tocar quando chegou ao quarto. Era Jessica. Tivera muito bom num teste. Andava no dcimo primeiro ano do secundrio, mas detestava a nova escola. 
O mesmo acontecia com Jason, que frequentava o oitavo ano. A adaptao estava a ser difcil para ambos. Jason jogava futebol e Jessica fazia parte da equipa de hquei 
em campo da escola. Mas dizia que os rapazes de Nova Iorque eram todos 

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uns parvos. E continuava a culpar Mark por tudo e a no entender o divrcio.

Mark no lhe contou que vendera a casa nesse dia. Limitou-se a prometer que iria em breve a Nova Iorque e pediu-lhe que desse cumprimentos  me. Depois de desligar, 
ficou imvel, em cima da cama, a olhar para a televiso, enquanto as lgrimas lhe corriam silenciosamente pelo rosto.
CAPTULO 3

Jimmy O'Connor era seco de carnes e de compleio atltica: ombros largos e braos fortes. Jogava golfe e tnis. Andara em Harvard e fizera parte da equipa de hquei 
no gelo. Fora um atleta soberbo enquanto estudante, e ainda mantinha essas caractersticas. Fizera o mestrado em Psicologia na UCLA, ao mesmo tempo que se dedicava 
ao trabalho de voluntariado em Watts. No ano seguinte, voltara  universidade para tirar a licenciatura em Assistncia Social, e nunca mais saiu de Watts. Aos trinta 
e trs anos, tinha uma vida e uma carreira profissional que adorava, e ainda conseguia arranjar tempo para o desporto. Organizara uma equipa de futebol e outra de 
softball para as crianas com quem trabalhava. Punha-as em lares de acolhimento e tirava-as das casas onde eram molestadas. Levava as que mostrassem sinais de subnutrio, 
ou de queimaduras, aos servios de urgncia. E, por mais de uma vez, ficara com elas em sua prpria casa at encontrarem um lar de acolhimento adequado. Os colegas 
diziam que tinha um corao de ouro.

As suas feies eram tipicamente irlandesas: cabelos negros como o azeviche, pele cor de marfim e enormes olhos escuros. Os lbios, sensuais, desenhavam um sorriso 
que faria cair qualquer mulher nos seus braos. E foi o que aconteceu a Maggie. Margaret Monaghan. Eram ambos de Boston, tinham-se conhecido em Harvard e vindo para 
a costa oeste depois de se formarem. Viviam juntos desde o terceiro ano da faculdade. Haviam casado h seis anos. Sobretudo para sarem de casa dos pais. E, embora 
afirmassem que o casamento lhes era indiferente, acabariam por admitir que fora a melhor deciso que podiam ter tomado.

Maggie era um ano mais nova do que Jimmy e a mulher mais inteligente que ele alguma vez conhecera. No havia mulher igual no mundo. Tambm tinha o mestrado em Psicologia 
e estava a pensar fazer o doutoramento. Mas ainda no se decidira. E, tal como ele, trabalhava com crianas dos bairros mais pobres da cidade. Preferia adoptar uma 
srie delas,

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a ter os seus prprios filhos. Ele era filho nico e ela, a mais velha de nove irmos. Provinha de uma slida famlia de Boston, com razes em County Cork. Os pais 
haviam nascido na Irlanda e tinham um acentuado sotaque irlands, que ela imitava na perfeio. A famlia de Jimmy deixara a Irlanda quatro geraes atrs. Era primo 
afastado dos Kennedy, e, ao sab-lo, Maggie troara dele, chamando-lhe "menino bem". Mas guardou o segredo para si. Gostava de entrar com ele por tudo e por nada. 
Jimmy adorava essa sua faceta. Brilhante, irreverente, linda, corajosa, de cabelos ruivos flamejantes, olhos verdes e pele sardenta, era a mulher dos seus sonhos. 
No havia a mnima coisa que lhe desagradasse nela,  excepo, talvez, do facto de no saber cozinhar e nem sequer se incomodar com isso. Era ele que fazia a comida, 
e no deixava os seus crditos de cozinheiro por mos alheias.

Jimmy estava a encaixotar os utenslios de cozinha quando o administrador do condomnio tocou  campainha e entrou. Cumprimentou Jimmy em voz alta para que este 
soubesse que ia entrar. No gostava de incomodar, mas tinha de mostrar a casa. Tratava-se de um pequenssimo apartamento em Venice Beach. Tinham gostado muito de 
ali viver. Maggie adorava andar de patins pelas ruas abaixo. E a praia era o mximo.

Jimmy avisara na semana anterior que se mudaria no final do ms. S no sabia para onde. Qualquer lugar lhe servia, menos aquele.

O administrador do condomnio estava a mostrar o apartamento a um jovem casal. Ambos vestiam calas de ganga, camisolas de l e sandlias, e pareciam jovens e inocentes. 
Tinham vinte e poucos anos, haviam acabado a universidade e provinham do Midwest. Estavam apaixonados por Los Angeles e adoraram o apartamento. Venice era a sua 
cidade favorita. O administrador apresentou-os a Jimmy, que os cumprimentou e recomeou de imediato a encaixotar os utenslios de cozinha, deixando-os ver o apartamento 
 vontade. Era um espao pequeno, mas bem desenhado: uma pequena sala de estar, um quarto muito pequeno, pouco maior do que a cama, uma casa de banho onde mal cabiam 
duas pessoas, e a cozinha onde Jimmy se encontrava. Para eles servira muito

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bem, nunca haviam sentido necessidade de mais espao. Maggie sempre insistira em pagar metade do valor da renda e no tinha dinheiro para mais. Era teimosa nessas 
questes. Desde o dia em que se haviam conhecido que dividiam as despesas.

"No vou viver  tua custa, Jimmy O'Connor!", dissera, imitando o sotaque dos pais, enquanto os flamejantes cabelos ruivos lhe danavam em torno do rosto. Jimmy 
queria filhos de Maggie s para ter uma casa cheia de midos de cabelo ruivo. Nos ltimos seis meses, haviam conversado acerca de uma possvel gravidez, mas Maggie 
tambm queria adoptar crianas, possibilitando-lhes uma vida que, de outro modo, nunca teriam.

"Que tal seis de cada?", perguntou Jimmy, picando-a. "Seis nossos, seis adoptados. Quais  que queres sustentar?" Maggie admitira deix-lo sustentar os filhos, pelo 
menos alguns. No podiam dar-se ao luxo de terem tantos como gostariam. Mas haviam falado em cinco ou seis muitas vezes.

- O fogo  a gs? - indagou a provvel inquilina, com um sorriso.

Jimmy fez que sim com a cabea, no articulando qualquer palavra.

- Adoro cozinhar.

Ele poderia ter-lhe dito que tambm adorava, mas no lhe apetecia alimentar a menor conversa com o casal. Limitou-se a acenar de novo com a cabea, continuando a 
empacotar as suas coisas. Cinco minutos depois, o casal e o administrador, que agradeceu a disponibilidade de Jimmy para os receber, saram. Depois de a porta se 
fechar, ouviu-se um rudo abafado de vozes no corredor. E Jimmy perguntou a si mesmo se iriam ficar com o apartamento. Mas isso pouco lhe interessava. Fosse como 
fosse, era um prdio impecvel, limPO e com boa vista. Maggie insistira numa casa com boa vista, apesar de ter de puxar os cordes  bolsa. "No vale a pena viver 
em Venice num stio sem boa vista", dissera, com sotaque carregado. Falava frequentemente com sotaque, para regalo de Jimmy. s vezes, iam a uma pizaria, e passava 
o Jantar todo a fingir que era irlandesa, deixando toda a gente atnita. Tambm sabia falar galico e francs. E queria aprender 

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chins, para poder trabalhar e conversar com as crianas dos bairros chineses.

- Ele no  l muito simptico - sussurrou um dos novos inquilinos. Haviam conferenciado na casa de banho e resolvido ficar com o apartamento. Tinham possibilidades 
econmicas e adoravam a vista, apesar de as divises serem pequenas.

-  boa pessoa - defendeu-o o administrador do condomnio. Sempre gostara dele e da esposa. - Est a atravessar um perodo difcil - acrescentou, cautelosamente, 
sem saber se haveria de contar-lhes ou no. De qualquer forma, mais cedo ou mais tarde ficariam a saber. Todos no prdio gostavam dos O'Connor, e ele lamentava ver 
Jimmy partir. Mas compreendia a situao. Teria feito a mesma coisa.

Os dois jovens no sabiam muito bem se Jimmy fora posto na rua ou convidado a sair, de tal modo se mostrara antiptico com eles.

- Tinha uma mulher espectacular. Trinta e dois anos, cabelos ruivos e muito inteligente.

- Separaram-se? - perguntou a mulher, simpatizando um pouco mais com Jimmy. Este fora extremamente seco, quando estava a enfiar as caarolas numa caixa de carto.

- Morreu. H um ms. Uma coisa terrvel. Um tumor no crebro. Comeou a ter dores de cabea h uns meses. Dizia que eram enxaquecas. H trs meses, internaram-na 
para lhe fazerem exames. Descobriram-lhe um tumor na cabea. Ainda tentaram oper-la, mas o tumor era muito grande e j se tinha espalhado. Morreu no espao de dois 
meses. Ainda pensei que a morte dela o matasse tambm. Nunca vi duas pessoas to apaixonadas uma pela outra. Estavam sempre a rir, a falar, a brincar. Ele avisou-me 
que se ia embora na semana passada. Diz que no aguenta ficar aqui em casa. Sinto tanta pena dele.  um bom homem. - O administrador tinha os olhos marejados de 
lgrimas.

- Que horror! - exclamou a mulher, tambm com os olhos a quererem inundar-se de lgrimas. Era uma histria horripilante. Vira fotografias dos dois um pouco por todo 
o lado. - Deve ter sido um choque terrvel para ele!

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- Ela era muito corajosa. At h pouco tempo, ainda davam os seus passeios, ele fazia o jantar e levava-a at  praia. Vai levar muito tempo a recompor-se. Nunca 
encontrar outra mulher igual.

O administrador do condomnio, que era conhecido pelo seu ar circunspecto, limpou uma lgrima que teimava em saltar, e o jovem casal seguiu-o pelas escadas abaixo. 
A histria perseguiu-os o resto do dia. Ao final da tarde, o administrador enfiou um bilhete por baixo da porta de Jimmy, a avis-lo de que o jovem casal resolvera 
comprar o apartamento. O apartamento estaria devoluto dentro de trs semanas.

Jimmy fitou o bilhete por uns instantes. Era exactamente aquilo que queria, apesar de ainda no saber onde  que iria morar. Mas isso j no era importante para 
si. Estava-se nas tintas. At poderia dormir dentro de um saco-cama, na rua. Talvez fosse assim que as pessoas se tornavam sem-abrigo. Ainda pensara em matar-se 
quando Maggie faleceu, entrando pelo oceano adentro, sem um murmrio, sem qualquer queixume. Teria sido um enorme alvio. No dia a seguir  morte de Maggie, ficara 
horas esquecidas na praia, sentado na areia, a pensar nisso. Ento, como se conseguisse ouvi-la, imaginou-a a chamar-lhe, em tom enfurecido, cobarde. At lhe notou 
o sotaque. Era j noite avanada quando regressou ao apartamento. Atirou-se para cima do sof e chorou convulsivamente durante horas.

As famlias de ambos tinham vindo de Boston nessa noite. O rosrio e o funeral consumiram os dois dias seguintes. Recusara-se a enterr-la em Boston. Maggie manifestara 
o desejo de ficar na Califrnia com ele, por isso foi l que a sepultou. Depois de todos partirem, ficou, de novo, sozinho. Os pais, irmos e irms de Maggie estavam 
destroados. Porm, ningum estava mais afectado do que ele, ningum sabia o quanto ele perdera, ou o que ela significava para si. Maggie fora a sua vida, e Jimmy 
tinha a certeza absoluta de que nunca amaria outra mulher como a amara a ela. No conseguia conceber outra mulher na sua vida. Seria uma autntica hipocrisia. E 
quem  que lhe chegaria aos calcanhares? Ningum a igualaria em fogosidade, paixo, gnio e coragem. Fora o ser humano mais corajoso que alguma vez conhecera.

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Nem sequer tivera medo da morte. Aceitara-a como algo que fazia parte do seu destino. Ele  que chorara, suplicara a Deus que a salvasse, ele  que ficara aterrado 
e no conseguia imaginar-se a viver sem ela. Era uma situao impensvel, insuportvel. E, agora, ali estava. S. Maggie partira h' um ms. Semanas, dias, horas, 
nada fazia sentido. A nica coisa que lhe restava era arrastar-se at ao fim da vida.

Regressara ao trabalho uma semana depois da morte de Maggie, e toda a gente o tratava com extremo desvelo. Mas j no havia alegria na sua vida.

Parte dele queria ficar no apartamento, a outra no suportava acordar todas as manhs sem Maggie a seu lado. Sabia que tinha de sair dali. No lhe importava para 
onde. Vira o nome de uma agncia imobiliria num anncio e telefonou para l. Todos os corretores haviam sado. Deixou o nome e o nmero de telefone, e continuou 
a fazer as malas. Mas, quando deparou com as roupas de Maggie no armrio, sentiu como que um enorme soco no peito. Ficou lvido. A realidade era to dura e poderosa 
que lhe sugara o ar dos pulmes e o sangue do corao. E assim ficou, como que petrificado, durante longos momentos. Sentia o seu perfume, a sua presena como se 
ela ainda estivesse ao seu lado.

- O que fao eu agora? - bradou, agarrado  soleira da porta, ao mesmo tempo que os olhos se inundavam de lgrimas. Era como se uma fora sobrenatural o tivesse 
levado quase ao tapete. O peso da perda de Maggie era to grande que mal se conseguia pr de p.

"Levanta a cabea, Jimmy!", incitou-o uma voz dentro de si. "No te podes deixar ir abaixo!" As palavras eram ditas num cerrado sotaque irlands.

- Mas por que raio  que no posso deixar de viver? Maggie nunca se deixara abater, nunca desistira. Lutara at ao fim. No dia em que faleceu, ainda ps batom, lavou 
o cabelo e vestiu a blusa de que mais gostava. Nunca se dera por vencida. - No quero continuar a viver! - berrou, a plenos pulmes, para a voz que ouvia dentro 
de si, para o rosto que nunca mais voltaria a ver.

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"Levanta esse rabo e bola para a frente!", ouviu com perfeita nitidez. De sbito, por entre as lgrimas, deixou escapar uma gargalhada, ao olhar para as roupas dela.

- Est bem, Maggie... est bem... - retorquiu, enquanto pegava nos vestidos dela e os colocava cuidadosamente dobrados dentro de uma caixa, como se ela um dia ainda 
viesse  procura deles.
CAPTULO 4

No domingo, no dia a seguir a Cooper ter concordado em arrendar a casa do caseiro e a ala de hspedes, Liz voltou ao Palacete, para se encontrar com a corretora 
imobiliria. Queria que ela apressasse as coisas antes que Coop mudasse de ideias. Esta entrada de capital dava-lhe um jeito. E queria fazer tudo o que podia por 
ele antes de se ir embora.

Combinara encontrar-se com a corretora s onze. Quando ambas chegaram ao Palacete, Coop no se encontrava em casa. Levara Pamela, a modelo de vinte e dois anos, 
a tomar o pequeno-almoo ao Beverly Hills Hotel, e prometera ir com ela s compras  Rodeo Drive no dia seguinte.

Pamela era muito vistosa, mas tinha pouco que vestir e estragar as mulheres com mimos era uma das coisas que Coop fazia melhor. Adorava fazer-lhes compras. Abe teria 
um ataque de corao quando visse a conta. Mas Cooper nunca se preocupava com isso. Prometera lev-la  Valentino,  Dior,  Ferre, a qualquer loja onde ela quisesse 
ir; depois,  Fred Segai. Ia ser, de certeza, uma festana para uns cinquenta mil dlares, ou mais. Especialmente se passassem pela Van Cleef ou a Cartier, caso 
alguma coisa na montra despertasse o interesse de Coop. A Pamela nunca lhe ocorreria dizer-lhe que a sua generosidade era excessiva. Para uma rapariga de vinte e 
dois anos vinda do Oklahoma, este era um sonho que se tornava realidade.

- Espanta-me que Mister Winslow queira ter inquilinos na propriedade, especialmente numa ala do edifcio principal
- disse a corretora, ao entrar na ala de hspedes. Andava  pesca de bisbilhotices para, mais tarde, partilhar com os futuros inquilinos, coisa que no agradava 
a Liz. Mas o falatrio era um mal inevitvel e, ao mesmo tempo, necessrio, uma vez que pretendiam arrendar parte da casa. Estavam  merc das interpretaes das 
pessoas, que nunca eram muito favorveis s estrelas de cinema mais conhecidas, ou a quaisquer outras celebridades. Fazia parte do negcio.

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-- A ala de hspedes tem, naturalmente, uma porta independente, como tal, os inquilinos nunca se encontraro com Coop. Alm disso, ele viaja tanto que nem sei se 
dar pela presena deles. Alis, os inquilinos sero uma proteco, se as pessoas souberem que h gente a viver permanentemente na propriedade. Caso contrrio, poderia 
haver intruses, ou outro tipo de problemas. Isto , de facto, uma segurana.

Era uma perspectiva que a corretora no encarara, mas fazia sentido. Embora desconfiasse de que se passava algo mais. H anos que Cooper Winslow no interpretava 
um papel principal. J nem se lembrava de qual fora o ltimo filme em que ele entrara, embora ainda fosse uma grande estrela e provocasse grande agitao onde quer 
que aparecesse. Era uma das maiores lendas de Hollywood de todos os tempos e um factor de grande prestgio para os inquilinos. A propriedade, nica no pas, se no 
mesmo no mundo, tornava-se ainda mais valiosa pelo facto de ele a habitar, pelo menos durante parte do tempo. E, com um pouco de sorte, os inquilinos poderiam v-lo 
a jogar tnis, ou na piscina. Ia pr isso na brochura.

A porta da ala de hspedes rangeu ao abrir-se. Liz ainda pensara em mandar limpar os aposentos antes da vinda dos novos ocupantes, mas no houvera tempo, e ela queria 
mudar-se o mais rapidamente possvel. Porm, de um modo geral, no estavam muito maus. Era um espao muito bonito. Tinha os mesmos tectos altos que havia no resto 
da casa e elegantes janelas francesas com vista para os terrenos circundantes. Havia ainda um magnfico terrao em pedra, ladeado por sebes, com bancos e mesas em 
mrmore, que Coop comprara em Itlia anos antes. A sala de estar encontrava-se cheia de antiguidades francesas. Contguo a esta, um pequeno escritrio, e, ao cimo 
de um pequeno lano de escadas, uma sute enorme, forrada a cetim azul-claro e com mobilirio espelhado Art Dco, que Coop trouxera de Frana.

Ao lado da sute, havia uma enorme casa de banho, toda em mrmore, e um quarto de vestir com mais roupeiros do que os necessrios para uma pessoa normal, se bem 
que para Cooper fossem insuficientes. Ao fundo da sala de estar, dois quartos pequenos, decorados com chita inglesa s flores e antiguidades. A cozinha, de estilo 
rstico, com uma enorme

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mesa ao centro, fazia lembrar uma cozinha provenal. No havia sala de jantar, mas Liz observou que a sala de estar era to ampla que os inquilinos poderiam l pr 
uma mesa. Tambm poderiam comer na cozinha, que, alm de acolhedora, era um espao divertido e informal. Tinha um velho fogo francs, uma lareira em tijolo a um 
canto e painis de azulejos nas paredes. Vendo bem as coisas, este espao, inserido nos terrenos da propriedade mais bonita de Bel Air, seria um apartamento perfeito 
para qualquer pessoa; alm disso, os inquilinos teriam acesso aos campos de tnis e  piscina.

- Quanto  que ele quer de renda? - Os olhos da corretora brilharam de excitao. Nunca vira lugar igual e j imaginava outra estrela de cinema a arrendar o espao, 
apenas por uma questo de prestgio. Talvez um actor em filmagens, ou de passagem em Los Angeles por um ano. O facto de estar mobilada faria da ala um verdadeiro 
bnus para quem quer que fosse. Com umas flores e uma pequena limpeza, a ala de hspedes ganharia outra vida.

- Quanto sugere? - indagou Liz. No fazia a menor ideia. H muito que no realizava qualquer negcio imobilirio e h mais de vinte anos que se mantinha no seu modesto 
apartamento.

- Pelo menos dez mil por ms. Talvez doze. Com determinadas pessoas, podemos ir at aos quinze. Mas nunca menos de dez.

Liz ficou satisfeita. Juntamente com a casa do caseiro, Coop arrecadaria uma boa quantia todos os meses, se lhe tirassem os cartes de crdito das mos. Preocupavam-na 
as asneiras que poderia fazer depois de ela se ir embora, sem ningum para lhe controlar ou para o chamar a ateno. No que ela tivesse qualquer controlo sobre 
ele, mas, pelo menos, de vez em quando, podia aconselh-lo a no se deixar afundar mais.

Logo que Liz fechou a porta que dava para a ala de hspedes, dirigiram-se ao extremo norte da propriedade, onde se situava a casa do caseiro, isolada no meio de 
um jardim algo escondido. Ficava um pouco afastada do porto principal, e tinha tanta vegetao e terreno  volta que parecia fazer parte de outra propriedade. Toda 
em pedra, encontrava-se totalmente 

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coberta de trepadeiras de um dos lados, fazendo lembrar uma casa rstica inglesa. Vislumbrava-se nela um certo toque de magia. No interior, os painis de madeira 
conviviam, lado a lado, com a pedra das paredes, em perfeita harmonia. Era uma justaposio interessante de dois mundos, completamente diferente da elegante decorao 
francesa da ala de hspedes.

- Oh, meu Deus,  fabuloso! - exclamou a corretora, entusiasmada, ao entrar, depois de passar por um roseiral que circundava a casa. -  como se estivssemos num 
outro mundo!

As divises eram pequenas e bem proporcionadas, com tectos em madeira e moblias inglesas. Havia ainda um comprido sof em couro, que Cooper comprara num clube ingls. 
Na sala de estar, sobressaa uma enorme lareira. A cozinha, com uma rea razovel, tambm rstica, exibia uma panplia de utenslios. No andar de cima, havia dois 
quartos, com mveis de estilo Jorge III, que Cooper coleccionara durante algum tempo. Podiam ver-se bonitos tapetes feitos  mo em todos os aposentos. Na pequena 
sala de jantar, em cima de um aparador, estava a prataria. As porcelanas que se encontravam no armrio eram Spode. Tratava-se, efectivamente, de uma pequena casa 
rstica inglesa. Ficava mais prxima dos campos de tnis de que o edifcio central, mas mais afastada da piscina, situada junto  ala de hspedes. Assim, cada uma 
das casas tinha as suas virtudes, as suas comodidades e o seu estilo prprio.

- Este  o local perfeito para o inquilino certo - disse a corretora, com indisfarvel alegria. - Eu prpria adoraria aqui viver.

- Tambm j pensei nisso - retorquiu Liz, esboando um sorriso. Certa vez, perguntara a Coop se podia ali passar um fim-de-semana, mas acabara por nunca o fazer. 
E, tal como a ala de hspedes, a casa estava bem apetrechada de toalhas de linho, cortinados, loia de porcelana, alm de todos os utenslios de cozinha e de mesa 
necessrios.

- Por esta tambm consigo pelo menos dez mil por ms afirmou a corretora, entusiasmada. - Talvez mais.  pequena, mas  lindssima e muito acolhedora. - A ala de 
hspedes,

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apesar da sua grandiosidade e luxo, era tambm muito acolhedora. Mas tinha os tectos mais altos e ocupava uma rea muito maior: a sala de estar, a sute e a cozinha 
eram enormes. Fosse como fosse, ambas as casas eram de uma grande beleza, e a corretora estava convicta de que conseguiria arrend-las num piscar de olhos. - Na 
prxima semana, gostaria de c vir tirar umas fotografias a ambas as casas, e nem sequer as vou mostrar j aos meus colegas. Primeiro, vou ver quem temos  procura 
de casas mobiladas para arrendar. Propriedades como esta no aparecem todos os dias, e fao tenes de arranjar o inquilino certo para Coop.

- Seria muito importante para ele - aprovou Liz, num tom solene.

- H alguma restrio que eu deva conhecer? - indagou a corretora, rabiscando no bloco umas notas relativas ao tamanho, s instalaes e ao nmero de divises.

- Para ser franca, ele no morre de amores por crianas e no gostaria de ver nada estragado. Os ces tambm no esto no seu lote de preferncias. Quanto ao resto, 
desde que se trate de uma pessoa respeitvel e que tenha condies para pagar a renda, julgo que no haver qualquer tipo de problema. - No lhe disse que ele s 
queria inquilinos do sexo feminino.

- Temos de ter cuidado com a questo dos midos. No quero que nos acusem de discriminao - avisou a corretora. - Mas lembrar-me-ei, quando estiver a mostrar as 
casas. De qualquer forma, estas so casas muito sofisticadas e com uma renda de tal modo elevada que o populacho no lhe chega. - A no ser que as arrendassem a 
estrelas de rock. Esse era sempre um elemento imprevisvel, e a corretora j tivera problemas com algumas. Alis, como toda a gente.

A corretora abandonou a propriedade pouco passava do meio-dia. Liz voltou para o seu apartamento, depois de verificar que estava tudo em ordem no Palacete. Os criados 
ainda se encontravam um pouco abalados pela terrvel notcia do dia anterior. No entanto, dados os constantes atrasos no pagamento dos vencimentos, a situao era 
previsvel. Livermore j anunciara que ia para Monte Carlo, trabalhar para um prncipe rabe. Andava a ser assediado h meses e telefonara-lhe, 

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nessa manh, a aceitar a proposta de emprego. No
parecia muito aborrecido por deixar Cooper e, mesmo que
o estivesse, tambm no o demonstraria. Partiria para o Sul de Frana no fim-de-semana seguinte, o que iria ser um enorme choque para Coop.

Ao fim da tarde, Coop regressou a casa, acompanhado de Pamela. Depois de um prolongado almoo, tinham-se sentado na piscina do Beverly Hills Hotel, a conversar com 
alguns amigos do velho actor, todos eles figuras conhecidas de Hollywood. Pamela nem queria acreditar que estivesse a dar-se com aquele tipo de gente, e ficou de 
tal modo impressionada que mal conseguia falar quando abandonaram o hotel. Meia hora depois, estavam na cama, com um clice de Cristal gelado ao lado. Jantaram na 
cama e, por insistncia de Pamela, viram os vdeos de dois antigos filmes de Coop. Depois, ele levou-a a casa, pois tinha encontro marcado com o seu treinador e 
acupuncturista de manh cedo. Alm disso, gostava de dormir sozinho. Dormir com uma mulher, por mais bonita que fosse, perturbava-lhe o sono.

Na manh seguinte, a corretora j tinha preparado dois prospectos com todos os pormenores para o arrendamento de ambas as casas. Telefonou a vrios clientes que 
andavam  procura de residncias fora do vulgar. Combinou mostrar a casa do caseiro a dois solteires, e a ala de hspedes a um jovem casal que se mudara recentemente 
para Los Angeles. Pouco depois, tocou o telefone. Era Jimmy.

Parecia uma pessoa sria e calma. Andava  procura de uma casa para arrendar. No importava onde, desde que fosse pequena, acolhedora, funcional e com uma boa cozinha. 
Ultimamente, no fazia comida em casa, mas poderia querer recomear a qualquer momento. A culinria, alm do desporto, era uma das poucas coisas que o relaxava. 
Tambm pouco lhe importava se a casa estava ou no mobilada. Ele e Maggie tinham os mveis essenciais, mas preferia no os levar consigo- Talvez assim se lembrasse 
menos dela, e o sofrimento fosse menor. As nicas coisas que levaria capazes de o fazer lembrar-se de Maggie seriam as fotografias. Todas as outras que lhe haviam 
pertencido seriam guardadas. Assim, no teria de as ver todos os dias.

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A corretora perguntou-lhe se tinha preferncia por algum local, mas ele respondeu que no. Hollywood, Beverly Hills, Los Angeles, Malibu, qualquer stio. Disse que 
gostava do mar, mas isso tambm lhe recordaria a falecida esposa. No havia nada que no lhe trouxesse Maggie  lembrana.

Uma vez que Jimmy no colocou qualquer restrio a respeito de preos, a corretora resolveu arriscar e falou-lhe da casa do caseiro. No mencionou o valor da renda, 
mas descreveu-a. Aps alguns instantes de hesitao, Jimmy disse que gostaria de a ver. Marcaram encontro s cinco da tarde, depois, a corretora perguntou-lhe em 
que zona da cidade trabalhava.

- Watts - respondeu Jimmy, parecendo algo distrado, como se para si no houvesse nada de anormal na pergunta. A corretora ficou alarmada.

- Oh, percebo. - Interrogou-se se ele no seria afro-americano, mas, obviamente, no lhe podia perguntar isso, nem se teria posses para pagar a renda. - Tem algum 
oramento definido, Mister O'Connor?

- No propriamente - respondeu Jimmy, olhando para o relgio. Tinha de ir a correr para um encontro com uma famlia por causa de dois dos seus filhos adoptivos. 
- Ento, encontramo-nos s cinco.

A corretora j no estava muito segura de que ele fosse o inquilino certo. Uma pessoa que trabalhava em Watts no tinha condies econmicas para arrendar a casa 
do caseiro de Cooper Winslow. Ao fim da tarde, quando se encontrou com ele, ficou ainda mais convencida disso.

Jimmy chegou ao volante do velho Honda Civk que Maggie insistira em comprar, embora ele houvesse preferido adquirir um carro melhor quando se mudaram para a Califrnia. 
Tentara explicar-lhe que a vida na Califrnia exigia um bom carro, mas, como de costume, ela acabara por convenc-lo do contrrio. Para o tipo de trabalho que faziam, 
no podiam ter um carro muito caro, embora pudessem perfeitamente dar-se a esse luxo. O facto de ele provir de uma famlia endinheirada sempre fora um segredo muito 
bem guardado, at mesmo entre os seus amigos.

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Trazia calas de ganga coadas, com um pequeno rasgo no joelho, uma camisola de Harvard desbotada, j com uma dzia de anos, e um par de botas gastas. Nos stios 
onde visitava as famlias, havia, muitas vezes, ratazanas, e no queria que elas lhe mordessem. Em contraste com o vesturio que envergava, tinha a barba feita, 
era inteligente, bem-educado, e cortara o cabelo recentemente. Era um interessante conjunto de elementos contraditrios, o que confundiu completamente a corretora.

- Trabalha em qu, Mister O'Connor? - indagou, enquanto abria a porta da casa do caseiro. J a havia mostrado trs vezes nessa tarde, mas o primeiro homem que a 
vira achara-a demasiado pequena, o segundo, demasiado isolada, e o terceiro preferia um apartamento. Como tal, ainda estava disponvel, embora tivesse quase a certeza 
de que Jimmy no ganhava o suficiente para pagar a renda. Muito menos com o ordenado de assistente social. Porm, fosse como fosse, era seu dever mostrar-lha.

Quando atravessou a cerca, Jimmy suspendeu a respirao. Parecia uma casa rstica irlandesa, e vieram-lhe  memria as viagens que fizera  Irlanda na companhia 
de Maggie. No instante em que ps o p na sala de estar, sentiu-se transportado at  Irlanda ou  Inglaterra. Era a casa ideal para um celibatrio: simples e despretensiosa. 
Pareceu satisfeito quando viu a cozinha. Tambm pareceu gostar do quarto. Mas o que mais lhe agradava era a sensao de estar no camPO. Ao contrrio do outro homem, 
Jimmy gostava de isolamento. Era o que melhor se coadunava com o seu estado de esprito.

- A sua esposa no quer ver a casa? - inquiriu a corretora, averiguando, delicadamente, se Jimmy era casado. Era uma pessoa bem-parecida, em boa forma fsica. Tambm 
tinha curiosidade de saber se ele andara efectivamente em Harvard, ou se comprara a camisola na Goodwill.

- No, ela... - comeou por balbuciar, mas no conseguiu acabar a frase. - Sou... Vou viver aqui sozinho. Ainda no conseguia pronunciar a palavra "vivo". Sentia 
como que uma faca a atravessar-lhe o corao de cada vez que tentava proferi-la. Usar a palavra "solteiro" seria pattico e Pouco honesto da sua parte. s vezes, 
ainda tinha vontade de

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dizer que era casado. Ainda usaria aliana, se a tivesse. Maggie nunca lhe oferecera nenhuma, e a que usava fora enterrada com ela. - Gosto da casa - afirmou, pausadamente, 
enquanto deambulava novamente por todas as divises e abria todos os armrios. Viver numa propriedade assim parecia-lhe grandioso de mais para si, mas achou que 
talvez pudesse dizer aos colegas, quando os trouxesse ali, que estava a tomar conta da casa, ou a trabalhar na propriedade.

Poderia inventar muitas histrias, se fosse preciso, e j no era a primeira vez que o fazia. Sabia que Maggie tambm teria gostado da casa. Mas nunca teria concordado 
em ali viver, porque no teria hipteses de comparticipar com os seus cinquenta por cento. Pensar nisso f-lo sorrir. Estava tentado a ficar com a casa. Mas resolveu 
esperar e deixar amadurecer a deciso, prometendo telefonar  corretora no dia seguinte.

- Gostaria de pensar um pouco mais no assunto - disse, quando se foi embora.

A corretora ficou convencida de que ele s estava a salvar a face. Pelo carro, pelas roupas e pelo emprego, sabia que' Jimmy no tinha meios para pagar uma renda 
to alta. Mas parecia-lhe boa pessoa, e estava a ser simptica com ele. Nunca se sabia com quem se estava a lidar. s vezes, dava-se de caras com pessoas desconhecidas 
e com ar humilde que se vinha depois a descobrir serem herdeiros de grandes fortunas. Aprendera isso logo no incio da actividade como corretora, da que o tratasse 
com cortesia.

No caminho de regresso, Jimmy pensava na casa. Era bonita e parecia um retiro tranquilo. Teria adorado viver ali com Maggie e perguntou-se se aquele seria o refgio 
ideal. J no sabia o que era melhor. No havia stio nenhum onde pudesse esconder-se da grande mgoa que sentia. Quando chegou a casa, recomeou a tarefa de encaixotar 
as coisas, apenas para se distrair. O apartamento j estava praticamente vazio. Comeu uma tigela de sopa e sentou-se  janela, em silncio, de olhar perdido no espao.

Ficou acordado a maior parte da noite, a pensar em Maggie e nos conselhos que ela lhe daria. Ainda pusera a hiptese de arranjar um apartamento nos arrabaldes de 
Watts, o que

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seria prtico, e os perigos no o alarmavam. Ou um apartamento algures em Los Angeles. Porm, nessa noite, deitado na cama, no conseguia deixar de pensar na casa 
do caseiro. E sabia que Maggie tambm a teria adorado e tinha meios econmicos para pagar a renda. Estava na dvida se, por uma vez na vida, deveria ceder ao desejo. 
E gostava da histria de trabalhar na propriedade em troca de uma renda reduzida. Parecia uma histria plausvel. Alm disso, adorava a cozinha, a sala de estar, 
a lareira e o jardim a toda a volta.

s oito da manh, enquanto se barbeava, ligou para o telemvel da corretora.

- Fico com a casa. - E esboou um sorriso. Era a primeira vez, em vrias semanas, que sorria. Estava entusiasmado com a casa. Era o refgio ideal.

- A srio? - A corretora estava perplexa. Nunca acreditara que Jimmy voltasse a telefonar e ficou sem saber se ele percebera o preo quando ela lho disse: "So dez 
mil dlares por ms, Mister O'Connor. No h problema?" No tinha estmago para voltar a lembrar-lho. Nunca pensara que fosse to fcil arrendar a casa. Viver em 
completo isolamento numa propriedade no era para toda a gente, mas ele parecia adorar.

- A srio - asseverou Jimmy. - Quer que apresente referncias bancrias, ou que faa um depsito de sinal? Agora que se decidira pelo arrendamento da casa, no queria 
perd-la.

- Bem, no... eu... temos de pedir as referncias bancrias, primeiro. - Estava convencida de que este pedido acabaria com as pretenses de Jimmy, mas, por lei, 
tinha de percorrer todos os passos do processo.

- No quero perd-la. Entretanto, pode aparecer outra pessoa. - Parecia preocupado. J no era to descuidado como antes. Ultimamente, ficava mais ansioso com coisas 
em
que outrora nem sequer pensava. Maggie sempre se preocupava por ele. Agora, era diferente.

- Eu guardo-lha. Tem direito de preferncia.

- Quanto tempo demora o banco a dar as referncias?

- Poucos dias. Ultimamente, os bancos esto um pouco demorados com as referncias bancrias.



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- Porque no telefona ao director do meu banco? E deu-lhe o nome do director do Bank of America. - Talvez ele consiga apressar um pouco mais as coisas. - Jimmy costumava 
agir com discrio, mas tambm sabia que, mal ela lhe telefonasse, tudo comearia a andar sobre rodas. No tinha problemas de dinheiro, nunca tivera.

- Terei muito gosto em faz-lo, Mister O'Connor. Pode dar-me o seu contacto?

Jimmy deu-lhe o nmero do escritrio e pediu-lhe para deixar recado no voice mail, caso l no se encontrasse.

- Estarei no escritrio durante toda a manh. - Tinha uma montanha de papis em cima da secretria. s dez da manh, a corretora telefonou-lhe.

O pedido de referncias bancrias decorrera tal e qual ele imaginara. Ela telefonou para o director do banco privado, por uma questo de rotina, e, mal proferiu 
o nome de Jimmy, o director asseverou-lhe, sem qualquer sombra de dvida, que no haveria o mnimo problema. A conta era excelente, no podiam revelar o saldo, mas 
o seu montante colocava Jimmy no escalo mais elevado de clientes.

- Ele vai comprar uma casa? - perguntou o banqueiro, interessado.

Esperava que sim, embora Jimmy ainda no houvesse abordado esse assunto. Depois da tragdia recente da morte da esposa, este era um sinal de esperana. Jimmy tinha 
meios econmicos mais do que suficientes para comprar uma casa, e, se quisesse, at podia comprar o Palacete.

- No, vai arrendar uma casa de caseiro. A renda  muito elevada - informou a corretora, procurando comprovar o que ele lhe dissera e certificar-se de que no havia 
qualquer mal-entendido. - Dez mil dlares por ms, mais as rendas do primeiro e ltimo ms, e um depsito de segurana de vinte e cinco mil dlares.

O director do banco asseverou-lhe, uma vez mais, que no havia qualquer problema. A curiosidade da corretora aumentou, e, numa rara exploso de indiscrio, perguntou-lhe:

- Quem  ele?

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- Exactamente quem diz ser. James Thomas O'Connor.  um dos nossos clientes mais slidos. - Era a nica coisa que podia dizer-lhe, deixando-a ainda mais intrigada.

- Fiquei um pouco preocupada porque com a profisso de assistente social, certamente... no  normal encontrar-se algum com capacidade para pagar uma renda to 
elevada.

-  pena no haver mais pessoas como ele. H mais alguma coisa que deseje saber?

- Importa-se de me enviar uma carta por faxe?

- De modo nenhum. Quer que lhe enviemos um cheque passado em nome dele, ou ele prprio o passa?

- Eu pergunto-lhe - respondeu a corretora, percebendo que acabara de arrendar a casa.

Telefonou a Jimmy e deu-lhe a boa notcia, dizendo-lhe que podia.ficar com a casa e as chaves logo que quisesse. Ele prometeu encontrar-se com ela  hora do almoo, 
para alinhavar todos os pormenores do contrato, e disse que s se mudaria dali a algumas semanas, quando desocupasse o apartamento. Queria gozar a ltima coisa que 
partilhara com Maggie durante o mximo de tempo possvel, apesar de estar entusiasmado com a casa. Alm disso, sabia que, para onde quer que fosse, ela acompanh-lo-ia.

- Espero que seja muito feliz na casa, Mister O'Connor.  uma jia autntica. E estou certa de que gostar de conhecer Mister Winslow.

Quando desligou, Jimmy riu-se ao pensar no que Maggie teria dito do facto de ter uma estrela de cinema como senhorio. Porm, pela primeira vez na vida, ia ceder 
ao desejo de cometer uma loucura. De qualquer forma, no seu ntimo, sentia que Maggie no s teria aprovado como adorado a casa.

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CAPTULO 5

Na manh seguinte, depois de outra noite de pesadelo, praticamente sem ter dormido nada, Mark chegou ao escritrio. Pouco depois, tocou o telefone. Era Abe Braunstein.

- Sinto muito aquilo que me disse ontem - comeou Abe. Pensara nele a noite anterior e, de repente, lembrou-se de que Mark poderia andar  procura de um apartamento. 
No podia ficar eternamente num hotel. - Ontem  noite, tive uma ideia meio estapafrdia. No sei se anda  procura de casa, nem quais so as suas necessidades, 
mas surgiu no mercado uma casa excepcional. Um dos meus clientes, Cooper Winslow, quer arrendar a ala de hspedes. Est num aperto tremendo. Tem uma propriedade 
e uma casa fantstica em Bel Air. Quer arrendar a casa do caseiro e a ala de hspedes. Comearam a mostr-las ontem, e no creio que j estejam arrendadas. S pensei 
em falar-lhe nisto porque  um lugar espectacular para se viver, uma espcie de country club. Talvez gostasse de a ver.

- No tenho pensado muito nisso. - Mark ainda no recuperara do choque, se bem que viver na propriedade de Cooper Winslow, em Bel Air, no lhe parecesse m ideia, 
e at seria um ptimo cenrio para quando os filhos viessem visit-lo.

- Se quiser, passo por a,  hora de almoo, e levo-o at l. Mesmo que no esteja interessado, vale a pena a visita.  uma propriedade magnfica. Campos de tnis, 
piscina, cinco hectares e meio de jardim, no centro da cidade.

- Adoraria conhec-la. - No queria ser indelicado com Abe, mas no se sentia com disposio para ver casas, mesmo a de Cooper Winslow. No entanto, achou por bem 
aceitar o convite, talvez fosse uma casa boa para os filhos.

- Passo por a ao meio-dia e meia. Vou telefonar  corretora, para l ir ter connosco. A renda  alta, mas julgo que voc tem condies para a pagar. - E sorriu. 
Sabia que Mark era um dos scios mais bem pagos da firma. Direito Fiscal no era uma rea muito excitante, mas rendera-lhe

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bons proventos, embora no houvesse nele o menor sinal de ostentao. Apesar de ter um Mercedes, era uma pessoa pragmtica e despretensiosa.

Durante o resto da manh, Mark esqueceu o assunto. A ala de hspedes do Palacete no passava de uma miragem. S ia v-la por uma questo de cortesia para com Abe, 
e porque no tinha nada que fazer  hora de almoo. Agora que mal comia, sobrava-lhe mais tempo. A roupa j comeava a ficar-lhe larga.

Abe chegou ao escritrio  hora combinada e disse a Mark que a corretora estaria no Palacete dentro de um quarto de hora. Durante toda a viagem, falaram da nova 
lei fiscal, que, segundo parecia, tinha algumas falhas, o que interessava a ambos. Estavam de tal modo embrenhados na conversa que, quando chegaram ao porto principal, 
Mark ficou mudo de espanto. O Palacete tinha uma entrada imponente. Abe introduziu o cdigo e entraram, ziguezagueando pelo caminho fora, por entre rvores e jardins 
sem fim, cuidadosamente tratados. Mark soltou uma gargalhada quando deparou com a casa. No conseguia imaginar-se a viver num stio assim. Parecia um palcio.

- Meu Deus!  ali que ele vive? - perguntou, ao ver as colunas e as escadas de mrmore, e uma enorme fonte que lhe fazia lembrar a Praa da Concrdia, em Paris.

- Foi construda para Vera Harper. Winslow tem-na h mais de quarenta anos. A manuteno custa-lhe uma fortuna.

- Imagino. Quantos criados tem?

- Agora, perto de vinte. Dentro de duas semanas, um na casa e trs jardineiros. De momento, tem oito. Diz que estou a seguir uma poltica de terra queimada e no 
est muito satisfeito com isso. Tambm vou obrig-lo a vender os carros. Se estiver interessado num Rolls ou num Bentley...  um tipo interessante, mas um gastador 
inveterado. A propriedade foi feita  sua medida, tenho de admitir.

Abe era tudo o que Coop no era: prtico, pragmtico, frugal, e no tinha a mnima ponta de elegncia ou estilo; mas era mais compassivo do que Coop pensava, e por 
isso trazia Mark a ver a casa. Tinha pena dele e queria ajud-lo. Ele prprio tambm nunca vira a ala de hspedes, mas Liz dissera-lhe que era espectacular.

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Mark soltou um assobio de espanto quando a corretora o convidou a entrar. Olhou, deslumbrado, para os tectos altos e as janelas francesas. Os jardins eram de uma 
beleza indescritvel. Tinha a sensao de estar num velho palacete francs. O mobilirio tambm era de um grande requinte. A cozinha era um pouco antiquada, mas 
isso no lhe fazia diferena, e, como a corretora referiu, era muito acolhedora. Ficou maravilhado com a grandiosidade da sute. No gostava muito do cetim azul, 
apesar de dar um certo toque de classe ao aposento. Mant-lo-ia durante um ano, enquanto pensava no que fazer da sua vida. Seria a melhor soluo. O espao exterior 
era seguro para os seus filhos. Ainda pensara em mudar-se para Nova Iorque, para estar perto deles, mas no queria invadir o espao de Janet e tinha muitos clientes 
em Los Angeles que contavam com ele. A nica coisa que Mark no queria fazer era tomar uma deciso precipitada. Para que isso no acontecesse, precisava de um lar. 
Esta casa poderia ser esse lar, apesar de no ser sua. E seria muito menos deprimente do que viver num hotel, a ouvir as pessoas a puxar o autoclismo e a bater com 
as portas.

-  uma casa esplndida! - exclamou, esboando um sorriso. Nunca lhe passara pela cabea que houvesse pessoas a viver assim. Tivera uma casa confortvel e bem decorada, 
mas a ala de hspedes parecia um cenrio de cinema. Seria divertido viver ali. E achava que os filhos adorariam a propriedade, especialmente os campos de tnis e 
a piscina. Obrigado por me trazer aqui, Abe. - E sorriu, com ar agradecido, para Abe.

- Pensei nisso ontem  noite, e achei que valia a pena vir ver a casa. No pode viver eternamente num hotel.

Mark dera toda a moblia a Janet, por isso, o facto de a casa j estar mobilada era menos uma dor de cabea.

- Quanto  a renda? - indagou

- Dez mil dlares por ms - respondeu a corretora, sem pestanejar. - Mas no h outra casa como esta. Algumas pessoas pagariam dez vezes mais para ficarem com ela. 
Hoje de manh, fechei negcio com um senhor muito simptico que vai ficar com a casa do caseiro.

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A srio? - Abe parecia satisfeito com a notcia. -

Algum que conheamos? - Estava habituado s celebridades e estrelas de cinema que eram seus clientes e amigos de Coop.

- No, no creio.  assistente social - respondeu a corretora. Abe ficou espantado.

- E tem dinheiro para pagar a renda? - Como contabilista de Coop, tinha todo o interesse em fazer este tipo de perguntas.

- Parece que sim. O director do Bank of America diz que  um dos seus clientes mais slidos. Enviou-me um faxe a confirmar esse facto, dez minutos depois de ter 
falado comigo, e o inquilino passou um cheque para pagar o primeiro e o ltimo ms de renda e o seguro. Hoje  noite, vou entregar-lhe o contrato de arrendamento. 
Vive em Venice Beach.

- Interessante - comentou Abe, e centrou, de novo, a ateno em Mark, que estava a inspeccionar os armrios. Havia armrios de sobra. Gostou, em especial, dos dois 
quartos para os filhos, decorados com muito bom gosto.

Enquanto deambulava pela casa, Mark matutava no valor da renda, mas tinha plena conscincia de que podia pag-la. S no sabia se queria despender tanto dinheiro. 
Se fechasse negcio, seria a primeira extravagncia de toda a sua vida, e talvez j fosse tempo de cometer uma ousadia. Janet ousara sair porta fora, para os braos 
de outro homem, enquanto ele se limitaria a arrendar um apartamento caro durante um ano. Talvez voltasse a dormir bem. Poderia dar umas braadas na piscina quando 
regressasse do trabalho, ou jogar tnis, se arranjasse parceiro. No se imaginava a convidar Cooper Winslow para jogar consigo.

- Ele costuma andar por a? - perguntou  corretora.

- Como viaja muito, quer inquilinos, para haver sempre algum na propriedade para alm dos criados.

Abe percebeu, de imediato, que aquela justificao fora encomendada por Liz, sempre to diplomtica e defensora da reputao de Cooper. Tambm no quis contar  
corretora que, dentro de duas semanas, deixaria de haver criados na casa.

- Faz sentido - aprovou Mark, fazendo um gesto de concordncia com a cabea. -  uma segurana para ele.

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Mas tambm sabia o que Abe lhe contara, em jeito de confidncia, acerca da situao financeira de Cooper. Partilhavam um sem-nmero de informaes daquele gnero 
sobre os seus clientes.

-  casado, Mister Friedman? - Queria certificar-se de que Mark no tinha dez filhos, mas era muito pouco provvel. E o facto de ter sido o prprio contabilista 
de Cooper a traz-lo significava que no havia necessidade de um aturado processo de recolha de informaes pessoais, o que tornava as coisas muito mais fceis para 
todos os envolvidos.

- Eu... hum... no... vou-me divorciar. - Quase estremeceu ao articular as palavras.

- Os seus filhos vivem consigo?

- No, vivem em Nova Iorque. - Cortava-lhe o corao dizer aquilo. - Irei v-los o maior nmero de vezes possvel. S podem vir at c nas frias. E sabe como so 
os midos, gostam de estar perto dos amigos. J me contento se aqui vierem uma vez por ano - acrescentou, com tristeza.

A corretora ficou mais aliviada. Era um candidato perfeito: um homem sozinho, com filhos que nem sequer moravam na mesma cidade e que raramente viriam visit-lo. 
No se podia pedir melhor. E, obviamente, era endinheirado, j que fora Abe a traz-lo. Enquanto voltavam para a sala de estar, Mark anunciou:

- Fico com ela!

Abe ficou perplexo. Mark exibia um largo sorriso, e a corretora, um ar de incontida satisfao. Conseguira arrendar a casa e a ala de hspedes logo nos dois primeiros 
dias em que os imveis haviam sido colocados no mercado, e a bom preo. Achava que dez mil dlares por cada um era um valor justo; alm disso, Liz dissera que Coop 
ficaria satisfeito se conseguisse arrend-las por esse preo. Mark parecia estar em xtase. De repente, sentiu um desejo incontrolvel de sair do hotel e mudar-se 
quanto antes para ali. A corretora informou-o de que poderia ocupar a casa dentro de poucos dias, logo que o processo de referncias bancrias estivesse completo. 
Depois, era s receber as chaves.

- Acho que me vou mudar j este fim-de-semana anunciou Mark, radiante, enquanto apertava a mo da corretora, 

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selando o acordo, e agradecia a Abe por o ter trazido a ver a casa.

- Foi muito mais fcil e mais produtivo do que eu esperava. E mais rpido. - Abe sorriu, radiante. Sempre julgara que Mark demoraria um ror de tempo a decidir-se.

- , provavelmente, a maior loucura que alguma vez cometi. Mas talvez precise de ser um pouco louco de vez em quando. - Era sempre srio, responsvel e contido em 
tudo o que fazia. Talvez tivesse sido por isso que perdera Janet para outro homem, muito mais divertido do que ele. - Obrigado, Abe. Adoro a casa, e acho que os 
meus filhos tambm a vo adorar.

- Vai-lhe fazer bem durante uns tempos - afirmou Abe, compassivo.

Nessa noite, Mark telefonou a Jessica e a Jason, e disse-lhes que acabara de arrendar a ala de hspedes de Cooper.

- Quem  ele? - indagou Jason.

- Acho que  um velho actor de cinema do tempo em que o pap era pequeno - explicou Jessica.

-  mais ou menos isso - retorquiu Mark, satisfeito. Mas o mais importante  que a casa  soberba, e temos a nossa prpria ala, numa propriedade lindssima, com 
campo de tnis e piscina. Acho que vai ser divertido quando vocs os dois me vierem visitar. - Estavam os trs ao telefone ao mesmo tempo.

- Tenho saudades da nossa antiga casa - disse Jason, algo nostlgico.

- Detesto a escola - intrometeu-se Jessica. - As raparigas e os rapazes so uma cambada de estpidos.

- D tempo ao tempo - retorquiu Mark, com diplomacia. No fora dele a ideia de acabar com o casamento, ou de levar os midos para Nova Iorque. Mas no queria tecer 
nenhuma crtica  ex-mulher. Seria melhor para as crianas. Leva algum tempo, a adaptao a uma nova escola. E vou v-los muito em breve. - Em Fevereiro, ia passar 
um fim-de-semana com eles em Nova Iorque. J haviam feito as reservas em Saint Bart's, para a interrupo lectiva de Maro. Alm disso, estava a pensar alugar um 
pequeno barco para as frias nas Carabas. Tentou mudar de conversa. - Como est a mam?

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- Est boa, s que sai muito - queixou-se Jason, sem fazer qualquer referncia ao novo namorado da me.

Mark tinha quase a certeza de que ela ainda no os apresentara. Devia estar  espera que as coisas assentassem. Ainda s se haviam passado trs semanas, quase quatro. 
No era muito tempo, embora, a si, lhe parecesse uma eternidade.

- Porque no podemos ficar com a antiga casa? - indagou Jessica, pesarosa.

Quando Mark lhes respondeu que j a vendera, desataram os dois a chorar. Era mais uma conversa que acabava com uma nota de tristeza. Haviam tido muitas assim. E 
Jessica parecia querer sempre culp-lo de tudo. Ainda no se apercebera de que fora a me que quisera o divrcio. Mark no queria acusar Janet de nada. S estava 
 espera que ela assumisse as suas responsabilidades, mas, at ao momento, ainda no o fizera. Janet apenas lhes dissera que ela e o pai no se davam bem, o que 
era mentira. As coisas haviam corrido bem at Adam aparecer. Mark tinha curiosidade em saber como iria ela explicar aos filhos o papel daquele homem na sua vida. 
Se calhar, apresent-lo-ia como algum que acabara de conhecer. Provavelmente, s ao fim de alguns anos eles se aperceberiam do que realmente acontecera. Entretanto, 
continuariam a responsabiliz-lo pelo divrcio. O seu maior receio era que os filhos gostassem tanto de Adam como a me, acabando por esquec-lo. Encontrava-se a 
cerca de cinco mil quilmetros de distncia, em Los Angeles, e no os via com a frequncia desejada. Mal conseguia esperar pela hora de voltar a v-los em Saint 
Bart's, nas frias. Escolhera esse local por achar que seria divertido para os trs.

Prometeu telefonar-lhes no dia seguinte, como era costume. Nessa noite, informou o hotel de que se mudaria no fim-de-semana. Estava ansioso por se instalar na nova 
casa. Adorava-a. Era a primeira coisa agradvel que lhe acontecia desde que Janet lhe dera a terrvel notcia de que ia para Nova Iorque. Estivera como que em estado 
de choque nas ltimas cinco semanas. Nessa noite, saiu e foi comer um hambrguer, antes de ir para a cama. Pela primeira vez em semanas, estava realmente com fome.

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Na sexta-feira  noite, meteu as suas roupas em duas malas e, no sbado de manh, partiu para a propriedade. Tinha o cdigo do porto e abriu-o. Quando entrou na 
ala de hspedes, esta encontrava-se imaculadamente limpa. Fora tudo aspirado, e os mveis reluziam. No se via uma nica ndoa na cozinha e na cama haviam posto 
lenis lavados. Por momentos, teve a sensao de que regressava a casa.

Depois de desfazer as malas, deu uma volta pelos terrenos ajardinados em redor da casa. Estavam tratados com desvelo. Foi s compras e fez o almoo. Depois, deitou-se 
junto  piscina, a apanhar sol. Nessa tarde, quando telefonou aos filhos, encontrava-se muito bem-disposto. Em Nova Iorque, chegava ao fim mais um dia de neve. As 
crianas pareciam aborrecidas, fartas de estarem fechadas em casa. Jessica ia sair com amigos nessa noite, mas Jason no tinha nada que fazer. Sentia saudades do 
pai, da casa, dos amigos e da escola. Aparentemente, no havia nada de que gostasse em Nova Iorque.

- Aguenta mais um pouco. Vou v-los dentro de duas semanas. Havemos de arranjar alguma coisa para fazer. J jogaste futebol esta semana?

- Nunca podemos jogar por causa da neve. -Jason detestava Nova Iorque. Era um mido da Califrnia, fora l que vivera desde os trs anos. Nem sequer se lembrava 
de ter morado em Nova Iorque. A nica coisa que queria era voltar para a Califrnia, pois s a se sentia em casa.

Conversaram durante mais algum tempo. Finalmente, Mark desligou e foi verificar o lugar das coisas na cozinha.  noite, ps um vdeo, e achou piada ao facto de Cooper 
Winslow ter uma apario fugaz no filme. Era um homem bem-parecido, e Mark perguntou-se quando, e se algum dia, se encontrariam. Nessa tarde, ao chegar a casa, vira 
um homem atrs dele, num Rolls Royce descapotvel, com uma rapariga bonita sentada a seu lado. Cooper devia ter uma vida muito mais interessante do que a sua. Depois 
de dezasseis anos de felicidade conjugal, nem sequer imaginava como seria recomear a namorar, e nem sentia qualquer vontade. Tinha o esprito ocupado com demasiadas 
recordaes e desgostos, e s conseguia pensar nos filhos. De momento, na sua vida, no havia espao para uma mulher. Espao, talvez, mas corao, no. Deu graas 
a Deus por, nessa noite, ter dormido 

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como uma criana, e por ter acordado feliz na manh seguinte, depois de sonhar que os filhos viviam consigo. Isso sim, seria uma vida perfeita. Mas s estaria com 
eles dentro de duas semanas. A nica coisa a fazer era esperar.

Foi arranjar o pequeno-almoo, e ficou espantado ao descobrir que o fogo no funcionava. Pensou em telefonar  corretora, mas no chegou a faz-lo. Contentou-se 
com sumo de laranja e torradas. Quase nunca cozinhava, excepto quando estava com os filhos.

Entretanto, na parte principal da casa, Cooper fazia descobertas semelhantes. A cozinheira fora-se embora no incio da semana, depois de arranjar outro emprego. 
Livermore j partira. As duas criadas de quarto haviam ido passar o fim-de-semana fora e partiriam na semana seguinte. Paloma no vinha trabalhar aos fins-de-semana. 
Pamela  que estava a fazer-lhe o pequeno-almoo. Dizia-se uma excelente cozinheira, mas os ovos mexidos ressequidos e o bacon queimado que serviu, num prato, a 
Cooper no comprovavam esses dotes.

- s uma rapariga inteligente - elogiou Coop, enquanto olhava, com ar preocupado, para os ovos. - Presumo que no encontraste os tabuleiros.

- Que tabuleiros, querido? - perguntou, com sotaque do Oklahoma.

Estava orgulhosa de si prpria, e esquecera-se igualmente dos guardanapos e dos talheres de prata. Voltou  cozinha a busc-los, enquanto Cooper tocou com a ponta 
do dedo nos ovos. Estavam ressequidos e frios. Pamela distrara-se a conversar ao telefone com uma amiga. Cozinhar nunca fora o seu forte, mas sim o que fazia na 
cama. O nico problema era no saber falar. Extremamente limitada, no era, no entanto, a sua conversa que fascinava Coop. Gostava da sua companhia. Havia nas jovens 
algo que o revigorava. E ele atraa-as por vrios motivos: a idade, a afabilidade, a jovialidade, a vasta cultura e a sofisticao; alm disso, levava-as s compras 
quase todos os dias. Pamela nunca se divertira tanto na vida como com Coop. Pouco lhe importava a sua idade. Tinha um novo guarda-roupa, e, na semana anterior, ele 
oferecera-lhe um par de brincos de diamantes e um bracelete, 

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tambm de diamantes. No havia dvidas. O velho actor sabia como viver a vida.

Coop atirou com os ovos para dentro da sanita quando Pamela foi  cozinha arranjar-lhe um copo de sumo de laranja. A jovem sentiu uma ponta de orgulho ao ver que 
ele comera tudo. Mal ela acabou de comer os ovos, Coop puxou-a para a cama, onde passaram a tarde. Nessa noite, levou-a a jantar ao L Dome. Pamela tambm gostava 
de ir ao Spago. Sentia um frmito de emoo ao ver toda a gente a olhar para si, curiosa por saber quem era a acompanhante de Coop. Os homens olhavam-no com inveja, 
enquanto as mulheres os fitavam com ar de espanto.

Nessa noite, depois de jantar, Coop foi lev-la ao apartamento onde ela vivia. Passara um fim-de-semana divertido na sua companhia, mas tinha uma semana muito ocupada 
 frente. Ia gravar um anncio de um carro, que lhe iria proporcionar uma boa quantia. Alm disso, era a ltima semana de trabalho de Liz.

Nessa noite, quando se meteu na cama, sozinho, Coop sentia-se feliz. Pamela era muito divertida, mas, afinal de contas, no passava de uma criana, coisa que ele 
j no era. Precisava de um sono reparador. Deitou-se s dez horas e dormiu que nem uma pedra at  manh seguinte, altura em que Paloma afastou as cortinas e levantou 
as persianas. Acordou sobressaltado e sentou-se na cama, de olhos pregados nela.

- Por que raio ests a fazer isso? - No conseguia imaginar o que estava ela a fazer no quarto, e ficou aliviado por reparar que vestira um pijama de seda na noite 
anterior. Caso contrrio, ela poderia t-lo encontrado esparramado, todo nu, em cima da cama. - O que  que ests a fazer aqui?

A criada trazia uma bata branca, culos de sol de aros brilhantes e sapatos vermelhos de salto alto. Parecia uma cartomante cigana vestida de enfermeira. Cooper 
no ficou nada satisfeito.

- Miss Liz disse para acord-lo s oito horas - respondeu Paloma, lanando-lhe um olhar fulminante. Nutria uma forte antipatia por ele, e demonstrava-o. Cooper tambm 
no morria de amores por ela.

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- No podias ter batido  porta? - resmungou, deixando-se cair para trs, de olhos fechados. Ela acordara-o de um sono profundo.

- Eu bato. Senhor no responde. Por isso, entro. Agora, acorda. Miss Liz diz que senhor tem de ir para trabalho.

- Muito obrigado - disse Coop, em tom formal, os olhos ainda fechados. - Importas-te de me fazer o pequeno-almoo? - No havia mais ningum a quem pudesse formular 
aquele pedido. - Apetece-me ovos mexidos e tosta de aveia. Sumo de laranja. Caf simples. Obrigado.

Quando abandonou o quarto, Paloma ia a resmungar algo para os seus botes. Coop estava ciente de que a aliana entre os dois seria dolorosa. Por que diabo tivera 
de ser ela a escolhida? Porque no haviam escolhido outra? Ah, claro, queixou-se para consigo... tinha um salrio baixo. Porm, vinte minutos depois, quando saiu 
do duche e encontrou os ovos num tabuleiro em cima da cama, teve de admitir que estavam excelentes. Melhores que os de Pamela. Apesar de Paloma ter feito huevos 
rancheros, em vez de ovos mexidos. Teve vontade de a repreender por no ter cozinhado aquilo que lhe pedira, mas no o fez. Os ovos estavam ptimos, e devorou tudo 
num instante.

Meia hora depois, Cooper saa, impecavelmente vestido, de blazer, calas cinzentas e camisa azul, gravata azul-escura Hermes, e cabelos imaculadamente penteados, 
como sempre. Ao entrar para o velho Rolls Royce, era a imagem da elegncia e da sofisticao. E arrancou. Mark, que ia para o escritrio, seguiu-o. No imaginava 
onde Cooper iria quela hora.

Liz cruzou-se com os dois e acenou a Cooper. Ainda no acreditava que aquela era a sua ltima semana no Palacete.
CAPTULO 6

Os ltimos dias de Liz ao servio de Coop foram um misto de tristeza e felicidade. O velho actor nunca havia sido to doce, nem to generoso com ela. Ofereceu-lhe 
um anel de diamantes que, segundo disse, fora da me - uma daquelas histrias a que Liz no dava grande crdito. Mas, tivesse ou no sido da me de Coop, o anel 
era lindo e ficava muito bem na mo de Liz, que prometeu andar sempre com ele.

Na sexta-feira  noite, a convite de Coop, foi ao Spago, onde bebeu de mais. Quando ele a levou a casa, estava lavada em lgrimas, e no parava de dizer que ia ser 
uma infeliz. Mas Coop j se resignara com a sua partida e asseverou-lhe que ela estava a fazer o que devia. Depois de se despedir, regressou a casa, onde tinha uma 
nova brasa  sua espera. Pamela estava em Milo, a rodar exteriores para uma revista. Aquando da rodagem do anncio para um carro, Coop conhecera Charlene, uma mulher 
estonteante, com vinte e nove anos, e o corpo mais extraordinrio que alguma vez vira. E j vira muitos. O dela merecia figurar no Palcio da Fama de Cooper Winslow: 
enormes seios, que Charlene dizia no terem silicone, e uma cintura que duas mos conseguiam enlaar; longos cabelos negros, e enormes olhos verdes amendoados (tinha 
uma av japonesa). Dotada de extraordinria beleza, estava completamente rendida ao charme de Coop e era mais inteligente do que Pamela, o que constitua um grande 
alvio. Charlene vivera dois anos em Paris, aliando a profisso de modelo  actividade de estudante na Sorbonne, e crescera no Brasil. Fora para a cama com Coop 
logo no segundo dia de filmagens. O velho actor tivera uma semana em cheio.

Convidara-a a passar o fim-de-semana consigo, e ela aceitara com um gritinho de alegria. J estava a pensar em lev-la ao Hotel du Cap. Ficaria um espectculo de 
biquini na piscina. Quando chegou a casa, depois do jantar com Liz, ela j o esperava na cama e Coop deitou-se a seu lado. Passaram uma noite muito interessante, 
algo acrobtica, e, no sbado,

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foram almoar a Santa Brbara e regressaram ainda a tempo de irem jantar ao L'Orangerie. Estava a adorar a companhia da jovem e a pensar em dar com os ps a Pamela. 
Charlene tinha muito mais para oferecer e uma idade que se coadunava mais com a sua.

Na segunda-feira de manh, quando Paloma regressou ao trabalho, Charlene ainda estava com ele. Cooper pediu-lhe para trazer dois tabuleiros, o que ela fez com uma 
expresso de desagrado estampada no rosto. Lanou um olhar furioso ao patro, pousou abruptamente os tabuleiros em cima da cama e saiu do quarto, com ar empertigado. 
Trazia sapatos de salto alto cor-de-rosa. Os acessrios que costumava usar com a bata sempre haviam fascinado Coop.

- Ela no gosta de mim - queixou-se Charlene, desanimada. - Acho que desaprova o nosso relacionamento.

- No te preocupes. Est loucamente apaixonada por mim. No tenhas medo se ela fizer uma cena de cimes retorquiu Coop, sarcstico, enquanto comia algo parecido 
com ovos de borracha, cobertos de uma grossa camada de pimenta, o que fez com que Coop quase sufocasse e Charlene no parasse de espirrar. Era uma verso mais forte 
dos huevos rancheros que comera na semana anterior. Paloma ganhara este round, mas Cooper estava determinado a dar-lhe uma palavrinha depois de Charlene se ir embora, 
o que aconteceu ao princpio da tarde.

- Serviste um pequeno-almoo interessante esta manh, Paloma. - Cooper fitava-a com ar glido. - A pimenta d um agradvel toque agressivo, mas desnecessrio. Quase 
precisei de uma serra para cortar os ovos. Com que  que os fizeste? Com cola de borracha, ou com vulgar cola de papel?

- No sei do que fala - respondeu a criada, com ar de mistrio, enquanto areava uma pea de prata que Livermore lhe dissera para limpar todas as semanas. Usava novamente 
os culos de aros brilhantes. Eram, obviamente, os seus culos favoritos, e estavam tambm a tornar-se os favoritos de Cooper. Interrogou-se se haveria a mais remota 
possibilidade de a fazer cumprir as suas ordens. Caso contrrio, teria de substitu-la, dissesse Abe o que dissesse. - No gosta dos meus ovos? - perguntou, com 
ar angelical, enquanto Cooper a olhava de sobrolho franzido.

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- Sabes muito bem do que estou a falar.

- Miss Pamela telefonou de Itlia, hoje de manh, s oito horas - anunciou Paloma, com ar de indiferena, perante o olhar estupefacto de Cooper. De sbito, o sotaque 
desaparecera.

- O que  que disseste?

- Eu disse... - Olhou-o com um sorriso inocente nos lbios. - Miss Pamela telefonou s oitos horas. - O sotaque reaparecera. Devia estar a brincar com ele.

- H um minuto atrs no falaste dessa maneira, pois no, Paloma? Onde  que queres chegar? - Coop estava visivelmente chateado. Ela olhou-o com indiferena, depois, 
encolheu os ombros.

- No era do que estava a precisar? Andou dois meses a chamar-me Maria. - Ainda se percebia um sotaque salvadorenho nas suas palavras, mas muito leve. O seu ingls 
era quase to bom como o de Cooper.

- No fomos devidamente apresentados - desculpou-se Coop. E, embora o no admitisse, estava ligeiramente divertido: Paloma escondera-se dele fingindo que mal sabia 
falar ingls. Devia ser esperta e, provavelmente, tambm, boa cozinheira. - O que  que fazias no teu pas, Paloma? - indagou, intrigado.

- Era enfermeira - respondeu, continuando a arear a pea de prata. Aquela tarefa repugnava-a. Sentia quase tantas saudades de Livermore como Coop.

- Que pena - retorquiu Cooper, esboando um sorriso. - Pensei que me ias dizer que eras costureira. Pelo menos, poderias cuidar das minhas roupas. Felizmente, no 
estou necessitado dos teus prstimos como enfermeira.

- Ganho mais, aqui. E o senhor tem muita roupa - ripostou Paloma, acentuando novamente o sotaque, como se este fosse uma pea de vesturio que punha e tirava quando 
muito bem lhe apetecia. Era como se andasse a brincar s escondidas com ele.

- Tambm tens uns acessrios interessantes - acrescentou Coop, olhando para os sapatos cor-de-rosa da criada. A propsito, por que razo no me avisaste que Pamela 
telefonou?

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J tomara a deciso de acabar com ela. Mas ficara sempre amigo de todas as mulheres com quem tinha andado. A sua generosidade era tal que elas lhe perdoavam todos 
os caprichos e pecados. E estava certo de que o mesmo aconteceria com Pamela.

- O senhor estava ocupado com a outra quando ela telefonou. No sei o nome dela. - O sotaque desaparecera de novo.

- Charlene. - Paloma pareceu no ligar grande importncia  informao. - Obrigado, Paloma.

Coop preferiu dar por finda a conversa enquanto estava em vantagem, e saiu. Ela nunca escrevera um nico recado, e s lhos dava quando se lembrava, facto que o deixava 
deveras preocupado. Mas parecia conhecer as regras do jogo. Pelo menos, at agora. E, a pouco e pouco, estava a tornar-se uma personagem interessante.

Paloma conhecera Mark na semana anterior, e oferecera-se para lhe tratar da roupa quando ele lhe contou que a mquina de lavar estava avariada. Assim como o fogo. 
Disse-lhe ainda que poderia utilizar a cozinha do edifcio central, se precisasse, e que Coop nunca vinha  cozinha durante a manh. Deu-lhe, ento, uma chave da 
porta que ligava a ala de hspedes ao edifcio central. A mquina de caf tambm no funcionava. Mark fizera uma lista de todas as coisas avariadas, e a corretora 
prometera que tudo seria reparado, mas, com a partida de Liz, no havia ningum que tomasse conta deste tipo de ocorrncias,  excepo de Coop, e era muito pouco 
provvel que ele o fizesse. Mark passou a levar a sua roupa  lavandaria, enquanto Paloma tratava dos lenis e das toalhas. Aos fins-de-semana, usava a mquina 
de caf de Coop. Em vez do fogo, utilizava o microondas. S precisaria do fogo quando os filhos viessem visit-lo. E nessa altura j estaria arranjado. A corretora 
prometeu ver o que poderia fazer. Mas Coop nunca respondeu aos seus telefonemas, nem aos dela, nem aos de Mark. Entretanto, Coop ia fazer outro anncio nessa semana, 
a uma marca de pastilhas elsticas. Era um anncio ridculo, mas bem pago, o seu agente convencera-o a aceitar. Ultimamente, andava a trabalhar mais do que era hbito, 
embora ainda no tivesse surgido qualquer convite 

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para um filme. O agente fora a vrias produtoras, mas em vo. Coop ainda gozava de boa reputao em Hollywood, mas j era velho para o papel de gal. Ainda no se 
sentia preparado para desempenhar papis de pai ou de av. E h vrios anos que no aparecia qualquer convite para o papel de velho playboy.

Nessa semana, Charlene passou quase todas as noites com Coop. Andava a tentar arranjar emprego como actriz, mas ainda tinha menos trabalho do que ele. Desde que 
chegara a Hollywood, apenas participara em dois vdeos erticos, um dos quais havia sido exibido na televiso s quatro da manh. Percebeu que nenhum desses filmes 
ficaria bem no seu currculo. Charlene j perguntara a Coop se no podia interceder a seu favor, e ele prometera-lhe ver o que poderia fazer. Comeara como modelo 
de lingerie na Stima Avenida, depois de trabalho no mesmo ramo em Paris. Possua um corpo escultural, mas Coop tinha srias dvidas de que tivesse queda para a 
representao. As suas verdadeiras aptides encontravam-se numa rea muito mais apelativa para Coop, mas que nada tinha a ver com representao, trabalho de modelo 
ou televiso.

Coop adorava a sua companhia. E ficou aliviado quando ao regressar de Milo Pamela lhe contou que se envolvera com o fotgrafo. Essas coisas, especialmente no mundo 
de Coop, aconteciam com naturalidade. Tudo girava em torno de corpos, alianas temporrias e aventuras amorosas fugazes. Quando saa com actrizes famosas, logo surgiam 
rumores de namoro e casamento. Mas no queria nada disso com Charlene. Andava radiante de felicidade na sua companhia e j fora, por duas vezes, s compras com ela, 
o que fizera desaparecer num pice o dinheiro dos dois cheques que os seus inquilinos lhe haviam passado. Mas achava que a moa merecia, como explicou a Abe, quando 
este lhe telefonou a avisar que teria de vender a casa se no se portasse bem.

- Tem de deixar de andar com modelos e actrizes, Coop. Precisa de arranjar uma mulher rica.

Coop soltou uma gargalhada e respondeu que ia pensar no assunto, mas o casamento nunca o atrara. A nica coisa que queria era gozar a vida, e era isso mesmo que 
faria at morrer.

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Na semana seguinte, Mark foi a Nova Iorque visitar os filhos. J falara deles a Paloma. Esta j dera uma pequena limpeza aos seus aposentos, pela qual recebera uma 
boa remunerao. Mas t-lo-ia feito de graa. Quando Mark lhe contou que a esposa o trocara por outro homem, sentiu pena dele, e comeou a deixar-lhe fruta numa 
taa em cima da mesa da cozinha, alm de tortilhas que ela prpria confeccionava. Gostava de o ouvir falar dos filhos. Via-se que os adorava. Havia fotografias deles 
por todo o lado, e outras de Mark com a ex-mulher.

Esse fim-de-semana era um desafio para Mark: ia encontrar-se com os filhos pela primeira vez desde que haviam deixado Los Angeles, h mais de um ms. Janet declarou 
que ele devia ter esperado mais algum tempo antes de os visitar e mostrava algum nervosismo e hostilidade. Levava uma vida dupla, fingindo-se uma pessoa livre quando 
estava com os filhos e prosseguindo clandestinamente o seu romance, apesar de Adam j lhe ter perguntado quando iria conhecer os midos. Ela prometera-lhe que em 
breve, mas no queria que eles suspeitassem de que fora esse o motivo por que haviam sido obrigados a mudar-se para Nova Iorque. Aterrorizava-a pensar que os filhos 
no simpatizassem com Adam e entrassem em guerra com ele, quanto mais no fosse por uma questo de lealdade para com o pai. Quando Mark a viu, achou-a extremamente 
nervosa, e pareceu-lhe que alguma coisa estava a correr mal. Os filhos tambm se mostravam tristes, apesar da excitao de reencontrarem o pai.

Ficaram alojados no Plaza com Mark e passaram o tempo todo a telefonar para o servio de quartos. Mark levou-os ao teatro e ao cinema. Foi s compras com Jessica 
e deu um longo passeio  chuva com Jason. No domingo  tarde, custou-lhe muito deix-los, partindo com a sensao de que a visita soubera a pouco. Durante toda a 
viagem de regresso, sentiu-se deprimido. Comeava a perguntar a si mesmo se no seria melhor mudar-se para Nova Iorque. No sbado seguinte, enquanto apanhava sol 
 beira da piscina, ainda a pensar no assunto, reparou que algum estava a mudar-se, finalmente, para a casa do caseiro. Encaminhou-se para l e viu Jimmy a tirar 
uma srie de caixas de dentro de uma carrinha. Ofereceu-se para o ajudar.

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Jimmy hesitou mas acabou por aceitar a ajuda de bom grado. Ele prprio estava espantado com a quantidade de coisas que tinha. Desfizera-se de muitas delas, mas ficara 
com um bom nmero de fotografias emolduradas, alguns trofeus, o equipamento desportivo e a roupa. Trouxera tambm a aparelhagem. Eram tantas coisas que, mesmo com 
a ajuda de Mark, demoraram duas horas a despejar a carrinha. Quando, finalmente, se sentaram, Jimmy ofereceu-lhe uma cerveja.

- Voc tem c um arsenal de coisas! - exclamou Mark, sorrindo enquanto bebericava a cerveja. - E de um peso! Trouxe a coleco de bolas de blingue ou qu?

Jimmy sorriu e encolheu os ombros.

- Diabos me carreguem se sei! E no trouxe as coisas todas.

Tinha uma quantidade enorme de livros, papis e CDs que parecia no ter fim, mas desapareceu tudo com a maior das facilidades, nas gavetas, armrios, estantes e 
roupeiros da casa. Quando abriu a primeira caixa, Jimmy pegou numa fotografia da falecida esposa, colocou-a em cima da lareira e ficou especado a olhar para ela. 
Era uma das suas favoritas. Maggie acabara de apanhar um peixe num lago, numa das viagens  Irlanda, e exibia um ar vitorioso e satisfeito, os cabelos ruivos apanhados 
no alto da cabea, os olhos semicerrados por causa do sol. Parecia uma mida de catorze anos. Fora tirada no Vero anterior, antes de Maggie adoecer, h apenas cerca 
de sete meses. Parecia ter sido h uma eternidade. Quando se virou, Mark olhava-o fixamente. Jimmy desviou o olhar, sem articular qualquer palavra.

-  bonita. Namorada?

Jimmy abanou a cabea e demorou bastante tempo a responder. Quando o fez, sentiu um n na garganta. J estava habituado. s vezes, num pice, o n transformava-se 
numa crise de choro.

-  a minha mulher - respondeu num tom triste.

- Lamento - retorquiu Mark, presumindo que tambm estivesse divorciado. - H quanto tempo?

- Faz amanh  noite sete semanas.

Jimmy respirou fundo. Nunca falava do assunto, mas sabia que tinha de aprender a lidar com ele, e talvez esta fosse

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uma boa altura para comear. Mark parecia ser boa pessoa e, vivendo na mesma propriedade, talvez ainda se tornassem amigos. Fez um esforo para evitar que a voz 
se lhe embargasse e baixou os olhos.

- No meu caso, seis. No fim-de-semana passado, fui a Nova Iorque visitar os meus filhos. Sinto tantas saudades deles... A minha mulher deixou-me por causa de outro 
tipo explicou Mark, em tom amargurado.

- Sinto muito. - Jimmy conseguia ver a dor estampada no olhar de Mark. -  duro. Que idade tm os seus filhos?

- Quinze e treze, uma rapariga e um rapaz. O Jason e a Jessica. So midos maravilhosos e, at agora, esto a detestar Nova Iorque. E ainda bem que o tipo no  
daqui. Os midos ainda no o conhecem. E voc? Tem filhos?

- No. Chegmos a falar no assunto, mas nunca nos decidimos.

Estava espantado com a quantidade de coisas que queria contar a Mark. Era como se existisse entre eles um estranho elo invisvel. O elo da amargura, do sentimento 
de perda, da tragdia inesperada. As desgraas que a vida nos traz quando menos esperamos.

- Talvez seja mais fcil divorciarmo-nos quando no temos filhos - afirmou Mark, com um misto de compaixo e humildade. De repente, Jimmy percebeu o que ele queria 
dizer.

- Mas eu no me estou a divorciar - balbuciou, com voz embargada.

- Ento, pode ser que faam as pazes - vaticinou Mark, com alguma inveja, continuando a no perceber o que acontecera. S ento reparou no olhar amargurado de Jimmy.

- A minha mulher morreu.

- Oh, meu Deus... os meus sinceros psames... pensei que... Que aconteceu? Acidente?

Olhou de novo para a fotografia, subitamente horrorizado com o facto de a bonita mulher que exibia o peixe ter morrido. Era fcil perceber a dor de Jimmy.

- Um tumor cerebral. Comeou a ter dores de cabea... enxaquecas... fez exames. Foi-se em dois meses. Num pice.

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Evito falar no assunto. Ela teria adorado este stio. A famlia era irlandesa, de County Cork. Era cem por cento irlandesa. Uma mulher extraordinria. Quem me dera 
valer s metade do que ela valia.

Mark quase chorou ao ouvi-lo. As lgrimas cintilavam nos olhos de Jimmy. Mas Mark no podia fazer mais nada a no ser olh-lo, condodo. Depois, ajudou-o a transportar 
o resto das caixas e levou pelo menos meia dzia para o primeiro andar. Durante algum tempo, no trocaram qualquer palavra, mas Jimmy parecia j recomposto quando 
acabaram de levar as caixas para as salas respectivas e Mark o ajudava a abrir algumas delas.

- Nem sei como hei-de agradecer-lhe. Acho que estou a cometer uma pequena loucura, ao mudar-me para aqui. Tnhamos um apartamento magnfico em Venice Beach. S que 
eu tinha de sair de l, depois apareceu isto. Achei que, de momento, era a melhor coisa a fazer. - Precisava de um stio para recuperar, sem ter que deparar com 
uma srie de coisas que lhe fizesse lembrar os momentos passados com Maggie.

- Eu vivia num hotel, a dois quarteires do escritrio, e passava a noite a ouvir pessoas a tossir. Um colega meu, um contabilista que trabalha para Coop, disse-me 
que ele ia arrendar a casa do caseiro e a ala de hspedes. Fiquei apaixonado pela casa logo que a vi e acho que este espao circundante  ptimo para os midos. 
 como viver num parque. Mudei-me h duas semanas, e isto  to sossegado... Durmo que nem um beb. Quer ver os meus aposentos? So muito diferentes destes. Voc 
fechou o negcio no dia em que eu vim ver a ala de hspedes. Mas acho que a minha casa  melhor para os midos.

No conseguia deixar de pensar neles, especialmente depois de os ter visto no fim-de-semana anterior e de se ter apercebido de que eram infelizes em Nova Iorque. 
Jessica passava a vida s turras com a me e Jason parecia desligado de tudo e de todos, isolando-se do que o rodeava. Nem eles, nem a me estavam bem. Nunca a vira 
to nervosa. Reduzira a vida de todos a farrapos, mas Mark ainda alimentava a esperana de que ela percebesse que a vida que escolhera no era

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to idlica como pensara. Optara por um caminho rduo e pedregoso, no s para eles, mas tambm para si prpria.

- Vou tomar um duche - anunciou Jimmy, sorrindo.
- J l apareo. No me demoro. Quer jogar uma partida de tnis logo  tarde? - No jogava desde que Maggie falecera.

- Claro. No tenho tido ningum com quem jogar. Mas tenho ido at  piscina.  ptima. Fica mesmo ao lado da casa.

- Tem visto Coop? - indagou Jimmy, com um sorriso, dando a impresso de estar a sentir-se melhor.

- Ainda no, quer dizer, j o vi mas no falei com ele. S ao longe, a entrar e a sair. E anda c com umas brasas! Deve ter um bando de midas novas.

- Tem de fazer jus  reputao. Acho que  o que tem feito melhor ao longo da vida. H anos que no o vejo num filme.

- Deve andar em baixo de finanas, e foi por isso que nos arrendou as casas - explicou Mark, pragmtico.

- Tambm acho. O caso da ala de hspedes  paradigmtico. Por que razo quereria ele arrendar parte da sua prpria casa se no precisasse de dinheiro? A manuteno 
desta propriedade deve custar-lhe uma fortuna.

- O contabilista dele despediu a criadagem quase toda. Talvez ainda o vejamos, um destes dias, a tratar do jardim.

Riram-se ambos da ideia. Pouco depois, Mark voltou para casa, satisfeito por ter conhecido Jimmy. Estava impressionado com o trabalho que ele realizava com midos, 
em Watts, e sentia imensa pena do que sucedera  esposa. Que pouca sorte! Era pior do que o que lhe acontecera a si. Pelo menos, ele ainda tinha os filhos e, embora 
Janet lhe houvesse destroado o corao e a vida, no morrera. Mark no conseguia imaginar nada pior do que o que acontecera ao seu novo amigo.

Jimmy apareceu meia hora depois, com ar fresco e limpo, e cabelo lavado. Vestia cales e T-shirt, e trazia uma raquete de tnis. Ficou deslumbrado quando viu a 
ala onde Mark vivia. Era, de facto, um espao completamente diferente do seu. Jimmy preferia a sua casa, mas achava que a ala seria

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muito melhor para os filhos de Mark. Havia muito mais espao. E estariam mais prximos da piscina.

- Coop no levantou objeces ao facto de voc ter filhos? - perguntou Jimmy, enquanto se encaminhavam para o campo de tnis.

- No. Porqu? - Mark parecia espantado. - Disse  corretora que eles viviam em Nova Iorque e, infelizmente, no vo passar aqui muito tempo, excepto nas frias. 
 mais fcil se eu l for.

- Fiquei com a impresso de que ele no gosta de crianas.  fcil perceber porqu. Tem coisas de muito valor em ambas as casas. Para mim, foi ptimo. Tinha pouca 
moblia, o apartamento era muito pequeno. No trouxe nada.  bom comear de novo. E voc?

- Deixei a Janet levar tudo, excepto as minhas roupas. Pensei que seria melhor para os midos terem com eles todas as coisas que lhes eram familiares. Este stio 
foi uma ddiva dos cus. De outra forma, teria de comprar uma montanha de mveis. Acho que, se tivesse de fazer isso, teria preferido ficar no hotel. Pelo menos, 
por uns tempos. No estava com disposio para andar a mobilar um apartamento. Aqui, foi s chegar com as malas, desfaz-las e, como que por artes mgicas... zs!... 
estou em casa!

- Foi o que aconteceu comigo.

Deram com o campo de tnis facilmente, mas ficaram desapontados ao descobrir que se encontrava em muito mau estado. Ainda tentaram jogar, mas o piso estava esburacado 
e irregular. Acabaram por se limitar a bater umas bolas de um lado para o outro. Depois, foram at  piscina. Mark deu umas braadas, enquanto Jimmy ficou a apanhar 
sol. Antes de regressar a casa, Jimmy convidou Mark para jantar nessa noite. Ia fazer costeleto no churrasco e, contra o que era seu hbito, comprara dois.

- Aceito com todo o gosto. Eu levo o vinho - prontificou-se Mark.

Apareceu uma hora depois, com uma garrafa de colheita muito razovel, e sentaram-se no terrao a falar da vida, de desporto, dos respectivos empregos, dos filhos 
de Mark, e dos filhos que Jimmy gostaria de ter tido e ainda poderia vir

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a ter, mas falaram o menos possvel das mulheres. A dor era ainda muito forte. Mark admitiu a sua relutncia em voltar a sair com uma mulher, enquanto Jimmy ps 
a hiptese de nunca mais o fazer. De momento, tinha srias dvidas de que isso acontecesse, porm, aos trinta e trs anos, era uma deciso difcil de tomar. Ambos 
achavam que iriam andar ao sabor da corrente por uns tempos. A conversa acabou por estender-se a Coop e ao tipo de vida que levava. Jimmy era do parecer que, quando 
uma pessoa vivia ao estilo de Hollywood durante tanto tempo como ele, acabava por ficar desfasada da realidade. Parecia uma teoria plausvel, pelo que ambos haviam 
lido acerca de Coop.

Nesse preciso momento, o velho actor encontrava-se em casa, na cama com Charlene. A jovem era um verdadeiro pitu sexual, e j haviam feito coisas que ele nunca 
pensara fazer na vida. O sexo rejuvenescia-o e era um desafio que colocava a si prprio. Charlene movimentava-se com ar felino, atirando-se a ele como uma leoa esfaimada 
e deixando-o louco de prazer. Manteve-o ocupado durante grande parte da noite. E na manh seguinte, esgueirou-se at  cozinha para lhe arranjar o pequeno-almoo. 
Ia surpreend-lo com uma revigorante refeio e, depois, voltariam a fazer amor. Estava na cozinha, apenas com umas minsculas calcinhas e uns sapatos altos vermelhos, 
quando ouviu a porta abrir-se. Virou-se e encarou com Mark, em cuecas e de cabelos desgrenhados. Parecia um mido de dezoito anos, com ar ensonado e embasbacado 
a olhar para a jovem, que no fez qualquer tentativa para se cobrir, limitando-se a sorrir-lhe.

- Ol, sou Charlene - apresentou-se, com a maior das naturalidades, como se estivesse de roupo e chinelos.

Mark nem sequer lhe viu a cara, incapaz de desviar o olhar dos enormes seios, das minsculas calcinhas e das interminveis pernas. S ao fim de algum tempo se deteve 
no seu rosto.

- Oh... meu Deus... desculpe... Paloma disse-me que Coop nunca usa a cozinha aos fins-de-semana... o meu fogo e a mquina de caf esto avariados... s vinha fazer 
um caf... ela deu-me a chave... - gaguejou Mark. Mas Charlene no parecia minimamente preocupada. Pelo contrrio, exibia um ar afvel e divertido.

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- Eu fao-lhe o caf. Coop est a dormir.

Mark supunha que se tratasse de uma actriz ou de um modelo que Coop trouxera para casa, ou ento de uma das suas namoradas. H semanas, vira-o acompanhado de uma 
loura, mas no sabia se era ela. De qualquer das formas, tratava-se de uma autntica brasa.

- No... vou-me embora... peo imensa desculpa... Charlene mantinha-se impvida e sorridente, com os seios quase a tocarem no rosto de Mark.

- No h nenhum problema. - No parecia minimamente incomodada com o facto de estar praticamente nua diante de Mark, que, se a cena no fosse to embaraosa, teria 
rebentado a rir. Continuou a olh-la, envergonhado, enquanto ela lhe preparava o caf. -  o novo inquilino? indagou, quando Mark, segurando a chvena fumegante, 
tentava sair da cozinha o mais rapidamente possvel.

- Sou. - Que outra pessoa poderia ser? Um ladro? No voltarei a entrar aqui. Vou comprar uma mquina de caf. Talvez seja melhor no contar nada a Coop - pediu, 
nervoso. Charlene era uma rapariga deslumbrante.

- Est bem - retorquiu amavelmente, enquanto fazia sumo de laranja para Cooper. - Quer sumo de laranja? perguntou, antes de Mark sair da cozinha.

- No, obrigado... Obrigado pelo caf - respondeu Mark, desaparecendo o mais depressa que pde.

Fechou novamente a porta  chave e encaminhou-se para a sala de estar. Nem queria acreditar no que lhe acontecera. Parecia uma cena de um mau filme. Mas ela tinha 
c um corpo e uns cabelos negros!

Mal se vestiu, no conseguiu resistir a ir contar a Jimmy o que se passara. Prometera a si prprio comprar uma mquina de caf nessa tarde.

Jimmy estava sentado no ptio da casa, a beber uma caneca de caf e a ler o jornal, quando levantou os olhos e viu Mark com um sorriso de orelha a orelha.

- Nem imagina onde, nem com quem  que tomei caf esta manh.

- No fao a menor ideia, mas, pelo seu ar de felicidade, deve ter sido bom.

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Mark falou-lhe, ento, de Paloma e da chave, do fogo e da mquina de caf avariados, e de Charlene, praticamente nua, apenas com umas minsculas calcinhas e uns 
sapatos de saltos altos, enquanto lhe preparava o caf, sem se mostrar minimamente perturbada com a sua presena.

- Foi uma cena digna de filme. Agora, imagine o que seria se ele aparecesse de repente. Se calhar, punha-me logo na rua.

- Ou pior. - Jimmy tambm estava deleitado com a histria, imaginando o cmico da situao: Mark de cuecas, com uma mulher completamente nua a servir-lhe caf.

- Tambm me ofereceu sumo de laranja. Mas acho que estaria a abusar da sorte se l passasse mais um minuto que fosse.

- Quer outro caf? Se bem que aqui o servio seja um pouco mais mundano.

- Claro.

Na vida destes dois homens havia afinidades suficientes para criar entre eles laos de amizade. E o facto de serem vizinhos dava-lhes uma paz de esprito incrvel. 
Ambos tinham os seus prprios amigos e as suas prprias vidas, mas, ultimamente, tentavam evitar esses crculos de amizade. As tragdias por que haviam passado tinham-nos 
afastado e feito sentir embaraados at com os amigos mais chegados. Haviam-se isolado e, agora, tinham encontrado um companheiro de infortnio. Era mais fcil do 
que estar com as pessoas que os haviam conhecido quando estavam casados. Era como comear do zero. Por vezes, tornava-se difcil suportar o ar de comiserao dos 
velhos amigos.

Meia hora depois, Mark voltou para casa. Trouxera trabalho do escritrio. Mas tornaram a encontrar-se mais tarde, na piscina. Mark comprara uma nova mquina de caf, 
e Jimmy j acabara de desencaixotar as suas coisas. Colocara meia dzia de fotografias de Maggie em lugares estratgicos. Por estranho que pudesse parecer, olhar 
para o rosto dela fazia-o sentir-se menos s. s vezes, s tantas da noite, sentia um profundo terror de se esquecer das suas feies.

-J acabou o trabalho? - perguntou Jimmy, sentado confortavelmente num cadeiro.

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-J - respondeu Mark, de sorriso nos lbios. E comprei uma nova mquina de caf. Amanh de manh, vou entregar a chave a Paloma. Nunca mais voltarei  cozinha. - 
A viso de Charlene, de calcinhas, ainda o fazia sorrir.

- Esperava outra coisa dele? - perguntou Jimmy, referindo-se ao senhorio.

- Talvez no. S no estava  espera de assistir  sua vida sexual na primeira fila.

Meia hora depois, ainda conversavam calmamente, quando ouviram um porto ranger e, depois, fechar-se com algum estrondo. E, num pice, surgiu diante deles um homem 
alto, de cabelos cor de prata, e sorriso aberto. Vestia calas de ganga e uma camisa branca imaculadamente passada, e calava sapatos castanhos de pele de crocodilo. 
Era uma viso da perfeio, e ambos se puseram em p de um pulo, como dois midos que tivessem sido apanhados a fazer algo que no deviam. Mas fora-lhes concedido 
acesso livre  piscina, e o nico motivo por que Coop aparecera fora para os conhecer. J os vira do terrao. Charlene encontrava-se no piso de cima, no duche, a 
lavar o cabelo.

- Desculpem incomod-los. S c vim apresentar os meus cumprimentos. Uma vez que so meus convidados, queria conhec-los. - Ambos tiveram a mesma sensao de gozo 
por terem sido chamados de "convidados". Por dez mil dlares por ms, no eram seus "convidados", mas seus inquilinos. - Ol, sou Cooper Winslow - apresentou-se, 
com um largo sorriso, enquanto lhes dava um aperto de mo. Qual de vocs vive aqui? J se conheciam? - Estava to curioso acerca deles como eles acerca de si.

- Chamo-me Mark Friedman, vivo na ala de hspedes. E s nos conhecemos ontem, quando Jimmy estava a fazer a mudana.

- Chamo-me Jimmy O'Connor. - E deu um aperto de mo ao homem que se erguia, que nem uma torre, diante de si. Ambos tinham a sensao de serem novos alunos a apresentarem-se 
ao professor. Cooper fazia jus  sua reputao de pessoa charmosa. Exibia grande -vontade e simpatia, alm de grande elegncia no vestir. As calas, impecavelmente 
passadas a ferro, assentavam-lhe que nem uma luva, realando 

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as longas pernas, que pareciam no ter fim. Nenhum dos dois lhe daria sessenta anos. Tinha um ar muito mais jovem. E a verdade  que j tinha setenta. No havia 
qualquer mistrio acerca do motivo por que as mulheres o adoravam. Mesmo de calas de ganga, emanava estilo e charme. Era uma estrela de Hollywood.

- Espero que se sintam confortveis nas suas casas.

- Muito - apressou-se Mark a responder, rezando para que Charlene no lhe tivesse contado o que se passara naquela manh. Receava que sim e achava que era por isso 
que Coop viera visit-los. -  uma casa esplndida - acrescentou, em tom de admirao, procurando no pensar na mulher de calcinhas que lhe servira o caf. Entretanto, 
sentindo que era nisso que Mark estava a pensar, Jimmy sorriu e lanou-lhe um olhar travesso. Tratava-se de uma histria deliciosa.

- Sempre adorei viver aqui - disse Coop, referindo-se ao Palacete. -- Tm de aparecer, de vez em quando, no edifcio principal. Um jantar, porque no? - De repente, 
lembrou-se de que j no tinha cozinheira, nem mordomo, nem ningum que soubesse servir com requinte. Teria de contratar uma empresa de servio de refeies. No 
arriscaria pedir a Paloma outra coisa a no ser pizas e tacos, apesar das melhoras que o ingls dela sofrera. Com ou sem sotaque, era uma pessoa rebelde e assustadoramente 
independente. Se lhe pedisse para servir o jantar, no sabia como  que ela se comportaria. - Donde so?

- Eu sou de Boston - respondeu Jimmy. - H oito anos que vivo em Hollywood, desde que me formei. E adoro.

- Eu vivo c h dez - explicou Mark. - Vim de Nova Iorque.

Esteve prestes a acrescentar: "Com a minha mulher e os meus filhos", mas conteve-se. Seria pattico, especialmente se tivesse de explicar por que razo j no estavam 
consigo.

- Acho que vocs tomaram a deciso certa. Tambm sou do Este, e j no conseguia aguentar o tempo, sobretudo os Invernos. A vida aqui  muito melhor.

- Especialmente numa propriedade como esta - elogiou Jimmy, completamente fascinado com Cooper Winslow, 

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que exibia um extraordinrio -vontade. Estava, obviamente, habituado a que lhe dessem ateno e o adulassem. No havia qualquer dvida de que tinha perfeita conscincia 
do fascnio que exercia sobre as pessoas. Vivera dele durante meio sculo. E o que era impressionante era o facto de ainda o manter, em especial devido  sua boa 
forma fsica.

- Bem, espero que se sintam bem aqui. Informem-me se precisarem de alguma coisa.

Mark nem sequer esboou qualquer tentativa de se queixar do fogo ou da mquina de caf. J resolvera mand-los arranjar por sua conta e deduzir a despesa no recibo 
do ms. No queria puxar a conversa do caf da manh, com receio de que a mulher de seios enormes tivesse contado a Coop o que se passara, apesar de ter prometido 
que no o faria. Mark no sabia at que ponto podia confiar nela.

Coop esboou novamente um sorriso cativante, cavaqueou durante mais alguns instantes e foi-se embora, enquanto os dois homens, muito mais jovens de que ele, olhavam 
um para o outro, atnitos. S ao fim de alguns minutos reataram a conversa, para dar tempo a que Coop chegasse a casa e no ouvisse os seus comentrios.

- Virgem Santssima! - Mark falou primeiro. - Viu o aspecto dele? Vou mas  pendurar as botas. Quem  que pode competir com ele?

Nunca nenhum homem, na sua vida, o impressionara tanto. Cooper Winslow era o homem com mais charme que alguma vez vira. Porm, Jimmy parecia menos impressionado 
quando respondeu, com ar pensativo:

- S h um problema - sussurrou. No queria que Coop ouvisse. - Ser que h tambm um corao por trs de todo aquele charme, daquele ar atraente, daquelas roupas?

- Talvez seja suficiente - respondeu Mark, pensando em Janet. Ela nunca teria abandonado um homem com o aspecto, a cultura e o charme de Cooper Winslow. Mark sentia-se 
um puto ao lado dele. Todas as suas inseguranas haviam surgido  superfcie no instante em que Cooper aparecera.

- No, no  - retorquiu Jimmy. - O tipo no passa de uma concha. Nada do que ele diz significa o que quer

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que seja. Tudo gira  volta da beleza e de todas essas merdas. E olhe para as mulheres com quem ele anda. Daqui a trinta anos, prefere uma menina com serradura na 
cabea, de calcinhas, a servir-lhe o pequeno-almoo, ou uma mulher a srio, com quem possa conversar?

- Tenho de pensar - respondeu Mark, e desataram ambos a rir.

- Por uns tempos  capaz de ser divertido, e depois? Seria uma situao que daria comigo em doido. - Maggie fora uma mulher completa. Inteligente, verdadeira, bonita, 
divertida e sensual. Ela fora tudo aquilo que ele sempre desejara. A ltima coisa que Jimmy queria era uma mulher ftil. Mark s queria Janet. Porm, aparentemente, 
Cooper Winslow era um homem completo. Jimmy tambm tinha de admitir que o velho actor causava uma forte impresso nas pessoas. Bem, ele que fique com a mulher das 
mamas. Eu prefiro os sapatos. So espectaculares.

- Ento, fique l com os sapatos, que eu fico com a mulher. Ainda bem que no falou do meu encontro com ela na cozinha esta manh - rematou Mark, aliviado.

- Eu j adivinhava que fosse essa a sua escolha - comentou Jimmy, a rir. Simpatizava com Mark. Era um tipo porreiro, ntegro. Adorava conversar com ele e compreendia 
perfeitamente o seu estado de esprito, causado pelas saudades imensas que sentia dos filhos. - Bem, agora j o conhecemos. Parece mesmo uma estrela de cinema, no 
acha? - indagou Jimmy, voltando a lembrar-se do breve encontro de h momentos atrs. - Gostava de saber quem  que lhe passa a roupa. A minha est toda amarrotada 
desde que sa de casa. A Maggie no passava a ferro. Dizia que era contra a sua religio.

Mantivera-se fiel  Igreja Catlica Romana, alm de ter sido uma feminista ferrenha. A primeira vez que ele lhe pedira para lavar a roupa, quase lhe batera.

- Tenho levado a roupa toda  lavandaria - contou Mark. - Fiquei sem camisas a semana passada, e tive de comprar seis. A lida da casa no  o meu forte. Tenho pago 
 Paloma para me fazer a limpeza. Talvez se lhe pedir, ela tambm lha faa.

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A salvadorenha estava a ser impecvel com ele. E no s era uma pessoa prestvel e capaz, mas tambm muito inteligente. J falara demoradamente com ela sobre os 
filhos, e tudo o que Paloma lhe dissera fora de uma grande simpatia e sensibilidade. Mark nutria um grande respeito por ela.

- Eu no me queixo - acrescentou Jimmy. - Acompanhado de uma garrafa de Windex, sou um verdadeiro artista a aspirar o p. A Maggie tambm no pegava no aspirador.

Nessa mesma tarde, Jimmy contou que se haviam conhecido em Harvard. Era uma rapariga muito atraente.

- Eu e a Janet conhecemo-nos na Faculdade de Direito. Mas ela nunca exerceu. Engravidou mal casmos e ficou em casa com os midos.

- Foi por isso que ns nunca quisemos ter filhos. A Maggie esteve sempre dividida entre deixar a carreira profissional e ficar em casa com as crianas. Tinha uma 
perspectiva de vida muito irlandesa. Achava que as mes deviam ficar em casa com os filhos. Suponho que, mais cedo ou mais tarde, acabaramos por nos resolver a 
t-los.

Pouco depois, retomaram a conversa sobre Cooper. s seis horas, Jimmy voltou para casa. Ia jantar com uns amigos. Convidou Mark, mas este recusou, dizendo que tinha 
de arrumar alguma papelada e ler a nova legislao fiscal. E despediram-se com a convico de terem passado um bom fim-de-semana. Haviam arranjado um novo amigo 
e sentiam-se felizes com as novas casas, alm de terem conhecido Cooper Winslow, que no os desiludiu. Coop era tudo aquilo que diziam dele: uma autntica lenda 
viva de Hollywood.

Jimmy e Mark prometeram encontrar-se para jantar na semana seguinte. Enquanto Jimmy se dirigia para casa, Mark entrava na ala de hspedes, sorridente, lembrando-se 
do caf da manh e da mulher que lho fizera. Cooper Winslow era um sortudo!


CAPTULO 7

Na manh seguinte, Liz telefonou a Coop, que ficou encantado por voltar a ouvir a voz da antiga secretria. Casara h uma semana e ainda se encontrava em lua-de-mel, 
mas estava preocupada com ele.

- Onde est? - indagou Cooper, ao ouvir a voz familiar. Ainda no se habituara ao facto de no ver o seu rosto todas as manhs.

- No Havai - respondeu Liz, orgulhosa.

Usava o nome de casada em todas as ocasies e, embora achasse estranho, adorava e tinha pena de no se ter casado h mais tempo. Estar casada com Ted parecia um 
sonho.

- Que coisa mais plebeia! - espicaou-a Cooper. Ainda tenho esperanas de que lhe d com os ps e volte para mim. O casamento pode ser anulado num instante.

- Nem pense! Gosto de ser uma mulher casada e respeitvel. - Muito mais do que alguma vez imaginara.

- Liz, estou desapontado consigo. Sempre pensei que tivesse mais carcter. Voc e eu ramos os ltimos solteires. Agora, s resto eu.

- Bem, talvez devesse tambm casar-se. No  assim to mau. Alm disso, h mais benefcios fiscais.

A verdade era que adorava estar casada, e fizera-o com o homem certo. Ted era um marido maravilhoso. Coop estava feliz por ela, apesar dos transtornos que aquele 
casamento lhe causara.

- O Abe tambm diz que me devo casar e arranjar uma mulher rica.  de uma crueldade extrema.

- No  m ideia - picou-o.

No conseguia imaginar Cooper casado. A vida para ele tinha muito mais gozo assim. No estava a v-lo amarrado a uma nica mulher. Ele precisava de ter um harm 
para estar nas suas sete quintas.

- De qualquer modo, h anos que no ando com uma mulher rica. Nem sei onde  que elas se escondem. Alm disso, prefiro as filhas.

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Ou as netas, como acontecia ultimamente. Ao longo da vida, tivera romances com mulheres muito ricas, herdeiras de grandes fortunas, mas sempre preferira as mais 
jovens. Chegara a andar com uma princesa indiana e duas sauditas riqussimas. Porm, por mais ricas que fossem, rapidamente se fartava delas. Havia sempre uma mais 
bonita ou mais excitante ao virar de cada esquina. Liz suspeitava que ele continuaria assim at ao fim dos seus dias. Adorava ser livre.

- S queria certificar-me de que anda a portar-se bem.
- Liz estava cheia de saudades. Tinha um enorme afecto por ele. - Que tal se est a sair a Paloma?

- Extraordinariamente bem - respondeu Cooper, num tom convincente. - Faz ovos de borracha, pe pimenta nas torradas, transformou as minhas meias de caxemira em botinhas 
de beb e tem um gosto requintado. J me comeo a habituar aos culos cheios de brilhantes. Isto para no falar nos sapatos cor-de-rosa que usa com a bata, quando 
no traz os tnis a imitar pele de leopardo.  uma autntica ave rara, Liz. S Deus sabe onde voc a desencantou.

Mas a verdade era que, por mais que ela o irritasse, estava a gostar da animosidade que se criara entre ambos.

-  boa rapariga, Coop. Ensine-a, ela aprende. Trabalhou com as outras durante um ms,  provvel que se tenha esquecido de algumas coisas.

- Acho que o Livermore a ps a ferros na cave. Tambm tenho de experimentar esse estratagema. Oh, a propsito, ontem conheci os meus convidados.

- Convidados? - Liz ficou perplexa. No sabia que ele tinha convidados.

- Os dois homens que esto a residir na casa do caseiro e na ala de hspedes. - Os meus inquilinos.

- Ah, esses convidados. Que tal so?

- Pareceram-me pessoas respeitveis. Um  advogado e o outro, assistente social. O que  assistente parece um mido e andou em Harvard. O advogado parece um bocado 
nervoso, mas  simptico. Do a sensao de serem bem-comportados. S espero que no comecem a atirar garrafas para dentro da piscina ou a adoptar rfos irrequietos. 
No tm ar de criminosos, nem de viciados em herona. Acho que tivemos sorte.

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- Tambm acho. A corretora asseverou-me que eram pessoas de bem.

- Reservo o meu julgamento para mais tarde. Mas, de momento, no prevejo qualquer tipo de problemas. - Ouvir isto era um grande alvio para Liz. - Por que razo 
me telefonou? Devia estar a fazer amor na praia com esse canalizador com quem casou.

- No  canalizador,  corretor na Bolsa. E foi jogar uma partida de golfe com um cliente.

- Levou clientes para a lua-de-mel?  mau sinal, Liz. Divorcie-se imediatamente.

Cooper soltou uma gargalhada, e Liz ficou muito mais aliviada por sentir que ele estava bem.

- Encontrou o cliente aqui - explicou Liz, a rir. Dentro de uma semana, estarei em casa. Agora, porte-se bem, no compre nenhuma pulseira de diamantes esta semana. 
Ainda arranja uma lcera ao Abe Braunstein.

-  o que ele merece.  o homem mais sisudo e com menos gosto ao cimo da Terra. Voc  que merece uma pulseira de diamantes.

- Tenho usado o bonito anel que me ofereceu quando me vim embora - recordou Liz. - Falamos quando eu regressar. Tome conta de si, Coop.

- Fique descansada, Liz. Obrigado pelo telefonema.

Adorava conversar com ela e, embora no o quisesse admitir, tinha saudades. Imensas. Sentia-se um bocado  deriva desde que Liz partira. A sua casa e a sua vida 
pareciam um navio sem leme. Ainda no conseguia imaginar o que iria fazer sem ela.

Nessa manh, quando cassou o olhar pela agenda, viu a cuidada caligrafia de Liz. A noite, tinha um jantar em casa dos Schwartz. Ele era um dos maiores produtores 
de Hollywood e ela fora uma actriz de grande beleza nos anos cinquenta. Coop no tinha muita vontade de ir, mas sabia que eles ficariam aborrecidos se no fosse. 
Estava muito mais interessado em passar a noite com Charlene, e no queria lev-la consigo. Era um pouco ousada para aquele crculo. Charlene era o gnero de rapariga 
com quem ele gostava de gozar os prazeres do sexo, no algum com quem gostasse de ser

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visto em jantares de cerimnia. Tinha vrias categorias de mulheres. Charlene era uma rapariga "para ter em casa". As principais estrelas de cinema destinava-as 
s antestreias dos filmes, onde causavam um impacto redobrado na imprensa. Havia ainda um grupo de jovens actrizes e modelos com quem gostava de sair. Porm, preferia 
ir sozinho  festa dos Schwartz.

Costumavam ter a casa a abarrotar de gente interessante, e nunca sabia quem l iria encontrar. Preferia ir sozinho, e eles tambm gostavam de o ter l como solteiro. 
Nutria um carinho especial por Arnold e Louise Schwartz. Telefonou a Charlene e disse-lhe que no podiam encontrar-se nessa noite. Ela reagiu com desportivismo, 
respondendo que precisava do seu "sono de beleza", coisa que Coop sabia que ela dispensava. Ainda que passasse a noite toda sem pregar olho, de manh, exibia sempre 
o mesmo encanto. E ele, sempre um desejo insacivel. Mas esta noite pertencia aos Schwartz.

Coop encontrou-se com um produtor ao almoo, depois, foi ao massagista e  manicura. Dormiu a sesta, ao acordar bebeu um clice de champanhe e, s oito horas, saa 
de casa envergando um fato de cerimnia. O motorista que costumava contratar quando ia s festas aguardava-o no Bentley. Coop estava mais elegante do que nunca, 
com um smoking de fino corte e os cabelos cor de prata meticulosamente penteados.

- Boa noite, Mister Winslow - cumprimentou o motorista.

H anos que conduzia Coop, alm de outras estrelas. Ganhava bem como motorista por conta prpria. Para Coop, no fazia sentido ter um motorista a tempo inteiro. 
A maioria das vezes, preferia ser ele prprio a conduzir.

Quando Coop chegou  enorme manso dos Schwartz, na Brooklawn Drive, j havia uma centena de pessoas no salo principal, a beber champanhe. Louise Schwartz, que 
exibia uma fabulosa coleco de safiras, estava deslumbrante num vestido de noite azul-escuro.  sua volta, viam-se as figuras habituais nestas ocasies: ex-presidentes 
e ex-primeiras damas, polticos, negociantes de arte, produtores, realizadores, advogados de renome internacional e, como no podia

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deixar de ser, uns quantos actores de cinema, alguns mais novos do que Coop, mas nenhum to famoso. Num pice, Coop viu-se rodeado de uma horda de admiradores de 
ambos os sexos. Uma hora depois, passaram  sala de jantar. Coop ficou na mesma mesa de um actor conhecido da sua gerao, juntamente com dois escritores famosos, 
um importante agente de Hollywood e o director de um dos maiores estdios. Pensou em falar com ele depois do jantar, pois ouvira dizer que tinham um papel perfeito 
para si. Conhecia a mulher que estava sentada  sua direita: uma das matronas mais famosas de Hollywood, cujas festas tentavam em vo rivalizar com as dos Schwartz. 
 sua esquerda, sentava-se uma jovem que nunca vira antes. Tinha um rosto delicado, de traos aristocrticos, enormes olhos castanhos, pele cor de marfim, e cabelos 
escuros apanhados num carrapito, como uma bailarina de Dgas.

- Boa noite - cumprimentou Coop.

Reparou que a jovem era pequena e gil, levando a crer ser bailarina. Enquanto uma brigada de criados servia o primeiro prato, Coop perguntou-lhe se era mesmo bailarina, 
e ela riu-se. No era a primeira vez que lhe faziam essa pergunta, e declarou-se lisonjeada. Sabia muito bem quem ele era. O carto em cima da mesa tinha escrito 
Alexandra Madison, nome que, a Cooper, no dizia nada.

- Sou estagiria - afirmou, como se isso explicasse tudo.

- Estagiria onde? - indagou Cooper, divertido. No era o seu tipo de mulher, embora a achasse muito bonita. Reparou que tinha umas mos encantadoras, com unhas 
curtas e sem verniz. Trazia um vestido de cetim branco, que condizia perfeitamente com o rosto e a silhueta jovens.

- Num hospital. Sou mdica.

- Que interessante - comentou Cooper, parecendo impressionado. - De que especialidade? Algo de que eu precise?

- No, a no ser que tenha filhos. Sou pediatra, ou melhor, neonatologista, para ser mais exacta.

- Detesto crianas. Como-as ao jantar - retorquiu Cooper, com um largo sorriso, exibindo a bela dentadura branca por que era conhecido.

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- No acredito - contrariou a jovem, esboando um sorriso.

-  verdade. E as crianas tambm me detestam. Sabem que eu as como. S gosto delas quando chegam  idade adulta. Especialmente as mulheres. - Pelo menos, estava 
a ser honesto. Durante toda a sua vida, sentira desconfiana e averso relativamente s crianas. Geralmente, escolhia mulheres sem filhos. As crianas complicavam 
tudo e j lhe haviam estragado muitas noites. As mulheres sem filhos eram muito mais divertidas. No  preciso arranjar baby-sitters, e no tm midos que bolsam 
ou que despejam sumo por cima de ns, nem dizem que nos detestam. Estes eram alguns dos motivos da sua preferncia por mulheres jovens. Acima dos trinta, quase todas 
as mulheres tinham filhos. - Porque no escolheu uma profisso mais divertida? Domadora de lees, por exemplo. Bailarina tambm lhe serviria que nem uma luva. Acho 
que devia considerar a hiptese de mudar de profisso, antes que seja demasiado tarde.

Alexandra estava divertidssima e Coop, apesar da infeliz escolha da profisso e do penteado de extrema simplicidade, comeava a gostar dela.

- Terei de pensar melhor no assunto. Que tal veterinria? Seria melhor? - perguntou Alexandra, com ar inocente.

- Tambm no gosto de ces. So seres asquerosos. Largam plo, mordem e cheiram mal. So quase to maus como as crianas. No tanto, mas no lhes ficam muito atrs. 
Temos de pensar numa profisso totalmente diferente para si. Que tal actriz?

- No creio. - Alexandra soltou uma gargalhada, enquanto o criado deitava uma colher de caviar por cima do blini. Coop adorava a comida servida nos jantares dos 
Schwartz. Alexandra tambm exibia grande -vontade, dando a impresso de ter passado toda a sua vida em sales como aquele. Tudo indicava que sim, apesar de no 
usar jias de grande valor: um colar de prolas e um par de brincos de diamantes e prolas. Porm, havia algo nela que indiciava tratar-se de uma pessoa endinheirada. 
- E o senhor? - perguntou, mudando a conversa para o campo dele. Era uma rapariga inteligente, e isso tambm agradou a Coop. - Por que razo  actor? - inquiriu, 
em tom de desafio.

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- Acho divertido. No acha? Imagine-se a representar todos os dias e a usar roupas bonitas. , de facto, uma profisso muito agradvel. Bastante mais interessante 
do que a sua. Voc tem de usar uma horrvel bata branca toda amarrotada e  obrigada a lidar com midos que passam o tempo a bolsar para cima de si e a berrar mal 
a vem.

- L isso  verdade. Mas as crianas com quem lido so demasiado pequenas para fazerem isso tudo. Trabalho na Unidade de Cuidados Intensivos, sobretudo com bebs 
prematuros.

- Que horror! - exclamou Cooper, fingindo-se horrorizado. - Devem ter o tamanho de ratos. At pode apanhar raiva.  uma profisso ainda mais perigosa do que eu pensava. 
-- Estava a divertir-se  grande. Um dos convivas observava-o com ar deleitado. Era um regalo ver Coop fazer charme. Mas Alexandra dava-lhe luta. Era suficientemente 
sensvel e inteligente para no se deixar seduzir. - Que faz mais? - perguntou, continuando o interrogatrio.

- Voo no meu avio desde os dezoito anos. Adoro fazer asa delta. Fazia pra-quedismo at h pouco tempo, mas prometi  minha me nunca mais fazer. Jogo tnis e fao 
esqui. Tambm cheguei a fazer motociclismo, mas prometi ao meu pai deixar de fazer. Passei ainda um ano no Qunia, nos servios de sade, antes de entrar para a 
Faculdade de Medicina.

- Voc parece ter instintos suicidas. E os seus pais parecem interferir bastante nas suas actividades atlticas. Costuma estar com eles?

- Quando tem de ser.

Era muito senhora do seu nariz. Coop estava fascinado.

- Onde vivem?

- Em Palm Beach, no Inverno. Em Newport, no Vero.  tudo muito aborrecido e previsvel, e eu sou um bocadinho rebelde.

-  casada?

Cooper reparara que ela no usava aliana, e no esperava resposta positiva. Sempre tivera excelente intuio para essas coisas.

- No - respondeu, aps uma ligeira hesitao. - Estive prestes a casar-me - acrescentou, de imediato. Geralmente, 

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no falava do assunto, mas estava a gostar de ser sincera com Coop. Era um homem de dilogo fcil e muito perspicaz.

- Que aconteceu?

O rosto cor de marfim ficou lvido, embora mantivesse o sorriso. Mas os olhos encheram-se de tristeza. S Coop notou.

- Fui abandonada no altar. Na noite anterior, para ser mais precisa.

- Que falta de gosto! Detesto as pessoas que fazem baixezas dessas. - Alexandra mantinha o ar amargurado e, por instantes, Coop arrependeu-se de lhe ter feito a 
pergunta. Espero que ele tenha cado num fosso cheio de cobras e crocodilos. Era o que merecia.

- E caiu. Casou com a minha irm.

Era uma histria complicada para um primeiro encontro. Mas Alexandra achava que no voltaria a ver Coop e resolveu cont-la.

-  uma atitude inqualificvel. Ainda fala com a sua irm?

- S quando no tenho outra alternativa. Por exemplo, quando fui para o Qunia. Foi um ano muito interessante. Adorei - respondeu Alexandra, mudando de conversa, 
sinal de que no queria continuar a discutir o assunto.

Fora sincera com Coop, e ele admirava-a por isso. Coop falou-lhe ento do seu ltimo safari e das desventuras por que passara. Haviam-no convidado para uma reserva 
de caa e torturado com todo o tipo de horrores possveis e imaginrios. Detestara todos os minutos que l passara, mas relatou os factos de forma hilariante, fazendo 
com que Alexandra risse a bandeiras despregadas.

Passaram uns momentos agradveis a conversar um com o outro, ignorando os restantes convivas. Alexandra ainda ria quando o jantar acabou. Entretanto, teve de se 
levantar para ir falar a uns velhos amigos dos pais que se encontravam noutra mesa. Mas, antes, disse a Coop que gostara imenso de conhec-lo, e estava a ser sincera. 
Fora uma noite memorvel.



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- No tenho muito tempo para sair. E Mistress Schwartz foi muito simptica em ter-me convidado.  amiga dos meus pais. S vim porque consegui uma folga. Passo a 
maior parte do tempo no hospital. Ainda bem que vim.

E deu um firme aperto de mo a Cooper. Pouco depois, Louise Schwartz aproximou-se dele e, com um risinho sufocado, avisou-o:

- Tem cuidado, Coop! Ela  uma mida muito problemtica. Se a engatas, o pai mata-te.

- Porqu? Ele  da mfia ou coisa parecida? Ela parece muito respeitvel.

- E .  por isso que ele te matar. O Arthur Madison. Um nome sobejamente conhecido. Tratava-se da maior e mais antiga fortuna do pas, na rea do ao. Era mdico. 
Uma combinao interessante. As palavras de Abe Braunstein ecoaram nos seus ouvidos quando Louise pronunciou o nome. Alexandra era no s uma mulher rica, mas, possivelmente, 
uma das mais ricas. Simples e despretensiosa, e uma das mulheres mais inteligentes que alguma vez conhecera. E, melhor do que isso, tinha um grande sentido de humor. 
Era difcil uma pessoa no se sentir atrada por ela. Coop observava-a, com ar interessado, enquanto ela falava com uma srie de pessoas. Ficara com um fraquinho 
por ela. E, sem a perder de vista, fez coincidir a sua sada da festa com a dela, convidando-a a entrar no Bentley.

- Posso oferecer-lhe boleia?

O tom de voz era afvel e inofensivo. Calculara que ela devia andar pelos trinta anos, e no errara. Levava-lhe exactamente quarenta anos, mas, pelo menos, no parecia. 
Gostava dela. Era uma mulher que, tudo levava a crer, no admitia atitudes disparatadas. Como fora magoada, mostrava-se cautelosa. Coop sentia-se atrado por ela, 
independentemente de o pai ser quem era e do dinheiro que tinha. Gostava de Alexandra tal como era.

- Obrigada, trouxe o meu carro - respondeu, delicadamente, exibindo um largo sorriso. Ao dizer isto, um dos criados que estava de servio ao parque trouxe-lhe o 
seu velho Volkswagen, a cair de podre.

- Estou impressionado. Extremamente despretensiosa. Admiro a sua discrio - gracejou Cooper.

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- No gosto de estoirar dinheiro em carros. Raramente ando com ele. Nunca vou a lado nenhum. Estou sempre a trabalhar.

- No admira. Com todos aqueles ratinhos medonhos. E um instituto de beleza? Alguma vez pensou nisso?

- Foi a minha primeira escolha profissional, mas no passei nos exames. Chumbava sempre na parte de frisar o cabelo. - Era to rpida e irreverente como ele.

- Tive muito prazer em conhec-la, Alexandra - disse Coop, olhando-a fixamente com os olhos azuis, que, juntamente com o queixo fendido, fizeram dele uma lenda, 
e o tornaram irresistvel para as mulheres.

- Trate-me por Alex. Tambm tive muito prazer em conhec-lo, Mister Winslow.

- Talvez devesse trat-la por doutora Madison. Preferia?

- Claro. - E, de sorriso nos lbios, meteu-se no carro. Estava-se nas tintas para o facto de ter vindo  festa dos Schwartz num carro que parecia ter sido abandonado 
na berma da auto-estrada. - Boa noite! - E, fazendo-lhe adeus com a mo, arrancou.

- Boa noite, doutora! Tome duas aspirinas e telefone-me de manh! - despediu-se Cooper, e sentou-se no banco traseiro do Bentley.

Fez questo de no se esquecer de mandar flores a Louise, logo pela manh. Estava muito satisfeito por ter resolvido no se encontrar com Charlene nessa noite. Passara 
uma noite magnfica na companhia de Alex Madison. Era uma mulher singular, e uma perspectiva muito interessante de romance.

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CAPTULO 8

Na manh seguinte, Coop enviou um enorme ramo de flores a Louise Schwartz. Pensou em telefonar  secretria desta a pedir o nmero de telefone de Alex Madison, mas 
resolveu ligar directamente para o hospital. Pediu para entrar em contacto com a Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia e deram-lhe o nmero do pager de 
Alex. Ligou-lhe, mas ela no respondeu. Explicaram-lhe que Alexandra estava de servio e no podia ser chamada ao telefone. A informao deixou-o algo desapontado.

Dois dias depois, Coop voltava a vestir o smoking. Fora convidado para a cerimnia de entrega dos Globos de Ouro, embora no fosse nomeado h mais de vinte anos. 
Mas, tal como todos os outros actores conhecidos, dava uma nota de animao e cor ao evento. Ia acompanhado de Rita Waverly, uma das maiores estrelas de Hollywood 
nas ltimas trs dcadas. Gostava de aparecer com ela nos grandes eventos. A ateno que recebiam da imprensa era espantosa e, ao longo dos anos, haviam mesmo corrido 
rumores de que houvera entre eles uma relao amorosa. O seu agente de imprensa fizera, certa vez, constar que iam casar-se, e Rita ficara aborrecida com Coop. Aparecer 
ao lado dela realava ainda mais o charme de Coop. Era uma mulher de incrvel beleza, apesar da idade. A brochura distribuda  imprensa atribua-lhe quarenta e 
nove anos, mas Coop sabia que ela tinha cinquenta e oito.

Quando foi busc-la ao seu apartamento, em Beverly Hills, Rita surgiu com um vestido de cetim branco de decote em V, que lhe assentava na perfeio e realava a 
silhueta. Nos ltimos anos, submetera-se a dietas rigorosas e a diversos tipos de operaes plsticas: a pele fora puxada e repuxada, de todas as maneiras, com ptimos 
resultados. E, sobressaindo no decote, um colar de diamantes no valor de trs milhes de dlares, cedido pela Van Cleef. Exibia ainda um casaco de pele de marta 
at aos ps. Era o eptome de uma estrela de Hollywood, tal como Coop. Quando chegaram 

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entrada do local onde a cerimnia ia realizar-se, os reprteres entraram em histeria. Dava a sensao de que ambos tinham vinte e cinco anos e haviam ganho o Oscar 
nesse ano.

- Para aqui!!!... Aqui!!!... Rita!!!... Coop!!! - gritavam os reprteres  procura do melhor ngulo, enquanto os fs agitavam livros de autgrafos, e milhares de 
flashs atingiam os seus rostos sorridentes. Era uma noite que alimentaria os respectivos egos durante dez anos. Mas eles j estavam habituados, e Coop ria quando 
as equipas de televiso os detinham, de meia em meia dzia de passos, para lhes perguntarem o que achavam dos nomeados daquele ano.

- Maravilhosos... um trabalho verdadeiramente impressionante... faz-nos sentir orgulhosos de sermos actores... dizia Coop, com ar de entendido, enquanto Rita seguia 
a seu lado, toda aperaltada.

Com as constantes paragens para o interminvel chorrilho de bajulaes, sob os olhares da multido, levaram quase meia hora at chegarem  sua mesa, no salo onde 
seria servida uma refeio antes do espectculo televisionado. Coop era todo atenes com Rita, inclinando-se gentilmente para ela enquanto lhe oferecia um clice 
de champanhe ou lhe pegava no casaco.

- Quase me fazes sentir pena de no ter casado contigo
- gracejou Rita.

Mas sabia, to bem como ele, que aquilo era s espectculo, embora Coop gostasse dela. Porm, a amizade entre os dois era boa para a reputao de ambos, e at os 
rumores de romance ao longo dos anos lhes haviam sido vantajosos, chamando sobre si as atenes do pblico. A verdade era que nunca haviam estado perto de uma relao 
mais ntima. Coop beijara-a uma vez, mas Rita era to narcisista que ele tinha a noo, tal como ela, de que a relao no duraria mais de uma semana. Nesse aspecto, 
eram ambos muito perspicazes.

Mal o espectculo comeou, e depois de as cmaras perscrutarem durante alguns segundos a assistncia, surgiu um grande e demorado plano dos dois.

- Minha nossa! - exclamou Mark, de repente, ao olhar para o televisor, enquanto bebia uma cerveja na companhia

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de Jimmy. Nenhum deles arranjara melhor coisa para a noite, e haviam combinado encontrar-se em casa de Jimmy para assistir  cerimnia de entrega dos prmios. Haviam 
mesmo gozado com o facto de Cooper poder aparecer, mas nenhum deles esperara v-lo durante tanto tempo. O grande plano parecia nunca mais ter fim. - Olhem-me s 
para aquilo! Perante o ar espantado de Mark, Jimmy sorria.

- Quem  a tipa que est ao lado dele? A Rita Waverly? Meu Deus, ele conhece toda a gente! - At Jimmy parecia impressionado. - Est muito bem conservada para a 
idade.

Lembrou-se, ento, de que Maggie adorava ver todas as cerimnias de entrega de prmios: os Globos de Ouro, os scares, os Grammys, os Emmys, e at as relativas s 
telenovelas. Adorava reconhecer todas as estrelas. Mas reconhecer Cooper e Rita Waverly at um ceguinho conseguiria.

- Que fato espectacular! - comentou Mark, quando a cmara se deteve noutro assistente famoso. - No  todos os dias que vemos o nosso senhorio na televiso nacional.

- Tive um, em Boston, que foi preso por um crime grave, e vi-o, durante alguns segundos, no telejornal da noite. Acho que andava a vender crack.

Jimmy abriu outra cerveja. A amizade entre ambos tornara-se cmoda e confortvel, viviam prximos um do outro, eram inteligentes, e, para alm do trabalho, pouco 
mais tinham na vida. Ambos haviam passado por situaes recentes de dor e solido, e nenhum dos dois estava ainda em condies psicolgicas de voltar a sair com 
uma mulher. Comer um bife e beber umas quantas cervejas, de vez em quando, ajudava a passar as noites. Logo que Cooper desapareceu do ecr, instalaram-se para ver 
os Globos de Ouro. Jimmy pusera um saco de pipocas no microondas.

- Comeo a sentir-me um dos tipos do Odd Couple1 gracejou, enquanto passava o saco de pipocas a Mark. Entretanto, na cerimnia, tocavam excertos das msicas nomeadas 
para a categoria de melhor tema para filme dramtico.

- Tambm eu - retorquiu Mark. - Mas, por agora,

1 Srie televisiva em que dois homens divorciados partilham o mesmo apartamento. (N. do T.)

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no h problema. Um dia, gostaria de dar uma olhadela  agenda de Cooper e combinar um encontro com uma das suas meninas, mas ainda  muito cedo para isso.

Jimmy fizera praticamente um voto de celibato para toda a vida. No tencionava trair a memria de Maggie no futuro mais prximo, nem talvez nunca. De momento, a 
amizade entre os dois era a melhor bno que poderiam ter recebido. A camaradagem preenchia os seres sem nada para fazer.

Nessa noite, Alex Madison estava de servio no hospital, para compensar aquela em que fora  festa dos Schwartz e conhecera Cooper. Substitua outro mdico estagirio, 
que tinha um encontro com a mulher dos seus sonhos. Fora uma troca fcil.

J tivera uma noite muito agitada, quando se dirigiu  sala de espera para falar com os pais de um beb de duas semanas que estivera em risco de vida desde manh, 
mas que melhorara entretanto. Queria asseverar-lhes que os sinais vitais da criana permaneciam estveis, e que ela adormecera. Porm, quando entrou na sala de espera, 
presumiu que tinham ido comer. Ao olhar  sua volta, passou os olhos pelo televisor que estava ligado, como sempre, e ficou perplexa ao dar de caras com Coop. As 
cmaras acabavam de o focar de perto. Alexandra ficou especada e, com um esfuziante sorriso, soltou um grito que ecoou pela sala vazia.

- Conheo-o!

Coop, com o seu charme habitual, oferecia um clice de champanhe a Rita Waverly. Era uma sensao estranha pensar que ele fizera a mesma coisa consigo, com aquele 
mesmo olhar, na festa dos Schwartz, dois dias antes.

Coop era um homem muito bem-parecido, e Rita Waverly no lhe ficava atrs.

- Gostava de saber quantas plsticas  que ela j fez! disse Alexandra, novamente em voz alta, sem dar por isso.

Era engraado pensar na distncia que existia entre o mundo deles e o seu. Ela passava os dias e as noites a salvar vidas e a confortar pais cujos filhos haviam 
estado s portas da morte. Enquanto isso, pessoas como Coop e Rita Waverly passavam o tempo em festas, de casaco de peles, jias e vestidos de noite. Alexandra quase 
nunca tinha oportunidade de

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usar maquilhagem, e andava sempre de calas e casaco verdes, todos amarrotados, com as iniciais da Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia, "UCIN", estampadas, 
em grandes caracteres, no peito. Nunca iria aparecer em nenhuma lista das mais bem-vestidas, mas fora esta a profisso que escolhera, e gostava deste tipo de vida. 
Se no fosse assim, teria voltado para o mundo pretensioso e hipcrita dos pais. Muitas vezes, chegava a pensar que talvez no tivesse sido mau de todo no ter casado 
com Crter. Agora que casara com a irm, andava de tal modo embrenhado nas lides sociais que se tornara to snobe e arrogante como os outros homens que ela detestava 
no mundo de onde provinha. Coop era de uma estirpe completamente diferente. Era uma estrela de cinema, uma celebridade. Pelo menos tinha uma desculpa para se apresentar 
e comportar daquela forma. A sua profisso era mesmo assim. A dela, no.

Pouco depois, voltou para o seu mundo, cheio de incubadoras e bebs pequenssimos ligados a aparelhos e a tubos, esquecendo Cooper e os Globos de Ouro. Nem sequer 
viu a mensagem dele no bipe. Nesse momento, ele era a ltima pessoa que poderia passar-lhe pela cabea.

Porm, contrastando com o regozijo de Mark, Jimmy e Alex por verem Coop na televiso, Charlene assistia  cerimnia de sobrolho carregado. Dois dias antes, Coop 
dissera-lhe que no poderia lev-la  festa dos Schwartz porque precisavam dele para fazer o papel de homem descomprometido, e que seria uma seca para ela, argumento 
que utilizava sempre que queria ir sozinho a qualquer lado. Mas acompanh-lo aos Globos de Ouro j teria sido uma coisa muito diferente. Estava furiosa por ele a 
ter preterido a favor de Rita Waverly. Porm, pelo menos do ponto de vista profissional, levar Charlene  cerimnia no lhe traria qualquer benefcio.

- Cabra! - vociferou, com ar petulante, para o televisor. - J deves ter uns oitenta anos!

Havia muita coisa que lhe apetecia dizer a Coop. Vira-o pr o brao por cima de Rita e segredar-lhe qualquer coisa ao ouvido. Rita desmanchara-se a rir, enquanto 
a cmara fazia novo plano de outra estrela sentada nas proximidades.

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Charlene deixara-lhe uma dzia de mensagens no telemvel, e estava a ferver de raiva quando, por fim, conseguiu contactar com ele, s duas da manh.

- Onde diabo ests, Coop?

Charlene no sabia se lhe apetecia explodir de raiva, ou desatar a chorar.

- Boa noite, querida! - retorquiu Coop, num tom calmo e imperturbvel.

- Estou na cama. E tu, onde  que ests?

Coop sabia muito bem por que razo ela estava irritada. Era previsvel, mas inevitvel. Nem no prximo milho de anos a teria levado aos Globos de Ouro. A relao 
que mantinham no era suficientemente sria ou importante para justificar publicidade. Alm disso, ser visto na companhia de Rita Waverly teria muito mais impacto. 
Gostava muito de Charlene, mas em privado. No sentia o mnimo desejo de a mostrar ao mundo.

- A Rita Waverly est contigo? - insistiu Charlene, com um tom de histeria a tomar-lhe conta da voz.

Coop sabia que a conversa no tardaria a baixar de nvel. Este tipo de interrogatrios sempre o encorajara a partir para a prxima candidata na lista de espera. 
Por mais bonita que fosse, Charlene estava prestes a perder o seu lugar ao sol. Havia sempre outras jovens  espera. Estava na altura de virar outra pgina do livro.

- Claro que no. Por que razo estaria ela aqui? - perguntou, num tom inocente.

- Quando os vi na televiso, fiquei logo com a sensao de que no tardaria a saltares-lhe em cima.

A altura chegara.

- No sejas grosseira - admoestou Coop, como se falasse com uma criana malcomportada que tentara pis-lo.

Quando na dvida, Coop tomava sempre uma de duas atitudes: ou saa de cena ou pisava primeiro. Mas no tinha qualquer necessidade de fazer isso a Charlene. Sabia 
que a nica coisa que lhe restava era desaparecer calmamente.

- Foi uma seca! - exclamou, com um bocejo. -  sempre.  trabalho, minha querida.

- Ento, onde  que ela est?

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Charlene bebera quase uma garrafa de vinho enquanto tentava contact-lo. Mas Coop desligara o telemvel durante a cerimnia e s voltara a lig-lo depois de chegar 
a casa.

- Quem?

Coop no fazia a mnima ideia a quem ela se referia. Parecia estar com um copo a mais. As horas que esperara para falar com ele levaram-na quase ao desespero.

- A Rita! - insistiu Charlene.

- No fao a mnima ideia de onde  que ela est. Na cama dela, presumo. E eu, minha querida, vou dormir. Tenho de me levantar cedo. E j no tenho a tua idade. 
Preciso de dormir.

- O tanas,  que precisas! Se eu estivesse a, no pregaramos olho toda a noite, e sabes bem que no estou a mentir!

- Eu sei.  por isso que no ests aqui. Precisamos de dormir.

- Porque no vou ter contigo agora?

Charlene mal conseguia articular as palavras. Parecia estar mais bbeda do que inicialmente, e continuava a beber enquanto falava.

- Estou cansado, Charlene. E tu tambm pareces no estar em muito boas condies. Porque no descansamos esta noite?

Comeava a notar-se algum enfado na voz de Coop.

- Eu vou j para a.

- No vens, no!

- Salto o porto.

- Os seguranas apanhavam-te, e seria embaraoso para ti. Vamos dormir e falamos com mais calma amanh.

Coop no tinha a mnima vontade de entrar em discusso com a moa, especialmente estando ela bria e encolerizada.

- Falar amanh? Ests a encornar-me com a Rita Waverly?

- O que fao ou no fao no  da tua conta. O termo "encornar" pressupe um compromisso srio entre ns, coisa que, efectivamente, no existe. Agora, fica l com 
as tuas minhoquices. Boa noite, Charlene! - disse, com firmeza, e desligou de imediato.

O telemvel tocou logo a seguir, mas Coop no atendeu.

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Charlene tentou para o telefone fixo. Nas duas horas seguintes, o telefone no parou de tocar, at que Coop o desligou da ficha. Detestava mulheres possessivas que 
faziam cenas. Era a altura de ela desaparecer da sua vida. Tinha pena que Liz no estivesse por perto. Fora sempre uma pessoa impecvel para lidar com aquele tipo 
de situaes. Se Charlene tivesse sido mais importante para ele, ter-lhe-ia mandado uma pulseira de diamantes, uma coisa desse gnero, para agradecer o tempo que 
haviam passado juntos. Mas este no fora assim tanto quanto isso, e um presente s a encorajaria a tentar reatar a relao. Charlene era o tipo de mulher com quem 
se tinha de acabar de repente, evitando qualquer contacto posterior. Que pena ter feito aquela cena, meditou, enquanto adormecia. Se no tivesse reagido daquela 
maneira, teria andado com ela mais umas duas ou trs semanas, mas no mais do que isso. Porm, depois daquela noite, Charlene estava destinada a uma sada de cena 
a toda a velocidade. Coop ficou convicto disso ao ouvir o telefone, ao longe, pela centsima vez antes de adormecer. A moa j pertencia ao passado. Adeus, Charlene!

Na manh seguinte, quando Paloma lhe serviu o pequeno-almoo num tabuleiro, Coop falou-lhe, com alguma discrio, de Charlene. A salvadorenha estava melhor do que 
nos primeiros dias, embora lhe tivesse servido os ovos estrelados carregados de pimenta, a tal ponto que, mesmo tendo-os cuspido para o prato por no aguentar o 
ardor, passou o resto do dia com a boca abrasada. Ela dissera-lhe que aquele prato era um banquete, ao que Cooper lhe suplicou que no voltasse a oferecer-lhe tal 
"banquete".

- Paloma, se Charlene telefonar, diz-lhe, por favor, que sa, esteja ou no em casa. Percebeste?

Paloma olhou-o de sobrolho franzido. Coop j se habituara a v-la com os culos de aros brilhantes. De qualquer forma, pela expresso do rosto, era fcil perceber 
o seu estado de esprito: reprovao, desdm, raiva. Entre amigos, costumava referir-se a Coop como "o velho nojento".

-J no gosta dela?

Deixara de usar o sotaque quando falava com ele. Tinha outros truques na manga. Adorava provoc-lo das mais variadas formas.



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- A questo no  essa. S que... o nosso curto interldio... chegou ao fim.

Nunca teria tido de dar qualquer explicao a Liz, e muito menos  criada. Mas Paloma parecia determinada a ser a campe da defesa das vtimas da injustia social 
e da condio feminina.

- Interldio? Interldio? Isso quer dizer que nunca mais ir dormir com ela?

Coop estremeceu.

-  uma forma grosseira de encarar a questo, mas correcta. No me voltes a passar os telefonemas dela, por favor. No poderia ter sido mais claro.

Meia hora depois, Paloma estava a dizer-lhe que tinha uma chamada.

- Quem ? - perguntou, distrado. Lia um argumento na cama, e tentava descobrir se haveria algum papel  sua medida.

- No sei. Parece a voz de uma secretria - respondeu Paloma.

Coop pegou no auscultador. Era Charlene.

Estava histrica, a soluar, e dizia que queria v-lo imediatamente, e que, se isso no acontecesse, teria um esgotamento nervoso. S aps uma hora  que Coop conseguiu 
desligar o telefone, depois de lhe dizer que a relao no era boa para ela, que seria mais sensato se deixassem de se ver durante uns tempos, que este era o tipo 
de dramatismo que sempre evitara na vida e que no fazia tenes de voltar a v-la. Charlene ainda chorava, mas j sem histerismos, quando Coop desligou, finalmente, 
o telefone. E foi de imediato ter com Paloma. Ainda estava de pijama, quando a encontrou na sala de estar, a aspirar o p. Tinha uns tnis novos calados, de veludo 
cor-de-rosa, que condiziam, naturalmente, com os culos de aros brilhantes. Paloma no ouviu uma palavra do que ele estava a dizer-lhe. Coop desligou o aspirador 
e ela olhou-o com indiferena.

- Sabias muito bem quem era - acusou Coop. Dificilmente perdia a calma com quem quer que fosse,

mas Paloma punha-o fora de si. Sentia vontade de a estrangular, a ela e a Abe, por ter despedido o resto do pessoal e a ter escolhido para ficar com ele. Era uma 
autntica bruxa.

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- No. Quem? - perguntou, com ar inocente. - Rita Waverly?

Paloma tambm o vira na cerimnia dos Globos de Ouro, e dissera a todos os seus amigos que ele no passava de um estupor. Coop no teria gostado de ouvir os comentrios 
que ela tecera a seu respeito.

- Era a Charlene. Foi uma baixeza, aquilo que me fizeste. No s a irritou a ela como a mim. Ficou histrica. No  propriamente assim que gosto de comear o dia. 
E aviso-te mais uma vez: se a deixares entrar c em casa, ponho-as s duas na rua, chamo a polcia e acuso-as de invaso de propriedade.

- No fique to nervoso - retorquiu Paloma, com ar adocicado.

- No estou nervoso, estou zangado, Paloma! Dei-te instrues precisas de que no queria falar com Charlene.

- Esqueci-me. Ou ento no lhe reconheci a voz. Est bem, no volto a atender o telefone.

Mais uma vitria da sua parte, e mais uma tarefa que deixava de realizar, o que ainda o enfureceu mais.

- Vais, e vais mesmo, atender o telefone, Paloma! E no vais dizer  Charlene que estou em casa. Entendido?

A salvadorenha fez um gesto afirmativo com a cabea e ligou novamente o aspirador, em ar de desafio. Sabia provoc-lo na perfeio. Dominava tambm a tcnica da 
agresso passiva.

- ptimo. Obrigado - concluiu Coop, voltando-lhe as costas e subindo as escadas que nem um furaco.

Quando chegou  cama, no conseguiu concentrar-se no guio. Mais do que furioso com Paloma, estava aborrecido com Charlene, que se mostrava maadora, histrica e 
grosseira. Detestava mulheres que adoptavam aquele tipo de comportamento. Quando se chegava ao fim de um romance, havia formas de se sair dele com elegncia, coisa 
que no era, certamente, o forte de Charlene. Palpitava-lhe que a moa iria ser um osso duro de roer. Ainda estava irritado quando, finalmente, saiu da cama, tomou 
um duche, fez a barba e se vestiu.

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Ia almoar ao Spago com um realizador com quem trabalhara anos antes. Telefonara-lhe a convid-lo para o almoo. Queria saber quais eram os seus projectos. Nunca 
se sabia quando  que algum ia fazer um filme com um papel  sua medida. Estes pensamentos arredaram Charlene do seu esprito. A caminho do Spago, lembrou-se de 
que nunca mais soubera nada de Alex, e resolveu mandar-lhe nova mensagem. Deixou-lhe o nmero do telemvel no bipe.

Ficou surpreso, e satisfeito, quando, desta vez, ela lhe telefonou quase de imediato. Acabara de pousar o telemvel no assento a seu lado.

- Sim? Fala a doutora Madison. Com quem estou a falar? - No reconhecera o nmero.

- Fala Coop. Como est, doutora Madison?

Alex ficou surpreendida, mas contente, ao ouvir a voz de Coop.

- Ontem  noite, vi-o nos Globos de Ouro. - Tal como meio mundo e toda a Hollywood.

- No sabia que tinha tempo para ver televiso.

- E no tenho. Passei pela sala de espera,  procura dos pais de um dos meus doentes, e l estava voc, acompanhado da Rita Waverly. Estavam ambos esplendorosos 
- acrescentou. Era a mesma voz juvenil e a mesma franqueza que apreciara nela quando se conheceram. No havia artifcios, s beleza e inteligncia, ao contrrio 
do que acontecia com Charlene. Mas a comparao era injusta. Alex Madison tinha tudo a seu favor: a beleza, o charme, a inteligncia, a educao. Provinha de outro 
mundo. Por outro lado, Charlene fazia coisas que mulheres como Alex desconheciam. No mundo de Coop havia espao para ambas, ou teria havido, at  noite anterior. 
Mas sabia que, no seu mundo, nunca faltariam mulheres do gnero de Charlene. Havia-as aos magotes. Mulheres como Alex  que eram raras. - Acho que foi voc que ligou 
para o meu bipe, ontem - disse, com voz cndida. - No reconheci o nmero e no tive tempo para lhe responder. Alis, s hoje  que vi a mensagem. Mas quando vi 
o mesmo nmero h pouco, achei por bem telefonar-lhe logo. Pensei que fosse algum colega meu. Ainda bem que voc no  mdico.

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- Tambm acho. Especialmente daqueles que tratam as criaturas pequeninas, parecidas com ratos, com que voc lida. Preferia ser barbeiro a fazer aquilo que voc faz. 
- Este horror fictcio fazia parte do jogo.

- Que tal foi a cerimnia? Divertida? A Rita Waverly  muito bonita.  simptica?

A pergunta f-lo sorrir. "Simptica" no era propriamente o termo que teria escolhido para descrever Rita Waverly. A simpatia no era uma virtude muito prezada em 
Hollywood. Porm, tratava-se de uma personalidade importante, influente, bonita e charmosa, apesar de j um pouco avanada na idade.

- Acho que o termo "interessante"  mais apropriado. Divertida. Tem muito de estrela de cinema - respondeu diplomaticamente.

- Como voc - retorquiu Alex. Coop soltou uma gargalhada.

- Na mouche. O que  que vai fazer hoje? - Queria encontrar-se com ela, se, por acaso, conseguisse desvi-la dos afazeres na Unidade de Cuidados Intensivos.

- Trabalho at s seis, depois, vou para casa dormir umas doze horas. Tenho de estar no hospital s oito da manh.

- Trabalha demasiado, Alex.

- Ser mdica estagiria  assim mesmo.  uma forma de escravido. Acabamos por nos habituar.

-  de uma grande nobreza de carcter. Acha que pode prescindir de uns minutinhos do seu precioso sono para jantar comigo logo  noite?

- Consigo e com a Rita Waverly? - gracejou, mas sem a malcia que Coop detectara na voz de Charlene, tanto na noite anterior como nessa manh.

Alex no era da mesma estirpe. Toda ela era candura e decncia. Era uma lufada de ar fresco no mundo sofisticado de Cooper. E o facto de ser filha de Arthur Madison 
tambm tinha o seu peso. No podia ignorar-se tamanha fortuna.

- Posso convidar a Rita, se quiser. Pensei que quisesse jantar a ss comigo.

- Adoraria. - Alex sentia-se lisonjeada pelo convite de Coop. - Mas no sei se me aguentarei acordada at  hora do jantar.

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- Pode dormir durante o banquete. Depois, digo-lhe o que comi. O que  que acha?

- Infelizmente,  a realidade. Talvez pudssemos encontrar-nos mais cedo. H cerca de vinte horas que no prego olho.

A sua tica profissional era inconcebvel para Coop, mas admirava-a por isso.

- Ser interessante tentar. Aceito o desafio. Onde  que posso ir busc-la?

- Que tal a minha casa? - Alex deu-lhe o endereo do seu apartamento, no Wilshire Boulevard, num edifcio de boa qualidade, mas no muito luxuoso. Era auto-suficiente 
do ponto de vista financeiro, no dependendo do salrio de mdica estagiria para levar uma vida desafogada. No entanto, o apartamento era muito pequeno. - Posso 
estar pronta por volta das sete. Mas no queria voltar para casa muito tarde. Amanh, no hospital, tenho de estar bem acordada e na posse de todas as minhas faculdades.

- Compreendo. Apanho-a s sete e vamos a um stio simples e calmo. Prometo.

- Obrigada.

Alex nem queria acreditar que ia jantar com Cooper Winslow. Se contasse, ningum acreditaria. Mal desligou, voltou para os seus afazeres, e Coop l continuou o seu 
caminho em direco do Spago.

O almoo no deu os frutos por que ansiara. Ofereceram-lhe outro papel num anncio, desta vez para roupa interior masculina, mas recusou. Ao longo da carreira, nunca 
descuidara a importncia da imagem. Porm, as ameaas de Abe mantinham-se frescas no seu esprito. Por muito que detestasse ser movido por questes financeiras, 
sabia que tinha de fazer dinheiro. A nica coisa de que precisava era de um papel principal num filme de grande envergadura. Isso nunca lhe parecera impossvel, 
ou sequer improvvel. Era apenas uma questo de tempo. Entretanto, tinha de se sujeitar a aparies fugazes nalguns filmes, como actor convidado, e a participaes 
em anncios. E havia jovens como Alex Madison. Mas no andava atrs do dinheiro dela. Tratava-se de pura amizade.

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Coop foi buscar Alex s sete em ponto, ao Wilshire Boulevard. Ela saiu ainda antes de ele ter tempo de chegar  porta da entrada. O edifcio tinha um ar respeitvel, 
embora um pouco deteriorado. Chegou a admitir, no carro, que o apartamento era horrvel.

- Porque no compra uma casa? - perguntou Coop, ao volante do seu Rolls favorito.

O dinheiro no representava grande coisa para Alex. Mostrava-se muito discreta, sem qualquer tipo de jias e com um vesturio simples. Trazia calas pretas, camisola 
de gola alta, tambm preta, e um bluso da marinha em segunda mo. Ele envergava calas cinzentas, camisola de caxemira preta, um casaco de cabedal e sapatos de 
pele de crocodilo. Ao ver o tipo de roupa que ela trazia, Coop optou por lev-la a um restaurante chins. Quando lhe disse, Alex ficou deleitada.

- No preciso de uma casa. Raramente estou em casa, e quando estou, aproveito para dormir, e no sei se vou ficar aqui. Quando acabar o internato, no sei para onde 
vou, embora no me importasse de ficar em Los Angeles.

O nico stio para onde sabia que no voltaria era para Palm Beach, para casa dos pais. Tratava-se de um captulo da sua vida que se encontrava encerrado. S l 
ia nas frias e em ocasies muito especiais, e o menor nmero de vezes possvel.

Coop passou uma noite fascinante na companhia de Alex. Falaram de um milhar de assuntos diferentes: do Qunia, da Indonsia, por onde ela viajara depois de acabar 
a universidade; de Bali, um dos seus locais favoritos, juntamente com o Nepal, onde realizara longas e rduas caminhadas. Falou dos livros que lia, a maioria dos 
quais de escritores conceituados. E tinha um gosto muito eclctico no campo musical. Possua ainda vastos conhecimentos sobre antiguidades e arquitectura. Interessava-se 
por poltica, especialmente a de sade, e estava a par da legislao mais recente sobre o tema. Coop nunca conhecera ningum como ela. Era uma mulher de ideias muito 
arrumadas. Cooper tinha de dar o mximo de si para conseguir acompanh-la, e gostava disso. Quando lhe perguntou a idade, Alex respondeu que tinha

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trinta anos. Quanto  idade de Cooper, achava que devia andar nos cinquenta e muitos, sessenta e poucos. Sabia que ele fazia filmes h muito tempo, mas no tinha 
a menor ideia da idade com que comeara. Teria ficado boquiaberta se soubesse que Coop j fizera setenta anos.

Alex passou uma noite maravilhosa na sua companhia, e foi isso mesmo que lhe disse no caminho de regresso a casa. Eram apenas nove e meia. Coop tivera o cuidado 
de no a reter at muito tarde, pois, caso contrrio, ela mostrar-se-ia relutante em voltar a sair com ele. Sabia que Alex tinha de levantar-se s seis e meia da 
manh.

- Foi muito gentil em aceitar o meu convite. Teria ficado desapontado se no o tivesse aceite.

- Foi uma gentileza da sua parte, Coop. Diverti-me imenso e o jantar estava delicioso.

Simples, mas bem confeccionado. E Coop fora uma companhia excelente, melhor do que ela esperava. No lhe pareceu um homem cheio de tiques de estrela, mas inteligente, 
afvel e bem informado. No ficou com a sensao de que ele estivesse a representar.

- Gostaria de voltar a v-la, Alex, se tiver tempo e no estiver comprometida.

Ainda no lhe perguntara se tinha namorado. Embora nenhum homem o tivesse alguma vez desviado dos seus intentos.

- De momento, no estou comprometida com ningum. Nem tenho sequer tempo para isso. No sou uma pessoa em quem se possa confiar muito na marcao de encontros. Ou 
estou de servio normal ou de planto.

- Eu sei - disse Coop, sorrindo. - Ou a dormir. J lhe tinha dito, gosto de desafios.

- Sou um deles, em vrios aspectos. Sou muito reservada no que diz respeito a relaes srias. Mas mesmo muito.

- Graas ao seu cunhado? - indagou Coop, e ela fez um gesto afirmativo com a cabea.

- Ele deu-me algumas lies muito dolorosas. Desde a, no me tenho aventurado muito para guas mais profundas. Prefiro ficar com a gua pelos joelhos. Assim, consigo 
dominar as situaes.

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- Mas se for o homem certo, ter de arriscar.

Havia alguma verdade nas palavras de Coop. Mas Alex tinha um terror imenso de voltar a ser magoada e no tornara a envolver-se seriamente com ningum desde que rompera 
com aquele que viria a ser seu cunhado.

- A minha vida  o meu trabalho, Coop. Desde que ambos compreendamos isso, poderemos continuar a encontrar-nos.

- ptimo. Eu telefono-lhe.

Mas isso s aconteceria dali a algum tempo. Tinha instinto para estas coisas. Queria que ela sentisse saudades suas e comeasse a ficar ansiosa por um telefonema 
seu. Coop sabia exactamente como lidar com as mulheres.

Alex despediu-se de Coop sem o beijar, agradecendo, mais uma vez, a estupenda noite passada na sua companhia. Coop aguardou mais uns instantes, at ela entrar em 
segurana no edifcio. Ao arrancar, fez um gesto de despedida com a mo, deixando-a algo pensativa. Mantinha ainda algum cepticismo relativamente aos reais intentos 
do velho actor. Seria fcil apaixonar-se por uma pessoa to afvel e com tanto charme como ele, mas ainda no o conhecia suficientemente bem para saber que tipo 
de consequncias da poderiam advir. Ao entrar no apartamento, ainda se perguntava se deveria ou no voltar a sair com ele, ou se seria arriscado. Coop era um homem 
muito experiente.

Despiu-se e atirou a roupa para cima de uma cadeira, onde j havia uma pilha de roupa dos ltimos trs dias. Nunca arranjava tempo para ir  lavandaria.

Ao volante do carro, a caminho de casa, Coop irradiava felicidade. As coisas haviam corrido tal qual pensara. E, fossem quais fossem os intentos, tanto dele como 
dela, fora um bom comeo. Mas primeiro tinha de ver para que lado soprava o vento. Alex Madison era uma boa opo.

No estava muito preocupado com essa questo, e Alex tambm no tinha energia suficiente para isso, adormecendo ainda antes de Coop chegar ao Palacete.
CAPTULO 9

Nessa noite, Charlene telefonara meia dzia de vezes; e, pelo menos, mais uma dzia na manh seguinte. Mas, desta vez, Paloma no desrespeitara as ordens de Coop. 
Sabia que ele a teria matado. Dois dias depois, Cooper atendeu, finalmente, um telefonema de Charlene. Tentava acabar a relao de forma delicada, se bem que no 
falar com ela durante dois dias no correspondesse ao conceito que Charlene fazia de delicadeza.

- Que se passa? - perguntou Coop, num tom despreocupado, ao atender a chamada. - Como ests?

- Estou a dar em maluca,  assim que estou - retorquiu Charlene, furiosa. - Onde diabo tens andado?

- Tenho andado a fazer um anncio. - Uma mentira que a acalmou por instantes.

- Podias, pelo menos, ter-me telefonado. - Parecia ofendida.

- Pensei nisso - mentiu -, mas no tive tempo. E tambm achei que estvamos a precisar de algum tempo para pr as ideias no lugar. Isto no vai dar em nada, Charlene. 
Espero que tambm tenhas plena conscincia disso.

- E porque  que no h-de dar certo? Temo-nos entendido lindamente.

- Pois temos. Mas, seja como for, sou demasiado velho para ti. Precisas de encontrar algum da mesma idade com quem te possas divertir. - Nunca lhe ocorrera que 
ela s tinha menos um ano do que Alex.

- Esse facto nunca te impediu de fazeres tudo o que te apeteceu. - Sabia, pelos tablides e pelas pessoas que o conheciam, que ele chegara a andar com mulheres ainda 
mais novas do que ela. - Isso no passa de uma desculpa, Coop. E tinha razo, mas o velho actor nunca o teria admitido.

- No mundo do cinema,  difcil manter uma relao durante muito tempo - retorquiu Coop, tentando outra abordagem do problema.

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Mas esse argumento tambm no era plausvel. Ambos sabiam que andara durante longos perodos de tempo com algumas actrizes. S com Charlene  que no queria continuar. 
Achava-a vulgar, pelo menos na forma como se vestia, e era obsessiva. Alm disso, ela aborrecia-o. Estava muito mais interessado em Alex. E a sua fortuna tambm 
no lhe era indiferente. No que fosse esse o seu principal atractivo, mas era mais um estmulo a acrescentar ao desejo e ao fascnio que sentia por ela. Charlene 
no tinha nada disso para oferecer. E Coop estava perfeitamente ciente de que, se queria cortejar Alex, no poderia andar atrs de outro rabo de saias. Aparecer 
nos tablides com uma rapariga que comeara como actriz porno no iria beneficiar em nada os seus intentos de conquistar Alex. De momento, era Alex o objecto do 
seu interesse. Charlene j passara  histria. Tivera muitas raparigas como ela, e sempre se cansara rapidamente. E os poucos aspectos exticos que possua, como 
o facto de ter uma av japonesa, ter vivido em Paris e crescido no Brasil, no ocultavam o que lhe faltava em educao. Alm disso, parecia ser uma pessoa de baixa 
formao moral e algo desequilibrada. E ainda no percebera que chegara a altura de desaparecer, mais parecendo um pit buli agarrado a um osso, coisa que Coop detestava. 
Preferia acabar as relaes de forma calma, sem ressentimentos, e no daquela forma tempestuosa. Sentia-se magoado com Charlene por isso, e tinha sempre a sensao 
claustrofbica de estar a cair numa armadilha de cada vez que falava com ela.

- Telefono-te dentro de dias, Charlene - disse Coop, o que a enfureceu mais.

- No, no vais nada telefonar. Ests a mentir.

- Eu no minto - ripostou Coop, num tom de quem se sente ofendido. - Tenho uma chamada em espera na outra linha. Preciso de desligar.

- s um mentiroso! - gritou Charlene, ao mesmo tempo que Coop desligava calmamente.

No lhe agradava nada a forma como ela estava a comportar-se. Durante a noite, os constantes telefonemas da moa foram um problema tremendo. Coop pouco podia fazer. 
Ela acabaria por desistir, mas, entretanto, estava a ser muito desagradvel com o velho actor.

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Nessa tarde, Coop telefonou a Alex, mas ela s pde responder ao telefonema  noite, deixando-lhe uma mensagem no voice mail. Dizia que ia para a cama s nove, pois 
tinha de se levantar s quatro da manh. Estabelecer uma relao com ela no ia ser tarefa fcil, mas decerto valeria a pena.

Na tarde seguinte, conseguiu entrar em contacto com Alex, que dispunha de pouqussimos minutos para falar, e estava de servio nos dias seguintes, o que no a impediu 
de aceitar o convite para jantar no domingo, apesar de estar de planto.

- Que  isso de estar de planto? Telefonaram-lhe a pedir conselhos? - perguntou, esperanado.

No se lembrava de alguma vez ter sado com uma mdica, mas j andara com enfermeiras e at com uma quiroprtica.

- No - respondeu Alex, soltando uma gargalhada, para deleite de Cooper. - Significa que tenho de sair de imediato se me mandarem um bipe.

- Nesse caso, tenho de lhe confiscar o bipe.

- H dias em que dava um jeito. Tem a certeza de que me quer convidar para jantar se eu estiver de planto?

- A certeza absoluta. Se tiver de sair, levo-lhe um saquinho com os restos.

- No prefere esperar at eu ter um dia completamente livre? Tenho um, na prxima semana.

- No, quero v-la o mais breve possvel, Alex. Fao uma coisa simples.

- Vai cozinhar? - Parecia impressionada. At ele estava impressionado: a nica coisa que sabia fazer eram tostas para caviar, ou ferver gua para o ch.

- Arranjo uma coisa qualquer.

A vida sem cozinheira era um novo desafio para Coop. Estava a pensar telefonar para o Wolfgang Puck e encomendar massa e piza de salmo. A ideia agradou-lhe e, no 
sbado, ligou a pedir que lhe enviassem uma refeio simples para duas pessoas e um empregado de mesa.

Alex chegou s cinco da tarde de domingo, no seu prprio carro, pois poderia precisar dele caso fosse chamada ao hospital. Quando viu o Palacete, ficou bastante 
impressionada. Ao contrrio de raparigas como Charlene, j vira casas

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daquele gnero. Alis, j vivera em vrias. A casa dos pais em Newport era muito parecida, s que maior. Mas no referiu esse facto a Coop, no queria ser indelicada. 
Achou a casa e os jardins maravilhosos e estava ansiosa por dar um mergulho na piscina. Coop dissera-lhe para trazer o fato de banho, e ela acabara de se meter na 
gua, nadando, com braadas suaves de uma ponta  outra da piscina, perante o olhar deleitado de Coop, quando Mark e Jimmy apareceram, de cales, depois de jogarem 
uma partida de tnis, ficaram espantados por encontrarem Coop na companhia de uma jovem to bonita, e ela tambm ficou espantada ao v-los cavaquear com Coop.

Alex nadou at  berma da piscina, e Mark quase arregalou os olhos. Achou-a bonita e muito mais interessante do que a rapariga que lhe fizera o caf.

- Alex, gostava de lhe apresentar os meus convidados declarou Coop, com alguma pompa.

- Este stio  maravilhoso - Alex dirigia-se-lhes com um sorriso. - So uns sortudos.

Mark e Jimmy concordaram e, poucos minutos depois, juntaram-se a ela na piscina. Coop raramente nadava. Apesar de ter sido capito da equipa de natao na universidade, 
preferia ficar a apanhar sol e a tagarelar, deliciando toda a gente com as suas histrias de Hollywood.

Ficaram junto  berma da piscina at s seis horas. Coop mostrou a casa a Alex, que aproveitou para vestir roupas secas. Entretanto, o criado do Wolfgang andava 
atarefado na cozinha, a preparar o jantar para as sete, como Coop lhe pedira. Na biblioteca, ainda antes de se sentarem, Coop ofereceu um clice de champanhe a Alex, 
que recusou: estar de planto significava que no podia tocar em lcool, pois poderia ter de voltar ao hospital a qualquer momento. Mas, para alvio de ambos, o 
bipe continuava mudo.

- Os seus convidados parecem muito simpticos - comentou Alex, enquanto Coop bebericava um clice de Cristal e o criado servia hors d'oeuvres. - Donde  que os conhece?

- So amigos do meu contabilista - respondeu Coop, descontraidamente, o que era meia verdade, mas explicava a presena deles na sua propriedade.

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-  muito simptico da sua parte deix-los aqui ficar. Parecem estar a adorar.

Mark dissera que ia fazer um churrasco nessa noite e convidara Coop e Alex, mas o velho actor declinara o convite, afirmando ter outros planos. Mark mostrara-se 
interessado em Alex e tecera alguns comentrios, em voz baixa, sobre ela, depois de a jovem e Cooper voltarem para casa.

- Uma mida muito engraada - afirmou Mark, mas Jimmy no reparara nesse aspecto. O seu esprito continuava muito conturbado, e no mostrava qualquer interesse por 
mulheres. Mark estava a recompor-se mais rapidamente e o seu rancor a Janet tornava as outras mulheres mais atraentes. A sua mgoa era muito diferente da de Jimmy. 
- Surpreende-me que Coop esteja interessado nela.

- Porqu?

Jimmy parecia espantado. No reparara muito no aspecto fsico de Alex, mas apercebera-se de que era inteligente e ouvira Coop dizer que era mdica.

- Muita inteligncia, mamas pequenas. No  o tipo de mulher que ele aprecie, por aquilo que me foi dado ver at agora - explicou Mark.

- Talvez goste de outros tipos - sugeriu Jimmy. Havia nela algo que lhe era familiar. No sabia se por ser o tipo de mulher mais frequente em Boston, ou se por alguma 
vez a ter visto. No lhe perguntara qual a especialidade de Medicina que exercia, pois Coop monopolizara a maioria das conversas com as suas histrias. Sempre divertidas. 
Era fcil perceber por que razo as mulheres gostavam da sua companhia. Tinha imenso charme, era bem-parecido e inteligente.

No preciso momento em que Cooper e Alex se sentaram  mesa, Mark comeara a fazer o churrasco. Era a primeira vez que usava o seu grelhador; na semana anterior, 
haviam usado o de Jimmy, e as costeletas tinham ficado excelentes. Mark ia fazer hambrgueres com salada. Estava tudo a correr bem, quando, de repente, ao deitar 
um pouco de combustvel a mais por cima do carvo, as chamas se atearam de tal maneira que, por instantes, pareceram ficar fora de controlo.

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- Merda, h muito que no me acontecia uma destas! desculpou-se, tentando apagar as chamas e salvar o jantar.

Mas, um minuto depois, ouviu-se uma pequena exploso. Coop e Alex tambm a ouviram na sala de jantar, onde se refastelavam com um elegante jantar, oferecido devido 
 gentileza do Wolfgang. Comiam pato  Pequim, acompanhado por trs tipos de massa, uma enorme salada de legumes chineses e po caseiro.

- Que foi aquilo? - perguntou Alex, com ar preocupado.

- O IRA, presumo - retorquiu Coop, aparentemente indiferente e retomando a refeio. - Devem ter sido os meus convidados que fizeram a ala de hspedes ir pelos ares.

Mas quando Alex olhou, por sobre o ombro, para a janela, viam-se nuvens de fumo a sair de entre as rvores e um pequeno arbusto a pegar fogo.

- Oh, meu Deus, Coop... acho que as rvores esto a arder!

Coop ia dizer-lhe que no se preocupasse, quando se virou e deparou com o mesmo espectculo.

- Vou buscar um extintor - anunciou, sem sequer saber se tinha um e, se o tinha, onde estava.

-  melhor telefonar para os bombeiros. - Alex tirou o telemvel da mala e fez a ligao, enquanto Coop saa a correr.

Mark estava como que petrificado, junto ao grelhador, enquanto Coop e Jimmy tentavam abafar as chamas com toalhas. Em vo. Dez minutos depois, quando os bombeiros 
chegaram, j o fogo comeava a tomar propores alarmantes. Alex estava horrorizada. A nica preocupao de Coop era a casa. Os bombeiros dominaram o fogo em menos 
de trs minutos. Os estragos no foram muitos,  excepo de vrios arbustos que ficaram bastante queimados. Os bombeiros rodearam Coop que, durante dez minutos, 
no fez outra coisa seno dar autgrafos, e contar histrias da guerra e das suas experincias como bombeiro voluntrio em Malibu, trinta anos antes.

Ofereceu um copo de vinho a cada um, que eles declinaram, mas, meia hora depois, ainda ali estavam, ouvindo as

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histrias do velho actor, enquanto Mark continuava a desculpar-se. Coop asseverou-lhe que os estragos no haviam sido de grande monta. Entretanto, Alex recebeu uma 
mensagem no bipe e teve de telefonar para o hospital.

Afastou-se do local onde todos conversavam para poder ouvir melhor. O estado de sade de dois dos seus bebs prematuros agravara-se, e um deles acabara por morrer. 
O mdico de servio no tinha mos a medir e precisava da sua ajuda. E um outro prematuro com problemas de hidrocefalia estava prestes a dar entrada no hospital. 
Ao aproximar-se novamente do grupo, Alex olhou para o relgio. Prometera estar no hospital dentro de um quarto de hora, ou menos, se possvel.

- Qual  a sua especialidade? - indagou Jimmy, enquanto os outros continuavam a conversar.

Coop no dera nem pelo bipe, nem pelo telefonema. Jimmy, porm, ficara intrigado com as perguntas que a ouvira fazer ao telemvel. Alex parecia muito competente.

- Neonatologia. Sou estagiria da UCLA.

- Deve ser interessante - retorquiu Jimmy, enquanto Alex chamava a ateno de Coop e lhe dizia que tinha de se ir embora.

- No se deixe assustar por estes dois incendirios gracejou Coop, sorrindo na direco de Mark. Estava a encarar o incidente na desportiva, o que deixou Alex impressionada. 
O seu pai teria tido um ataque.

- De modo nenhum. Que mal tem uma fogueirinha entre amigos? Telefonaram-me do hospital. Tenho mesmo de ir.

- Telefonaram? Quando? No ouvi nada.

- Estava a conversar. Tenho de l estar dentro de dez minutos. Peo imensa desculpa.

J o havia avisado, mas era sempre uma situao aborrecida. Alm disso, passara uns momentos muito agradveis na sua companhia.

- Porque no come qualquer coisa rapidamente antes de ir? A comida est excelente.

- Eu sei. Adoraria ficar, mas esto a precisar de mim. Tiveram duas emergncias, e j vem outra a caminho. Tenho

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de me despachar - desculpou-se. Cooper parecia desalentado, tal como Alex. S que ela j estava habituada. - Mas gostei muito deste bocadinho. Adorei a piscina.

Passara ali quase trs horas, o que era um recorde quando estava de planto. Despediu-se de Jimmy e de Mark, e Cooper acompanhou-a at ao carro. Prometeu telefonar-lhe 
mais tarde. Dois minutos depois, Coop estava de volta, sempre de sorriso nos lbios.

- Foi bom mas soube a pouco - comentou para os seus inquilinos, com alguma tristeza no olhar. Eles j estavam a habituar-se a serem chamados de convidados. E dava 
a impresso de que Coop os considerava como tal.

- Muito simptica! - elogiou Mark, com pena de que ela pertencesse a Cooper (ou, pelo menos, assim parecia), embora um pouco nova para si. Mas mais nova ainda para 
Cooper. Tal como a maioria das mulheres com quem ele andava, que poderiam ser suas netas.

- Os cavalheiros importam-se que os convide para jantar? - sugeriu a Jimmy e Mark, cujos hambrgueres se haviam transformado em carvo. - O Wolfgang Puck mandou 
uma refeio muito bem confeccionada. Alm disso, detesto comer sozinho.

Meia hora depois, Coop e os seus convidados deleitavam-se com o pato  Pequim, o sortido de massas e a piza de salmo. Enquanto isso, o velho actor regalava-os com 
mais algumas das suas histrias. O vinho foi servido com liberalidade, pelo que, quando Mark e Jimmy saram, s dez horas, j haviam bebido bastante e tinham a sensao 
de que Coop no era um novo amigo, mas um amigo de longa data. Se o vinho era excepcional, o jantar ento estava delicioso.

-  um tipo bestial - comentou Mark para Jimmy, a caminho da ala de hspedes.

- Sem dvida - concordou Jimmy, apercebendo-se, pela nvoa que o cercava, da terrvel dor de cabea que o esperava ao acordar. Mas, de momento, achava que valera 
a pena. Fora uma noite muito divertida. Mais do que poderia ter imaginado. O facto de conviver com uma estrela de cinema ainda lhe parecia irreal.

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Os dois amigos despediram-se e regressaram s respectivas casas, enquanto Coop, sentado na biblioteca, saboreava um clice de porto. Fora uma noite agradvel, se 
bem que muito diferente daquilo que esperara. Lamentava que Alex tivesse sido obrigada a ir-se embora to cedo, mas os seus dois inquilinos eram divertidos e acabaram 
por revelar-se uma companhia agradvel. E os bombeiros tambm tinham contribudo para animar o sero.

Era meia-noite quando Alex se sentou no consultrio, a beber uma chvena de caf - demasiado tarde para telefonar a Coop. Tambm no tivera a noite que esperara. 
O beb hidrocfalo encontrava-se em estado crtico. O primeiro beb, que estivera entre a vida e a morte, melhorara muito. A morte do outro constitura um enorme 
choque para todo o corpo clnico. Alex perguntava a si mesma se alguma vez se habituaria quele tipo de situaes, mas, no fundo, era esta a natureza da sua profisso. 
Enquanto se acomodava num div do seu consultrio, interrogava-se sobre o que aconteceria se alguma vez levasse Coop a srio. Era difcil saber quem se escondia 
por detrs de todo aquele charme, argcia e histrias. Se no era s fachada. Sentia-se tentada a descobrir.

A diferena de idades era considervel, mas Alex no se importava. Havia algo em Coop que a fazia ignorar todos os possveis riscos de se envolver com ele, algo 
que a encantava, hipnotizava e cativava. Por outro lado, tentava convencer-se de que sair com ele poderia no ser uma ideia sensata. Era muito mais velho do que 
ela, era uma estrela de cinema, e vivera sempre rodeado de mulheres. Porm, a nica coisa em que pensava era no fascnio que o velho actor exercia sobre ela. A atraco 
que sentia por Coop parecia sobrepor-se aos contras que povoavam a sua cabea. Estava pelo beicinho. Ao mergulhar no sono, ainda ouviu umas campainhas de alerta, 
mas resolveu ignor-las e ver at onde iriam as coisas.
CAPTULO 10

Mark encontrava-se mergulhado num sono profundo, quando ouviu o telefone. Ainda fez um esforo para acordar, mas achou que era imaginao. Bebera de mais e sabia 
que, se abrisse os olhos, teria uma valente dor de cabea, por isso manteve-os fechados e continuou a dormir. O telefone no parava de tocar. Abriu finalmente um 
olho e viu que eram quatro da manh. Resmungou qualquer coisa enquanto se virava na cama e percebeu que no se tratava de um sonho. O telefone estava mesmo a tocar, 
e no imaginava quem poderia ser quela hora. Pegou no auscultador e deixou-se ficar de barriga para cima e de olhos fechados. A dor de cabea j comeava a fazer-se 
sentir.

- Est l? - perguntou, com voz roufenha, enquanto o quarto parecia andar s voltas. Por instantes, a nica coisa que conseguiu ouvir foi um choro. - Quem ? - Ainda 
pensou que fosse engano. Era a filha, a telefonar-lhe de Nova Iorque. - Jessie? Querida, ests bem? O que  que aconteceu? - Talvez tivesse acontecido qualquer coisa 
a Janet ou a Jason. Porm, Jessica apenas conseguia chorar. Soluava de dor, como se de um animal ferido se tratasse. S se lembrava de a ter visto assim, quando 
o co dela morrera. - Fala comigo, Jess... o que  que se passa? - Estava a entrar em pnico.

-  a mam... - E l voltaram os soluos.

- Teve algum acidente?

Mark sentou-se na cama e estremeceu. Sentia-se como se o houvessem atingido com um tijolo na cabea, mas a adrenalina continuava a subir. E se ela tivesse morrido? 
Ficou agoniado s de pensar nessa eventualidade. Embora o houvesse abandonado, ainda a amava, e teria ficado de corao dilacerado.

- A mam tem um namorado! - gemeu Jessica. Mark apercebeu-se de que eram sete da manh em Nova Iorque, mas apenas quatro na Califrnia. - Conhecemo-lo ontem  noite. 
 um parvalho!

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- Estou certo que no, querida - contrariou Mark, tentando ser justo. Mas havia outra parte de si que se sentia aliviada por Jessica no gostar dele.

-  um dissimulado, pap. Finge que  um tipo porreiro, mas passa a vida a dar ordens  mam, como se fosse dono dela. Ela diz que o conheceu h poucas semanas, 
mas eu no acredito. Sei que est a mentir. Ele passa a vida a falar de coisas que fizeram h seis meses e o ano passado, e a mam continua a agir como se no soubesse 
do que ele est a falar, e est sempre a mand-lo calar. Achas que foi por isso que ela quis que nos mudssemos para Nova Iorque?

O cu desabara sobre a cabea de Jessica e Janet fora insensata ao mentir s crianas. Sempre tivera curiosidade em saber como, e quando iria lidar com o problema. 
O facto  que j o havia feito, mas mal, a julgar pelos soluos de Jessie.

- No sei, Jess. Tens de lhe perguntar.

- Foi por isso que te deixou? - Eram questes complicadas e s quais no queria responder, muito menos a meio da noite e com uma ressaca tremenda. A dor de cabea 
comeava a adquirir propores assustadoras. - Achas que a mam j andava com ele? Era por isso que ela passava o tempo todo a viajar para Nova Iorque quando a av 
estava doente e depois de morrer?

- Ela dizia que estava preocupada com o av. E a av esteve doente durante muito tempo. Ela precisava de l estar.

A resposta de Mark foi franca. Achava que competia a Janet contar-lhe o resto. Caso contrrio, Jessie nunca mais confiaria na me. E ningum poderia censur-la. 
Ele tambm deixara de confiar nela.

- Quero voltar para a Califrnia - pediu Jessica, a fungar. J no soluava.

- Eu tambm - repetiu Jason, que acompanhava a conversa noutra extenso. No chorava, mas parecia seriamente abalado. - Detesto-o, pap. E tu tambm o devias detestar. 
 um autntico cara de cu.

- Nova Iorque parece que no te melhorou a linguagem. Tm de discutir isso tudo calmamente com a vossa me, no no calor do momento. E, por muito que me custe diz-lo, 
devem dar uma oportunidade a esse tipo. - Era

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pouco provvel que eles pudessem ficar entusiasmados com um namorado da me. Ou com algum com quem ele um dia andasse. Mas ainda no chegara a essa fase. - No 
importa h quanto tempo  que ele conhece a mam, pode ser um tipo porreiro. E, se  importante para ela, vocs no tm outro remdio a no ser habituarem-se a ele. 
No devem fazer juzos precipitados.

Procurava ser sensato, tanto para bem deles como para bem dela, mas os filhos no queriam dar-lhe ouvidos. Porm, atear ainda mais o fogo contra o homem por quem 
a me se apaixonara, e por quem abandonara o pai, apenas os tornaria mais infelizes. Se ela acabasse por casar com Adam, teriam de aceit-lo. No havia outra alternativa.

- Jantmos com ele, pap - contou Jason, com voz triste. - Trata a mam como se pudesse obrig-la a fazer tudo o que lhe apetece, e a mam come e cala. Quando ele 
se foi embora, ela gritou connosco e, depois, chorou. Acho que gosta mesmo dele.

- Talvez - retorquiu Mark, com alguma tristeza na voz.

- Quero voltar para casa, pap - suplicou Jessica. Mas j no havia casa. Fora vendida. - Quero voltar para a antiga escola e viver contigo - insistiu.

- Eu tambm - repetiu Jason.

- Por falar em escola, no so horas de os meninos irem para a escola?

Eram quase sete e meia em Nova Iorque e ouviu Janet dizer qualquer coisa em fundo. No tinha a certeza, mas parecia estar aos gritos. E teria gritado ainda mais 
se soubesse o que eles lhe haviam contado. Mas suspeitava que Janet no fazia a menor ideia de que ele estava em linha e que haviam sido os midos a telefonar-lhe.

- Falas com a mam sobre o nosso regresso para a Califrnia? - perguntou Jessica, numa voz quase imperceptvel, confirmando as suspeitas de Mark.

- No. Vocs os dois tm de lhe dar uma oportunidade. Ainda  muito cedo para se tomar uma atitude drstica. S quero que vocs sejam sensatos nos juzos que fizerem. 
E, agora, quero que vo para a escola. Voltaremos a falar do assunto mais tarde.

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Muito mais tarde. Quando a ressaca lhe passasse.

Estavam tristes quando desligaram e, pela primeira vez em dois meses, Jessica disse-lhe que o adorava. Sentiam-se revoltados com a me. A raiva acabaria por desvanecer-se 
e at poderiam vir a gostar de Adam,  medida que o fossem conhecendo melhor. Janet dizia que era um homem maravilhoso. Porm, l bem no fundo, Mark alimentava a 
esperana de que o detestassem ainda mais. Devido ao que ela fizera, era difcil no acalentar esse desejo.

Depois de desligar, ficou pensativo, a matutar no que deveria fazer. De momento, nada, concluiu. Iria deixar as coisas assentar e ver o que acontecia. Deu meia volta 
na cama e tentou adormecer de novo, mas a cabea no parava de fervilhar, e estava preocupado com os midos. Eram seis horas quando, finalmente, cedeu  ansiedade 
e telefonou  me dos seus filhos. Tambm ela lhe pareceu triste.

- Ainda bem que telefonaste - disse Janet, surpreendida ao ouvir a voz de Mark. - Os midos conheceram o Adam ontem  noite e foram horrveis para ele.

- No me surpreende. Ainda  muito cedo para eles aceitarem a ideia de te verem andar com outro homem. E talvez suspeitem de que j o conheces h mais tempo.

- Foi disso que a Jessie me acusou. No lhe contaste, pois no? - perguntou, numa voz que denotava algum pnico.

- No, mas acho que lhes devias dizer. Caso contrrio, um dia um de vocs escorrega e eles ficam a saber. J suspeitam, por causa de algumas coisas que ele disse.

- Como  que sabes? - indagou, perplexa, mas Mark resolveu ser franco com ela.

- Eles telefonaram-me. Estavam muito tristes.

- A Jessie, a meio do jantar, zarpou para o quarto e trancou-se. E o Jason recusa-se a falar com ele e comigo. A Jessie diz que me odeia - contou Janet, com a voz 
embargada.

- Ela no te odeia. Sente-se magoada e revoltada, e suspeita de ti. E tem razo. Ambos sabemos que sim.

- A Jessie no teve nada a ver com isso - ripostou Janet, num tom algo acalorado, com o sentimento de culpa  flor da pele.

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- Talvez no, mas ela acha que sim. Devias ter esperado mais algum tempo.

Janet no queria dizer a Mark que Adam a pressionara para o apresentar s crianas e ela cedera aos seus desejos. Tambm achava que eles ainda no estavam preparados, 
mas Adam dizia que se recusava a andar com ela s escondidas. Se os sentimentos de Janet eram sinceros, queria conhecer os midos. E acabou por ser um desastre. 
Depois do jantar, haviam tido uma tremenda discusso e ele partira, batendo com a porta. Fora uma noite de pesadelo.

- O que  que eu fao agora? - perguntou, preocupada e, ao mesmo tempo, ansiosa.

- Tens de esperar e levar as coisas com calma. D-lhes tempo.

Janet omitiu que Adam pretendia mudar-se imediatamente l para casa, no estava disposto a esperar at se casarem, e ela no sabia como demov-lo. No o queria perder. 
Nem aos filhos. Sentia-se pressionada dos dois lados.

- No  to fcil como pensas - retorquiu, em tom queixoso, como se fosse ela a vtima.

- S no quero que os midos saiam magoados disso tudo - avisou Mark. - No ests  espera, com certeza, que eu e os midos encaremos tudo isto de sorriso nos lbios. 
A verdade  que foste tu que rompeste o casamento e, mais tarde ou mais cedo, eles vo acabar por saber. E vo ter muito que engolir. - Tambm ele engolira muita 
coisa, pelo amor que sentira, e ainda sentia, por ela. - Tm todo o direito de estar revoltados com vocs os dois.

Tentava encarar as coisas de um ponto de vista racional. Detestava ser sempre ele o pacificador, mas sempre conseguira analisar os problemas sob vrios pontos de 
vista, e no apenas do seu. Era um dos seus pontos fortes, ao contrrio de Janet.

- Sim, talvez tenhas razo. Mas no sei se ele ir compreender a situao. No tem filhos, por isso, custa-lhe entender certas coisas.

- Talvez devesses arranjar outro tipo. Um tipo como eu, por exemplo.

Janet no fez qualquer comentrio e Mark sentiu-se um idiota por ter dito tal coisa. O vinho, o porto, o brande no

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estavam a ajudar, nem a dor de cabea. A ressaca j se fazia sentir em toda a sua plenitude e ele ainda nem sequer se levantara. At ao momento, estava a ser uma 
manh muito agitada.

- Acho que eles vo acabar por habituar-se - disse Janet, esperanosa. Adam no aceitaria outra coisa. Queria que os midos gostassem dele, mas sentira-se insultado 
pela forma como se haviam comportado, e pusera Janet entre a espada e a parede.

- Mantm-te em contacto comigo - concluiu Mark, e desligou.

Ficou na cama mais duas horas, incapaz de adormecer, com a cabea a estalar. Eram quase nove horas quando se levantou e j passava das dez quando chegou ao escritrio. 
 hora de almoo, os midos voltaram a telefonar. Tinham acabado de chegar da escola e insistiam que queriam ir viver com ele, mas Mark disse-lhes que no ia fazer 
nada  pressa. Primeiro, queria que esfriassem a cabea e que, pelo menos, procurassem ser justos com a me. Mas Jessica apenas dizia que detestava a me e que nunca 
mais lhe falaria se ela se casasse com Adam.

- Queremos ir viver contigo, pap. - Estava a ser cruel com a me.

- E se eu sair com uma pessoa de que no gostes? Temos de encarar os problemas de frente, Jessie.

- Andas com algum, pap? - Parecia chocada. Nem ela nem Jason haviam pensado nessa hiptese.

- No, mas um dia, muito provavelmente, andarei, e tambm se pode dar o caso de no gostares da pessoa.

- Mas tu no deixaste a mam por causa de outra mulher. A mam  que te deixou pelo Adam. - As suspeitas de Jessica estavam correctas. No queria contar-lhe a verdade, 
mas tambm no queria mentir-lhe. - Se nos obrigares a viver com ela, fugimos, pap.

- No faas ameaas, Jess. No  justo. J tens idade suficiente para perceber as coisas. E escusas de andar a picar o teu irmo. Falamos disso tudo quando estivermos 
juntos, nas frias. Pode ser que j tenhas mudado de opinio e que acabes por gostar dele.

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- Nunca!

Nas duas semanas que se seguiram, foi uma batalha constante. Lgrimas, ameaas, telefonemas a meio da noite. Adam fora suficientemente idiota a ponto de lhes dizer 
que queria Viver com eles e com a me. Quando Mark os foi buscar a Nova Iorque, estavam em guerra aberta com a me. E foi essa a conversa dominante nas frias. Janet 
estava de mos e ps atados com Adam, que passava a vida a dizer-lhe que ela estava a preteri-lo a favor dos filhos, que j esperara tempo suficiente, que queria 
viver com ela e com os midos. Mas estes no o queriam. E, por arrasto, tambm no queriam a me. No final das frias, Mark conversou com Janet e explicou-lhe que 
no fazia a menor ideia de como convenc-los a ficar com ela. Jessica ameaava contratar um advogado especialista em questes de crianas e pedir ao tribunal que 
a deixasse ir viver com o pai. E tanto ela como Jason j tinham idade para levar o caso a tribunal.

- Acho que tens um problema dos diabos em mos disse Mark. - No h maneira de inverter a situao. Que achas de eles voltarem para Los Angeles at ao fim do ano 
lectivo? Depois, podes tentar dar-lhes a volta para regressarem a Nova Iorque. Acho que, se os obrigares a ficar, s vais piorar as coisas. No do ouvidos a ningum, 
nem querem entrar em qualquer tipo de acordo.

Janet tentara resolver a situao da pior forma possvel e, agora, estava a pagar a factura. Encontrava-se dividida entre a lealdade a Adam e a lealdade aos filhos. 
As duas faces estavam em confronto directo o tempo todo.

- Mandas-mos de volta no final do ano lectivo? - perguntou, em pnico.

No queria perder os filhos. Nem Adam. E este j lhe dissera que pretendia casar logo que o divrcio estivesse assinado e ter um, dois filhos dela. O problema  
que no estava a imaginar-se a contar isso aos filhos. Mas trataria disso mais tarde. Agora, eles ameaavam sair de casa e voltar para junto do pai.

- No sei o que fazer - retorquiu Mark, referindo-se ao ano lectivo seguinte. - Depende daquilo que eles quiserem.

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Janet transformara a sua vida num autntico inferno e Mark quase sentia pena dela. Mas tambm se encontrava dividido relativamente ao que sentia. Ela quase o matara 
de desgosto ao deix-lo, e o pior de tudo era que ainda a amava, mas no se atrevia a dizer-lho. Janet vivia completamente obcecada por Adam, o suficiente para destruir, 
no s o casamento, mas tambm a sua relao com os filhos. Aos olhos de Mark, ela no ganhara com a troca. Ele nunca teria preterido os filhos em relao ao que 
quer que fosse, e eles sabiam-no. Era por isso que queriam voltar a viver com ele.

- Podes inscrev-los na antiga escola? -- perguntou Janet, limpando uma lgrima. Nunca imaginara chegar a uma situao daquelas.

- No sei. Talvez. Vou tentar. ---

- A tua casa tem espao que chegue?

Estava praticamente resignada  ideia. Via que no tinha outra alternativa, a no ser que deixasse de se encontrar com Adam, ou que o escondesse dos filhos, e ele 
nunca lhe permitiria tal coisa.

-  a casa ideal para eles - asseverou Mark. Descreveu o Palacete e todo o espao envolvente. Janet ouvia e chorava. Sabia que iria sentir-se infeliz sem os filhos, 
mas esperava que o tempo passado com o pai os acalmasse e os levasse a encarar a situao com outros olhos, quando voltassem para Nova Iorque. - Vou ver o que posso 
fazer. Depois telefono-te.

Depois de falar com Janet, os dois midos assaltaram-no de imediato, querendo saber os termos do acordo a que os pais haviam chegado.

- No h nada de concreto. Veremos o que se pode fazer. Nem sequer sei se vocs podem voltar para a escola. E, acontea o que acontecer, quero que sejam simpticos 
com a vossa me.  uma situao muito dolorosa para ela, que os adora.

- Se ela gostasse de ns, teria ficado contigo - ripostou Jessica, com aspereza, os olhos a transbordar de rancor.

A bonita adolescente, de cabelos louros, tinha o corao dilacerado. E Mark esperava que a situao no viesse a afect-la negativamente no futuro. No queria que 
o divrcio destrusse as crianas.

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- As coisas no funcionam assim, Jess - retorquiu, com ar triste. - As pessoas mudam... as vidas mudam... nem sempre podemos ter aquilo que pensmos ter, ou fazer 
aquilo que dissemos que faramos. A vida d muitas voltas.

Mas eles no estavam dispostos a dar-lhe ouvidos. Continuavam furiosos com a me e o namorado.

Nessa noite, Mark apanhou o avio de regresso  Califrnia, e passou a semana seguinte em negociaes com a escola, para que esta aceitasse de novo os seus filhos. 
Haviam sado h menos de trs meses e frequentavam uma excelente escola em Nova Iorque, por isso, no havia qualquer problema relativamente a matria no leccionada. 
No final da semana, a escola autorizou a transferncia. O resto era simples. A nica coisa que tinha a fazer era contratar uma baby-sitter, para tomar conta deles 
enquanto estivesse a trabalhar, e ele lev-los-ia s actividades desportivas, ao fim da tarde. Telefonou a Janet no fim-de-semana.

- Est tudo resolvido. Os midos podem regressar  escola na segunda-feira, se quiserem, mas achei que gostarias de os ter a mais uma semana, para poderem fazer 
as pazes. Manda-os vir quando quiseres.

- Obrigada, Mark. Obrigada por tudo. Acho que no mereo tanto. Vou ter tantas saudades deles... - respondeu Janet, comeando a chorar novamente.

- Eles tambm vo ter saudades tuas. Quando j no estiverem chateados contigo, talvez queiram regressar  escola de Nova Iorque, depois das frias.

- No sei. Eles so to peremptrios quando falam do Adam... e ele tem dificuldade em lidar com adolescentes, sobretudo porque nunca teve filhos.

Do ponto de vista de Mark, a situao no era brilhante. Janet nunca soubera lidar com o stresse, e Mark sempre tivera de resolver as situaes mais delicadas. Mas, 
neste caso, Janet conduzira as coisas  sua maneira, e o resultado estava  vista.

Quando, no domingo, informou os filhos de que podiam partir, eles nem sequer se preocuparam em fingir que tinham pena de a deixar. Ficaram radiantes e Jessica comeou 
a fazer as malas meia hora depois. Por vontade deles, teriam partido

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logo no dia seguinte, mas Janet insistiu para que ficassem mais uma semana. Contou-lhes que voltariam para Nova Iorque no Vero. Ela e Adam j haviam chegado a acordo 
para se casarem em Julho, quando o processo de divrcio estivesse concludo, mas no lhes disse nada. Receava que no voltassem se lhes desse a notcia. Teria de 
pensar numa forma de o fazer mais tarde.

Janet passou toda a semana mergulhada numa profunda amargura, sabendo que os filhos iam deix-la. No sbado seguinte, p-los num avio rumo  Califrnia. Mark resolvera 
no contratar uma baby-sitter. Fizera um acordo com a governanta do seu senhorio. Ela tomaria conta deles. E seria Mark a lev-los s actividades desportivas, encurtando 
o dia de trabalho, se necessrio fosse. Os filhos mereciam um esforo da sua parte.

Foi com ar destroado que Janet se despediu dos filhos, abraando-os ternamente. Jason ainda hesitou durante um bom bocado. Mesmo no querendo ficar, sentia pena 
da me. Jessica nem sequer se deu ao trabalho de olhar para trs, depois de se despedir da me com um beijo. Mal via a hora de chegar  Califrnia para se encontrar 
com o pai.

Quando as crianas chegaram, foi num clima de incontido jbilo que se deu o reencontro. Mal o viram, correram para ele, radiantes de felicidade. Foi com os olhos 
marejados de lgrimas que abraaram Mark. As coisas estavam a melhorar para ele. Perdera Janet, talvez at por culpa sua, mas agora j tinha os filhos consigo. Era 
tudo o que queria na vida.
CAPTULO 11

O horrio de trabalho de Alex era um mundo completamente novo para Cooper Winslow. Nunca conhecera uma mulher como ela. Chegara a andar com executivas, com advogadas, 
mas nunca com uma mdica. E muito menos estagiria. Quando saam juntos, iam a pizarias, a restaurantes de comida rpida ou chineses, ao cinema, e quase todos os 
seus encontros eram interrompidos por telefonemas do hospital. Alex nada podia fazer. Era por isso que a maioria dos estagirios no tinha vida pessoal e muitos 
deles saam com colegas. Sair com uma estrela de cinema era uma experincia inteiramente nova para ela. Mas tinha pouco tempo e procurava geri-lo da melhor forma 
possvel. Coop fazia o melhor que podia para se adaptar a esta nova realidade. Andava entusiasmadssimo e a maior parte do tempo nem se lembrava de que ela era rica. 
De vez em quando, l lhe ocorria a ideia, mas a fortuna de Alex no passava de um pequeno pormenor que embelezava ainda mais o embrulho. Era como o laarote vermelho 
numa prenda de Natal. No entanto, procurava no pensar nisso. A nica coisa que o preocupava era o que os pais de Alex poderiam pensar dele. At ao momento, no 
se atrevera a discutir o assunto com ela.

As coisas avanavam a um ritmo lento, em parte devido ao elevado nmero de horas de trabalho de Alex, e em parte por ela j se ter escaldado uma vez. Mostrava-se 
cautelosa, no queria cometer outro erro e no fazia tenes de que as coisas com Coop se precipitassem. Ele beijara-a quando saram juntos pela quinta vez, mas 
ficaram por a, e ele tambm no a pressionou. Era, no s perspicaz, como muito paciente. S iria para a cama com Alex quando ela lho pedisse. Sabia, instintivamente, 
que, se a pressionasse, ela poderia ficar de p atrs, e no queria que isso acontecesse. Estava disposto a esperar. A sua pacincia no tinha limites.

Entretanto, Charlene nunca mais dera sinal de vida. Durante duas semanas no atendera os seus telefonemas, e ela deixara de ligar. At Paloma aprovava a relao 
com Alex.

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Mas sentia pena da jovem e perguntava-se se ela saberia onde ia meter-se, embora Coop, desta vez, andasse a portar-se bem. Quando no estava com Alex, passava as 
noites em casa, a ler guies, ou saa com amigos. Foi a outro jantar em casa dos Schwartz, mas Alex no pde comparecer por se encontrar a trabalhar. No se lhe 
referiu e achou melhor no dizer a ningum que andavam a sair juntos. Queria mant-la afastada de possveis escndalos. Sabia que ela detestaria aparecer nas primeiras 
pginas dos tablides. Alex conhecia a reputao de playboy de Coop, mas ele preferia no tocar nesse assunto.

Alm disso, nos stios onde costumavam jantar, nunca despertariam a ateno dos jornais. Coop ainda no a levara a um restaurante de luxo, simplesmente porque ela 
no tinha tempo ou energia para uma noite de algum requinte. Estava sempre a trabalhar. A primeira ida ao cinema foi uma vitria. E Alex adorava ir at ao Palacete 
aos fins-de-semana, quando estava de folga. Nadava na piscina e, uma noite, at fez o jantar, depois nem sequer o provou, pois teve de sair apressadamente para o 
hospital. J estava habituada. Coop  que tinha alguma dificuldade em se adaptar a essa realidade. No fazia a menor ideia daquilo em que estava a meter-se. Mas 
parecia-lhe um bom desafio, e ela era to bela e inteligente que os obstculos e os inconvenientes pareciam valer a pena.

Alex adorava conversar com Mark, quando o encontrava na piscina. Ele falava muito dos filhos e, certa noite, at lhe contou os seus problemas com os midos e com 
Janet... e Adam. Confidenciou-lhe que no queria que eles gostassem do homem que destrura o seu casamento, mas, ao mesmo tempo, no queria ver os filhos infelizes. 
Alex sentia pena de Mark e gostava de falar com ele.

Via-o mais vezes do que a Jimmy, que devia trabalhar quase tanto como ela. Passava muitas noites em visitas a lares de acolhimento e era treinador de uma equipa 
de softball Mas Mark falava sempre dele como um tipo porreiro e chegou a contar a Alex o que sabia de Maggie, deixando-a de corao destroado. No entanto, quando 
se encontrava com ela, Jimmy nunca falava da esposa. Mantinha-se calado a maior parte do tempo, parecendo pouco  vontade com as

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mulheres. Detestava ser outra vez um homem descomprometido. No seu corao, continuava casado. Entretanto, Alex apercebera-se de que Mark e Jimmy eram inquilinos 
de Coop, que nunca admitira tal facto, embora ela tambm nunca o houvesse questionado sobre o assunto. Achava que no tinha nada a ver com isso.

Trs semanas aps terem comeado a sair juntos, Coop convidou Alex para passarem um fim-de-semana fora. Ela respondeu que iria ver se conseguia arranjar tempo, embora 
duvidasse, e ficou espantada ao descobrir que era possvel. A sua nica condio era terem quartos separados no hotel. Ainda no estava preparada para lhe entregar 
aquilo que de mais ntimo possua. Queria dar tempo ao tempo, e ir com calma, mas a atraco que sentia por ele era cada vez maior. E disse a Coop que seria ela 
a pagar o seu quarto. Iriam para uma estncia balnear que ele conhecia no Mxico. Alex ficou excitadssima com a ideia. Desde que comeara o internato, ainda no 
tivera frias, alm disso, adorava viajar. Dois dias de sol e divertimento seriam como o cu. E o facto de irem para o Mxico evitaria qualquer mexerico por parte 
dos tablides. Era uma ingenuidade da sua parte, mas Coop no a desenganou: pretendia lev-la para longe, e no queria desencoraj-la de ir por causa dos mexericos 
da imprensa. O seu nico desejo era que tudo corresse de forma simples e agradvel.

Partiram numa sexta-feira  noite, e o hotel era ainda mais luxuoso do que ele lhe garantira. Os quartos, contguos, tinham uma enorme sala de estar, terrao, piscina 
privativa e uma pequena praia, tambm privativa. Ao fim da tarde, iam at  cidade, faziam compras e sentavam-se nas esplanadas a beber margaritas. Parecia que estavam 
em lua-de-mel. Na segunda noite, tal como Coop esperava, Alex seduziu-o. Nem sequer estava bbeda quando o fez. Era um desejo incontrolvel. Estava a ficar apaixonada. 
Nenhum outro homem fora to meigo e to gentil consigo. No s era uma companhia maravilhosa e um grande amigo, como o amante perfeito. Cooper Winslow sabia lidar 
com as mulheres. Sabia o que queriam, o que gostavam de fazer, como gostavam de ser tratadas 

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e do que precisavam. Alex nunca gostara tanto de fazer compras com outra pessoa como com Coop, nem falara com tanta franqueza e rira tanto nem recebera tantos mimos. 
Nunca conhecera ningum assim.

Tambm ficou surpreendida com a quantidade de autgrafos que o velho actor deu, assim como com o nmero de pessoas que parava para o fotografar. Parecia que o mundo 
inteiro o conhecia. Mas no to bem como ela. Pelo menos, era a sensao que tinha. Coop dava mostras, por mais surpreendente que isso pudesse ser, de querer partilhar 
com ela no s a sua vida e histria, mas tambm os seus segredos mais ntimos. O mesmo acontecia com Alex. Estava a abrir-se completamente com ele.

- Que iro os teus pais pensar de ns? - perguntou Coop, depois de terem feito amor pela primeira vez.

Fora uma experincia inolvidvel. Sentaram-se na piscina, completamente nus, ao luar, enquanto se ouvia msica ao longe. Fora a noite mais romntica da vida de Alex.

- S Deus sabe. O meu pai nunca gostou de ningum na vida, nem sequer dos filhos nem da minha me. Desconfia de toda a gente. Mas no estou a imagin-lo a no gostar 
de ti, Coop. s um homem respeitvel, de boas famlias, delicado, inteligente, charmoso e, alm disso, bem-sucedido. O que  que ele pode ter contra ti?

- Pode no gostar da nossa diferena de idades.

-  possvel. Mas, s vezes, pareces mais novo do que eu.

E beijaram-se de novo. Coop s no lhe disse que tambm havia uma diferena nas respectivas situaes financeiras, que ela era solvente e ele no. Custava-lhe admiti-lo. 
No era uma realidade que encarasse com muita frequncia. Porm, era bom saber que Alex no dependia financeiramente dele. Fora sempre um problema com que se debatera. 
Nunca quisera comprometer-se a casar quando a sua situao financeira no era estvel e, a maioria das vezes, no era. Mesmo quando tinha dinheiro, ele esfumava-se 
num instante. No precisava de ajuda para o gastar, e muitas das mulheres com quem andara haviam-lhe ficado extremamente caras. Alex no, tinha o seu prprio dinheiro, 
por isso, no haveria problema. Pela primeira vez na vida, estava a pensar seriamente

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em casar-se. Era algo ainda muito vago, muito distante, mas que j no o amedrontava tanto. Para seu prprio espanto, j se conseguia ver casado com Alex, sem precisar 
do Dr. Kevorkian1 para celebrar o matrimnio. Sempre achara que preferia o suicdio ao casamento, se bem que os considerasse a ambos letais e sinnimos. Porm, com 
Alex, tudo era diferente. E foi isso mesmo que lhe disse, na mgica noite mexicana, enquanto a beijava.

- Ainda no cheguei a, Coop - disse Alex, com voz meiga, sempre franca com ele.

Amava-o, mas no queria criar-lhe falsas iluses. Ainda no se sentia preparada para o casamento, tanto por causa da carreira de mdica, como pelo trauma de ter 
sido abandonada pelo noivo quando estava prestes a subir ao altar. No queria passar por outra desiluso, apesar de Cooper no ser homem para lhe fazer essa afronta.

- Tambm ainda no cheguei a - murmurou Cooper. Mas, pelo menos, j no fico com herpes ao pensar no assunto. Acho que estou a melhorar.

Alex gostava do facto de ambos encararem cautelosamente a questo do casamento. E tanto assim era que ele nunca casara. Quando ela lhe perguntou porqu, respondeu-lhe 
que nunca encontrara a mulher certa. Mas, agora, acreditava que sim. Alex era uma mulher com quem valia a pena viver at ao fim da vida.

Foi um fim-de-semana mgico. No voo de regresso, vinham ambos com um ar perdidamente apaixonado e cheios de pena por terem de se separar.

- Queres passar a noite comigo? - perguntou Coop, enquanto a levava a casa. Alex ficou pensativa, indecisa.

- Querer, queria. Mas no sei se devo. - Continuava a querer avanar com muita cautela. Tinha medo de se acostumar e que, depois, algo corresse mal, deitando tudo 
a perder. - Mas vou sentir imensas saudades tuas, esta noite.

- Tambm eu. - Coop sentia-se outro homem. E insistiu em levar as malas dela at ao apartamento. Nunca l estivera, e ficou chocado e perplexo ao ver as pilhas de 
roupa,

1 Mdico adepto da eutansia. (N. do T.)

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os livros de Medicina espalhados pelo cho e a casa de banho sem o mnimo de condies. Sabonete, papel higinico e toalhas foi tudo o que viu. A moblia era escassa, 
no havia cortinas nem tapetes, e a decorao era nula.

- Por amor de Deus, Alex, isto parece uma barraca. Alex nunca se dera ao trabalho de decorar o apartamento. No tinha tempo, e tambm nunca se preocupara com isso. 
S l ia dormir. - Se algum vir o estado em que tens o apartamento, ainda te condena. - Ao olhar para aquele caos, Coop no podia fazer outra coisa seno rir. Uma 
mulher to requintada e to delicada, e apenas se preocupava com a actividade mdica. J vira estaes de gasolina com aspecto bem mais convidativo. - Acho que o 
melhor que tens a fazer  pegares num fsforo, deitares fogo a esta tralha toda e mudares-te imediatamente para minha casa.

Mas sabia que ela no o faria. Era demasiado cautelosa e independente. Porm, apesar da cama por fazer e do ar lgubre do apartamento, passou a noite com ela e levantou-se 
ao mesmo tempo, s seis da manh. Quando chegou ao Palacete, as saudades eram muitas. Nunca sentira nada semelhante por mulher alguma.

Ao fim da manh, quando entrou no quarto e viu o ar de felicidade estampado no rosto de Coop, Paloma ficou intrigada. Comeava a desconfiar que ele estava mesmo 
apaixonado pela jovem mdica. Quase sentiu desejo de gostar mais dele. Afinal de contas, talvez Coop tivesse corao.

Durante toda a tarde, Coop cumpriu uma srie de compromissos, entre os quais o de posar para a capa da GQ. Eram seis horas quando chegou a casa e ficou a saber que 
Alex ainda estava a trabalhar. Ficaria no hospital at  manh seguinte. Tinha de fazer os turnos dos colegas que a haviam substitudo aquando da viagem ao Mxico, 
trabalhando durante vrios dias.

Coop acabara de se instalar na biblioteca com um clice de champanhe na mo, depois de pr um disco a tocar, quando ouviu um barulho pavoroso junto  porta principal. 
Parecia o som de uma metralhadora ou de uma srie de exploses, dando a impresso de que parte da casa estava a desmoronar-se. Saltou do sof e foi espreitar  janela. 
Ao princpio, 

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no vislumbrou nada. S ao fim de alguns instantes  que deu pela presena de um mido. O pequeno diabrete descia os degraus de mrmore em cima de um skate, fazendo 
uma srie de piruetas. Coop precipitou-se para a porta e abriu-a de supeto, com ar furioso. O mrmore encontrava-se ali desde 1918, imaculado, e o jovem delinquente 
iria destru-lo com o skate.

- Que raio  que pensas que ests a fazer? Vou chamar a polcia se no desandas daqui dentro de trs segundos. Como  que entraste na propriedade?

Os alarmes deveriam ter soado quando ele saltara o porto. Coop no conseguia imaginar outra forma de ele chegar at ali. O mido ficou especado a olhar para o velho 
actor, aterrorizado e, ao mesmo tempo, espantado.

- O meu pai vive aqui - conseguiu balbuciar, numa voz entrecortada, com o skate apertado contra o peito.

Nunca lhe passara pela cabea que pudesse estragar o mrmore. S achara o stio ptimo para andar de skate e estava a divertir-se  grande, quando Coop abriu a porta 
e gritou com ele, ameaando mand-lo prender.

- O que  que queres dizer com isso de o teu pai viver aqui? Eu  que vivo aqui e, graas a Deus, no sou teu pai! retorquiu Coop, ainda furioso. - Quem s tu?

-Jason Friedman. - O pequeno parecia tremer e deixou cair o skate com tal estardalhao que ambos deram um pulo. - O meu pai vive na ala de hspedes.

Chegara na noite anterior, de Nova Iorque, com a irm. E adorava o stio. Passara a tarde toda a explorar a propriedade, depois de regressar da escola. Na noite 
anterior, Mark apresentara-os, a ele e  irm, a Jimmy. Jason s sabia da existncia de Coop por referncias que o pai lhe fizera. Alm disso, quando chegaram, Coop 
encontrava-se no Mxico. E, para complicar ainda mais a situao, Jason olhou para Coop e acrescentou:

- E agora tambm vivo aqui com a minha irm. Chegmos ontem, de Nova Iorque.

S no queria ser preso. Estava disposto a dar todas as informaes possveis e imaginrias para evitar que isso acontecesse.

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- O que  que queres dizer com isso de "viveres" aqui? At quando  que vais aqui ficar?

Coop queria saber por quanto tempo teria de suportar a presena do inimigo dentro das suas fronteiras. Lembrava-se, vagamente, de Liz lhe haver dito que Mark tinha 
filhos que viriam visit-lo, de tempos a tempos, mas s durante alguns dias, e muito raramente.

- Deixmos a nossa me em Nova Iorque e viemos viver com o nosso pai. Detestvamos o namorado dela.

Eram mais informaes do que aquelas que, em condies normais, disponibilizaria, e Coop estava a comear a ficar assustado.

- Estou certo de que ele tambm te detestaria, se andasses com o skate nos degraus de mrmore. Se voltares a andar aqui com o skate, sou eu que te dou umas chicotadas.

- O meu pai no deixaria - ripostou Jason, em tom ameaador. J chegara  concluso de que o homem era maluco. Sabia que se tratava de uma estrela de cinema, mas, 
primeiro, ameaara mand-lo prender, e, agora, ameaava chicote-lo.

- E o senhor acabaria por ir parar  cadeia. De qualquer modo, desculpe. No os estraguei.

- Mas podias ter estragado. Com que ento, acabaste de te mudar para aqui... - Era a pior notcia que poderia ter recebido e esperava que o rapaz estivesse a mentir. 
- O teu pai no me disse que vocs vinham para c morar.

- Foi uma deciso de ltima hora, por causa do namorado da minha me. Chegmos ontem e voltmos para a nossa antiga escola. A minha irm j est no secundrio.

- A notcia no  muito animadora. - Coop olhava-o com ar angustiado. Isto no podia estar a acontecer-lhe. Aqueles dois midos no podiam ter vindo viver para a 
ala de hspedes. Teria de lhes mover uma aco de despejo. E o mais rapidamente possvel, antes que lhe deitassem fogo  casa, ou lhe estragassem qualquer coisa. 
Ia chamar o advogado.

- Vou falar com o teu pai - anunciou, em tom ameaador. - E d-me isso! - ordenou, estendendo o brao na direco do skate.

Mas Jason recuou, determinado a no lho entregar. Era propriedade sua e trouxera-o de Nova Iorque.

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-J lhe pedi desculpa.

- Disseste muitas coisas, a maior parte das quais acerca do namorado da tua me.

Do alto das escadas, Coop fitava o rapaz com ar imperial. Era um homem alto, e Jason encontrava-se no fundo das escadas. Do stio onde estava, Coop parecia um gigante.

-  um cara de cu. Detestamo-lo - apressou-se Jason a dizer do namorado da me.

-  uma situao complicada. Mas isso no lhes d o direito de vir morar na minha casa. Diz ao teu pai que quero falar com ele, amanh de manh.

E voltou para casa, fechando a porta com estrondo, enquanto Jason regressava  ala de hspedes, onde contou ao pai uma verso ligeiramente diferente do seu encontro 
com Coop.

- No devias andar nos degraus com o skate, Jason.  uma casa velha e podias t-los estragado.

- Pedi-lhe desculpa. Mas ele parecia que estava aparvalhado.

-  um tipo porreiro. S que no est habituado a ter midos aqui. Com ele, temos de levar as coisas com calma.

- Ele pode pr-nos na rua?

- Acho que no. Seria discriminao. A no ser que faas um disparate qualquer e lhe ds motivo para despejo. Faz-me um favor: tenta no fazer disparates.

As crianas adoravam a propriedade. E Mark estava deliciado por as ter consigo. Na escola, haviam tido uma recepo espectacular por parte dos velhos amigos. Jessica 
estava ao telefone com algum que conhecia. Mark fizera o jantar. Nessa tarde, apresentara-os a Paloma, que os adorou. O mesmo no se poderia dizer do patro, que 
ainda no sabia que, de vez em quando, nos seus tempos livres, ela lavava a roupa a Mark, alm de dar uma mozinha na limpeza da ala de hspedes.

Depois de bater com a porta, Coop encheu um copo de bebida forte e ingeriu-a de um s gole. Sentou-se e enviou uma mensagem para o bipe de Alex. Cinco minutos depois, 
ela telefonou-lhe. Pelo tom de voz, Alex apercebeu-se, de imediato, que algo de grave acontecera.

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- A minha casa foi invadida por extraterrestres! - explicou Coop, numa voz to trmula que nem parecia ele.

-- Ests bem? - Parecia preocupada.

- No, no estou. Os filhos do Mark mudaram-se para c. S conheci um deles e deu para perceber que  um delinquente juvenil. Vou comear a tratar da aco de despejo 
imediatamente. S que, entretanto, sou capaz de ter um esgotamento nervoso. O mido estava a andar de skate na escadaria principal, a fazer piruetas em cima do mrmore.

Alex riu-se e ficou aliviada por no ser nada de grave. Mas Cooper falava como se a casa tivesse desabado.

- Acho que no podes p-los na rua. H uma srie de leis que protegem as pessoas que tm crianas - retorquiu Alex, divertida com o estado de irritao de Coop. 
Ele no gostava mesmo nada de crianas, como confessara. - Isso quer dizer que no vamos ter filhos, no ?

Alex tentava provoc-lo e Coop pensou, de imediato, que esse facto poderia ser um obstculo importante para ela: era suficientemente nova para querer filhos. No 
entanto, fosse como fosse, no estava com disposio para pensar nisso agora.

- Podemos, naturalmente, discutir esse assunto - ripostou Cooper, esforando-se por ser razovel. - Os teus filhos seriam civilizados. Os do Mark no so. Pelo menos, 
este no . Diz que a irm est no secundrio. Se calhar fuma crack e passa droga na escola.

- Tambm no devem ser assim to maus como isso, Coop. Quanto tempo  que vo ficar a?

- Parece que para sempre. Amanh de manh vou telefonar ao Mark e perguntar-lhe.

- Bem, v l se no deixas que isso te enerve. Mas j estava enervado.

- Vou tornar-me um alcolico. Acho que sofro de alergia a pessoas com menos de vinte e cinco anos. O Mark que no pense que pode ter os midos aqui a viver com ele. 
E se eu no puder p-los na rua?

- Faremos o melhor que pudermos para lhes ensinar as regras da boa educao.

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-  muito boa vontade da tua parte, meu amor. Mas algumas pessoas no conseguem aprender. Disse-lhe que o chicoteava se voltasse a v-lo a andar de skate nos degraus, 
e ele retorquiu que me mandava para a cadeia.

O primeiro encontro entre os dois no correra da melhor forma, mas ameaar o mido de que o chicotearia no fora politicamente correcto.

- Basta dizeres ao Mark que no os queres ver por perto. Ele  boa pessoa e, de certeza, que percebe.

No dia seguinte, quando Coop lhe telefonou, Mark pediu imensas desculpas por qualquer incmodo que Jason pudesse ter causado. Explicou ainda as circunstncias que 
haviam motivado a vinda dos filhos para junto de si, e acrescentou que os midos voltariam outra vez parajanet, no final do ano lectivo. Apenas ali ficariam trs 
meses, no mximo.

A Coop, aquelas palavras soaram-lhe como uma sentena de morte. A nica coisa que queria ouvir era que eles partiriam no dia seguinte. Mas no havia a mnima hiptese 
de que isso viesse a acontecer. Mark deu a sua palavra de honra de que os filhos se portariam bem, e Cooper teve de resignar-se  ideia de viver, lado a lado, com 
os midos. Sabia que no tinha alternativa. Telefonara ao advogado antes de falar com Mark, e Alex tinha razo. Ficara com Jason e Jessica atravessados na garganta, 
e nem sequer a carta de desculpas que Mark obrigou Jason a escrever lhe amoleceu o corao. Estava furioso. No dirigia uma escola, nem um infantrio, nem uma associao 
de escuteiros, nem um parque de skate. Queria ver os midos a milhas da sua casa e da sua vida. S esperava que o romance da me deles acabasse rapidamente e que 
voltassem para junto dela o mais depressa possvel.
CAPTULO 12

Depois do seu primeiro desentendimento com Cooper, Mark disse a Jason para nunca se aproximar da ala principal da casa, e s andar de skate junto  entrada da propriedade. 
Jason viu Coop entrar umas quantas vezes, mas no houve mais nenhum incidente, pelo menos durante as duas primeiras semanas. Jason e Jessica andavam felizes por 
estarem novamente em Los Angeles com os velhos amigos, adoravam a escola e achavam que o novo lar era "fixe", apesar do senhorio rabugento. Coop continuava a no 
conseguir ver os midos com bons olhos, mas tanto a corretora imobiliria como os advogados lhe tinham dito que no havia nada a fazer. A legislao contra a discriminao 
de crianas era rgida. Alm disso, Mark avisara-o de que os filhos viriam visit-lo de tempos a tempos. Tinha direito a viver ali com eles, apesar de agora estarem 
a morar permanentemente consigo. Coop no tinha outra alternativa seno habituar-se  ideia, e queixar-se quando eles fizessem qualquer coisa de errado. Para alm 
de Jason usar a escadaria principal como rampa de skate no primeiro dia, at ao momento, no houvera quaisquer outros problemas.

Mas, no primeiro fim-de-semana que Alex passou na casa com Coop, acordaram ambos ao meio-dia, com uma barulheira infernal, vinda da piscina. Era como se l estivessem 
umas quinhentas pessoas, aos gritos umas com as outras. Em fundo, msica rap em altos berros. Alex no conseguiu evitar um sorriso ao ouvir as letras. Eram de um 
vernculo atroz, mas muito divertidas e irreverentes, sobre os adultos e aquilo que os midos pensavam deles. Uma mensagem para Coop.

- Oh, meu Deus, o que  que se passa? - perguntou o velho actor, horrorizado, enquanto levantava a cabea da almofada.

- Parece uma festa - respondeu Alex, com um bocejo, enquanto se espreguiava e se aninhava a seu lado.

Trocara quatro turnos para estar ali, e as coisas pareciam ir bem entre os dois. Coop estava a adaptar-se  vida atarefada 

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de Alex. H anos que no gostava tanto de uma mulher. E apesar da considervel diferena de idades, Alex sentia-se bem na sua companhia. Coop parecia muito mais 
novo e interessante do que muitos homens da idade dela.

- Devem ser novamente os extraterrestres. Acho que acabou de aterrar outro OVNI. - Cooper mal se apercebera da presena dos adolescentes nas ltimas trs semanas, 
dando a impresso de que Mark estava a conseguir mant-los sob apertado controlo... at essa manh. E ainda no sabia que Paloma fazia de baby-sitter de vez em quando. 
- Devem ser surdos. Aquilo deve ouvir-se em Chicago. - Saiu da cama e foi  janela ver o que se passava. - Oh, meu Deus, Alex, so aos milhares!

Alex pulou da cama e foi ver tambm. Havia vinte ou trinta adolescentes a rir, aos berros e a atirar coisas, na piscina.

- Deve ser a festa de aniversrio de um deles.

Alex adorava ver jovens de ar so e feliz a divertir-se. Depois de todas as cenas de agonia e tragdia a que assistia no seu quotidiano, achava aquele quadro de 
alegria perfeitamente normal. Porm, a seu lado, Coop estava horrorizado.

- Os extraterrestres no fazem anos, Alex. Nascem nas alturas mais inconvenientes, e depois, vm para a Terra para partirem tudo o que lhes aparece pela frente. 
Foram enviados para destrurem a nossa raa e o planeta Terra.

- Queres que v l pedir-lhes para desligarem a msica? Prontificou-se Alex, ao ver que Coop estava mesmo transtornado. Adorava ter uma vida tranquila e ordenada, 
e gostava que tudo se mantivesse bonito e elegante  sua volta.

- Seria ptimo.

Alex vestiu umas calas e uma T-shirt, e enfiou umas sandlias. Estava um lindo dia de Primavera e ela prometeu fazer o pequeno-almoo assim que voltasse. Entretanto, 
Coop foi tomar duche. Exibia sempre um aspecto impecvel, mesmo quando acordava. Ao contrrio de Alex, que acordava de cabelos desgrenhados e ar cansado, como se 
tivesse sido arrastada por um cavalo durante toda a noite. Porm, tinha a vantagem de ser jovem. E at parecia uma mida, quando saiu porta fora, para ir transmitir 
a mensagem de Coop.

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Ao chegar  piscina, viu que Mark tambm l se encontrava. Jessica estava no meio de raparigas de biquini e monoquni, s risadas e aos gritinhos. Os rapazes estavam 
na onda deles, sem ligarem s raparigas, enquanto Mark tentava organizar um jogo de plo na piscina.

- Ol! Como vai? J no a via h um tempinho cumprimentou Mark, com ar prazenteiro, ao avistar Alex.

Comeara a interrogar-se se Coop j deixara de andar com ela. H semanas que as coisas se mantinham relativamente calmas por aqueles lados.

- Tenho andado a trabalhar. Que se passa aqui? Festa de aniversrio?

- Foi a Jessie que quis juntar os velhos amigos e celebrar o seu regresso a Los Angeles.

Jessica estava extasiada por ter voltado para junto do pai e, de momento, recusava-se a falar com a me, para consternao de Mark, que no conseguia convenc-la 
a mudar de ideias. Este continuava a pedir um pouco mais de pacincia a Janet, mas Jessica mantinha-se relutante. Jason ainda mostrava alguma vontade de falar com 
ela, mas no escondia a sua alegria por estar a viver com o pai.

- No queria incomod-lo, eles esto divertidssimos desculpou-se Alex -, mas o barulho est a incomodar Coop. Acha que eles se importariam de baixar um bocadinho 
o volume?

Mark ficou perplexo, depois esboou um sorriso, dando-se conta da barulheira que estariam a fazer. Estava to habituado ao caos que era ter midos  volta que nem 
se apercebera. Talvez devesse ter avisado Coop da festa, mas agora receava dizer-lhe o que quer que fosse sobre os filhos.

- Peo imensa desculpa. Algum deve ter aumentado o volume sem eu me ter apercebido. Sabe como so os midos.

Alex mostrou-se bastante compreensiva e ficou muito mais aliviada ao constatar que eram midos perfeitamente normais, sem tatuagens ou cabelos  Mohawk. Viam-se 
muitos de brincos e um ou outro de pierng no nariz. Mas nenhum com ar assustador. E tambm no tinham ar de delinquentes ou de drogados, contrariamente quilo que 
Coop lhe dissera. Eram "extraterrestres" perfeitamente normais.

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Mark saiu da piscina e foi baixar o som. Alex ainda ficou mais alguns instantes, de sorriso nos lbios, a olhar para as crianas. Reparou que Jessica era uma rapariga 
muito bonita, com longos cabelos loiros e um corpo bem torneado, e ria descontroladamente no meio de um grupo de amigas, enquanto vrios rapazes a apreciavam. Entretanto, 
viu Jason aproximar-se com Jimmy. Trazia uma luva e uma bola de basebol, e falava animadamente com Jimmy, que acabara de lhe ensinar como fazer um lanamento de 
preciso infalvel, dando um determinado efeito  bola. Era uma tcnica que Jason nunca dominara, mas em que Jimmy era especialista.

- Ol - cumprimentou Alex, num tom jovial. Por instantes, Jimmy pareceu pouco  vontade, depois, apresentou-a a Jason. Jimmy tinha sempre um ar angustiado. O mesmo 
ar abalado que Alex via nos olhos dos pais que acabavam de perder os seus bebs. Porm, falando com Jason, parecia mais descontrado do que quando estava com adultos. 
- Como tem passado? Tem feito bons lumes ultimamente? - J no o via desde que Mark quase provocara um incndio de grandes propores com o churrasco e ela recebera 
um bipe para voltar ao hospital. - Foi c um susto!

E ambos sorriram, recordando o sucedido. Alex ainda se lembrava nitidamente de Coop a dar autgrafos aos bombeiros, enquanto os arbustos ardiam.

- E jantei maravilhosamente bem - retorquiu Jimmy, com um sorriso tmido. - Acho que comemos o seu jantar. Foi pena ter de voltar para o hospital. Mas, se isso no 
tivesse acontecido, no teramos jantado. Foi c uma noite! No tinha uma ressaca assim desde os tempos da faculdade. Na manh seguinte, s s onze horas  que consegui 
ir trabalhar. A comida estava excelente, em quantidade e qualidade.

- Parece que perdi uma noite bem passada. Centrou a ateno em Jason, perguntando-lhe em que posio jogava. Ele respondeu que era "entre bases".

-J faz uns lanamentos muito bons - elogiou Jimmy. E  c um batedor! Esta manh, perdemos trs bolas que passaram por cima da vedao.

- Estou espantada. Eu nem consigo acertar na bola.

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- A minha mulher tambm no conseguia - replicou Jimmy, sem pensar. As palavras saram-lhe da boca antes que pudesse det-las e Alex apercebeu-se de que o fizeram 
sofrer. - A maioria das mulheres no consegue nem bater uma bola, nem fazer um lanamento. Tm outras virtudes acrescentou, tentando generalizar o comentrio.

- Tambm no sei muito bem se possuo essas outras virtudes - retorquiu Alex, sentindo que fora um momento desconfortvel para ele. - Nem cozinhar sei. Mas sei fazer 
uma sanduche de manteiga de amendoim ptima e costumo pedir uma piza espectacular.

-J no  mau. Eu sempre cozinhei melhor do que a minha mulher.

Bolas! L estava ele outra vez a bater na mesma tecla. Depois de fazer o comentrio, mergulhou num profundo silncio, enquanto Alex cavaqueava com Jason, que desapareceu 
pouco depois para ir ao encontro da irm e dos amigos.

- So bons midos - comentou Alex, esforando-se por p-lo  vontade.

Apercebia-se de que Jimmy atravessava um mau momento e tinha vontade de lhe dizer o quanto lamentava a situao, mas no queria perturb-lo ainda mais.

- O Mark est louco de alegria por os ter aqui. Estava mortinho de saudades deles - disse Jimmy, tentando afastar-se do precipcio. Estava constantemente a cair 
no abismo da agonia. Tudo o que dizia ou fazia trazia-lhe Maggie  memria. - Como  que o nosso senhorio est a lidar com esta nova situao?

- Est a fazer uma terapia de choque sob forte medicao para alterar o humor - afirmou Alex, em tom solene, e Jimmy soltou uma gargalhada. Foi um som maravilhoso, 
contrastando com o estado de esprito em que ele geralmente se encontrava.

- Est assim to mal?

- Est pssimo. Na semana passada, esteve  beira do coma. Estava a ver que tinha de lhe fazer a reanimao cardiorrespiratria. Por falar nisso, deixei-o ligado 
ao ventilador. Acho melhor voltar para o p dele. Vim aqui pedir aos midos que baixassem a msica.

- O que  que vai ser? - indagou Jimmy.

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- At agora, tem sido rap, com umas letras muito interessantes. - E esboou um largo sorriso.

- No, refiro-me ao pequeno-almoo. Manteiga de amendoim ou piza?

- Hummm...  uma questo interessante. Ainda no pensei no assunto. Pessoalmente, optaria por piza requentada, com donuts ressequidos como sobremesa. Coop tem um 
gosto mais requintado, por isso, talvez, bacon com ovos.

- Consegue desenrascar-se sozinha? - perguntou Jimmy, solcito.

Gostava de Alex, achava-a carinhosa e compassiva. J no se lembrava muito bem do que ela fazia, mas sabia que era algo relacionado com bebs. E parecia-lhe uma 
profissional competente. Era uma pessoa inteligente e, aparentemente, muito afvel. Jimmy ainda no conseguira descortinar o que ela via em Cooper Winslow. Era uma 
unio estranha, mas nem sempre se conseguem explicar as escolhas que as pessoas fazem dos parceiros. Cooper tinha idade suficiente para ser pai dela, e Alex no 
parecia ser o tipo de mulher com atraco pela fama ou pelo glamour. Talvez Coop tivesse mais qualidades do que aparentava. Apesar da noite magnfica que passara 
com ele, Jimmy no ficara com muito boa impresso do velho actor. Uma pessoa com charme e bem-parecida, sem sombra de dvida, mas com pouca substncia, muito superficial.

- Posso chamar o cento e doze para servir o pequeno-almoo? - perguntou Alex, continuando a dar um tom bem-humorado  conversa.

- Claro, s tem de mandar a conta a Coop - respondeu Jimmy, com alguma indelicadeza, apressando-se a pedir desculpa. No tinha a menor razo para ser indelicado 
com ele. - Desculpe, foi sem querer.

- Tudo bem, ele tem imenso sentido de humor, mesmo em relao ao que lhe diz respeito.  uma das coisas que me agrada nele.

Jimmy teve vontade de lhe perguntar que outras coisas lhe agradavam, mas no o fez.

- Bem,  melhor voltar. Acho que, hoje, no viremos  piscina. Coop nunca encararia este cenrio com bons olhos. Teramos de refrear-lhe os nimos.

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E riram-se. Alex acenou a Mark e voltou para a ala principal, onde encontrou Coop com ar petulante, a debater-se com o pequeno-almoo. Deixara queimar os muffins 
e rebentar as gemas dos quatro ovos, o bacon ficara irreconhecvel de to queimado que estava, e havia sumo de laranja espalhado pela mesa.

- Afinal, sabes cozinhar! - exclamou Alex, com ar espantado e de sorriso aberto ao deparar com o caos que grassava na cozinha. No teria feito muito melhor. Era 
mais desenvolta nos Cuidados Intensivos do que na cozinha. Estou impressionada.

- Bem, eu no. Onde diabo estiveste? Pensei que os extraterrestres te tivessem raptado.

- So midos simpticos, Coop. No precisas de te preocupar. Estive a falar com o Mark, o Jimmy e o Jason, o filho do Mark. Todos os midos me pareceram educados 
e bem-comportados.

Coop virou-se para ela, com uma esptula na mo, enquanto os ovos esturricavam na frigideira.

- Oh, meu Deus... os marcianos... transformaram-te... s um deles... quem s tu?

Coop tinha o mesmo ar aterrorizado de certos filmes de fico cientfica.

- Ainda sou eu. Eles so simpticos. Acho que no te deves preocupar.

- Demoraste tanto tempo. Pensei que j tivesses fugido com eles, por isso, fiz eu prprio o meu pequeno-almoo... alis, o nosso pequeno-almoo - corrigiu, ao mesmo 
tempo que esboava um ar apavorado. - Queres ir comer fora? Acho que nada disto est comestvel.

- Acho melhor pedir uma piza.

- Para o pequeno-almoo? - Coop ps-se de p, com a indignao estampada no rosto. - Alex, os teus hbitos alimentares so pssimos! No te ensinaram nada de nutrio 
na Faculdade de Medicina? Piza no  o ideal para o pequeno-almoo.

- Desculpa - retorquiu, com ar submisso, pondo mais dois muffins na torradeira. Depois, limpou o sumo de laranja espalhado em cima da mesa e encheu mais dois copos.

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- Isto  trabalho de mulher - declarou Coop, com alvio machista. - D-me apenas sumo de laranja e caf.

Porm, cinco minutos mais tarde, Alex fez ovos mexidos, bacon, muffins, sumo e caf, e levou tudo num tabuleiro at ao terrao, em pratos de porcelana chinesa, copos 
de cristal, e guardanapos de papel.

- A empregada  excelente... o servio de mesa  que precisa de uns ligeiros retoques... o linho d sempre um toque simptico quando se usa porcelana chinesa desta 
qualidade - provocou-a, enquanto pousava o jornal.

- Graas a Deus, no usei papel higinico.  o que fazemos no hospital quando acabam os guardanapos. Liga bem com pratos de papel e copos de plstico. Vou ver se 
arranjo alguns da prxima vez.

- Ouvir isso d-me um grande alvio - retorquiu Coop, num tom pomposo. Alex conseguia sempre evitar o pretensiosismo, apesar da educao que tivera e do apelido 
que ostentava. Quando acabaram os excelentes ovos que preparara, Cooper fez-lhe a pergunta em que andava a magicar h j algum tempo: - O que  que achas que a tua 
famlia vai pensar de mim? Isto , de ns.

Parecia preocupado. Cada dia que passava, sentia que os seus sentimentos por ela eram cada vez mais srios. Quanto a Alex, pelo menos at agora, gostava de tudo 
nele, mas ainda era muito cedo para assumir um tipo de relao mais srio. Andavam juntos h pouco mais de um ms e,  medida que se fossem conhecendo melhor, muitas 
coisas poderiam mudar, muitos problemas poderiam surgir.

- Que diferena  que isso faz? Eles no mandam na minha vida, Coop. Eu  que decido com quem passo o meu tempo.

- E no tm nenhuma opinio sobre o assunto?  pouco provvel.

Por aquilo que lera, Arthur Madison tinha opinies sobre tudo o que se passava no planeta e, de certeza, sobre tudo o que se relacionava com a filha. E Coop tambm 
sabia que ele no dizia nem fazia nada com punhos de renda. Era o candidato perfeito para se opor ao envolvimento da filha com Cooper Winslow.

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- Eu e a minha famlia no nos damos bem. Mantenho-os a uma certa distncia. Essa  uma das razes por que estou aqui contigo. - Os pais haviam-na criticado durante 
toda a vida, e o pai nunca tivera uma palavra meiga para ela. A sua nica irm fugira com o noivo na vspera do casamento. Havia muito pouca coisa, ou mesmo nenhuma, 
de que gostasse neles. A me era uma pessoa fria, que abdicara de ter vida prpria h j vrios anos. Deixava o marido fazer e dizer tudo o que lhe apetecia, mesmo 
que contra os prprios filhos. Alex sempre sentira ter crescido num ambiente familiar desprovido de amor, onde era cada um por si, doesse a quem doesse. E no havia 
dinheiro ou pergaminhos familiares que alterassem isso. - Eles  que so os extraterrestres de que falas. Vieram de outra galxia impor o seu modo de vida na Terra. 
E fazem-no com extrema facilidade: no tm corao, o crebro  de reduzidas dimenses e processa apenas o bvio, e tm dinheiro a rodos, que usam, quase exclusivamente, 
em proveito prprio. O plano de conquistarem o mundo tem corrido relativamente bem. O meu pai  rei e senhor de tudo, e est-se nas tintas para qualquer outro ser 
humano que no seja ele prprio. Para ser franca, Coop, no gosto deles. E eles tambm no gostam muito de mim. Nunca entrarei no seu jogo. Por isso, pensem o que 
pensarem de ns, se acabarem por vir a saber da nossa relao, estou-me perfeitamente borrifando.

- Bem, isso explica muita coisa. - Coop parecia surpreso pela veemncia do discurso de Alex. Era fcil perceber o quanto a haviam magoado, especialmente o pai. Coop 
sempre ouvira dizer que era um homem cruel, sem corao. - Mas, pelo que tenho lido, o teu pai  um filantropo.

- Ele tem  um responsvel pelas relaes pblicas. O meu pai s faz doaes a causas que lhe possam trazer benefcios ou prestgio. Doou cem milhes de dlares 
a Harvard. Quem  que quer saber de Harvard, quando h crianas a morrer  fome por todo o mundo e pessoas a morrer de doenas que podiam ter cura? Ele no tem nada 
de filantropo.

Ela sim. Todos os anos doava noventa por cento dos rendimentos que obtinha do fundo fiducirio e gastava apenas o

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indispensvel para viver. S se permitia pequenos luxos, como o apartamento no Wilshire Boulevard, mas muito raramente. Sentia ter responsabilidades para com o mundo 
por ser quem era, e fora tambm por isso que passara um ano a trabalhar no Qunia. Foi tambm a que soube que a irm fizera o enorme favor de lhe roubar o noivo. 
Ela e Crter ter-se-iam matado um ao outro. Levara anos a aperceber-se de que ele era tal e qual o pai, e que a irm era tal e qual a me: s lhe importava o nome, 
o dinheiro, a segurana e o prestgio que o facto de estar casada com uma pessoa importante lhe proporcionava. Estava-se nas tintas para ele. E a nica coisa que 
Crter queria era ser o homem mais importante do planeta. O pai s queria saber de si, tal como Crter. Alex nunca fora muito chegada  irm, mas h anos que suspeitava 
que ela no era feliz, e tinha pena dela. Era uma pessoa sem ideias, s, inspida, intil.

- Ests a querer dizer que se aparecer nos tablides, ou onde quer que seja, que temos um romance, o teu pai no se importa? - indagou Cooper, incrdulo.

- No, no estou. Estou a querer dizer-te que ele, provavelmente, se vai importar, e muito. Mas eu estou-me nas tintas. J sou uma mulher adulta.

- Ele, provavelmente, no vai gostar que andes metida com uma estrela de cinema, e ainda para mais com a minha idade.

Ou com a sua reputao. Afinal de contas, durante anos, fora um famoso playboy. Alex estava ciente de que at o pai sabia disso.

- Possivelmente - retorquiu Alex. - S tem menos trs anos do que tu.

A informao de que o pai poderia reagir mal  relao dos dois deixou Coop preocupado. Arthur Madison poderia causar-lhes srios problemas. No sabia bem como, 
mas uma pessoa to poderosa como ele, geralmente, arranjava maneira de o fazer.

- Ele pode deitar a mo ao teu dinheiro? - perguntou, nervoso.

- No - respondeu Alex, sorrindo calmamente, dando a entender que Coop no tinha nada a ver com isso. Mas

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desconfiava de que ele no queria ser responsvel por quaisquer problemas que a famlia lhe pudesse causar. Era uma doura da sua parte preocupar-se com essa eventualidade. 
A maior parte do dinheiro que tenho herdei-o do meu av. O resto j o meu pai aplicou num fundo irrevogvel. E, mesmo que ele metesse a mo no dinheiro, no me importaria. 
Ganho para o meu sustento. Sou mdica. - Era a mulher mais independente que Cooper conhecera. No queria nada de ningum, e muito menos dele. No precisava de Coop, 
apenas o amava. Nem sequer do ponto de vista emocional estava dependente. Gostava da sua companhia, mas poderia desaparecer em qualquer altura, se preciso fosse. 
Era uma posio invejvel. Jovem, inteligente, livre, rica, bonita e independente. A mulher perfeita. Se bem que Coop a preferisse um pouco mais dependente. Com 
Alex no tinha quaisquer garantias. Estava com ele por opo prpria, at quando muito bem quisesse. - Isso responde a todas as tuas questes? perguntou a Coop, 
enquanto se inclinava para ele e o beijava, com os longos cabelos escuros caindo-lhe pelos ombros. Parecia uma das adolescentes que estavam na piscina, descala, 
de cales e T-shirt.

- Para j, responde. S no quero arranjar problemas entre ti e a tua famlia. Seria um preo demasiado alto a pagar por um romance.

-J paguei esse preo, Coop - retorquiu, pensativa. Falava como se tivesse estado no inferno, quando a irm fugiu com o noivo.

Passaram o resto do dia de forma agradvel. Leram o jornal, apanharam sol no terrao e fizeram amor a meio da tarde. Os adolescentes acabaram por se acalmar e mal 
se ouviam. Depois de os jovens partirem, Alex e Coop foram dar umas braadas antes do jantar. Na piscina no se via nada sujo ou fora do lugar. Parecia estar tudo 
em ordem. Mark fizera um bom trabalho de vigilncia, obrigando os midos a arrumar tudo antes de a festa acabar.

Nessa noite, Alex e Coop foram ao cinema. Na bilheteira, vrias cabeas se viraram na sua direco, e duas pessoas pediram autgrafos a Coop enquanto ele comprava 
pipocas. Alex j estava a habituar-se a que reparassem neles em todo o

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lado, e achava piada quando lhe pediam que se afastasse para fotografarem Cooper, geralmente na companhia de um ou dois elementos dos grupos de pessoas que os abordavam.

-  famosa? - costumavam perguntar-lhe com alguma brusquido.

- No, no sou - respondia, com um sorriso humilde.

- Chega-te um bocadinho mais para a frente, por favor pedia Alex, enquanto ria e lhe fazia caretas atrs da mquina fotogrfica. No ficava aborrecida, achava piada 
e adorava provoc-lo.

Depois do cinema, foram comer uma sanduche e voltaram cedo para casa. Alex tinha de se levantar s seis da manh, pois precisava de estar no hospital s sete. O 
fim-de-semana fora magnfico, e ela andava radiante de felicidade. Quando se levantou, teve o cuidado de no o acordar. Coop nem sequer a ouviu sair, e sorriu ao 
ver o bilhetinho ao lado da mquina de barbear.

"Querido Coop, obrigada pelo fim-de-semana maravilhoso... calmo e relaxante... Se quiseres uma fotografia autografada, telefona ao meu agente... falamos logo. Amo-te. 
Alex."

O engraado  que Coop tambm a amava. Nunca esperara que isso acontecesse. Sempre pensara que a atraco que sentia se devia ao facto de ela ser diferente das outras 
mulheres com quem geralmente andava. Era pura, honrada e meiga. No fazia a menor ideia do que devia fazer. Em circunstncias normais, teria gozado a relao durante 
umas semanas ou uns meses e passado  conquista seguinte. Porm, devido ao que Alex representava, e ao que tinha, deu consigo a pensar no futuro. As palavras de 
Abe no haviam cado em saco roto. J que ele o queria casado com uma mulher rica, Alex era a mulher perfeita. As vezes, quase desejava que ela no fosse quem era, 
porque no conseguia esquecer que se tratava de uma das mulheres mais ricas do pas. E no sabia ao certo o que teria sentido por ela se Alex no fosse quem era. 
Esse facto complicava as coisas e dava-lhes mais cor. Coop suspeitava dos seus prprios motivos, mais ainda do que Alex. E, no entanto, apesar de tudo, estava ciente 
de que a amava, significasse isso o que significasse, ou viesse a significar no futuro.

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- Relaxa e diverte-te! - disse Coop para a sua prpria imagem reflectida no espelho, enquanto pegava na mquina de barbear.

A sensao de desconforto tinha a ver com o facto de ela o obrigar a questionar-se, a desafiar a sua prpria conscincia. Amava-a? Ou seria apenas uma jovem muito 
rica que poderia resolver todos os seus problemas se casasse com ela? Se o pai deixasse. Ainda no estava inteiramente convencido de que Alex no se importava com 
aquilo que o pai pudesse dizer. Afinal de contas, era uma Madison, o que implicava uma certa responsabilidade no que concerne  escolha de um marido e  gesto do 
dinheiro.

E havia outra questo... os filhos... continuava avesso  ideia de ter filhos, por mais ricos que fossem. Achava que s serviam para dar dores de cabea. Porm, 
Alex era muito jovem para desistir da ideia. Ainda no haviam conversado a srio sobre o assunto, mas tinha praticamente a certeza de que ela esperava ter filhos 
um dia. As ideias ainda estavam muito baralhadas na sua cabea, assim como na de Alex. E, pior que tudo, no queria mago-la. Fora uma questo que nunca o preocupara 
com qualquer uma das mulheres com quem andara. Alex conseguira fazer brotar o que havia de melhor dentro de si, mas ainda no sabia muito bem se iria gostar disso. 
Ser responsvel e respeitvel era um fardo muito pesado.

O telefone tocou enquanto fazia a barba. No o atendeu. Sabia que Paloma estava algures na casa, mas, onde quer que estivesse, ignorou-o, e o telefone continuou 
a tocar. Pensou que talvez fosse Alex, que estava a fazer vrios turnos seguidos para conseguir passar o fim-de-semana com ele. Correu para o telefone, ainda com 
espuma de barbear na cara, e ficou irritado mal ouviu a voz de Charlene.

- Telefonei-te na semana passada e no me respondeste acusou-o em tom irado.

- No recebi o recado. Deixaste mensagem no voice mail. - perguntou Coop, limpando o resto da espuma  toalha.

- Falei com a Paloma - ripostou Charlene.

S de ouvi-la, Coop estava a ficar com os nervos em franja. A breve ligao que mantivera com ela parecia estar

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a anos-luz. Tinha um romance respeitvel com uma mulher honrada, no estava num circo sexual com uma mida que mal conhecia. As duas mulheres, e os sentimentos que 
nutria por elas, pertenciam a mundos totalmente opostos.

- Ento, est tudo explicado. - Queria que ela desligasse o telefone quanto antes. No alimentava o menor desejo de voltar a v-la. E estava grato aos tablides 
por nunca terem feito qualquer aluso ao relacionamento, mas tambm no haviam sado juntos com muita frequncia. Passara a maior parte do tempo com ela na cama. 
- A Paloma nunca me d os recados, s quando lhe apetece, e isso no acontece muitas vezes.

- Tenho de me encontrar contigo.

- No acho que seja muito boa ideia - disparou Coop, com alguma rudeza na voz. - Alis, vou partir em viagem esta tarde. - Era mentira, mas tratava-se de uma desculpa 
que, geralmente, desencorajava as mulheres. - Creio que j no temos mais nada para dizer um ao outro, Charlene. Foi bom, para os dois, mas acabou.

Andara com ela apenas algumas semanas, no perodo que mediara entre Pamela e Alex. No havia agora motivos para dramas.

- Estou grvida!

Acreditara que Cooper ia mesmo ausentar-se da cidade e achou melhor dar-lhe a novidade, enquanto tinha oportunidade para isso.

Coop mergulhou num longo e pensativo silncio. J antes se deparara com situaes idnticas, e sempre se haviam resolvido com relativa facilidade. Algumas lgrimas, 
um pouco de apoio emocional e dinheiro para pagar o aborto. E pronto. Este caso no seria diferente.

- Lamento ouvir isso. No quero ser grosseiro, mas tens a certeza de que  meu?

As mulheres detestavam ouvir esta pergunta, mas algumas no tinham mesmo a certeza de quem era o pai. E, no caso de Charlene, a pergunta justificava-se. Coop sabia 
que ela tivera uma carreira romntica muito activa antes de andar com ele, e sabe-se l se durante e depois de a relao terminar.



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O sexo era o pilar principal da vida de Charlene e o seu principal meio de comunicao. Enquanto para algumas mulheres eram a comida ou as compras que funcionavam 
como base das suas vidas, para ela, era a actividade sexual. Sentiu-se insultada e ripostou de imediato:

- Claro que tenho a certeza que  teu! Achas que te telefonava se no fosse?

-  uma pergunta interessante. De qualquer modo, lamento. Conheces um bom mdico?

A notcia da gravidez p-lo imediatamente de p atrs. Estava a sentir-se ameaado.

- No. Alm disso, no tenho dinheiro.

- Vou pedir ao meu contabilista que te mande um cheque para cobrir as despesas. - Nos dias que corriam, fazer um aborto era relativamente fcil. Noutros tempos, 
teria sido preciso atravessar a fronteira mexicana ou voar at  Europa. Agora, era uma operao de rotina, como fazer uma limpeza aos dentes, isenta de perigos 
e pouco cara. - Vou enviar-te o nome de alguns mdicos.

Este problema no passava de uma pequena onda no oceano da sua vida. Piores coisas poderiam ter acontecido. Como um escndalo pblico, que, de momento, queria evitar 
a todo o custo, por causa de Alex.

- Estou decidida a ter o beb! - anunciou Charlene, de chofre.

Parecia obstinada, teimosa, perigosa at. A nica coisa que Coop queria era proteger a sua vida e a de Alex, e Charlene representava uma ameaa. Nunca o amara. E 
tudo indiciava que se tratava de chantagem. Era difcil sentir o que quer que fosse por Charlene. Qualquer sentimento protector que tivesse no era por ela, mas 
por Alex. No queria que este pesadelo a atormentasse.

- No acho que seja boa ideia, Charlene - retorquiu Coop, tentando manter as distncias. Ela bem poderia ter resolvido a situao sozinha, sem lhe dizer o que quer 
que fosse. A relao no fora to prolongada quanto isso. Mas o que a moa realmente queria era arrast-lo tambm para o seu drama. Ter um filho de uma estrela de 
cinema, para algumas mulheres, era no s algo que as atraa, mas tambm uma

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forma de presso para arranjar dinheiro. - No nos conhecemos assim to bem. Alm disso, s muito nova e bonita para ficares j com um beb nos braos. Do uma trabalheira 
dos diabos.

Era um argumento que fazia sentido e que ele sempre defendera, mas Charlene no parecia fazer tenes de recuar. Na verdade, por que razo  que ela quereria ter 
um filho de um homem que era praticamente um estranho? S que, neste caso, o estranho chamava-se Cooper Winslow.

-J fiz seis abortos. No posso fazer outro, Coop. E, alm disso, quero ter o nosso filho. - O nosso filho! Era a que residia a chave do problema. Charlene estava 
a pression-lo a voltar para ela. E Coop questionou-se se ela estaria mesmo grvida e se isto no passaria de um estratagema para lhe sacar dinheiro. - Quero encontrar-me 
contigo.

- Tambm no  uma boa ideia. - A ltima coisa que Coop queria na vida era ter um encontro histrico com ela. O que Charlene realmente pretendia era t-lo de volta 
e faz-lo sentir que tinha obrigaes para com ela, mas o velho actor no estava para a virado. No acreditava que Charlene estivesse a ser sincera e no estava 
disposto a fazer nada que pudesse deitar por terra a sua relao com Alex. O romance com Charlene durara umas meras trs semanas. O que mantinha com Alex poderia 
durar uma vida. - No te posso obrigar a fazer o que quer que seja, mas acho que devias fazer o aborto.

No iria rebaixar-se ao ponto de lhe suplicar que o fizesse. Preferia estrangul-los aos dois, a ela e ao beb, caso houvesse algum. Continuava a no acreditar que 
ela estivesse grvida e, se estava, que no fosse ele o pai.

- No vou fazer nenhum aborto! - ripostou Charlene, num tom decidido, e comeou a chorar. Disse-lhe, ento, que o amava muito, que sempre pensara viver com ele at 
 morte, que achava que Coop tambm a amava e que no sabia o que iria fazer com uma criana sem pai nos braos.

- A questo  precisamente essa - retorquiu Coop, num tom glacial, determinado a no lhe dar a entender que estava preocupado. - Nenhum filho merece um pai que no 
o reconhece. No me vou casar contigo. Nem sequer te quero

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ver, nem a ti nem ao beb. No quero ser pai. Alis, nunca te dei a entender que te amava. Somos dois adultos que fizemos sexo durante umas semanas e nada mais do 
que isso. No confundas as coisas.

- Bem,  assim que se fazem os bebs - ripostou Charlene, soltando, de repente, uma risadinha. Coop sentiu-se como se estivesse num filme medocre e no gostou. 
- Tambm  teu filho, Coop - acrescentou, num tom melado.

- O beb no  meu. Nesta altura, no  de ningum. No  nada, no passa de uma clula do tamanho da cabea de um alfinete, e no significa nada. Nem sequer sentirs 
a sua falta.

Coop sabia que o que estava a dizer no era inteiramente verdade, porque as hormonas a fariam acreditar que o amava.

- Sou catlica!

- Tambm eu, Charlene. Mas, se isso fosse assim to importante para qualquer um de ns, no teramos dormido juntos fora dos laos do casamento. Acho que no tens 
alternativa. Ou adoptas uma atitude sensata ou uma atitude pateta. No vou entrar nesse jogo. Se tiveres esse beb, ser sem o meu apoio ou a minha bno.

Coop queria que ela soubesse, desde o incio, que a sua posio era inabalvel, e que no devia alimentar qualquer tipo de iluses.

- Mas ters de dar apoio. Est na lei. Alm disso, no posso trabalhar enquanto estiver grvida. No posso fazer passagens de modelos ou entrar num filme com uma 
barriga enorme. Vais ter de me ajudar. - Coop mal tinha dinheiro para si, quanto mais para ela. - Acho melhor encontrarmo-nos para discutir o assunto. - A voz adquiriu, 
subitamente, um tom mais animado. Coop desconfiou que Charlene achava que acabaria por convenc-lo a encontrar-se com ela, e at a casar-se, caso tivesse o beb. 
Odiou-a. Charlene estava a ameaar no s as suas finanas, mas tambm a sua relao com Alex, que prezava acima de tudo.

- No me vou encontrar contigo - declarou Coop, num tom de fria determinao.

- Acho melhor vires, Coop - retorquiu Charlene, em tom ameaador. - Que pensaro as pessoas se souberem que no queres saber nem de mim nem da criana?

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Quem a ouvisse, pensaria que ele a deixara com sete filhos nos braos, ao fim de dez anos de casamento. A rapariga com quem dormira algumas semanas transformara-se 
numa chantagista e num pesadelo.

- E que pensaro as pessoas quando souberem que me ests a chantagear? - ripostou Cooper, com aspereza.

- No se trata de chantagem, mas sim de paternidade.  isso que as pessoas pensaro, Coop. As pessoas casam-se e tm bebs. Outras vezes, tm bebs e casam-se.

Havia um tom de inevitabilidade na sua voz, e Coop sentiu vontade de a esbofetear. Nunca ningum lhe fizera nada de semelhante na vida, e ainda por cima com tal 
sangue-frio. Todas as mulheres que engravidara haviam sido razoveis. Mas, para Charlene, esta era a sua oportunidade de ouro.

- No me vou casar contigo, Charlene, quer tenhas a criana, quer no. Que isto fique bem claro. E estou-me nas tintas para aquilo que fizeres. Pago o aborto, mas 
mais nada. E, se ests  espera que te d uma penso, ters de me mover um processo.

No tinha agora a menor dvida de que ela o faria. E com o mximo de repercusso pblica, muito provavelmente.

- Isso  algo que eu detestaria fazer. Seria publicidade negativa para ambos. Poderia prejudicar as nossas carreiras.

Coop teve vontade de lhe dizer que ela no tinha carreira alguma, e a verdade  que, de momento, ele tambm no. Ningum o contratava para papis importantes, s 
para participaes especiais e, de vez em quando, para anncios. No entanto, no queria que ela o arrastasse para um escndalo. Nunca se vira envolvido em nada do 
gnero. Poderia ser conhecido por frvolo, por playboy, mas nunca ningum tivera nada de escandaloso a apontar-lhe. Mas, se Charlene fosse avante com os seus intentos, 
tudo mudaria. Alm disso, por causa do romance com Alex, a altura no podia ser pior. Arthur Madison iria adorar.

- Posso encontrar-me contigo ao almoo, antes de partires? - O tom era doce e inocente. To depressa vestia a pele de lobo como a de cordeiro.

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- No, no podes. Mando-te um cheque ainda de manh. O que fizeres  contigo, mas asseguro-te que no vou mudar de ideias. No me vou meter nesta autntica loucura, 
se tiveres o meu beb.

- Ests a ver? - Parecia satisfeita. - Tambm j ests a pensar nele como sendo teu filho.  o nosso filho, Coop. E vai ser um beb lindo.

Coop sentiu-se enojado.

- Ests louca varrida. Adeus, Charlene!

- Adeus, pap! - murmurou Charlene, e desligou, enquanto Coop se sentava, de olhos fixos no telefone, aterrorizado. Sentia-se no meio de um pesadelo.

Interrogava-se sobre o que ela iria fazer: se percebera que ele no estava disposto a entrar no jogo e faria o aborto, ou se insistiria em ter o beb. Se isso acontecesse, 
originaria uma escandaleira tremenda, especialmente com Alex. Em condies normais, Coop no lhe teria dito nada, mas havia tanta coisa em jogo que achava prefervel 
ter uma conversa franca com ela para a pr ao corrente de todo este imbrglio. Charlene parecia obstinada nos seus intentos e no havia forma de a dissuadir. Por 
muito que lhe custasse, Coop sabia que havia duas coisas a fazer de imediato.

Primeiro, tinha de mandar um cheque a Charlene para cobrir as despesas do aborto. Depois, tinha de se encontrar com Alex e contar-lhe o sucedido. Foi buscar o livro 
de cheques e passou um num valor que lhe pareceu razovel. Telefonou a Alex, que se encontrava no hospital, e deixou mensagem para que ela lhe ligasse quando tivesse 
um minuto livre. Nunca pensou ter de lhe contar, mas era a coisa mais sensata a fazer, dadas as circunstncias. S esperava que ela no acabasse com a relao depois 
de o ouvir.
CAPTULO 13

Alex telefonou meia hora depois. Andara atarefada a tratar da papelada de admisso de um prematuro, depois, tivera de assistir outro com um problema na vlvula coronria. 
O problema era solucionvel, mas o beb precisava de ficar sob vigilncia.

- Como ests?

- Manh complicada? - Coop estava nervoso, mas no queria que ela se apercebesse. No queria mago-la e, muito menos, perd-la.

- Nem por isso. As coisas esto a andar. - Parecia ter tudo sob controlo. Ficava radiante sempre que Coop lhe telefonava. Adorava conversar com ele, quando tinha 
um minuto disponvel.

- Tens tempo para um almoo rpido? - perguntou Coop, tentando mostrar-se despreocupado.

- Lamento, mas no posso sair daqui. Sou a chefe de turno e tenho de ficar at ao fim. - Estava de servio at  manh seguinte. - Nem sequer posso sair do edifcio.

- Mas no precisas de sair. E se eu fosse at a beber um caf?

- Seria ptimo. Passa-se alguma coisa?

Era a primeira vez que Coop se prontificava a ir ter com ela ao hospital. Talvez estivesse com saudades, pensou Alex.

- No, s quero ver-te.

A maneira como Coop proferira estas palavras quase a pusera nervosa. Dissera que apareceria por volta do meio-dia.

Mal desligou, Alex centrou a ateno numa urgncia que, entretanto, surgira. Ainda estava a acabar de assinar a papelada que deixara pendente, quando a funcionria 
da recepo a informou de que algum a procurava.

-  quem eu penso? - perguntou a mulher, quando ligou para o gabinete de Alex. Estava maravilhada, e Alex riu-se.

- Acho que sim.

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- Bolas,  mesmo um borracho! - comentou, baixinho, num tom de admirao, enquanto Alex pousava os papis.

- Pois . Diz-lhe que vou j para a.

Era boa altura para fazer uma pausa. Ps apressadamente o casaco branco sobre os ombros e dirigiu-se  recepo. Trazia meias e tamancas, um estetoscpio ao pescoo 
e um par de luvas de borracha pendurado do bolso do casaco. Os cabelos estavam apanhados numa trana e, como de costume quando estava de servio, no usava maquilhagem.

- Ol, Coop - cumprimentou Alex, enquanto o pessoal que se encontrava na Unidade de Cuidados Intensivos o olhava discretamente. O velho actor estava impecvel, como 
sempre, de casaco desportivo de tweed, camisola de gola alta bege, calas de caqui imaculadamente passadas e sapatos castanhos. Parecia sado de uma revista de moda, 
e Alex sentia-se como se tivesse sido arrastada por entre arbustos.

Alex informou, na recepo, que ia  cafetaria comer qualquer coisa e pediu que lhe enviassem um bipe se precisassem dela.

- Com um pouco de sorte, pode ser que me dem dez minutos. - Alex ps-se em bicos de ps para dar um beijo nas faces de Coop, que, pondo-lhe o brao por cima, a 
conduziu at ao elevador. Quando as portas se fecharam, todas as pessoas tinham os olhos cravados neles. Coop era uma autntica viso. - Aumentaste a minha importncia 
aqui no hospital em quatrocentos por cento. Ests espectacular.

Coop, com ar apaixonado, puxou-a mais para si.

- Tambm tu. Ests com um ar muito profissional, com toda essa tralha que trazes contigo.

Alex trazia o bipe, o estetoscpio e uma pina esquecida presa ao bolso. Os instrumentos de trabalho davam-lhe um ar mais adulto. Coop ficara impressionado com o 
modo desenvolto e firme como ela, ao passar na recepo, dera instrues a uma das enfermeiras. J tinha um certo estatuto no hospital. Coop estava cada vez mais 
nervoso,  medida que o momento de lhe contar o problema com Charlene se aproximava. No fazia a menor ideia de como ela iria reagir. Mas tinha de lhe contar, antes 
que soubesse do imbrglio por outra 

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pessoa. Graas a Charlene, as coisas entre ele e Alex podiam complicar-se.

Ambos escolheram sanduches, que puseram num tabuleiro, e Alex encheu duas chvenas de caf.

- Isto  um veneno - avisou, apontando para o caf. Diz a lenda que lhe pem veneno para os ratos, e eu acredito. Se te sentires mal, levo-te s Urgncias, depois 
de almoo.

- Ainda bem que s mdica - disse, enquanto pagava.

Seguiu-a at uma mesa de canto. Graas a Deus, no havia ningum por perto e, at ao momento, ningum o reconhecera. Queria passar uns minutos de sossego com Alex. 
J ela comia a sanduche, e Coop ainda no desembrulhara a sua. Levou alguns minutos a tentar manter a compostura, e Alex reparou que as mos do velho actor tremiam 
ao pr o acar no caf.

- Que se passa, Coop? - Estava calma e fitava-o com olhar meigo.

- Nada... no... no  verdade... aconteceu-me uma coisa esta manh.

Alex reparou que o olhar de Coop denotava alguma preocupao. Nem sequer tocara na sanduche e no caf.

- Uma coisa m?

- Uma coisa aborrecida. E  sobre isso que quero falar contigo. - Alex no conseguia imaginar o que seria. O olhar do velho actor tambm no denunciava o que quer 
que fosse. Coop conteve a respirao e lanou-se de cabea para aquilo que receava vir rapidamente a transformar-se em guas tempestuosas. - Tenho cometido algumas 
loucuras ao longo da minha vida, Alex. No muitas, mas algumas. E passei mais momentos bons do que maus. Nunca magoei ningum. Sempre joguei limpo com pessoas que 
jogavam limpo.

Alex comeou a ficar em pnico. Pressentia que Coop ia dizer-lhe que estava tudo acabado entre os dois. As palavras que o velho actor acabara de proferir pareciam 
ser a introduo. J passara por uma cena semelhante h relativamente pouco tempo. E nunca mais se entregara a ningum. At aparecer Coop. Ficara pelo beicinho desde 
o instante em que

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o conhecera. E, agora, tudo isto soava a discurso de despedida. Recostou-se na cadeira e fitou-o em silncio. Quanto mais no fosse, iria assumir as suas responsabilidades 
com dignidade e coragem. Coop reparou que ela estava retrada. Era o instinto de autodefesa. Mas continuou. Tinha de o fazer.

- Nunca me aproveitei de ningum. Nunca enganei nenhuma mulher. Muitas das mulheres com quem andei tinham perfeita conscincia do que estavam a fazer. Cometi alguns 
erros, mas tenho a folha limpa. Sem vtimas. E quando as coisas acabavam, bastava um obrigado e um adeus, de parte a parte. Tanto quanto sei, no h ningum que 
me deteste. Muitas das mulheres com quem andei gostam de mim, e eu gosto delas. E os erros foram rapidamente corrigidos.

- E agora? A nossa relao  um erro, Coop? - Alex esforava-se por conter as lgrimas. Estaria ele a tentar corrigir um desses erros?

- Claro que no! Pensavas que eu me estava a referir a ns? Oh, querida... no tem nada a ver connosco. Tem a ver com uma estupidez que fiz antes de te conhecer. 
- E tomou as mos dela nas suas, deixando-a muito mais aliviada. - Vou tentar ir directo ao assunto, sem mais rodeios. Antes de te conhecer, andei um tempinho com 
uma jovem. Teria sido melhor no o ter feito.  uma rapariga simples, aspirante a actriz, e os seus nicos papis foram em filmes pornogrficos. No tem muitos atributos, 
mas achei-a doce e entrmos no jogo. Ela conhecia as regras, j no era propriamente uma rapariga inocente. E nunca lhe criei falsas iluses. Nunca fingi que a amava. 
Foi um interldio sexual para ambos e nada mais do que isso. E tudo acabou ao fim de pouco tempo. Parecia simples e completamente inofensivo.

- E depois? - J no conseguia aguentar o suspense. Mas, se no estava apaixonado pela jovem, por que razo lhe estava a contar tudo aquilo?

- Telefonou-me esta manh. Est grvida.

- Merda! - exclamou Alex, com uma enorme sensao de alvio. - Pelo menos no  uma doena terminal.  um problema que se pode resolver com relativa facilidade.

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Sentia-se extremamente aliviada por Coop no lhe ter dito que estava apaixonado pela outra mulher. A ele, por seu turno, parecia-lhe que tinha tirado um peso de 
meia tonelada de cima das costas. Alex no se levantara da mesa para sair porta fora, nem lhe dissera que nunca mais queria v-lo. Mas tambm ainda no conhecia 
a histria toda.

- O problema reside mesmo a. Ela quer ter o beb.

- S vejo dois motivos para ela querer ter o beb: ser me de um filho de uma estrela, ou fazer chantagem contigo.

Alex estava a analisar o problema de forma pragmtica e inteligente, o que tornava a conversa mais fcil do que Coop imaginara.

- Mais ou menos. Quer dinheiro. Diz que no pode trabalhar enquanto estiver grvida. Suponho que no fazem filmes pornogrficos com mulheres grvidas - respondeu 
Coop, num tom sombrio, e Alex apertou-lhe as mos, tentando confort-lo. - Quer que os apoie monetariamente, a ela e ao beb. Disse-lhe que no quero ter filhos, 
nem dela nem de outra pessoa qualquer... a no ser de ti - acrescentou, com um sorriso triste. Tinha a sensao de estar a fazer papel de idiota, mas sentia-se na 
obrigao de lhe confessar tudo. - No lhe falei de ti. Receei que ela pegasse em armas. Alis, j est em p de guerra. Parecia doida: to depressa chora, como 
ameaa, como fala num tom delico-doce do "nosso beb".  uma situao nauseabunda e, ao mesmo tempo, aterradora. No fao a menor ideia de quais so os seus intentos: 
se vai, efectivamente, ter a criana, ou se vai pr os tablides ao corrente da situao. D-me a sensao de que  pessoa para se pr a disparar em todas as direces. 
J lhe mandei um cheque para pagar o aborto, mas  a nica coisa que, de momento, estou disposto a fazer. O romance durou trs semanas. Nem sequer devia ter comeado. 
Na minha idade, j devia estar precavido contra este tipo de situaes. Mas eu andava aborrecido e ela era divertida. No entanto, o que est a acontecer no tem 
nada de divertido - disse, cheio de remorsos. - Lamento imenso, Alex, ter trazido toda esta confuso para as nossas vidas, mas achei melhor pr-te ao corrente de 
tudo. Tens todo o direito de saber, especialmente se ela for para os jornais.  muito capaz disso. Eles adorariam.

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- Ela, provavelmente, tambm. Tens a certeza de que est grvida? Pode estar s a ver o que pode sacar de ti. No me parece ser pessoa de boa ndole.

-  evidente que no . No sei se est realmente grvida ou no, ou sequer se a criana  minha.

- Mas podes mandar fazer os testes de ADN, especialmente se ela estiver disposta a fazer a amniocentese. Podem fazer-lhe os testes nessa altura. Mas ainda  cedo. 
Ela est de quanto tempo?

- Acho que falou em dois meses. Uma coisa desse gnero.

Alex andava com Coop h seis semanas, portanto ele estava a falar verdade quando dizia que andara com a jovem at pouco antes de a conhecer. Duas semanas, no mximo. 
Mas ela no tinha nada a ver com aquilo que ele fizera antes de a conhecer.

- O que  que vais fazer?

Gostara da atitude de grande honestidade de Coop, que os aproximara ainda mais. Ambos sabiam que estas coisas aconteciam. Especialmente no mundo de Coop, a homens 
que eram estrelas e alvos fceis de extorso e chantagem.

- Ainda no sei. De momento, pouca coisa posso fazer, a no ser esperar para ver o que ela faz. Quis avisar-te para estarmos cientes das armadilhas que podem surgir 
no nosso caminho, caso ela v para os jornais.

- Casarias com a rapariga se ela tivesse o beb?

- Ests louca? De modo nenhum. Mal a conheo. E, para alm de umas pernas bonitas e outros atributos afins, daquilo que conheo, no gosto. No estou apaixonado 
por ela, nunca estive, nem nunca estarei. E nem sou parvo nem nenhum samaritano para me casar nestas circunstncias. Na pior das hipteses, terei de dar uma penso 
 criana. Disse-lhe que nunca veria a criana e frisei bem que estava a falar a srio.

Mas isso era outra histria, tinha a ver com a responsabilidade e a moral. Alex sabia que ele teria de rever a situao mais tarde, se Charlene viesse realmente 
a ter a criana. Pelo menos, no estava apaixonado pela rapariga e no fazia tenes de casar com ela. No essencial, este problema, no afectava em nada a relao 
de Coop e Alex.  excepo de algum 

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barulho que poderia surgir, mais tarde, nos tablides, e que no preocupava Alex. A nica coisa que a preocupava era o que Coop sentia por ela.

- Estas coisas acontecem com alguma regularidade. So situaes desagradveis, mas no  o fim do mundo. Sinto-me muito melhor por saber o que se passa e no acho 
que seja um problema assim to grande. Talvez embaraoso, se sair nos jornais. Mas coisas deste gnero esto constantemente a acontecer. Sinto-me muito melhor. - 
E esboou um sorriso de alvio. - Pensei que me fosses dizer que estava tudo acabado entre ns.

- s uma mulher maravilhosa. - Coop recostou-se na cadeira, ao mesmo tempo que soltava um suspiro de alvio e lhe lanava um prolongado olhar de gratido. - Amo-te 
do fundo do corao. Estava com medo que me mandasses dar uma curva e atirar ao rio.

- Pouco provvel. - Nenhum deles almoara, tal a ateno com que haviam seguido a conversa. De repente, ouviu-se um bipe. - Merda! - exclamou Alex, ao olhar para 
a mensagem. Bebeu um gole de caf  pressa e levantou-se. -  uma emergncia... tenho de ir... no te preocupes, vai correr tudo bem... amo-te... telefono-te mais 
logo...

Ela ia j a meio da cafetaria, em passo apressado, quando Coop se ergueu e, com os olhares de toda a gente  sua volta fixos em si, gritou:

- Amo-te!

Alex virou-se para trs, radiante de felicidade, e acenou-lhe, enquanto o funcionrio que limpava as mesas com um pano hmido sorriu para Coop.

O velho actor saiu de corao mais leve e alma renascida. Era uma mulher extraordinria, e apesar do que acontecera, ainda era sua.
CAPTULO 14

Sentado na cozinha, Jimmy analisava uma pilha de papelada que trouxera do trabalho, ao mesmo tempo que tentava arranjar vontade para fazer o jantar. Raramente jantava, 
excepto quando os colegas o convidavam ou quando Mark lhe trazia um hambrguer. No queria saber se comia ou no, se vivia ou no. Passava os dias a desejar que 
chegassem ao fim o mais depressa possvel. E as noites eram interminveis.

J haviam decorrido trs meses desde a morte de Maggie, e comeava a perguntar-se se chegaria a recuperar completamente da morte da esposa. No vislumbrava um fim 
para a angstia que o ia consumindo.  noite, deitava-se na cama e chorava. Nunca adormecia antes das trs ou quatro da manh e, s vezes, j era de dia e ainda 
no conseguira adormecer.

Sabia que mudar-se para esta casa fora uma boa opo, mas o que agora tambm sabia era que trouxera Maggie consigo. Levava-a para todo o lado, no corao, na cabea, 
nos ossos, no corpo. Fazia parte dele, de todos os seus pensamentos e reaces, do modo como olhava para as coisas, parte das suas crenas e desejos. Por vezes, 
sentia-se mais Maggie do que Jimmy. Via tudo atravs dos seus olhos. E aprendera tanto com ela que chegava a interrogar-se se no teria sido por isso que Maggie 
morrera. A dor e as saudades que sentia, dia e noite, eram insuportveis. No havia nada que melhorasse o seu estado de esprito. s vezes, durante algumas horas, 
conseguia libertar-se dessa dor, como quando estava com Mark, ou ia trabalhar, ou treinava a equipa de softball. No entanto, estava sempre ali,  sua espera, como 
uma velha amiga, a dor que o perseguia por todo o lado e procurava venc-lo. De momento, era a dor que ganhava.

Acabara de decidir no fazer nada para o jantar, quando ouviu bater  porta. Levantou-se e foi ver quem era. Estava com um ar cansado e os cabelos em desalinho. 
Esboou um sorriso quando deparou com Mark. Ultimamente, via-o com menos frequncia, porque andava sempre ocupado com os filhos. Tinha de cozinhar para eles e ajud-los 
a fazer os trabalhos 

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de casa. Mas telefonava muitas vezes a convid-lo para jantar. Jimmy gostava de Jessica e de Jason, achava-os divertidos. Tambm eles o faziam sentir-se mais s. 
Lembravam-lhe que ele e Maggie deveriam ter tido filhos. Nunca mais poderia t-los, nem sentir os braos dela a enlearem-no.

- Comprei comida. Lembrei-me de passar por aqui para ver se queres jantar connosco. - s vezes, como Mark bem sabia, o melhor era aparecer de repente e pux-lo para 
fora da "toca". Isolava-se muito. Mark sabia que Jimmy estava a passar um mau bocado. E, ultimamente, parecia pior. Dava a impresso de que, com a chegada do bom 
tempo, com o cheiro a Primavera por todo o lado, se sentia ainda mais s.

- No... tudo bem... em todo o caso, obrigado... Trouxe uma porrada de coisas do trabalho. Passo a vida em visitas domicilirias e nunca consigo arranjar tempo para 
pegar nas coisas que tenho no escritrio.

Tinha um ar plido e cansado. Mark conhecia bem o sofrimento por que ele passava. Mas as coisas haviam melhorado substancialmente para si, com a chegada dos filhos. 
S esperava que a Jimmy acontecesse tambm algo de positivo. Era um tipo simptico, bem-parecido e inteligente. Ultimamente, nem sequer haviam batido umas bolas 
de tnis. Os midos mantinham-no muito ocupado e no dispunha de tempo livre.

- Mas, de qualquer forma, tens de comer. Porque  que no me deixas preparar qualquer coisa? Vou fazer costeletas e hambrgueres. - O regime alimentar era pouco 
variado. J prometera aos midos comprar um livro de cozinha para aprender a fazer outros pratos.

- A srio, estou bem - retorquiu Jimmy, com ar cansado. Sabia que Mark estava a tentar ajud-lo, mas no lhe apetecia conviver. H meses que assim era, e ultimamente 
piorava. Nem sequer ia ao cinema. A ltima vez que vira um filme fora na companhia de Maggie. Dava a impresso de que no queria fazer a sua vida normal, para no 
lhe ser infiel.

- Oh, quase me esquecia... - disse Mark, com um largo sorriso. - Tenho uma notcia bombstica sobre o nosso senhorio. - E passou-lhe o exemplar de um jornal. Era 
uma

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notcia desagradvel, mas estava deleitado com ela. - Pgina dois.

Jimmy abriu o tablide e ficou surpreendido.

- Que bronca! - Havia uma fotografia de Coop que cobria meia pgina e, ao lado, outra de uma mulher sensual, de longos cabelos negros e olhos asiticos. O artigo 
estava recheado de alegados pormenores e insinuaes acerca do apaixonado romance, da criana adorvel que vinha a caminho, de mexericos sobre Coop e uma lista de 
mulheres conhecidas com quem ele mantivera ligaes. - Ca breca! - exclamou, com um sorriso de espanto, enquanto devolvia o jornal a Mark. - Ser que Alex j viu 
isto? No  muito divertido andar com um tipo que est metido numa alhada destas. E ela parece ser mulher de plo na venta.

- No acho que v haver grande problema entre eles conjecturou Mark. - Andam um com o outro h pouqussimo tempo. As mulheres com Coop no parecem aquecer o lugar 
por muito tempo. Desde que c estou, j vi para a umas trs. Torna as coisas mais interessantes.

- Pelo menos, para ele. Aposto que est borrado de medo com aquela coisa do beb. - No conseguiu conter uma gargalhada. - Ser pai com esta idade deve ser c uma 
sensao!

- Ter perto de noventa anos quando o mido for para a faculdade.

- E, se calhar, ainda vai dormir com algumas colegas do filho - aventou Jimmy, deliciado com o contedo do artigo. Quando Mark se despediu, Jimmy prometeu ir jantar 
com eles no fim-de-semana.

Nessa noite, ao jantar, discutindo o artigo com Alex, Coop no estava com um ar to divertido. O facto de a notcia ter sado no jornal deixara-o extremamente irritado. 
Contudo, sentia tambm algum alvio por ter avisado Alex com antecedncia.

-J saste um ror de vezes nos tablides. Faz parte da tua profisso. Se no fosses quem s, ningum estaria interessado em saber com quem dormes.

-  uma sacanice da parte dela ir para os jornais.

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- Era de esperar - Alex tentava acalm-lo, assegurando-lhe que este problema no a afectava minimamente. As pessoas acabariam por esquecer. - Nem toda a gente l 
jornais. - Coop sentia-se aliviado por ela se mostrar to compreensiva. As coisas assim ficavam muito mais fceis.

Nessa noite, foram comer uma piza e Alex fez todos os possveis para o distrair. Mas no foi tarefa fcil. Coop estava mal-humorado. Quando voltaram para casa, convidou-a 
para o acompanhar  cerimnia de entrega dos scares. Alex ficou perplexa e, ao mesmo tempo, deleitada. Depois, o seu semblante adquiriu um ar preocupado.

- Terei de ver se me posso ausentar do hospital. Acho que estou de servio.

- No podes trocar? - J conhecia o esquema.

- Vou tentar. Tenho feito muitas trocas ultimamente. Estou a esgotar o estoque.

- Mas esta  uma festa de arromba. - Coop fazia votos para que Alex fosse. No queria apenas a sua companhia, queria tambm ser visto com ela. Alex emprestar-lhe-ia 
a aura de respeitabilidade de que precisava para contrapor  porcaria que Charlene andava a vomitar. Mas no queria explicar-lhe isso. Essas eram as maquinaes 
internas de Hollywood e achava que devia poupar-lhe os pormenores.

Alex ia passar novamente a noite com ele, embora, inicialmente, se tivesse mostrado um pouco relutante. Mas Coop sentia-se constrangido no apartamento, que se encontrava 
sempre num autntico caos. Mais parecia um gigantesco cesto de lavandaria do que um apartamento. Coop chamava-lhe "o cesto da roupa suja". E Alex adorava estar no 
Palacete. Sentia um prazer imenso em nadar  noite e no se importava nada de encontrar os filhos de Mark na piscina. O lugar transmitia-lhe tranquilidade. Era fcil 
perceber porque  que Coop tinha uma adorao especial pela propriedade.

Dois dias depois, Alex disse-lhe que j conseguira arranjar a troca para poder ir  cerimnia. Entretanto, ficou em pnico quando se apercebeu de que no tinha nada 
para vestir, nem tempo para ir s compras. O seu nico vestido de noite era o que usara para ir  festa dos Schwartz. E precisava de uma roupa mais chique, j que 
ia  cerimnia da entrega dos scares na companhia de Cooper Winslow.

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- Nunca na vida me passou pela cabea ir a uma coisa dessas - disse, soltando uma risada, enquanto se aninhava ao lado de Coop, que estava radiante por ela o poder 
acompanhar. Entretanto, num outro jornal, surgira mais um artigo sobre Charlene. O bombardeamento intensificava-se. Coop, porm, estava feliz por poder partilhar 
um evento daquela envergadura com Alex. - No sei se sabes, mas no tenho nada para vestir. Se calhar, vou ter de levar a farpela com que ando no hospital. At l, 
no tenho muito tempo para ir s compras.

- Deixa isso comigo - retorquiu Coop, misteriosamente. Sabia muito mais de roupa do que ela. J fizera o guarda-roupa de muitas mulheres. Era uma das coisas em que 
era perito. Alm de ser um mos-largas.

- Se comprares qualquer coisa, fao questo de pagar recordou-lhe Alex. No tinha a menor inteno de se transformar numa mulher monetariamente dependente do amante. 
E, ao contrrio das outras mulheres com quem Coop andara, Alex podia pagar as suas prprias extravagncias e fazia sempre questo disso. No entanto, apreciara o 
facto de Cooper se ter oferecido para lhe comprar a roupa que levaria  cerimnia.

Nessa noite, Alex sonhou que estava num baile com um enorme vestido de noite e que rodopiava pelo salo, conduzida por um prncipe de imensa beleza. Esse prncipe 
era Coop. E estava a comear a sentir-se uma princesa dos contos de fadas. O facto de uma das sbditas ir ter um filho dele no a preocupava minimamente.
CAPTULO 15

A noite da cerimnia de entrega dos scares chegou mais depressa do que Alex esperava. Haviam-se passado duas semanas desde que Coop a convidara, e, este ano, realizava-se 
mais tarde do que era costume: na terceira semana de Abril. E, fiel  sua palavra, o velho actor arranjara-lhe um vestido fabuloso no Valentino. Era de cetim azul-escuro, 
decote em V e justo ao corpo, realando a sua silhueta de traos perfeitos. Conseguira ainda um casaco de pele de zibelina, cedido pela Dior, alm de um colar de 
safiras, que a deixou sem respirao, com uma pulseira e um par de brincos a condizer.

- Sinto-me como a Gata Borralheira - disse Alex, passeando-se com o vestido diante de Coop. Este contratara tambm um cabeleireiro e um maquilhador. E, para poupar 
tempo, Alex vestiu-se no Palacete.

Quando chegou do hospital, mais parecia uma pedinte. Trs horas depois, estava deslumbrante, como uma princesa. Melhor do que isso. Parecia uma jovem rainha, ao 
descer a escadaria principal. Coop aguardava-a ao fundo das escadas, de sorriso nos lbios. Estava deslumbrante. Tudo nela deixava transparecer a aristocrata que 
efectivamente era. Quando se olhou ao espelho, ficou espantada ao aperceber-se de que estava parecida com a me. Lembrava-se de a ter visto ir a bailes assim vestida. 
At se lembrava de um vestido azul semelhante a este. Mas nem mesmo a me alguma vez tivera safiras como as que a Van Cleef & Arpeis cedera a Coop. Eram enormes 
e ficavam-lhe espantosamente bem.

- Uau! - exclamou Coop, fazendo uma vnia. Envergava um dos muitos casacos de cerimnia que possua, mandado fazer no seu alfaiate de Londres. Os sapatos eram de 
pele e os botes de punho tinham safiras. Haviam sido um presente de uma princesa saudita, cujo pai fizera os possveis e os impossveis para evitar que ela casasse 
com Coop. Por aquilo que ele dizia, o pai teria preferido vend-la a v-la como Mrs. Cooper. - Ests espantosa, meu amor!

171
Nada do que Coop lhe dissera a preparara para a grande agitao com que iria deparar-se na cerimnia. Ainda era dia quando chegaram. Havia uma comprida passadeira 
vermelha  entrada e uma interminvel fila de limusinas  espera que os convidados ilustres sassem. Mulheres deslumbrantes, de vestidos lindssimos e jias de brilho 
ofuscante, eram a norma, enquanto os reprteres se acotovelavam para as fotografar. Muitas delas, actrizes bem conhecidas, haviam acompanhado Coop noutras ocasies, 
mas este ano preferira ir com Alex, que significava muito mais para si. Eram o eptome da respeitabilidade aristocrtica  medida que avanavam lentamente pela passadeira 
vermelha. Alex, de brao dado com Coop, seguia nos seus sapatos de salto alto de cetim azul-escuro, esboando tmidos sorrisos, enquanto eram disparados centenas 
de flashs. Coop no lhe dissera, mas Alex lembrava-lhe Audrey Hepburn em Boneca de Luxo. Ele acenava para as cmaras, como se de um chefe de estado se tratasse. 
Enquanto isto, na ala de hspedes do Palacete ouvia-se um coro de exclamaes.

- Oh, meu Deus!...  ela!...  a... como  que ela se chama?... Alex!!! E ele! - gritou Jessica, apontando para o televisor, ao mesmo tempo que todas as cabeas 
se voltavam. Jimmy assistia  cerimnia, tal como j acontecera aquando da entrega dos Globos de Ouro, na companhia de Mark. Est deslumbrante! - como a conhecia, 
Jessica estava mais excitada por ver Alex do que as estrelas de cinema.

- Est magnfica! - exclamou Mark, de olhos fixos em Alex, tal como todos os outros. - Gostava de saber onde  que ela arranjou o colar.

- Se calhar, emprestaram-lho - aventou Jimmy, ainda sem perceber o que ela via em Cooper. Achava que era uma estupidez da parte de Alex andar com um homem como Coop. 
Merecia coisa melhor.

- Nunca me apercebi de que fosse to bonita. Est um espanto, assim vestida! - comentou Mark.

S a vira de cales e T-shirt na piscina e na noite em que pegara fogo aos arbustos. Mas, com aquele vestido, tinha de admitir, estava impressionante. Comeava 
a olhar para as mulheres com outros olhos, ao contrrio de Jimmy, cujo interesse 

172
pelo sexo oposto parecia ter morrido com Maggie. Mas Mark ainda no comeara a sair com ningum. Apenas olhava. De qualquer forma, no tinha tempo, andava demasiado 
ocupado com os filhos.

Coop e Alex desapareceram do ecr e entraram na sala onde iria desenrolar-se a cerimnia. Voltaram a v-los mais tarde, j sentados: um grande plano de Alex a rir 
e a segredar qualquer coisa ao ouvido de Coop, que soltou uma gargalhada como resposta. Pareciam muito felizes na companhia um do outro. Mais tarde, os fs viram-nos 
entrar na festa da Vanity Fair, no Morton's. Alex vestia o casaco de pele de zibelina e emanava o mesmo glamour de qualquer estrela de cinema. Talvez at mais, pois 
era autntico.

Passara uma noite fabulosa e no encontrava palavras para agradecer a Coop. Regressavam a casa no Bentley, conduzido por um motorista. O descapotvel Azure j se 
fora h muito, porque Coop no tinha dinheiro para o comprar. Mas a limusina Bentley, de uma elegncia mpar, era sua h vrios anos.

- Que noite incrvel! - No estava em si de contente. Eram trs da manh. Vira todas as estrelas de que j ouvira falar, e embora nunca houvesse tido nenhuma fixao 
por estrelas de cinema, tinha de admitir que fora excitante. Especialmente na companhia de Coop, que lhe contara muitos dos mexericos do mundo do cinema, e a apresentara 
a muita gente que ela j vira nalguns filmes. Sentia-se como a Gata Borralheira. - Tenho a impresso de que o coche se vai transformar numa abbora - gracejou, encostando-se 
mais a ele. - Tenho de estar no hospital dentro de trs horas. Se calhar,  melhor nem me deitar.

-  uma opo. Estiveste magnfica, Alex. Todos pensaram que eras uma nova estrela. Se calhar, amanh, ters uma dzia de produtores a mandarem-te guies.

- No  provvel - retorquiu Alex, soltando uma gargalhada, ao mesmo tempo que saa do carro. Era reconfortante chegar a casa depois de uma noite to longa. Tivera 
uma noite como nunca sonhara, graas a Coop, que fizera tudo o que lhe fora possvel para a tornar memorvel: o cabeleireiro, o maquilhador e o colar de safiras.

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- Devia t-lo comprado - afirmou Coop, arrependido, quando Alex lhe devolveu o colar, que guardou no cofre, juntamente com os brincos e a pulseira. - Quem me dera 
poder.

Custava trs milhes de dlares, como Alex verificara na etiqueta. Uma nota preta. Era a primeira vez que Coop admitia haver coisas que estavam para alm das suas 
posses. Se bem que, neste caso, estaria para alm das posses de muito boa gente. No ficou surpreendida e, de qualquer forma, tambm no o teria aceite. Foi divertido 
us-lo. Louise Schwartz tambm usara um semelhante, se bem que maior. Coop sabia que Louise tinha um igual, mas com rubis. Ela tambm estivera deslumbrante num vestido 
espectacular, feito propositadamente por Valentino.

- Bem, princesa, vamos para a cama? - perguntou Coop, enquanto tirava o casaco e a gravata. Continuava to elegante como no incio da noite.

-J sou outra vez a Gata Borralheira? - indagou Alex, ensonada, enquanto subia as escadas com os sapatos na mo. Parecia uma princesa exausta.

- No, meu amor, nem nunca sers.

Para Alex, estar com ele era como viver um conto de fadas. Por vezes, tinha a sensao de que tudo o que a rodeava era irreal. Tinha de se lembrar que trabalhava 
num hospital com bebs prematuros doentes e que vivia num apartamento a abarrotar de roupa suja. Embora tivesse outras opes, h muito que resolvera rejeit-las. 
O glamour e as nicas extravagncias que tinha eram-lhe proporcionados por Coop.

Adormeceu nos braos dele ao fim de pouco tempo. Quando o despertador tocou, s cinco da manh, deu meia volta, preparando-se para continuar a dormir, mas Cooper 
empurrou-a delicadamente para fora da cama e disse-lhe que telefonaria mais tarde. Vinte minutos depois, j estava ao volante do seu carro velho, ainda meio ensonada. 
A noite anterior continuava a parecer-lhe um sonho. At se ver nos jornais da manh, que exibiam uma enorme fotografia sua ao lado de Coop.

-  parecida consigo - disse uma das enfermeiras.

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E, de repente, fez um ar de espanto, ao ver o nome dela sob a fotografia: Alexandra Madison. Coop esquecera-se de dizer aos jornalistas que ela era mdica, e Alex 
tinha gracejado com ele, dizendo que trabalhara muito pelo ttulo e esperava que ele lhe desse uso.

"No lhes posso dizer que s a minha enfermeira psiquitrica?", perguntara Coop, gracejando tambm. Alex exibia um ar radiante nas fotografias, de mo dada com Coop, 
que sorria. Era uma forma de dizer a toda a gente que tudo estava bem com ele e que no precisava de esconder-se. Fora essa a mensagem que tentara fazer passar, 
e o seu agente de imprensa deu-lhe os parabns ao fim da manh.

- Foi ptimo para a sua imagem, Coop.

Sem dizer uma palavra, a fotografia contrariava todas as porcarias e boatos veiculados pelos tablides. A mensagem subliminar era a de que, apesar dos rumores de 
ter engravidado uma actriz porno de segunda, continuava o mesmo homem ntegro e a andar com mulheres respeitveis.

Saiu ainda uma outra fotografia deles no jornal da tarde. Quando Coop telefonou a Alex, disse-lhe que vrios colunistas sociais de jornais respeitveis, no de tablides, 
lhe haviam telefonado.

- Querem saber quem s.

- E disseste-lhes?

- Claro. E, desta vez, disse-lhes que eras mdica. Tambm queriam saber se nos vamos casar. Respondi-lhes que ainda era muito cedo para tecer comentrios a esse 
respeito, mas que s a mulher da minha vida e que te adoro.

- Bem, isso vai mant-los ocupados durante algum tempo - comentou Alex, enquanto levava um copo de plstico de caf frio  boca. Acabara de fazer doze horas seguidas, 
mas o dia fora relativamente calmo. Sentia-se mais cansada do que esperara. No estava habituada a andar na farra toda a noite e a trabalhar o dia todo. Coop dormira 
at s onze, depois, fora ao massagista,  manicura e ao barbeiro. - Fizeram alguma pergunta acerca do beb? - indagou, preocupada. Sabia que o assunto o aborrecia.

- Nem uma palavra. - Tambm no voltara a ter notcias de Charlene, que andava demasiado ocupada a dar entrevistas aos tablides.

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Porm, duas semanas depois, o advogado dela contactou-o. O ms de Maio dava ainda os primeiros passos e Charlene dizia estar grvida de trs meses. Queria uma penso 
de gravidez, e estava disposta a comear a negociar a penso de alimentos para si e para a criana.

- Penso de alimentos? Por um caso de trs semanas? Est louca! - indignou-se Coop, em conversa com o seu advogado. Mas Charlene alegava que no podia trabalhar 
at ter a criana; estava permanentemente com enjoos. - Mas para dar as entrevistas j no tem enjoos. Meu Deus, esta mulher  um monstro!

- Reze para que o beb no seja o seu monstrinho ripostou o advogado. Concordaram, ento, que a penso estaria sempre dependente do facto de ela fazer uma amniocentese 
que inclusse testes de ADN. - Quais so as hipteses do beb ser seu, Coop?

- Cinquenta por cento. As mesmas de qualquer outra pessoa. Dormi com ela, e o preservativo rompeu-se. Que hipteses tenho de ganhar a causa?

- Terei de estudar o caso primeiro - respondeu o advogado, num tom sombrio. - No quero ser grosseiro, mas, como se costuma dizer: "Da fama j no se livra!" Espero 
que tenha muito cuidado agora, Coop. Vi-o com uma mulher muito bonita, nos scares.

- E muito inteligente - acrescentou, orgulhoso.  mdica.

- E espero bem que no seja uma garimpeira como a ltima, que tambm  muito bonita. Tem traos euro-asiticos, no tem? Mas, seja como for, o corao parecido com 
uma caixa registadora. O resto era melhor?

- No me lembro - respondeu, e passou logo  defesa de Alex. - A minha amiga mdica  tudo menos garimpeira. Com a famlia que tem, no precisa de mim para nada.

- A srio? Quem  a famlia dela?

- O pai  o Arthur Madison.

O advogado soltou um assobio de espanto.

- Interessante. J teve notcias dele, desde que surgiu esta histria da gravidez da rapariga?

- No.

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- Mais cedo ou mais tarde, vai entrar em cena. Ele j sabe que voc anda com a filha?

- No sei. Ele e Alex no parecem entender-se muito bem.

- No  nenhum segredo. Vocs os dois aparecem em todos os jornais nacionais.

- Podia ter acontecido algo pior. - E j acontecera. Charlene aparecia em todos os tablides.

Uma semana depois, foi a vez de Alex aparecer tambm nos tablides. Continuavam a explorar a histria da gravidez de Charlene, s que agora acrescentavam fotografias 
de Alex s de Coop e Charlene. Parecia uma rainha, e as manchetes, como era de esperar, eram horrveis. Mark continuava a comprar todos os jornais para mostrar a 
Jimmy. Jessica estava encantada com Alex, que encontrava regularmente na piscina. Tinham-se tornado amigas, embora Alex no falasse disso com Coop. Sabia o que ele 
pensava dos midos e, alm de mais, achava que ele j tinha aborrecimentos suficientes.

Ultimamente tambm Abe telefonara vrias vezes a Coop, a lembrar-lhe que andava a gastar demasiado dinheiro, e preocupado com a penso que teria de pagar a Charlene.

- Voc no est em condies econmicas de pagar uma penso, Coop. Alm disso, se falhar um pagamento que seja, ela espeta consigo na cadeia.  assim que as coisas 
funcionam. E, por aquilo que me  dado observar,  mulher para isso.

- Obrigado pela boa notcia, Abe.

Coop andava a gastar menos dinheiro do que era costume, porque Alex tinha gostos simples, mas segundo o contabilista continuava numa situao deficitria.

-  melhor casar com a Madison - gracejou Abe, perguntando-se se no seria devido  sua difcil situao econmica que Coop andava com ela. Dado Alex pertencer  
famlia a que pertencia, era difcil imaginar que assim no fosse. Porm, a cada dia que passava, o velho actor estava mais convencido de que a amava.

Liz tambm lhe telefonara por causa do falatrio que vinha nos tablides. Sentia-se revoltada.

- Que situao mais degradante! Nunca devia ter andado com ela, Coop!

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- A quem o diz!... E o seu casamento, como  que vai?

- Estou a adorar, embora me esteja a custar um pouco habituar a So Francisco. Estou sempre com frio, e a cidade  demasiado calma para meu gosto.

- Bem, nesse caso, pode deixar o seu marido e voltar para mim. Estou sempre necessitado dos seus prstimos.

- Obrigada, Coop. - Vivia feliz com Ted e adorava as filhas dele. S estava arrependida de no ter casado h mais tempo. Sacrificara-se muito por Coop. Adoraria 
ter tido os seus prprios filhos, mas agora era demasiado tarde. Aos cinquenta e dois anos, tinha de se contentar com as filhas de Ted. - Como  Alex?

- Um anjo misericordioso - respondeu Coop, sorrindo. -  aquela pessoa que est sempre ao nosso lado. A Audrey Hepburn. O doutor Kildare.  espectacular. Voc iria 
gostar dela.

- Venham passar o fim-de-semana a So Francisco.

- Adoraria, mas ela passa o tempo no hospital. Tratava-se de uma ligao estranha, no conseguiu Liz

deixar de pensar, mas Alex era indubitavelmente muito bonita. E os jornais diziam que tinha trinta anos, a idade mxima de que Coop gostava numa mulher.

Perguntou-lhe ainda se estava com muito trabalho. No o vira aparecer em nenhum filme, nem to-pouco em qualquer anncio publicitrio. Coop j falara com o seu agente 
a esse respeito, mas no havia nada em perspectiva. Como o agente lhe dissera, j no era propriamente um jovem.

- Estou a trabalhar menos do que gostaria, mas tenho alguns papis em perspectiva. Esta manh falei com trs produtores.

- O que voc precisa  de um papel principal. Depois, todos o querero contratar. Sabe bem que os produtores so uma cambada de medrosos, Coop. - Liz no lho quis 
dizer, mas ele precisava de um papel importante como pai de algum. O problema era que Coop s aceitava ser o actor principal, e ningum queria contrat-lo para 
esse efeito. Coop no se imaginava a fazer papel de velho e era por isso que se sentia to bem na companhia de Alex. Nunca lhe passara pela cabea que tinha mais 
quarenta anos do que ela.

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nem a Alex. Ao princpio, ainda ponderara esse assunto. No Intanto,  medida que o ia conhecendo melhor e ficando cada vez mais apaixonada, nunca mais pensou nisso. 
Nesse fim-de-semana, estavam deitados no terrao a conversar, quando o bipe tocou. Ao olhar para o visor, Alex viu que no era do hospital. Reconheceu de imediato 
o nmero mas s ao fim de meia hora pegou no telemvel para fazer o telefonema. Coop estava estendido numa cadeira de lona, a seu lado, lendo o jornal e ouvindo 
vagamente a conversa.  - Sim, tudo bem. Diverti-me bastante. Como  que ests? - No fazia a menor ideia com quem ela falava, mas a troca de palavras no parecia 
muito amigvel, e Alex estava de sobrolho franzido. - Quando?... Acho que estou de servio... podemos encontrar-nos  hora de almoo no hospital, se ficar algum 
a substituir-me. Quanto tempo vais ficar por c?... ptimo... at tera!

No sabia se Alex estivera a falar com um amigo, ou com um advogado, mas fosse como fosse, estava com cara de poucos amigos.

 - Quem era? - perguntou, confundido. - O meu pai. Vem a Los Angeles, na tera-feira, por causa de uma reunio. Quer encontrar-se comigo. - Deve ser um encontro 
interessante. Disse alguma coisa a meu respeito?

- S que me viu nos scares. Nunca referiu o teu nome. Est a guardar-se para mais tarde.

- Achas que o levemos a jantar fora? - perguntou

Coop, prontificando-se a tomar a iniciativa de o convidar, embora o enervasse pensar que o homem era mais novo do que ele, e muito mais importante. Arthur Madison 
no era s dinheiro, era tambm poder.

- No! - respondeu Alex. Estava de culos escuros, de modo que Coop no conseguia vislumbrar a expresso dos seus olhos. Mas no era certamente uma expresso efusiva 
por voltar a ver o pai. - De qualquer forma, obrigada. Encontro-me com ele ao almoo, no hospital. Parte no avio logo a seguir  reunio. - Coop sabia que o velho 
Madison tinha o seu prprio Boeing 727.

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- Talvez para a prxima vez - disse, reparando que Alex no mostrava qualquer vontade de que o encontro se realizasse. Dez minutos depois, foi chamada ao hospital 
para um caso de urgncia.

S voltou  hora do jantar, aproveitando, ento, para dar um salto at  piscina, onde encontrou Jimmy, Mark e os filhos. E, pela primeira vez desde que o conhecera, 
achou Jimmy mais animado. Os midos ficaram delirantes ao v-la. Jessica teceu-lhe um elogio, dizendo que estava muito bonita na cerimnia da entrega dos scares.

- Foi muito divertido - afirmou Alex, com ar descontrado, depois de nadar durante meia hora. Enquanto Jessica e Mark faziam companhia a Alex na piscina, Jimmy e 
Jason treinavam lanamentos de basebol. Jimmy explicava a Jason como corrigir o lanamento.

Dez minutos depois, quando Jessica interrogava Alex acerca do modo como as estrelas se tinham apresentado na cerimnia, uma bola passou que nem um mssil sobre as 
suas cabeas, direitinha  janela da sala de estar de Coop.

- Merda! - exclamou Mark, entre dentes, perante o olhar espantado de Jessica e Alex.

- Que tirao! - gritou Jimmy para Jason, eufrico, antes de se aperceber do local onde a bola cara. O som de vidros partidos pontuou a sua exclamao, enquanto 
Mark e Alex olhavam um para o outro, e Jason ficava tomado de pnico.

Em questo de segundos, Coop apareceu na piscina, mal podendo conter a fria.

- Esto a treinar para os Yankees, ou foi apenas um acto de vandalismo? - Dirigia-se a todos, deixando Alex constrangida. No havia dvidas: Coop detestava barafunda 
e crianas.

- Foi um acidente - justificou Alex, calmamente.

- Por que diabo andas a atirar bolas de basebol s minhas janelas? - perguntou Cooper a Jason, em tom irado. Reparara que era ele que tinha a luva, por isso no 
havia qualquer dvida sobre quem realizara o lanamento. Jason estava de lgrimas nos olhos e tinha a certeza de que iria ter chatice com o pai, que j o avisara 
para no fazer nada que aborrecesse Mr. Winslow.

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- Fui eu, Coop. Peo imensa desculpa - acusou-se Jimmy. Estava de corao destroado face  atrapalhao do seu jovem amigo e Coop pouco podia fazer contra si. - 
Eu mando substituir os vidros.

- Espero bem que sim. Se bem que no acredite em si. Acho que foi aqui o jovem Mister Friedman que atirou a bola. - Coop olhou para Jason, depois para Mark e, de 
novo, para Jimmy, enquanto Alex saa da piscina e agarrava na toalha.

- Eu mando substituir os vidros, se quiseres - ofereceu-se Alex. - Ningum fez de propsito.

- Mas isto aqui no  nenhum campo de treinos - retorquiu Coop, ainda irado. - Aquelas janelas levaram uma eternidade a fazer e a instalao  praticamente impossvel. 
Eram janelas em arco abatido, feitas propositadamente para a casa. O arranjo ia custar uma fortuna. - Controle um pouco mais os seus midos, Friedman - admoestou, 
num tom desagradvel, e voltou para casa.

- Desculpem - disse Alex, em voz baixa. Era uma faceta de Coop de que no gostava, mas o velho actor avisara vrias vezes que detestava crianas.

- Que cara de cu! - exclamou Jessica, em voz alta. -Jessie! - repreendeu Mark, enquanto Jimmy olhava para Alex.

- Concordo com ela, mas lamento o sucedido. Devamos ter ido para o campo de tnis. Nunca pensei que ele atirasse uma bola contra a janela.

- No faz mal - retorquiu Alex. - S que Coop no est habituado a lidar com crianas. Gosta de tudo calmo e no seu stio.

- Mas a vida no  assim - contraps Jimmy. Lidava com crianas todos os dias e nunca havia calma ou perfeio, mas era isso mesmo que ele adorava. - Pelo menos, 
a minha no .

- Nem a minha - corroborou Alex -, mas a dele . Ou gosta de pensar que . - Todos se lembraram da confuso que andava nos tablides. - No te preocupes, Jason. 
 s uma janela. No  uma pessoa. As coisas podem substituir-se. As pessoas, no.

- Tem razo - concordou Jimmy, em voz sumida.

- Desculpe... no me referia a isso... - Alex ficou horrorizada.

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- Referia, sim. E tem toda a razo. s vezes, todos ns nos esquecemos disso. Ligamo-nos demasiado s nossas "coisas". As pessoas  que importam. O resto  conversa.

- Lido com essa realidade diariamente - disse Alex, e Jimmy fez um gesto de concordncia com a cabea.

- Aprendi essa lio da maneira mais difcil. - E esboou um sorriso. Gostava dela. No conseguia perceber o que a atraa num homem que era s ostentao e pretensiosismo. 
Tudo nela parecia sincero e verdadeiro. - Obrigado por ter sido to simptica com o Jason. Tentarei resolver o assunto da melhor maneira.

- No, eu  que vou tratar do assunto - interrompeu Mark. - Ele  meu filho. Eu  que pago o arranjo. E tenham mais cuidado, da prxima vez - acrescentou, dirigindo-se 
a Jason e a Jimmy.

- Desculpa, pap - retorquiu Jimmy, e todos se riram. Jason safara-se ileso da situao, s no se livrara do ralhete de Coop. Sempre esperara que o pai o matasse, 
quando viu a bola entrar pela janela dentro. - De qualquer forma, foi um bom lanamento. Estou orgulhoso de ti.

- No vamos abusar - atalhou Mark. No queria dar a Coop qualquer desculpa para que os pusesse na rua. - De agora em diante, vamos limitar os desportos de bola ao 
campo de tnis. Combinado?

Tanto Jason como Jimmy fizeram que sim com a cabea, enquanto Alex vestia os cales e a T-shirt por cima do fato de banho molhado.

- At logo, rapaziada! - despediu-se, com os cabelos molhados a carem-lhe pelas costas. Os dois homens ficaram de olhos fixos nela e, ao fim de alguns instantes, 
Mark comentou:

- A Jessie tem razo. O velho  mesmo um cara de cu. Mas ela  uma grande mulher. Ele no a merece, por mais bem-parecido que seja. Vai fazer dela gato-sapato.

- Acho que ele vai casar com ela -- acrescentou Jessica, metendo-se na conversa. Gostaria que o pai andasse com algum como Alex.

- Espero bem que no - retorquiu Jimmy, pondo um brao por cima de Jason. E foram os quatro at  ala de hspedes. Mark ia fazer outro churrasco, e Jimmy aceitara 
jantar com eles.

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Entretanto, noutro ponto da casa, Alex chamava a ateno de Coop, que continuava a espumar de raiva.

- Ele no passa de um mido, Coop. No fazias coisas daquelas quando eras mido?

- Nunca fui mido. Nasci de fato e gravata, e saltei logo para o mundo dos adultos, sempre com boas maneiras.

- No sejas cabea-dura - gracejou Alex, enquanto o beijava.

- Porque no? Adoro ter acessos de fria. Alm disso, sabes bem como detesto midos.

- E se te dissesse que estou grvida? - perguntou Alex, com um olhar que quase o deixou sem pinga de sangue.

- Ests?

- No. E se estivesse? Terias de te habituar a ver skates, janelas partidas, fraldas com coc, manteiga de amendoim e po com geleia por todo o lado.  uma coisa 
em que tens de pensar.

- Tenho? Estou a ficar com nuseas. A doutora Madison tem um sentido de humor muito requintado. S espero que o teu pai te d uma sova quando estiver contigo.

- No tenhas a menor dvida - retorquiu Alex, com alguma frieza na voz. - J  costume.

-  o que mereces. - Daria tudo para assistir quele encontro. Mas Alex no o convidara e no tencionava faz-lo. - Quando  o vosso encontro?

- Na tera-feira.

- Porque  que achas que ele se quer encontrar contigo? - indagou, curioso. Estava convencido de que o encontro tinha a ver com ele.

- Veremos - respondeu Alex, enquanto se encaminhavam, de brao dado, para o quarto. Ela sabia como curar os acessos de fria do velho actor. O incidente com a bola 
de basebol j estava praticamente esquecido quando o beijou. Pouco depois, a janela partida era a ltima coisa que poderia passar-lhe pela cabea.
CAPTULO 16

Na tera-feira, o encontro de Alex com o pai correu como todos os outros encontros entre eles.

Arthur Madison chegou cinco minutos mais cedo e esperou por Alex na cafetaria. Era alto e magro, tinha cabelos grisalhos e olhos azuis, e estava de semblante carregado. 
Quando se encontrava com a filha, tinha sempre vrios pontos em agenda. No conseguia conversar, nem sequer lhe perguntava como ela estava. Em vez disso, ia abordando 
os vrios pontos que tinha em mente, como se estivesse a dirigir uma reunio. A nica coisa carinhosa que dizia, e que indiciava haver uma relao de parentesco 
entre eles, era que a me lhe mandava beijos. E esta no era mais afvel, por isso estava casada h tantos anos. Mas o pai  que controlava tudo e todos. Excepto 
Alex. Fora sempre esse o ponto da discrdia.

Mal se encontraram frente a frente, Arthur Madison no perdeu tempo e foi logo directo ao assunto.

- Quero falar contigo acerca do Cooper Winslow. No o quis fazer por telefone.

A Alex, tanto se lhe dava. As suas conversas eram to distantes e inspidas que o facto de serem cara a cara no alterava nada.

- Porqu?

- Pensei que este fosse um assunto suficientemente importante para justificar uma conversa cara a cara. - Para Alex, o facto de ser seu pai justificaria, por si 
s, um encontro, mas ele nunca vira as coisas assim. Tinha de haver sempre um motivo. -  um assunto delicado, e no vou estar com rodeios. - Nunca estivera, tal 
como ela. Neste aspecto, Alex assemelhava-se-lhe. Era frontal e exigente, no s com os outros mas consigo prpria. Seguia determinados princpios de conduta e mostrava-se 
firme nas suas convices. A grande diferena entre eles era Alex ser simptica, e ele, no. Arthur Madison no perdia tempo com emoes e no era homem de meias 
palavras. - O romance entre vocs os dois  coisa sria? - indagou, de sobrolho franzido.

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Conhecia bem a filha. Sabia que ela no lhe mentiria, mas era pouco provvel que lhe dissesse o que sentia por Coop. O assunto s a ela dizia respeito.

- Ainda no sei - respondeu Alex, com alguma cautela. E no era mentira nenhuma.

- Sabes que o homem est atolado em dvidas at ao pescoo?

Coop nunca tocara nesse assunto, mas o facto de ter inquilinos j indiciava que as coisas no iam bem do ponto de vista financeiro. Alm disso, h muitos anos que 
tinha pouco trabalho. Alex presumia que ele tivesse algum dinheiro de parte. E o Palacete valia muito. Mas Arthur sabia que este era o nico bem do velho actor e 
que existia uma enorme hipoteca sobre ele.

- Nunca falei com ele sobre os seus problemas financeiros. No tenho nada a ver com isso. E ele tambm no tem nada a ver com o meu dinheiro.

- J te perguntou alguma coisa sobre os teus rendimentos, ou sobre a herana?

- Claro que no. Ele  uma pessoa educada.

- E tambm bastante astuto.  bem possvel que tenha mandado fazer uma investigao detalhada sobre ti, como o que eu mandei fazer sobre ele. Tenho um dossi completo 
em cima da secretria. E as notcias no so boas. H anos que anda a viver acima das suas possibilidades e tem uma montanha de dvidas. No tem crdito algum. No 
creio que consiga sequer requisitar um livro na biblioteca. E tem jeito para atrair mulheres ricas. J andou com pelo menos cinco.

- Ele tem jeito para atrair todas as mulheres - corrigiu Alex. - Est a querer dizer que ele anda atrs de mim por causa do meu dinheiro? - Alex ficou magoada com 
a insinuao de que Coop a via apenas como uma maneira de resolver os seus problemas financeiros. Sabia bem o quanto ele a amava.

- Estou.  muito possvel que as suas intenes no sejam to puras como gostarias. Est a criar-te falsas iluses. Talvez at inconscientemente. Se calhar, nem 
ele prprio se d conta disso. O homem est numa situao aflitiva. O desespero no  bom conselheiro. Pode at lev-lo a casar contigo, 

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quando, noutra situao, no aconteceria. Alm disso,  demasiado velho para ti. Acho que no fazes a menor ideia daquilo em que te ests a meter. Eu nem sequer 
sabia que andavas com ele. A tua me  que os viu na cerimnia de entrega dos scares. Ficmos bastante chocados. Dava a sensao de que te conhecia h um ror de 
anos. No fez nada que no estivesse adequado  situao, mas j te anda a rondar h muito tempo. E julgo que tambm j deves saber do escndalo com a actriz porno.

- Pode acontecer a qualquer um - retorquiu Alex, calmamente, odiando o pai por todas as palavras que ele proferira, embora mantivesse um ar impassvel. Sempre conseguira 
dissimular todas as suas emoes diante dele.

- Essas coisas no acontecem a homens responsveis. Ele no passa de um playboy. Teve uma vida cheia de extravagncias. No poupou um cntimo sequer. E as dvidas 
ascendem, actualmente, a quase dois milhes de dlares, para j no falar da hipoteca sobre a casa.

- Se ele obtivesse um bom papel num filme - disse Alex, acorrendo em defesa do velho actor -, conseguiria saldar as dvidas. - Amava-o, independentemente daquilo 
que o pai dissesse.

- O problema  que ele no consegue arranjar trabalho. J est com idade a mais. E, mesmo que surgisse uma boa proposta, o que  pouco provvel, iria estoirar o 
dinheiro num abrir e fechar de olhos, como sempre fez.  com uma pessoa destas que queres casar, Alex? Um homem que ir estoirar todos os cntimos que arranjar? 
E, se calhar, at os teus. Porque  que achas que ele anda atrs de ti?  impossvel ele no saber quem tu s e quem eu sou.

-  claro que sabe. Nunca lhe dei um cntimo sequer, e ele tambm nunca me pediu dinheiro.  orgulhoso.

- Ele anda  sempre todo inchado, mais parece um pavo. Como se costuma dizer: "Muita parra, pouca uva..." No tem um mnimo de condies financeiras para te sustentar, 
nem a ti nem a ele. E a mulher que est  espera de beb? Que pensa ele fazer?

- Dar-lhe uma penso. Ainda nem sequer sabe se o filho  dele. Ela vai ter de fazer o teste de ADN em Julho.

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- A mida no o acusaria se o beb no fosse dele.

- Talvez. Mas estou-me nas tintas para isso. No  uma situao agradvel, mas tambm no  o fim do mundo. Estas coisas acontecem. O que me interessa  que ele 
seja bom para mim, e tem sido.

- Porque  que no havia de ser? s rica e solteira, j para no falar no facto de seres uma mulher atraente. Mas, se o teu apelido no fosse Madison, acho que ele 
no gastaria um segundo contigo.

- No acredito em nada disso. Mas nunca viremos a saber, pois no, pap? Sou quem sou e tenho o que tenho, e no vou escolher os homens da minha vida pela conta 
bancria. Ele provm de uma famlia respeitvel.  boa pessoa. Algumas pessoas no tm dinheiro. As coisas so assim mesmo. E estou-me nas tintas para isso.

- Ele  honesto contigo, Alex? Alguma vez te disse que est atolado em dvidas?

Arthur Madison continuava a bater na mesma tecla, tentando minar tudo o que ela pudesse sentir por Coop, e ele por ela. Mas Alex no lhe dava ouvidos. Mesmo sem 
nunca ter visto o saldo da conta de Coop, sabia bem quem ele era, quais as suas virtudes e quais os seus defeitos. E amava-o tal como era. A nica coisa que a preocupava 
era o facto de ele no querer ter filhos. Ao contrrio de si, que ansiava imenso t-los.

J disse que no discutimos questes financeiras, nem dele, nem minhas.

- O homem tem mais quarenta anos do que tu. Se casares com ele, que Deus o proba!, irs acabar por ser sua enfermeira.

 - Talvez seja um risco que tenho de correr. Mas no seria o fim do mundo.

- o que dizes agora. Quando tiveres quarenta anos,: ele ter oitenta, o dobro da tua idade.  ridculo, Alex. V se encaras o problema com alguma sensatez e inteligncia. 
Acho que o homem anda mas  atrs do teu dinheiro., -  repugnante, o que est a dizer - ripostou Alex, em tom crispado.



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- Quem lhe pode levar a mal? Est a precaver-se para a velhice e tu s a sua nica tbua de salvao. A rapariga que vai ter o filho dele no poder sustent-lo. 
Custa dizer isto, mas  mesmo assim que as coisas devem ser vistas. No estou a pedir-te que deixes de o ver, se sentes alguma coisa por ele. Mas, por amor de Deus, 
tem cuidado, e no cases com ele. Se a tua inteno for essa, posso assegurar-te de que farei tudo o que estiver ao meu alcance para o evitar. Falarei com ele, se 
for preciso, e p-lo-ei  tabela. Vai ter um poderoso inimigo em mim.

- Sabia que podia contar com o seu apoio - replicou Alex, com um sorriso cansado.

Mesmo que as intenes do pai fossem as melhores, falava num tom ameaador. Sempre fora assim que lidara com a filha. Era tudo uma questo de poder e de controlo. 
J quando Crter fugira com a irm, horas antes do casamento, Arthur Madison atribura as culpas a Alex, dizendo-lhe que, se ela tivesse lidado com o noivo de outra 
forma, ele nunca teria feito o que fez. Alex  que fora a culpada de tudo. Se bem que Crter tivesse baixado alguns pontos na considerao de Arthur Madison. Investira 
uns bons milhares do dinheiro da mulher na Bolsa e perdera tudo. Felizmente, ela ainda tinha muito de lado. Mas, fosse como fosse, era a prova provada de que no 
era muito inteligente.

- Sei que achas que o que estou a dizer  muito desagradvel, e . Fiquei preocupado com ele e contigo. E, quando comecei as investigaes, fiquei horrorizado com 
o que descobri. Ele pode ser atraente, e ; tem charme, no o nego;  uma companhia divertida, indubitavelmente; mas no te podes deixar iludir. Tudo o resto nele 
 um autntico desastre. E no acredito que, a longo prazo, te possa fazer feliz, se chegar a casar contigo. Nunca se casou. Nunca viu necessidade de o fazer. Depois 
de se divertir com uma mulher, passa  seguinte. No  uma pessoa sria. No  isso que quero para ti. No quero que se aproveite de ti e depois te d um chuto. 
Ou, pior ainda, que se case contigo para resolver necessidades financeiras. Podia estar enganado, mas acho que no - disse, num tom triste.

Mas, fosse como fosse, estas palavras s aumentavam ainda mais a devoo de Alex por Coop. O discurso do pai tivera 

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o efeito contrrio. Ouvir que a dvida de Coop se cifrava naquele montante f-la ter pena do velho actor.

De repente, o bipe tocou. No se tratava de uma urgncia, mas Alex aproveitou o facto como pretexto para terminar com o encontro. No haviam tocado na comida. O 
que ele tinha para dizer era muito mais importante e fazia parte das suas obrigaes de pai. J discutira o assunto com a me, que, como de costume, no queria meter-se. 
Mas incitara-o a falar com Alex. Algum tinha de faz-lo. E ele estava sempre disposto a fazer o trabalho ingrato. Fora uma hora muito desagradvel para ambos.

- Tenho de voltar para o hospital - anunciou Alex, levantando-se.

- Acho que o melhor que tens a fazer  afastares-te. Seres vista com ele s ir prejudicar a tua reputao. Ters todos os caadores de fortunas do mundo atrs de 
ti. - At agora, principalmente devido aos seus prprios esforos e ao seu modo de vida, Alex conseguira evitar isso. As pessoas com quem trabalhava no faziam ideia 
de quem ela era ou, mais importante ainda, de quem era o seu progenitor. Iro seguir o rasto do teu sangue na gua, depois de Winslow te dar com os ps. - Outra 
bonita imagem. Madison via a filha como engodo para os tubares. Alex sabia que o pai se preocupava com ela, mas o modo como se expressava era revoltante. A percepo 
que tinha do mundo afigurava-se-lhe pattica. Suspeitava de toda a gente e s via o lado negativo das coisas. Para ele, era inconcebvel que, independentemente da 
reputao ou situao financeira de Coop, este pudesse estar efectivamente apaixonado por ela. - Vais a Newport no Vero? - perguntou, tentando amenizar o tom da 
conversa.

Alex fez que no com a cabea.

- No posso deixar o trabalho.

Mesmo que pudesse, preferia ficar em Los Angeles. No tinha o menor desejo de ver a me, a irm, Crter ou o pai, ou qualquer um dos seus amigos. H muito que renunciara 
quele mundo. Ficaria na Califrnia com Cooper.

- Vai telefonando - disse Madison, num tom frio, enquanto lhe dava um beijo de despedida.


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- Eu telefono. D cumprimentos  mam.

Esta no vinha ver Alex. Nunca viera. Esperava que Alex fosse visit-la a Palm Beach. No entanto, estava sempre pronta para ir visitar os amigos a qualquer canto 
do mundo. No havia nada em comum entre as duas. A me nunca sabia o que dizer-lhe, por isso, raramente telefonava. Sempre considerara a filha mais velha a ovelha 
negra da famlia, e nunca percebera a sua inclinao pela carreira mdica. Deveria ter ficado em casa e casado com um rapaz bonito de Palm Beach. Apesar de as coisas 
no terem dado certo com Crter, havia muitos outros homens como ele. Mas Alex no queria ningum como Crter. De momento, estava feliz com Coop, apesar de tudo 
o que o pai dissera.

Arthur Madison acompanhou a filha at ao elevador e, mal as portas se fecharam, virou-se e foi-se embora, enquanto Alex fechava os olhos, ao mesmo tempo que sentia 
o corpo entorpecido. O pai provocava sempre esse efeito nela.
CAPTULO 17

Enquanto Alex se encontrava com o pai, Coop descansava debaixo de uma rvore, junto  piscina. Tinha o cuidado de no se expor ao sol, para proteger a pele. Essa 
era uma das razes por que parecia nunca envelhecer. Adorava a tranquilidade da piscina durante a semana. No se via vivalma em redor. Mark e Jimmy tinham ido trabalhar, 
e os midos estavam na escola. Com ar pensativo, tentava imaginar o que Arthur Madison estaria a dizer. Tinha quase a certeza de que o tema da conversa era ele. 
E no alimentava a menor dvida de que o velho Madison no daria o aval ao seu romance com a filha. S esperava que Alex no viesse aborrecida do encontro. Mas at 
Coop se via forado a admitir que Madison, enquanto pai, tinha motivos para estar preocupado. J devia saber dos graves problemas financeiros que o afligiam.

Pela primeira vez na vida, Coop estava aborrecido com o que algum poderia pensar dele. Apesar das dificuldades financeiras que enfrentava, fora sempre de uma grande 
honestidade para com Alex e nunca tentara aproveitar-se dela, embora essa ideia ainda o houvesse assaltado. Alis, comeava a suspeitar que estava mesmo apaixonado 
por ela, fosse qual fosse o significado da palavra paixo. Ao longo dos anos, o termo significara coisas diferentes. Ultimamente, era sinnimo de uma relao tranquila 
e sem sobressaltos. s vezes, o facto de sentir que gostava de Alex era suficiente. Havia tantas mulheres da laia de Charlene...

Era muito mais reconfortante estar com Alex, uma mulher justa, meiga, divertida, e sem grandes exigncias. E como era auto-suficiente do ponto de vista financeiro, 
Coop sabia que, se ficasse numa situao econmica desesperada, poderia contar com ela. O dinheiro de Alex era como um fundo de garantia. Ainda no precisava dele, 
mas poderia vir a precisar. No era por isso que a namorava, mas o seu dinheiro dava-lhe uma certa segurana.

A nica coisa que no lhe agradava era o facto de ela querer filhos. Um mal terrvel. E uma pecha na sua relao.

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No se podia ter tudo. Talvez o facto de ser filha de Arthur Madison fosse suficiente para servir de compensao. Ainda no pensara a srio nesse assunto. Mas, mais 
cedo ou mais tarde, teria de faz-lo. Alex ainda no o pressionara nesse sentido.

Quando voltou para casa, Coop deu de caras com Paloma, que limpava o p, ao mesmo tempo que comia uma sanduche. E, enquanto o fazia, ia deixando cair pingos de 
maionese em cima do tapete. Coop chamou-lhe a ateno para esse facto.

- Desculpe - replicou Paloma, enquanto pisava a ndoa com os tnis a imitar pele de leopardo.

Coop j desistira de a ensinar. Tentavam viver lado a lado, evitando confrontos. Apercebera-se, semanas antes, de que Paloma tambm trabalhava para os Friedman, 
mas, desde que fizesse tudo o que tinha de fazer para si, no se importava. Estava a tornar-se mais tolerante. Talvez por influncia de Alex. Os vidraceiros arranjavam 
a janela da sala de estar. Ainda no esquecera o incidente com a bola de basebol. Se um dia tivesse filhos, esperava que no fossem rapazes. S de pensar nisso sentia 
nuseas. E lembrou-se da maldita Charlene. Pelo menos, nessa semana, no aparecera nos tablides.

Estava a deitar ch gelado num copo quando o telefone tocou. Pensou que talvez fosse Alex, mas no reconheceu a voz do outro lado do fio. Era uma mulher chamada 
Taryn Dougherty, que queria encontrar-se com ele.

-  produtora? - indagou Coop. Desde que rebentara o escndalo com Charlene, descurara um pouco as questes de trabalho. Tinha outras coisas em mente.

- No, sou designer. Mas no foi por isso que telefonei. Gostava de discutir um assunto consigo.

Coop desconfiou, de imediato, que pudesse ser uma reprter, e arrependeu-se de ter atendido o telefone e de j se ter identificado. Mas agora no podia dizer que 
era o mordomo e que Mr. Winslow no se encontrava em casa, como costumava fazer s vezes, desde que Livermore partira.

- Que tipo de assunto? - perguntou, num tom frio. Nos ltimos tempos, no confiava em ningum.

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-  um assunto pessoal. Tenho uma carta de uma velha amiga sua.

Tudo aquilo lhe parecia misterioso. Talvez se tratasse de uma artimanha. Provavelmente da parte de Charlene. Mas o tom de voz da mulher era agradvel.

- De quem?

-Jane Axman. No sei se o nome lhe dir alguma coisa.

- No.  advogada dela? - Tambm era possvel que ele lhe devesse dinheiro. Recebia muitos telefonemas desse gnero.

- Sou filha dela.

A mulher no parecia querer adiantar mais nada, mas frisou que era importante e que no lhe roubaria muito tempo. Coop ficou intrigado. Esteve tentado a combinar 
um encontro no Beverly Hills Hotel, mas no lhe apetecia sair. Alm disso, aguardava notcias de Alex. Receava que estivesse aborrecida. E no queria atender o telemvel 
no meio de um restaurante.

- Onde  que est instalada?

- No Bel Air Hotel. Acabei de chegar de Nova Iorque. Pelo menos estava alojada num bom hotel. Finalmente, a curiosidade foi mais forte.

- A minha casa no fica longe do hotel. Porque no vem at c?

- Obrigada, Mister Winslow. No lhe tomarei muito tempo. - Apenas queria v-lo. E mostrar-lhe a carta da me.

Dez minutos depois, a mulher estava ao porto. Entrou na propriedade, ao volante de um carro alugado. Quando saiu, Coop reparou que se tratava de uma mulher alta 
e loira, com ar de trinta e muitos anos - trinta e nove, mais exactamente -, muito bonita e elegante, e com uma saia curta. Havia nela algo de familiar, mas no 
sabia o qu. No lhe parecia que alguma vez se tivessem encontrado. Quando se aproximou, sorriu, estendeu a mo e cumprimentou Coop.

- Obrigada por ter a gentileza de me receber. Peo imensa desculpa pelo incmodo. S quis tratar deste assunto quanto antes. H muito que ando com vontade de lhe 
escrever.

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- O que  que a trouxe  Califrnia? - indagou Cooper, enquanto a conduzia at  biblioteca. Ofereceu-lhe um copo de vinho, que ela recusou. Pediu um copo de gua. 
Estava um dia quente.

- Ainda no sei. Tinha uma empresa de design em Nova Iorque. Vendi-a. O meu sonho sempre foi desenhar guarda-roupas para filmes, mas acho que  uma ideia meio amalucada. 
Pensei vir at c ver o que se pode arranjar por a. E conhec-lo.

- Isso quer dizer que no  casada - deduziu Coop, oferecendo-lhe um copo de gua, como ela pedira.

- Sou divorciada. Divorciei-me, vendi a empresa, a minha me morreu... tudo no espao de poucos meses. Esta  uma daquelas raras alturas em que no tenho nada que 
me estorve e posso fazer o que muito bem entender. Ainda no sei se vou gostar, ou se vou ficar aterrada de medo - retorquiu a mulher, sorrindo. No parecia receosa, 
muito pelo contrrio.

- Ento, o que  que diz essa famosa carta? Deixaram-me dinheiro de herana? - perguntou Cooper, soltando uma gargalhada.

- Receio que no.

Coop recebeu a carta. Era longa e, enquanto a lia, levantou vrias vezes a cabea, olhando, espantado, para a mulher. Quando acabou de ler recostou-se no sof e 
fixou-a durante algum tempo, sem saber o que dizer ou o que ela pretendia. Devolveu-lhe a carta de semblante carregado. Se se tratasse de chantagem, no estava disposto 
a admiti-la.

- Que quer de mim? - indagou Coop, com brusquido.

A pergunta entristeceu-a. Sempre esperara uma reaco mais calorosa da parte dele.

- Absolutamente nada. S quis conhec-lo. Achava que tambm tivesse vontade de me conhecer.  um choque, admito. Para mim tambm foi. A minha me nunca me disse 
nada. S encontrei a carta, como ela pretendia, depois da sua morte. O meu pai j morreu h anos. No sei se ele alguma vez soube.

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- Espero que no - ripostou Coop, num tom solene. Ainda se encontrava sob o efeito do choque. Mas aliviado por a mulher no querer nada de si. Acreditou nela. Tinha 
ar de pessoa honesta e era muito bonita. Noutro contexto ter-se-ia sentido atrado por ela.

- Acho que no se teria importado. Era muito bom para mim. Deixou-me grande parte do seu dinheiro. No tinha mais filhos. E se por acaso viesse a saber, no me parece 
que se voltasse contra a minha me ou contra mim. Era um homem muito bom.

- Sorte a sua.

Coop no tirava os olhos dela. De repente, percebeu por que razo o seu rosto lhe era familiar. Parecia-se com ele. A carta referia que a me tivera um romance com 
Coop quarenta anos antes. Encontravam-se ambos em Londres, a representar uma pea, e o romance fora breve. Quando a pea acabou e ela voltou para Chicago, descobriu 
que estava grvida. Mas resolveu no dizer nada a Coop. Achava que no o conhecia suficientemente bem para o obrigar a assumir um compromisso mais srio. Era uma 
ideia estranha, especialmente numa mulher que resolvera levar a gravidez at ao fim. Casou com outro homem, teve a filha, e nunca lhe disse que o homem que ela acreditava 
ser seu pai no o era. Em vez disso, deixou-lhe uma carta que explicava tudo. Agora, estavam os dois sentados, a examinarem-se um ao outro. O homem que pensava que 
no tinha filhos via-se, de repente, a braos com dois: esta mulher de trinta e nove anos e o beb que Charlene carregava. Era uma situao bizarra, para um homem 
que detestava crianas. Mas Taryn j no era nenhuma mida. Era uma mulher adulta, parecia respeitvel e inteligente, e tinha dinheiro.

- Como era a sua me? Tem alguma fotografia que me possa mostrar? - Sentia curiosidade de saber se ainda se lembrava dela.

- Trouxe uma. Julgo que foi tirada mais ou menos nessa altura.

Retirou-a cuidadosamente da mala e passou-a a Cooper. O rosto no lhe era estranho. Ainda se lembrava do papel que ela desempenhava na pea e de estar com ela em 
palco. Mas de pouco mais. Nessa altura, ele prprio era um doidivanas 

195
e bebia muito. Desde a, tivera um sem-nmero de mulheres. Contava trinta anos quando Taryn foi concebida.

- Isto  tudo muito estranho - disse Coop, devolvendo a fotografia  filha, sem tirar os olhos dela. Era muito bonita, dentro do estilo clssico, e muito alta. Devia 
ter cerca de um metro e oitenta. Ele tinha pouco mais de um metro e noventa. A me tambm era alta. - No sei o que dizer.

- No faz mal - redarguiu Taryn Dougherty, num tom afvel. - S quis conhec-lo. Tive uma vida boa e uns pais maravilhosos. Fui filha nica. No tenho nada a apontar-lhe. 
Nunca soube que eu existia. A minha me sempre guardou segredo, mas tambm no a censuro. No tenho qualquer motivo para ficar desapontada com o que quer que seja.

- Tem filhos? - indagou Cooper, com voz trmula. Fora um choque descobrir que tinha uma filha j adulta, e ainda no estava preparado para ter netos.

- No. Sempre trabalhei. E nunca quis ter filhos.  embaraoso, tenho de admitir.

- No  embaraoso.  gentico - retorquiu Cooper, com um sorriso malicioso. - Tambm nunca quis ter filhos. Fazem muito barulho, andam sempre sujos e cheiram mal.

Taryn riu-se. Estava a gostar dele e comeava a perceber por que razo a me se apaixonara e resolvera levar a gravidez at ao fim. Tinha charme e era divertido. 
Em suma, um cavalheiro da velha escola. Embora no parecesse muito velho, custava a acreditar que ele e a me tivessem a mesma idade. A me estivera doente durante 
anos. Este homem parecia ser muito mais novo do que efectivamente era.

- Vais ficar por estas bandas durante uns tempos? - indagou, interessado. Gostava dela e tinha a sensao de que uma espcie de lao os ligava. Mas precisava de 
tempo para perceber que tipo de lao era esse.

- Acho que sim. - Ainda no sabia ao certo o que queria fazer. Mas sentia-se aliviada. Agora que j conhecia o pai verdadeiro, podia ir  sua vida, mantivesse-se 
ou no em contacto com ele.

- Posso ir ter contigo ao Bel Air? Talvez nos devssemos encontrar de novo. Podias vir c jantar uma noite destas.

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- Seria maravilhoso - respondeu Taryn, levantando-se e dando por terminado o encontro, que no ultrapassara a meia hora. Fora fiel  sua palavra. No queria estar 
com mais delongas. Fizera o que tinha a fazer. Conhecera o pai verdadeiro. E, agora, ia voltar  sua vida. - E quero frisar que no fao tenes de falar com a imprensa. 
Isto fica entre ns.

- Obrigado - disse Coop, sensibilizado com a atitude da filha. Era uma mulher extraordinria. No queria nada dele. Taryn gostou do que viu. Cooper tambm. - Talvez 
seja uma parvoce o que vou dizer, mas deves ter sido uma menina bem-comportada. A tua me devia ser uma mulher s direitas. - Especialmente por no lhe ter arranjado 
problemas e por ter arcado com todas as responsabilidades. - Lamento que tenha morrido. - Era uma sensao estranha saber que, enquanto prosseguia a sua vida, algures 
no mundo, havia uma filha sua, de cuja existncia nunca soubera.

- Obrigada. Tambm lamento muito. Adorava-a.

Coop deu-lhe um beijo na face. Taryn sorriu. Era o mesmo sorriso que ele via no espelho todos os dias, e que os amigos to bem conheciam. Olhar para ela causava-lhe 
uma sensao estranha. As semelhanas consigo eram evidentes, e a me, certamente, tambm reparara nisso. S esperava que o marido nunca tivesse sabido.

Coop manteve-se em silncio o resto do dia. Tinha muito em que pensar. Quando Alex chegou, s sete horas, ainda estava pensativo, e ela perguntou-lhe se se sentia 
bem. Coop quis saber como correra o encontro com o pai. Ela respondeu que bem, mas no adiantou mais nada.

- Foi grosseiro contigo? Alex encolheu os ombros.

- Ele  quem . No  o pai que eu teria escolhido, mas  o que tenho - retorquiu Alex. E encheu um copo de vinho.

Fora um dia longo para ambos. Coop s lhe falou de Taryn ao jantar. Paloma deixara frango, e Alex acrescentou-lhe massa e fez uma salada. Foi suficiente. O semblante 
de Coop adquiriu uma expresso estranha.

- Tenho uma filha - anunciou, enigmtico.

- Ainda  muito cedo para ela saber isso, Coop. Est a mentir. Anda a ver se te amolece o corao.


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Alex estava irritada com aquilo que pensava ser outro dos truques de Charlene.

- No estou a falar dela.

Coop parecia aturdido. Estivera toda a tarde a pensar em Taryn. O encontro com a filha abalara-o profundamente.

- H mais algum que v ter um filho teu? - perguntou Alex, chocada.

- Ao que parece, j teve. H trinta e nove anos. Coop falou-lhe de Taryn, sem conseguir disfarar a emoo.

- Que histria extraordinria! - exclamou Alex, estupefacta. - Como  que a me conseguiu guardar esse segredo ao longo destes anos todos? Como  que ela ? - Estava 
intrigada.

- Bonita. Gosto dela. E muito parecida comigo. Mas mais bonita, claro. Gostei muito dela.  uma pessoa muito... ntegra. Nesse aspecto,  como tu. Frontal e sria. 
No queria nada de mim, e disse que no ia contar nada  imprensa. S queria conhecer-me.

- Porque no a convidas a vir c a casa outra vez? - sugeriu Alex, vendo que a vontade de Coop era tambm essa.

- Acho que  o que vou fazer.

Porm, em vez disso, foi almoar com ela ao Bel Air no dia seguinte. Falaram de si prprios e ficaram admirados com as muitas semelhanas que havia entre eles, com 
os gostos que partilhavam, desde o gelado e a sobremesa favoritos ao tipo de livros de que gostavam. No final do almoo, Coop teve uma ideia estranha.

- No queres ficar alojada no Palacete? - sugeriu. Queria passar mais tempo com a filha. De repente, Taryn

surgia na sua vida como uma ddiva do cu e no queria perd-la. S queria t-la perto de si, pelo menos durante uns dias, umas semanas. Taryn tambm adorou a ideia.

- No quero maar - disse, cautelosamente, mas a ideia atraa-a.

- No maas nada.

Coop lamentava agora ter inquilinos, tanto na casa do caseiro como na ala de hspedes. Seriam ptimos alojamentos para ela. Mas tambm dispunha de uma enorme sute 
de hspedes 

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na ala principal da casa, e Alex no levantaria qualquer objeco.

Taryn prometeu mudar-se no dia seguinte e Alex mostrou-se entusiasmada com a ideia. Esta ainda no contara a Coop o que o pai dissera, nem nunca o faria. Sabia que 
o corao de Coop ficaria destroado e no havia necessidade de o magoar.

Taryn, pelo contrrio, parecia ter trazido uma nova alma a Coop. Desde que o conhecia, h poucos meses, Alex nunca o vira assim. Parecia muito mais calmo, totalmente 
em paz consigo mesmo.


CAPTULO 18

Taryn mudou-se para o Palacete com muito pouca bagagem e praticamente sem rebolio. Era uma pessoa discreta, educada, afvel e de fcil trato. No pediu nada a Paloma 
e teve o cuidado de no maar Coop. Quando conheceu Alex, criou-se, de imediato, uma empatia entre as duas. Eram ambas pessoas ntegras e fortes, que primavam pela 
simpatia. E Alex tambm achou Taryn parecida com Coop. At tinha o mesmo ar aristocrtico. Mas diferia dele em duas coisas: viajava com muito pouca bagagem e era 
estvel do ponto de vista financeiro.

Passaram vrios dias a tentar conhecer-se melhor, a falar dos respectivos passados e a partilhar opinies sobre tudo e mais alguma coisa. Havia diferenas e semelhanas 
que os deixavam a ambos intrigados. Depois de se conhecerem melhor, Taryn perguntou-lhe se as suas intenes para com Alex eram srias, e Coop respondeu-lhe que 
ainda no sabia. Estava a ser de uma grande sinceridade. Embora se conhecessem h pouco tempo, Taryn conseguira despertar o que de melhor havia em Coop, ainda mais 
do que Alex. Dava a impresso de que o seu desgnio era esse. Agora que sabia que o pai existia, queria saber quem ele era, e gostava do que via, apesar de ver tambm 
as suas fraquezas.

- Estou num dilema em relao a Alex - confessou Coop.

- Por ser to nova?

Taryn estava deitada  sombra, junto  piscina. Tinha a mesma pele clara do pai e, tal como ele, evitava expor-se ao sol. Coop costumava dizer que era devido aos 
seus antepassados britnicos que tinha a pele "inglesa".

- No, j estou habituado a isso. As mulheres novas no me chateiam - respondeu Coop, esboando um sorriso. Ela at j  um pouco velha para mim. - E ambos riram 
do comentrio. Tambm j lhe falara de Charlene. - O pai  o Arthur Madison. Sabes o que isso quer dizer. Estou sempre a questionar-me sobre as razes por que ando 
com ela. Alm

200
disso, estou atolado em dvidas. - A sua sinceridade provocava admirao em Taryn. - s vezes, tenho a sensao de que ando atrs do dinheiro dela. Outras vezes, 
j no sinto isso. Seria uma forma fcil de resolver os meus problemas financeiros. Talvez demasiado fcil. Ser que a amaria na mesma se ela no tivesse um tosto 
furado?, pergunto-me muitas vezes. Ainda no sei a resposta. Estou confuso.

- Talvez isso no tenha importncia.

- Mas talvez tenha - replicou Coop. Taryn era a nica pessoa com quem podia falar com toda a franqueza, porque no tinha qualquer interesse na questo e ele no 
queria nada dela. A nica coisa que queria era t-la na sua vida. Pela primeira vez estava prximo do amor incondicional. E tudo acontecera de um dia para o outro, 
como se j estivesse  espera que Taryn entrasse na sua vida. Precisava dela. E talvez Taryn tambm precisasse dele. - Quando o sexo e o dinheiro se encontram, d 
confuso. Tem sido sempre assim ao longo da minha vida. - Estava a adorar partilhar os seus segredos com ela, e surpreendido consigo mesmo.

- Talvez tenha razo. Tambm tive um problema desses com o meu marido. Pusemos a empresa de p e acabmos por ir cada um para seu lado. Ele s se importava com o 
lucro. Eu fazia a parte de design e recebia os louros do trabalho, o que o deixava roidinho de cimes. No processo de divrcio, tentou ficar com a empresa. Chegou 
a dormir com a minha assistente, acabando por ir viver com ela, e eu quase fiquei de rastos por causa disso.

- L est. Dinheiro e sexo.  uma mistura explosiva.

- As suas dvidas so muito elevadas? - indagou Taryn, preocupada.

- Muito, mesmo. A Alex no sabe. Nunca toquei nesse assunto. No queria que ela pensasse que andava atrs do dinheiro dela para pagar as minhas dvidas.

- E anda?

- No tenho a certeza. Seria muito mais fcil do que andar a esfalfar-me a fazer anncios e sabe Deus que mais. Mas  uma mulher impecvel e no quero dinheiro dela. 
Se fosse outra, talvez. E tambm no quero dinheiro teu. No queria misturar as coisas, nem estragar o que j tinham

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alcanado. Gostava das coisas tal como estavam. Tudo era claro entre eles, e era assim que queria continuar. - A nica coisa de que preciso  de um papel num filme 
decente, um bom papel, para levantar a cabea. Mas sabe-se l quando  que isso ir acontecer. Se calhar, nunca. No  fcil dizer isto.

- E se esse papel no aparecer? - Taryn parecia preocupada. Coop encarava as questes econmicas com alguma ligeireza.

- Acaba sempre por aparecer qualquer coisa.

E se isso no acontecesse, l teria de se voltar para Alex. De repente, apontou para os ps de Taryn.

- Algum problema? - Taryn estivera na pedicura e pintara as unhas de cor-de-rosa. Pensou que talvez ele preferisse vermelho. Mas sempre usara aquela cor. O verniz 
vermelho lembrava-lhe sangue.

- Tens os ps iguais aos meus! - exclamou Coop, espantado. Ps os ps ao lado dos dela e riram-se. Pareciam gmeos. Tinham os mesmos ps compridos e elegantes. - 
E as mesmas mos!

No havia qualquer dvida de que era mesmo sua filha. No que quisesse que no fosse. Ainda pensara apresent-la como sobrinha. Mas,  medida que se iam conhecendo 
melhor, s a queria apresentar como filha. E perguntou-lhe o que achava.

- Acho ptimo, desde que isso no o prejudique.

- No vejo porqu. Podemos dizer que tens catorze anos.

- Prometo no dizer a ningum que idade tenho - retorquiu Taryn, e riu-se. At o riso era praticamente igual. Para mim,  ptimo. Com a minha idade,  uma chatice 
estar outra vez solteira. Estou quase com quarenta. Casei-me aos vinte e dois.

- Que seca deve ter sido a tua vida! - comentou Coop, em tom de censura, fazendo com que Taryn se risse. Adoravam estar um com o outro. - J estava na altura de 
fazeres uma mudana. Tens de arranjar um namorado.

- Ainda no. No estou preparada. Preciso de ganhar flego. Perdi o marido, a empresa e a minha me, e ganhei um pai, tudo no espao de meses. Preciso de tempo. 
Tenho muita coisa para assimilar.

202
- E o trabalho? Vais procurar alguma coisa por estes lados? - O instinto protector de Coop estava a vir ao de cima.

- No sei. Sempre quis desenhar roupa, mas  capaz de ser uma ideia extravagante. No preciso de trabalhar. A empresa foi muito bem vendida e a minha me deixou-me 
o que tinha. O meu pai... o meu outro pai - corrigiu, com um sorriso - tambm me arranjou um bom p-de-meia. Talvez eu o possa ajudar. Sou extremamente organizada 
e sei o que  necessrio fazer para sair de uma situao difcil.

- Devem ser os genes da tua me. Eu sou ao contrrio. O caos financeiro  algo que j me  familiar - comentou Coop, com grande sentido de humor e humildade, o que 
deixou Taryn ainda mais cativada.

- Descreva-me a sua situao financeira e eu dir-lhe-ei o que penso.

- Talvez consigas interpretar aquilo que o meu contabilista diz e que  essencialmente isto: "No compre nada e venda a casa."  um homenzinho chato.

Quando Alex estava presente, faziam o jantar juntos, iam ao cinema e tinham conversas interminveis. Mas, se via que estava a mais, Taryn desaparecia discretamente. 
No queria fazer de pau-de-cabeleira. Gostava muito de Alex e tinha um grande respeito pelo seu trabalho.

Um sbado de manh, Taryn e Alex estavam deitadas junto  piscina, a conversar sobre o trabalho de Alex, quando Mark e os filhos saram da ala de hspedes. Coop 
encontrava-se no terrao, a ler um livro. Estava constipado e no lhe apetecia nadar.

Alex apresentou Taryn aos Friedman, sem referir quem ela era. Mark perguntou se ela e Cooper eram familiares. Havia uma estranha semelhana entre eles, e perguntou 
a Alex se tambm j reparara nisso. As duas mulheres desataram a rir.

- Para ser franca, ele  meu pai. J no nos vamos h muitssimo tempo.

As palavras foram ditas com tal naturalidade que Alex teve de conter o riso. Taryn sara-se bastante bem.

- No sabia que Coop tinha uma filha - disse Mark, espantado.

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- Nem ele - retorquiu Taryn, com um sorriso. E mergulhou na piscina.

-- Que disse ela? - perguntou Mark a Alex, baralhado.

-  uma longa histria. Pode ser que um dia lha contem.

Poucos minutos depois, apareceu Jimmy. O dia estava quente e todos queriam dar um mergulho na piscina. Mark conversava com Taryn, enquanto os filhos recebiam um 
grupo de amigos que acabava de chegar. Alex pediu-lhes que no ouvissem msica, pois Coop estava um pouco adoentado, e eles juntaram-se na outra extremidade da piscina, 
a falar e a rir, o que deu oportunidade a Alex de conversar calmamente com Jimmy.

- Que tal vo as coisas? - perguntou ela, num tom descontrado, deitada numa cadeira, enquanto Jimmy punha protector solar nos braos. Apesar dos cabelos escuros, 
tinha pele clara. Alex ofereceu-se, de imediato, para lhe pr creme nas costas. Jimmy hesitou por instantes, depois agradeceu-lhe e virou-se. Mais ningum lhe fizera 
tal coisa desde a morte de Maggie.

- Mais ou menos. E voc? Como vai o trabalho?

- Muito trabalho. s vezes, penso que o mundo s tem prematuros e bebs com problemas. Nunca mais vejo bebs saudveis.

- Deve ser um trabalho deprimente.

- No propriamente. Muitos deles ficam bons. Outros, no. Ainda no me habituei a essa ideia. - Ficava de rastos quando um beb morria. Era uma tristeza para toda 
a gente. Mas as vitrias eram saborosas. - Os midos com quem trabalha tambm no tm uma vida fcil. Custa imaginar como algumas pessoas tratam os filhos.

- Tambm nunca me conseguirei habituar a isso.

Tanto um como outro j haviam assistido a muitas situaes dramticas. E cada um  sua maneira tentava salvar vidas.

- O que a levou a querer ser mdica?

- A minha me.

- Tambm  mdica?

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- No, leva uma vida de total futilidade. Passa o tempo nas compras, em festas e na manicura. A minha irm tambm. E eu queria fazer algo diferente de tudo isso, 
custasse o que custasse. Quando era mida, queria ser piloto de aeronaves. Mas tambm me pareceu uma profisso chata.  quase como ser motorista de autocarro. O 
que fao  mais interessante,  diferente todos os dias.

- O meu trabalho tambm  assim. Quando andava em Harvard, queria ser jogador de hquei no gelo, nos Bruins. Mas a minha namorada convenceu-me de que ficaria com 
um aspecto horrvel sem dentes. Acabei por lhe dar razo. Mas ainda gosto de patinar. - Ele e Maggie costumavam patinar imenso, mas procurou no pensar nisso. - 
Quem  a mulher que est a falar com o Mark? - indagou, visivelmente interessado, e Alex sorriu.

-  filha de Coop. Vai ficar com ele durante uns tempos. Acabou de chegar de Nova Iorque.

- No sabia que ele tinha uma filha. - Jimmy parecia surpreendido.

- Para ele tambm foi uma surpresa.

- Deve ter um monte de filhas destas.

- Esta foi uma boa surpresa.  uma jia de pessoa. Mark tambm parecia partilhar da mesma opinio. H uma hora que estavam a conversar, e Jessica metralhava-a com 
perguntas. Jason andava atarefado a empurrar os amigos para dentro da piscina. - So bons midos.

- Sem dvida. O Mark  um homem de sorte, pelo menos com os filhos. Mas no devem tardar a voltar para a me. Vai sentir imensas saudades dos midos.

- Talvez tambm volte para l. E voc? Vai ficar por c ou vai voltar para o Este?

Alex sabia que Jimmy era de Boston e, de repente, lembrou-se que ele talvez conhecesse um primo seu, que andara em Harvard na mesma altura.

- Gostava de ficar por c - respondeu Jimmy, com ar pensativo. - Embora esteja com pena da minha me. O meu pai morreu e ela est sozinha. Sou a nica pessoa que 
tem no mundo. - Alex perguntou-lhe se conhecia o primo.



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Jimmy esboou um sorriso. - Luke Madison era um dos meus melhores amigos. Vivamos na mesma camarata. Costumvamos apanhar valentes pielas aos fins-de-semana. Se 
calhar, j no nos vemos h uns bons dez anos. Acho que foi para Londres quando acabmos o curso e perdi-lhe o rasto.

- Ainda l est. E tem seis filhos. Todos rapazes. Tambm no o vejo com muita frequncia, s nos casamentos. E mesmo a esses vou muito raramente.

- Alguma razo particular?

Jimmy continuava a no perceber a atraco de Alex por Coop. Achava que no fazia qualquer sentido, mas, como  bvio, no tocou no assunto. No morria de amores 
pelo velho actor. No sabia muito bem porqu. Tratava-se de uma averso instintiva. Talvez cimes. Coop no passava de um mulherengo que s pensava nos prazeres 
carnais. E isso ia contra os seus princpios.

-J uma vez tive um mau... casamento. Isto ... Alex explicou o que se passara e Jimmy riu-se.

- Foi pena. Os bons podem ser extraordinrios. O meu foi. No a boda em si, mas o casamento, enquanto relao. Maggie era uma mulher espectacular.

- Lamento muito o que se passou.

Alex sentia imensa pena dele, mas Jimmy parecia melhor. No andava to angustiado, nem to plido. E j engordara uns quilinhos. Os seres passados com os Friedman 
faziam-lhe bem e, pelo menos, comia. Alm de nutrir uma grande amizade pelos midos.

- H dias em que a tristeza parece que me vai matar. Outras vezes, d a impresso de que nem sequer a sinto. Nunca sei com que disposio  que vou acordar no dia 
seguinte. Um dia que me est a correr bem pode transformar-se num pesadelo. E um dia que comea da pior maneira, em que s tenho vontade de morrer, pode, de repente, 
dar a volta.  como uma dor ou uma doena, nunca se sabe como vai evoluir. Acho que j estou a habituar-me. Ao fim de algum tempo, passa a ser um modo de vida.

-Julgo que s o tempo conseguir sarar essa dor. - Era um lugar-comum, mas Alex achava que correspondia  verdade. Maggie falecera h quase cinco meses. Quando se 
mudou para ali, Jimmy parecia meio morto. - Muitas coisas

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so assim, embora talvez no to duras. Levei muito tempo a digerir o casamento que nem sequer se chegou a realizar.

- Acho que so casos diferentes. O seu tem a ver com confiana. O meu, com perda.  mais puro. No h ningum a quem culpar. Di muito. - Falava com toda a sinceridade 
e Alex achou que lhe estava a fazer bem desabafar. Quanto tempo ainda vai durar a sua especializao?

- Mais um ano. s vezes parece uma eternidade. So muitos dias, muitas noites. Provavelmente, ficarei na UCLA, mesmo depois de acabar a especialidade, se me quiserem. 
Tm uma Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia extraordinria.  uma especialidade difcil, no h muitos neonatologistas. Ia ser uma simples pediatra, mas 
fiquei fascinada pela Neonatologia. Andamos sempre com a adrenalina no mximo, nunca morremos de tdio.

Entretanto, Taryn e Mark, que haviam estado a conversar sobre legislao fiscal e parasos fiscais, aproximaram-se de Jimmiy, que esboou um sorriso ao v-los. Taryn 
era quase da mesma altura que Mark. Formavam um casal engraado e eram quase da mesma idade.

- De que esto vocs os dois a falar? - perguntou Mark, enquanto se sentava.

- Trabalho. De que mais poderia ser? - gracejou Alex.

- Tambm ns.

E enquanto falavam, uma chusma de adolescentes atirou-se para dentro da piscina. Alex sentiu um grande alvio por Coop no se encontrar ali. Teria ficado doente. 
Fora esplndido que a sua nica filha s tivesse aparecido aos trinta e nove anos. Para ele, era a idade ideal de um filho. Alex comentara isso com Taryn no dia 
anterior e no conseguiram evitar o riso. Coop tinha uma fobia visceral a crianas.

Cinco minutos depois, os midos comearam um animado jogo de plo, e Mark e Jimmy juntaram-se-lhes.

-  um bom homem - disse Taryn, referindo-se a Mark. - Acho que se foi muito abaixo quando a mulher o abandonou. Foi uma sorte para ele os midos terem resolvido 
voltar.

- O Coop  que no ficou l muito contente - comentou Alex. - Mas so crianas adorveis - afianou.

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- Como  o Jimmy? - perguntou Taryn, interessada.

-  uma pessoa triste. Perdeu a mulher h quase cinco meses. Tem sido muito duro para ele.

- Outro?

Parecia uma epidemia, mas Alex apressou-se a fazer um gesto negativo com a cabea.

- No. Cancro. Tinha trinta e dois anos - sussurrou. Jimmy acabava de marcar um ponto para a sua equipa. No instante seguinte, passou a bola a Jason, que marcou 
outro ponto. O jogo estava a ser disputado com grande algazarra e impetuosidade. Entretanto, do stio onde se encontrava, Coop fez-lhes sinal para voltarem. Estava 
pronto para almoar. - Acho que o mestre nos chama.

-  feliz com ele, Alex? - inquiriu Taryn.

- Sou. S  pena ele no gostar de crianas.

- No se importa com a diferena de idades?

- Ao princpio, ainda pensei nisso, mas no acho que tenha importncia. s vezes, parece um mido.

- Mas no .

-  o que o meu pai diz.

- Ele no aprova? - No ficou espantada. Ter Coop como genro no era o sonho de nenhum pai, a menos que tivesse uma fixao especial por estrelas de cinema, o que 
parecia pouco provvel, sendo o pai de Alex quem era.

- Para dizer a verdade, ele nunca aprova o que eu fao. E est preocupado com Coop.

-  natural. Pela vida que ele tem levado. Est preocupada com a rapariga que diz que vai ter um filho dele?

- No. Porque ele tambm se est nas tintas para ela. E ainda no se sabe se o filho  dele.

- E se for? Encolheu os ombros.

- A nica coisa que ele ter de fazer  mandar-lhe um cheque todos os meses. Diz que nem sequer quer ver a criana. Est furioso com ela.

--  compreensvel.  pena ela no querer fazer um aborto. Tornaria as coisas mais simples para todos.

- Por um lado,  verdade. Mas se a sua me tivesse feito o aborto, voc no estaria aqui. E ainda bem que no o fez.

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Especialmente por Coop. T-la como filha significa muito para ele. - Alex achava que era uma bno para os dois.

- Ele tambm significa muito para mim. Nunca imaginei que isso viesse a acontecer. Ou talvez imaginasse. Foi por isso que vim. Estava mortinha de curiosidade. Tenho 
uma grande amizade por ele. No sei que tipo de pai  que ele teria sido quando eu era nova, mas agora  um amigo maravilhoso.

A apario de Taryn tivera um efeito positivo em Cooper. Era como se tivesse encontrado a pea que faltava no puzzle da sua vida, uma pea que nem ele prprio sabia 
estar perdida.

As duas acenaram para todos os outros em sinal de despedida e voltaram, em passo lento, para casa. Coop aguardava-as.

- Esto a fazer uma barulheira infernal! - queixou-se. A constipao causava-lhe mal-estar.

- No tardam a sair da piscina - assegurou-lhe Alex. Est na hora de almoo.

- E se fssemos os trs almoar ao Ivy? - sugeriu Coop. E ambas adoraram a ideia. Foram mudar de roupa e voltaram, vinte minutos depois, vestidas e prontas para 
sair.

Coop conduziu-as at North Robertson, no velho Rolls Royce. Foram o caminho todo a rir e a conversar. Chegados ao restaurante, sentaram-se no terrao. Estava uma 
tarde magnfica. Alex olhou para Coop e trocaram um sorriso. Sabia que estava tudo bem no mundo dele, assim como no seu.
CAPTULO 19

O ms de Maio estava quase no fim quando Alex, que fazia um turno de dois dias no hospital, foi chamada  recepo para atender um telefonema. Acabara de passar 
um relaxante fim-de-semana na companhia de Coop, e as coisas nos Cuidados Intensivos, contra o que era costume, estavam relativamente calmas.

- Quem ? - perguntou, ao pegar no auscultador. Acabara de chegar do almoo.

- No sei - respondeu a funcionria. -  uma chamada interna.

Alex pensou tratar-se de um colega.

- Doutora Madison - disse, num tom de voz formal. --Estou impressionado.

Alex no reconheceu a voz.

- Quem fala?

-  o Jimmy. Tive de vir fazer umas anlises e lembrei-me de telefonar. Muito trabalho?

- No, nem por isso. Escolheu uma altura ptima. Acho que esto todos a dormir. No devia dizer isto em voz alta, mas no houve nenhuma situao de crise durante 
todo o dia. Onde  que est?

Estava contente por Jimmy lhe ter telefonado. Gostara da ltima conversa que haviam tido. Era uma pessoa impecvel, mas com um azar dos diabos. Precisava de amigos, 
e ela seria a primeira a oferecer-lhe um ombro amigo, sempre que ele precisasse de desabafar.

- Estou no laboratrio principal.

Jimmy parecia perdido e Alex ficou preocupada com a sade dele. Talvez fosse o stresse. J para no falar na mgoa que o consumia.

- No quer vir ter comigo? No posso sair daqui, mas posso oferecer-lhe uma chvena do nosso caf intragvel, se o seu estmago aguentar.

- Adoraria.

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Era do que estava  espera, quando tomou a liberdade de telefonar. Alex deu-lhe todas as indicaes para ele conseguir dar com a Unidade de Cuidados Intensivos.

Quando Jimmy saiu do elevador, Alex encontrava-se na recepo a falar ao telefone com uma me que acabava de levar a filha para casa. A beb estava a reagir bastante 
bem. Estivera cinco meses internada. Era uma das estrelas de Alex.

- Ento  aqui que trabalha - disse Jimmy, olhando em volta.

Havia uma vitrina atrs do balco da recepo, onde se podia ver uma confuso de equipamentos, incubadoras, luzes e pessoal mdico de mscara. Alex tambm tinha 
uma  volta do pescoo, alm de um estetoscpio. Estava impressionado. Alex encontrava-se no seu elemento natural.

-  um prazer v-lo por aqui - congratulou-se Alex, ao entrar no seu minsculo gabinete, com o div onde dormira ainda por arrumar. Costumava atender os pais na 
sala de espera. - O que  que o traz por c? Algum problema de sade? - indagou, preocupada.

- No, simples exames de rotina. Tenho de fazer um exame completo todos os anos, por causa do trabalho. Radiografia ao trax, o teste da tuberculina, esse tipo de 
coisas. J devia ter feito isso tudo h mais tempo, mas no tenho tido disponibilidade. Fartaram-se de me mandar avisos. Agora, disseram-me que s posso ir trabalhar 
na prxima semana se fizer os exames. Por isso, aqui estou. Tive de pedir dispensa da parte da tarde, porque nunca se sabe quanto tempo  que isto demora. Provavelmente, 
terei de trabalhar no sbado para compensar.

-  o que acontece comigo. - Alex sentiu um grande alvio por ele no estar doente. E deu consigo a perscrutar os olhos castanho-escuros de Jimmy, onde ainda eram 
visveis as marcas da dor que o vinha atormentando h meses. - Em que consiste o seu trabalho? - perguntou, interessada, enquanto lhe oferecia um copo de plstico 
de caf intragvel.

Jimmy bebeu um gole e deixou escapar uma risada.

- Vocs servem o mesmo veneno para ratos que ns. Ao nosso, costumamos juntar-lhe uma pitada de areia, d-lhe um toque especial. - Alex riu-se. J estava habituada 
ao caf, mas tambm no gostava dele. - Em que consiste o meu

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trabalho? Tiro midos de lares onde sofrem os piores maus tratos, desde serem sodomizados pelo pai, pelo tio e por dois irmos mais velhos... mando midos para o 
hospital com queimaduras de cigarros por todo o corpo... ouo os queixumes de mes desesperadas, que no conseguem arranjar comida para os filhos, pois tm sete 
bocas para alimentar e, ainda por cima, o pai bate-lhes... ponho midos de nove, onze anos, em programas de reinsero social... s vezes, limito-me a ouvir... ou 
a dar uns pontaps numa bola com alguns. -Julgo que era incapaz de fazer isso. Ficaria deprimida. Lido com pequeninos seres que vm ao mundo j com mazelas, e fazemos 
o melhor que podemos para lhes proporcionar boas condies de sade. Mas acho que o seu trabalho dava cabo de mim.

- O engraado  que no d. - Bebeu um gole de caf e arrepiou-se. Era pior do que aquele que bebia no trabalho. s vezes, d-nos esperana. Acreditamos sempre que 
alguma coisa vai mudar. E o que  facto  que, de vez em quando, isso acontece.  o suficiente para recarregar as energias. E, independentemente daquilo que possamos 
sentir, temos de l estar. Caso contrrio, as coisas complicar-se-o de certeza. E se o inferno dos midos piorar ainda mais...

Entretanto, os seus olhos encontraram-se e Alex teve uma ideia.

- Quer ir dar uma volta?

- Pela UCI? - Parecia espantado. - No h problema?

- Se algum perguntar, digo que  um mdico externo. Se houver uma situao de emergncia, mantenha a calma.

E deu-lhe um casaco branco para vestir. Era de tamanho mdio, ficava-lhe apertado nos ombros e curto nos braos, mas ningum notaria. O que interessava era o que 
eles faziam, no a forma como andavam vestidos.

- No se preocupe. Se houver uma urgncia, fugirei o mais depressa que puder.

Mas nada aconteceu. Nem sequer a solicitaram para o que quer que fosse. Enquanto deambulavam pela unidade, Alex explicava o que estava a acontecer em cada caso, 
de que

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problema se tratava e que tipo de tratamento estavam a fazer aos bebs que se encontravam nas incubadoras. Alguns deles eram to pequenos que nem sequer usavam fraldas. 
Jimmy nunca vira tantos tubos e tantas mquinas, nem bebs to franzinos. O mais dbil pesava cerca de setecentos gramas, mas as suas hipteses de sobrevivncia 
eram praticamente nulas. Mas j l haviam estado bebs com menos peso. Os mais pesados tinham mais hipteses de sobrevivncia, mas at esses corriam srios riscos. 
Jimmy ficou de corao dilacerado ao ver as mes sentadas junto s incubadoras, a tocar nos minsculos dedos dos filhos, aguardando um sinal de esperana. O momento 
mgico do nascimento tornara-se um pesadelo e, por vezes, tinham de viver nesse stresse durante meses, at saberem como o estado dos bebs evoluiria. Quando saram 
da unidade, Jimmy vinha abalado. Nunca conseguiria lidar com todo aquele stresse.

- Meu Deus, Alex,  incrvel. Como  que consegue aguentar a presso? - Se cometessem o menor erro, por um segundo que fosse, a vida de uma criana estaria em jogo, 
e o curso da histria de uma famlia seria alterado irremediavelmente. Era um fardo que ele nunca conseguiria carregar. Mas Alex conseguia, o que fazia com que Jimmy 
tivesse por ela uma tremenda admirao. - Acho que acordaria todos os dias com medo de vir trabalhar.

- Mas o seu trabalho  to duro como o meu. Se voc falha nalguma coisa, ou no faz o diagnstico correcto da situao, ou se precipita, uma pobre criana pode morrer, 
ou ser morta, ou ficar com marcas para a vida inteira. Tem de ter o mesmo tipo de instinto que eu tenho. No fundo, a ideia  a mesma, o lugar  que  diferente.

- Tambm  preciso ter um corao enorme para fazer o que voc faz.

Alex tinha-o. Jimmy j se apercebera disso h muito tempo, da que no entendesse o relacionamento de Alex com Coop. Enquanto para este tudo tinha de girar  sua 
volta, para Alex, o centro das atenes eram os seus doentes, e era ela que girava  volta deles. Talvez fosse por isso que a relao entre os dois funcionava.

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Ficaram a conversar mais um pouco, junto ao balco da recepo. Entretanto, chamaram Alex para avaliar o estado de sade de um doente e dar uma consulta, e Jimmy 
teve de se despedir.

- Obrigado por me ter permitido vir at aqui. Estou impressionado.

- Tem tudo a ver com o trabalho de equipa. Sou uma pea muito pequena no meio de toda esta engrenagem retorquiu Alex, com humildade, enquanto Jimmy lhe dava um abrao 
de despedida. E  medida que as portas do elevador se fechavam e Jimmy lhe dizia adeus, Alex retomou o trabalho.

Alex s voltou a v-lo no sbado seguinte,  tarde. Por milagre, conseguira outro sbado livre, mas tinha de trabalhar no domingo. Quando Jimmy apareceu na piscina, 
j ela, Taryn, Cooper, Mark e os midos l estavam. Taryn trazia um enorme chapu de aba larga e, como de costume, Coop estava sentado  sombra da sua rvore favorita. 
Ele atribua o aspecto jovem da sua pele ao facto de nunca se expor ao sol. E estava satisfeito por ver que Taryn procedia da mesma forma. Com Alex, acontecia o 
contrrio, o que fazia com que passasse o tempo a chate-la por apanhar demasiado sol.

Quando apareceu, Jimmy aparentava um ar mais calmo. Mal viu Alex, sorriu-lhe. Cumprimentou, ento, Coop, enquanto Mark e Taryn continuavam a conversar sobre algo 
que parecia fascin-los. Os midos no haviam convidado os amigos, por isso o ambiente era bastante calmo. Com o bom tempo, a piscina estava em festa permanente, 
mas, desta vez, eram apenas os residentes do Palacete - um alvio para Coop.

Desde que Taryn se mudara, Coop andava de muito bom humor. Passava muito tempo com ela, e j a levara a almoar ao Spago e ao L Dome, e a todos os stios que habitualmente 
frequentava. Gostava que o vissem a seu lado e de a apresentar como filha. Ningum parecia espantado, apenas fingiam haver esquecido que ele tinha uma filha j crescida. 
Alm disso, Taryn era uma mulher respeitvel. Coop apresentava-a a toda a gente, e ela parecia gostar de Hollywood. Era um mundo novo e divertido. Mais cedo ou mais 
tarde, teria de decidir se regressaria ou no a Nova Iorque, ou se

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arranjaria um negcio em Los Angeles. No queria tomar uma deciso precipitada. Estava a divertir-se e no se sentia pressionada a fazer fosse o que fosse.

Alex achava que Taryn exercia uma boa influncia sobre Coop. Embora j antes fosse uma pessoa maravilhosa, parecia menos egocntrico e mais interessado na vida das 
outras pessoas. Ao ponto de perguntar a Alex o que fizera no hospital. Mas quando ela lhe falava das complicadas intervenes mdicas em que participava, parecia 
no perceber patavina, como aconteceria com qualquer outra pessoa. Andava feliz e descontrado.

Arranjara alguns trabalhos, mas ainda no era suficiente para equilibrar as contas. Abe continuava a queixar-se. Liz tambm lhe telefonou. Ficou espantada com o 
nmero de pessoas que viviam na propriedade e algo preocupada com a possibilidade de os midos o aborrecerem. A histria de Taryn ter encontrado o pai, ao fim de 
tantos anos, comoveu-a.

- No o posso deixar sozinho cinco minutos que trata logo de arranjar um novo mundo de pessoas  sua volta.

Tal como Alex, tambm Liz o achava muito mais descontrado e feliz. Mais do que alguma vez estivera. Quando lhe perguntou por Alex, Coop foi vago. Tinha as suas 
prprias dvidas a esse respeito, mas no as partilhava com ningum. Havia uma ideia que ia tomando forma na sua cabea: se casasse com Alex, nunca mais teria de 
trabalhar; se no casasse, teria de andar atrs de papis de participao especial at ao fim da vida. Seria fcil deixar-se guiar pelo corao, mas no queria ir 
pelo caminho mais cmodo, embora uma parte de si o pressionasse nesse sentido. Alex era uma pessoa to sria e correcta, e trabalhava tanto que seria indigno da 
sua parte aproveitar-se dela. No entanto, amava-a, e a vida fcil era algo de muito tentador. As suas preocupaes financeiras desapareceriam de uma vez por todas. 
Por outro lado, receava que, cedendo a essa tentao, Alex o controlasse. Achar-se-ia no direito de o obrigar a fazer aquilo que quisesse, e isso seria um antema 
para ambos. De momento, o problema ainda parecia insolvel. E Alex no fazia a menor ideia do dilema em que ele se debatia, achava que tudo corria bem

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entre os dois. E assim era, com excepo dos problemas de conscincia de Coop, que pareciam alastrar como um tumor benigno dentro de si. Muito por culpa de Alex 
e Taryn, que haviam conseguido estimular o que de melhor havia nele. Eram mulheres extraordinrias, e exerciam forte influncia sobre Coop. Mais do que ele alguma 
vez sonhara ou desejara. A sua vida sempre fora extremamente simples, sem o fardo da conscincia. Mas a voz da conscincia parecia ter vindo para ficar. Agora s 
precisava de descobrir as respostas s perguntas que ela lhe fazia.

Ao fim da tarde, Jimmy fora com Jason comprar equipamento desportivo novo, Jessie estava sentada no extremo da piscina a arranjar as unhas na companhia de uma amiga, 
Taryn e Mark continuavam a conversar calmamente e Coop dormia debaixo da rvore. De repente, Mark virou-se para Alex e convidou os residentes da ala principal da 
casa para jantar. Os olhos de Alex voaram para os de Taryn, que fez um gesto afirmativo quase imperceptvel com a cabea. Alex aceitou o convite em nome de todos.

- Acho que j nos andamos a encontrar de mais queixou-se Coop.

Mark e Taryn tentavam jogar tnis, e no havia ningum por perto, por isso, Alex podia ser franca com ele.

- Acho que a Taryn gosta do Mark. Parece-me que a atraco  mtua, e ela queria que eu aceitasse. No somos obrigados a ir se no quiseres. Ela pode ir sozinha.

- No, tudo bem. Fao tudo o que estiver ao meu alcance pela minha nica filha - gracejou, num tom magnnimo. - Todos os sacrifcios so poucos pelos nossos filhos.

Na verdade, adorava ter uma filha de quase quarenta anos, embora ela no aparentasse essa idade. Ao dizer isto, lembrou-se de Charlene. Tinha-lhe exigido mais dinheiro. 
Queria um apartamento maior, num bairro melhor, de preferncia perto dele, em Bel Air, e estava a pensar em utilizar a piscina, uma vez que, segundo alegava, se 
sentia demasiado debilitada para ir a outro stio. Coop ficou fora de si quando o advogado lhe telefonou e respondeu-lhe que no daria nada a Charlene antes de saber 
o resultado do exame do ADN, dali a cinco ou seis semanas. At l, e atendendo ao modo como ela estava a comportar-se, era persona non grata no Palacete.

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Alex sentia pena de Coop. Compreensivelmente, era uma situao que ele detestava. E que os trazia a todos sob tenso. Recentemente, uma jovem recebera uma penso, 
de vinte mil dlares mensais, de um homem com quem andara envolvida durante dois meses. Mas o pai do beb em questo era uma estrela de rock com rendimentos astronmicos. 
O que no era o caso de Coop. Alex estava a par da sua situao econmica, depois de ter conversado com o pai. O velho actor nunca lhe falara das suas dvidas e 
continuava a gastar dinheiro com absoluto desprendimento. Embora no demonstrasse, estava preocupado com a quantia que teria de pagar a Charlene, caso o filho fosse 
seu.

s sete da noite, dirigiram-se os trs at  ala de hspedes. Taryn vestia um conjunto de cala-e-casaco de seda azul-clara, que ela prpria desenhara para a estao 
anterior. Alex trazia um par de calas de seda vermelha, uma camisa branca e umas sandlias de salto alto douradas. Parecia mais uma modelo ou uma bailarina do que 
uma mdica. Eram vestes que nada tinham a ver com as que geralmente usava no hospital. Jimmy adorou o contraste quando a viu, ao jantar.

Descreveu o seu passeio pela Unidade de Cuidados Intensivos, enquanto Taryn e Jessie ajudavam a servir o excelente spaghetti a la carbonara feito por Mark. Jimmy 
trouxera a salada. E havia tiramisu para sobremesa. Cooper trouxera duas garrafas de vintage Pouilly-Fuiss. E todos ouviram, fascinados, o que Jimmy tinha a dizer 
do trabalho de Alex. Ela ficou impressionada com a ateno com que ele ouvira as suas explicaes, e s o corrigiu uma vez, a respeito de um beb com graves problemas 
de corao e pulmes. Mas lembrava-se correctamente de tudo o resto.

- Ele sabe muita coisa sobre o teu trabalho - comentou Cooper, secamente, quando voltaram para o quarto. J passava da meia-noite. Taryn resolvera ficar mais um 
pouco. Estava a gostar de conversar com Mark e Jimmy. Os midos haviam sado com amigos e iam passar a noite em casa deles. Fora um sero agradvel. - Quando  que 
ele te foi visitar ao hospital? - indagou, com frieza. Alex ficou espantada. Estava com cimes. No havia razo para tal, mas sentiu-se lisonjeada. Era sinal de 
que a amava.

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- Esta semana. Foi fazer exames, por causa do trabalho. Bebemos um caf e, depois, fui mostrar-lhe a UCI. Ouviu tudo o que lhe disse com muita ateno.

Nem ela imaginava com quanta ateno ele a ouvira. Mas Coop estava mais ciente disso. Sabia como os homens cortejavam as mulheres. E reparara que Jimmy no s se 
sentara ao lado dela, como tambm a monopolizara durante grande parte da noite. Alex no se apercebera e no tirara os olhos de Coop, que estava sentado no outro 
extremo da mesa, entre Taryn e Mark. Mas da outra ponta, onde Mark o colocara, o velho actor tinha boa viso sobre todos os presentes. E no tirara os olhos de Jimmy 
durante toda a noite.

- Acho que ele tem um fraquinho por ti - disparou, com aspereza.

A diferena de idades entre Jimmy e Alex no era muito grande e as suas profisses tinham muitos pontos comuns. Coop pertencia a outra galxia e no estava disposto 
a competir com homens com metade da sua idade. Era uma indignidade que no toleraria e por que nunca passara. Estava habituado a ser a nica estrela no firmamento. 
Gostava que tudo girasse  sua volta.

- No sejas pateta! Ele anda demasiado deprimido para ter fraquinhos por quem quer que seja.  um farrapo desde que a mulher morreu. Diz que ainda no consegue dormir 
nem ter apetite. No outro dia, quando conversei com ele, fiquei preocupada. Acho que devia tomar antidepressivos. Mas no lhe disse nada, no o quis chatear.

- Porque no lhos receitas tu? - ripostou, num tom desagradvel. Alex ps-lhe as mos  volta do pescoo e beijou-o.

- No sou mdica dele. A ti  que te vou receitar uma coisa. - E meteu-lhe as mos por baixo da camisa. Era evidente que Coop no gostara da noite, apesar de Alex 
ter adorado. Gostava de conversar com Mark e Jimmy. Era divertido ter pessoas como eles no Palacete. - Por falar em romances, acho que o Mark e a Taryn se sentem 
atrados um pelo outro. No achas?

Coop ficou hesitante, depois fez que sim com a cabea. Achava Mark um chato.

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- Penso que ela pode arranjar coisa melhor.  uma rapariga fabulosa e quero apresent-la a alguns produtores que conheo. Teve uma vida chata, e o marido era um 
estupor. Ela precisa  de glamour e de animao.

Alex achava que ele no estava a perceber a questo. Taryn no se interessava pelo mundo das estrelas. Era uma pessoa sincera e terra a terra, e precisava de um 
homem de carne e osso. Coop queria apresent-la aos colegas e amigos. Sentia-se orgulhoso dela.

- Veremos o que acontece - disse Alex.

Foram para a cama e fizeram amor. Coop sentiu-se muito melhor depois disso, como se tivesse acabado de conquistar o seu territrio. Enervava-o ver homens mais novos 
a arrastar a asa a Alex, especialmente quando via que ela tambm lhes dava troco.

Quando acordou, na manh seguinte, j Alex sara para o hospital. Eram quase dez da noite quando lhe telefonou, depois de regressar de Malibu, onde fora com Taryn 
visitar uns amigos. Alex tivera um dia agitado. No tom de voz de Coop no havia o menor sinal da petulncia que ela detectara na noite anterior. Alex disse-lhe que 
s poderiam encontrar-se na noite seguinte, quando sasse de servio. Prometeu lev-la a um filme que ela h muito queria ver.

Alex falou ainda com Taryn. Agora, j quase pareciam uma famlia. Taryn contou-lhe que ia jantar com Mark no dia seguinte, o que deixou Alex feliz.

Pouco depois, foi para a cama. Dormia sempre vestida quando estava de servio. E deixava as socas ao lado do div, para o caso de ter de sair a correr devido a uma 
emergncia. Nunca adormecia profundamente, ficava sempre de ouvido meio  escuta do telefone. Quando este tocou, s quatro da manh, deu um pulo do div e agarrou 
no auscultador.

- Madison - respondeu, totalmente desperta. E ficou espantada ao ouvir Mark. Pensou que talvez tivesse acontecido algo a um dos filhos, ou at a Coop. Mas, se tivesse 
alguma coisa a ver com Coop, teria sido Taryn a telefonar-lhe. Algum problema? - perguntou, de chofre. A hora do telefonema deu-lhe a resposta antes de Mark.

- Houve um acidente - respondeu ele, aflito.

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- Em casa?

Talvez algum acidente com Taryn e Cooper. Mas Taryn no estava com Cooper. Mark no lhe disse que ela dormia a seu lado. Viera beber um copo, ao fim da noite, e 
os filhos haviam dormido em casa de amigos, proporcionando aos dois uma liberdade inesperada.

- Um acidente de carro.

- Coop? - indagou Alex, contendo a respirao.

- No. Jimmy. No sei o que aconteceu. No outro dia, estvamos a falar acerca do facto de no termos nenhum parente prximo a quem se pudesse telefonar em caso de 
emergncia. Deve ter posto o meu nome nos documentos. Acabaram de me telefonar. Levaram-no para a UCLA. Julgo que est na Unidade de Traumatologia. Pensei que voc 
talvez pudesse ir. Eu e a Taryn vamos j para a.

- Disseram-lhe qual era o estado clnico dele? - perguntou, preocupada.

- No, s me disseram que era grave. Despistou-se em Malibu e caiu de uma ravina com uns trinta metros. O carro ficou desfeito.

- Merda! - Pensou, de imediato, que poderia ter sido algo mais do que um simples acidente. Jimmy andava deprimido desde a morte de Maggie. - Viu-o hoje, Mark?

- No.

Vira-o na noite anterior, mas isso no queria dizer nada. Muitas vezes, os suicidas entram num estado de felicidade, de euforia at, quando tomam a deciso de se 
matar. Mas, na noite de sbado, ao jantar, parecera-lhe perfeitamente normal.

- Vou  Unidade de Traumatologia logo que arranje algum que me substitua.

Assim que Mark desligou, Alex telefonou de imediato para um colega que conhecia bem e j a substitura noutras ocasies. Contou-lhe o que se passara e disse-lhe 
que s precisava de meia hora para ir  Unidade de Traumatologia. Ele mostrou-se disponvel e, dez minutos depois, apareceu, com ar ensonado. Entretanto, telefonara 
para a unidade e a nica coisa que lhe puderam dizer por telefone foi que Jimmy se encontrava em estado crtico. J l estava h uma hora e havia uma equipa a tratar 
dele.

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Quando l chegou, falou com o chefe da equipa mdica, que a informou de que Jimmy partira as duas pernas, um brao e a bacia, tinha um traumatismo craniano e estava 
em coma. No era um quadro muito animador. Entrou na sala e manteve-se a alguma distncia para no perturbar o trabalho dos colegas. J o haviam entubado, e estava 
ligado a uma srie de mquinas. Os sinais vitais eram irregulares, e o rosto tinha tantos cortes e hematomas que estava praticamente irreconhecvel. Doeu-lhe o corao 
quando o viu.

- O traumatismo craniano  grave? - perguntou ao chefe da equipa.

- Ainda no sabemos. Talvez tenha tido sorte. O electroencefalograma est bastante bom. Mas est em coma profundo. Tudo depende do aumento da presso craniana, que 
no se pode prever, e do tempo que estiver em coma. - De momento, haviam decidido no o operar para aliviar a presso craniana. Esperavam que esta voltasse ao normal 
sem interveno cirrgica. O tempo era fundamental. E a sorte. Alex aproximou-se e observou-o durante alguns instantes, em silncio. J lhe haviam tratado das fracturas 
das pernas e do brao, e limpado as feridas, mas Jimmy estava gravemente ferido.

Dirigiu-se at  sala de estar, onde j se encontravam Mark e Taryn.

- Est muito mal? - indagou Taryn, ainda antes que Mark conseguisse articular qualquer palavra.

- Muito. Mas poderia ter sido pior. E o estado dele inda pode piorar, antes de melhorar.

No disse "se melhorar", mas pensou.

- O que  que acha que aconteceu? - perguntou Mark.

Jimmy no bebia muito e era pouco provvel que estivesse a conduzir embriagado. Mas Alex no queria partilhar as suas suspeitas com eles. Partilhara-as com o mdico 
assistente. No que fizesse muita diferena nessa altura. Talvez mais tarde: se Jimmy tentara suicidar-se, teria de vigi-lo de perto quando sasse de coma.

"Conhece este tipo?", perguntara-lhe o mdico assistente, e Alex respondera-lhe que eram amigos. Falara-lhe ainda de

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Maggie. Ele tomou nota desse facto no quadro, com um ponto de interrogao vermelho.

Alex explicou a Mark e Taryn, da forma mais simples que conseguiu, quais os perigos do aumento da presso craniana e o que isso poderia significar para Jimmy.

- Quer dizer que ele pode ter morte cerebral? - Mark ficou horrorizado. Ele e Jimmy tinham-se tornado bons amigos, e no queria que nada de terrvel lhe acontecesse.

- Pode, mas temos esperana de que isso no acontea. Tudo depende do tempo que demorar a sair de coma. Dentro de pouco tempo, j saberemos se o seu estado sofreu 
alteraes.

- Meu Deus! - Mark passou as mos pelo cabelo, transtornado. Taryn partilhava a mesma angstia. - Talvez devssemos telefonar  me.

- Tambm acho - retorquiu Alex. Havia sempre a possibilidade de ele morrer. O seu estado era crtico. Quer que eu telefone? - No eram telefonemas fceis de fazer, 
mas dar ms notcias fazia parte do seu trabalho.

- No, eu telefono. Devo isso ao Jimmy. - Mark no era pessoa que fugisse s responsabilidades. Encaminhou-se para o telefone e tirou da carteira um nmero que Jimmy 
lhe dera para uma eventualidade como aquela. Nunca lhe passara pela cabea que tivesse de o usar um dia. E ali estava ele a telefonar  me, a inform-la de que 
o filho estava em coma.

- Que tal  que ele est? - perguntou Taryn a Alex, em voz baixa, quando Mark foi telefonar. Alex tinha um ar desolado.

- Est muito maltratado.

Alex deu as mos a Taryn, enquanto esperavam que Mark voltasse. Quando regressou vinha comovido e levou alguns instantes a recompor-se.

- Pobre mulher. Senti-me como se lhe tivesse dado uma machadada no corao. Por aquilo que Jimmy dizia, ele  a nica pessoa que tem na vida.  viva, e ele  filho 
nico.

-  muito velha? - indagou Alex, preocupada com o seu bem-estar.

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- No sei, nunca perguntei ao Jimmy - respondeu Mark, pensativo. - No me pareceu muito velha, mas no sei dizer. Desatou a chorar mal lhe contei. Disse que ia apanhar 
o prximo avio para Los Angeles. Deve chegar dentro de oito, nove horas.

Alex foi ver Jimmy novamente, mas ainda no houvera qualquer alterao. E teve de voltar para a sua unidade, deixando Mark e Taryn na sala de estar. Mark perguntou-lhe 
se ia telefonar a Coop. Eram cinco da manh.

- Espero mais algumas horas e ligo-lhe por volta das oito.

Alex deu-lhe o nmero da sua extenso e do bipe, e pediu que lhe telefonassem se acontecesse alguma coisa. Quando saiu, estavam abraados um ao outro, e Taryn tinha 
a cabea sobre o ombro de Mark.

Nessa manh, graas a Deus, as coisas estavam calmas na Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia, e Alex, tal como havia dito, telefonou a Coop pouco passava 
das oito. O velho actor ainda estava a dormir e ficou surpreendido por Alex lhe telefonar to cedo, mas no se importou. Tinha de se levantar, de qualquer das formas, 
e Paloma no tardaria com o pequeno-almoo.

- O Jimmy teve um acidente ontem  noite - informou Alex, num tom sombrio, logo que Coop ficou completamente desperto.

- Como  que sabes? - indagou, desconfiado.

- O Mark telefonou-me. Ele e a Taryn esto na Unidade de Traumatologia. Despistou-se na Canyon Road, em Malibu. Tem uma srie de fracturas e est em coma.

Coop ficou impressionado com a notcia.

- Achas que ele se safa?

- Nesta altura,  difcil dizer. No se sabe ainda como  que o estado dele vai evoluir. Depende muito da presso craniana, das partes do crebro afectadas e do 
tempo que demorar a sair do coma. Os ossos fracturados no o vo matar. O mesmo no se podia dizer do resto.

- Pobre tipo. No tem uma pontinha de sorte. Primeiro, a mulher, e agora, isto. - Alex no lhe falou das suas suspeitas de ter sido ele a provocar o acidente. No 
possua dados que pudessem confirmar a sua tese, apenas o seu instinto, 

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e o pouco que conhecia dele. - Bem, vai-me dando notcias.

- No queres vir ter connosco?

Alex achava que a iniciativa deveria ter partido dele, mas a Coop no lhe havia ocorrido tal coisa. No havia nada que ele pudesse fazer por Jimmy. Alm disso, detestava 
hospitais. Deixavam-no nervoso.

- No adianta nada eu ir ter com eles. Alm disso, j  tarde para desmarcar o meu preparador fsico.

Era uma desculpa esfarrapada, mas no tinha a menor vontade de ver Jimmy todo entubado. Esse tipo de coisas dava-lhe nuseas.

- Eles esto extremamente abalados com a situao pressionou-o Alex, mas Coop no mordeu o isco.

-  compreensvel. Descobri, h anos, que ficar sentado na sala de espera de um hospital no ajuda ningum. S serve para ficarmos mais deprimidos e chatearmos os 
mdicos. Diz-lhes que os levo a almoar fora, se ainda estiverem a  hora de almoo.

Coop recusava-se a admitir a gravidade da situao, o que tornava as coisas mais fceis para si.

- No acho que queiram deixar o Jimmy sozinho. Nem estariam com disposio para ir almoar fora. Mas

Coop evitava o drama a todo o custo. O hospital era um stio onde no poria os ps, em nenhuma circunstncia.

- Se aquilo que me ests a dizer  verdade, e acredito que sim, tanto faz eles estarem a na sala de estar, angustiados, como a almoar no Spago.

Alex achou as suas palavras de um profundo mau gosto, mas no lhe disse nada. Era uma perspectiva completamente diferente da sua. E sabia, por experincia prpria, 
que as pessoas tinham reaces estranhas em situaes de stresse. Coop parecia querer evitar a situao.

Alex telefonou para a Unidade de Traumatologia s dez, mas no se registava ainda qualquer evoluo no estado de Jimmy. A nica coisa que Mark sabia era que Mrs. 
O'Connor j apanhara um avio. Esperava-se que ela chegasse ao hospital pouco depois do meio-dia, se tudo corresse normalmente. Mal arranjou tempo livre, Alex deslocou-se 
de imediato 

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 Unidade de Traumatologia. Mark e Taryn ainda se encontravam no mesmo stio. Mark estava com ar destroado, e Taryn tinha acabado de ir fumar um cigarro. Alex dirigiu-se 
aos Cuidados Intensivos. Falou com as enfermeiras, que a informaram que Jimmy se encontrava num coma ainda mais profundo. As esperanas de sobrevivncia no eram 
muitas.

Alex postou-se, ento, em silncio, ao lado dele, e tocou-lhe, muito ao de leve, no ombro nu. Estava ligado a um sem-nmero de monitores e ainda tinha agulhas intravenosas 
em ambos os braos. Fora necessrio fazer-lhe uma transfuso de sangue, para compensar as hemorragias internas.

- Ol, mido - disse Alex, em voz baixa, logo que uma das enfermeiras se foi embora e a deixou a ss com ele. Que raio ests aqui a fazer? Acho melhor acordares 
j... - Os olhos encheram-se-lhe de lgrimas. Assistia a tragdias todos os dias, mas esta era diferente. Tratava-se de um amigo, e no queria v-lo morrer. - Sei 
que tens saudades da Maggie, Jimmy... mas todos te adoramos... tens uma vida inteira  tua frente... o Jason vai ficar destroado se te acontecer alguma coisa... 
tens de voltar j, Jimmy!... tens de...

As lgrimas corriam-lhe pelas faces. Continuou ao lado dele, a falar-lhe, num tom firme mas meigo, durante uma boa meia hora. No fim, beijou-o na face, tocou-lhe 
ao de leve no brao e voltou para a sala de estar.

- Como  que ele est? - Mark continuava em pnico. Taryn estava exausta. Tinha a cabea encostada a uma cadeira e os olhos fechados. Mal ouviu Alex, abriu-os e 
sentou-se.

- Mais ou menos na mesma. Pode ser que reaja, quando ouvir a voz da me.

- Achas que poder ter algum efeito nele? - Taryn parecia perplexa. J ouvira falar no assunto, mas nunca acreditara.

- No sei. Contaram-me que os doentes em coma conseguem ouvir as pessoas que falam com eles. As pessoas regressam dos limiares da morte das formas mais estranhas. 
A Medicina tem tanto de arte como de cincia. Eu no hesitaria um segundo sequer, se soubesse que isso poderia ajudar um dos meus bebs.

- Talvez devssemos tentar - props Mark, ansioso. Estava com medo da reaco da me de Jimmy. No fazia a

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mnima ideia da idade que teria, pois, se fosse j muito idosa e dbil, talvez no resistisse ao choque. - Podemos v-lo?

J o tinham visto, por instantes, da porta. Mas agora, parecia haver menos frenesim  sua volta. Alex foi perguntar se podiam v-lo. Fez-lhes sinal para entrar. 
Taryn s aguentou um ou dois minutos, depois saiu, lavada em lgrimas. Mark manteve-se firme ao lado do amigo e falou com ele, como Alex sugerira. Porm, ao fim 
de alguns minutos, ficou com a voz de tal modo embargada que teve de parar de falar. Jimmy no tinha boa cor, e embora ainda no estivesse-s portas da morte, parecia 
moribundo. Alex sabia que essa possibilidade existia, e at Mark se apercebia disso.

Sentaram-se os trs, na sala de estar e choraram pelo amigo. Fora uma manh de pesadelo e encontravam-se todos assustados e exaustos.

Antes de Alex voltar para o servio, Mark perguntou-lhe se Coop viria ao hospital.

- No creio. Tem um compromisso esta manh. No teve coragem de lhes dizer que o compromisso era

com o preparador fsico. Sabia que se tratava de uma desculpa, e algo lhe dizia que Coop tinha um medo pavoroso de hospitais.

Foi telefonando para a Unidade de Traumatologia de hora a hora. Ao meio-dia e meia, Mark enviou-lhe uma mensagem a dizer que Mrs. O'Connor j se encontrava no hospital. 
Tinha ido ver o filho mal chegara.

- Como  que ela est? - perguntou Alex, extremamente preocupada.

- Est de rastos. Mas quem  que no est?

- Vou para a dentro de minutos - prometeu Alex, mas eram quase duas horas quando l chegou. Tinha surgido uma situao de emergncia. - Onde est a me do Jimmy?

- Ainda est l dentro com ele. H quase uma hora. No sabiam se seria bom se mau sinal. Mas Alex no a censurava. Mesmo com trinta e trs anos, Jimmy continuava 
a ser o seu menino. No era muito diferente das mes que se sentavam, com ar angustiado, horas a fio, a olhar para os seus bebs. S que ela conhecia-o melhor e 
tivera mais tempo para o amar. Mas tambm tinha mais a perder, se ele morresse.

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- No quero intrometer-me - disse, cautelosamente, mas Mark e Taryn convenceram-na a ir dar uma olhadela. Quando entrou, ficou espantada com o que viu. No deparou 
com nenhuma senhora de idade, mas com uma mulher pequenina, muito atraente, de cinquenta e poucos anos. Com os cabelos escuros apanhados num rabo-de-cavalo e sem 
maquilhagem, parecia ainda mais nova. Envergava calas de ganga e uma camisola de gola alta preta. Era a verso feminina de Jimmy,  excepo da silhueta, mais magra 
e nada atltica, e dos olhos, enormes e azuis, e no castanho-escuros como os dele. Mas as feies eram muito parecidas com as do filho.

Estava a falar-lhe calmamente em voz baixa, tal como Alex fizera nessa manh. E levantou os olhos quando a viu. Julgou tratar-se de uma enfermeira, ou de uma mdica.

- H algum problema? - indagou, em pnico, olhando para os monitores e, depois, novamente para Alex.

- No, desculpe... sou amiga de Jimmy... Trabalho aqui.  uma visita informal.

Valerie O'Connor fitou-a com olhar triste, durante alguns instantes, depois, continuou a falar com Jimmy. Quando levantou novamente os olhos, Alex ainda se encontrava 
junto dela e Valerie agradeceu-lhe.

Alex voltou para junto de Mark e de Taryn. Estava mais aliviada por a me de Jimmy ser suficientemente jovem para aguentar o choque. Nem sequer aparentava idade 
para ter um filho com trinta e trs anos.

-  uma senhora simptica - comentou Alex, enquanto se sentava ao lado deles, exausta. Era mais difcil lidar com amigos do que com pacientes.

- O Jimmy  louco por ela - acrescentou Mark.

- Vocs j comeram? - Ambos fizeram que no com a cabea. - Deviam ir comer qualquer coisa  cafetaria.

- No consigo comer nada - disse Taryn, com ar abatido.

- Eu tambm no - acrescentou Mark. No fora trabalhar e encontrava-se na sala de espera h nove horas.

- O Coop vem c ter? - indagou Mark de novo. Estava espantado por o velho actor ainda no ter aparecido. Achava que ele tambm deveria estar ali.

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- No sei. Tenho de lhe telefonar - respondeu Alex. Ia sair de servio dentro de trs horas e estava a pensar voltar a passar por Jimmy, nessa altura, para ver a 
evoluo do seu estado. Mark tambm teria de voltar para casa por causa dos filhos. Taryn precisava de descansar, estava arrasada. Aguentava ali, com grande estoicismo, 
desde a primeira hora. Alex telefonou a Coop quando chegou  UCI. Acabara de lanchar junto  piscina e parecia estar de muito bom humor.

- Como vai, doutor Kildare? - gracejou. Alex achou o tom desadequado para a ocasio. Apercebeu-se, ento, de que ele no tinha a menor ideia da gravidade do estado 
de Jimmy. Explicou-lhe detalhadamente o que se passava. - Eu sei, querida, eu sei. Mas no posso fazer nada e acho melhor no ficar deprimido. J basta vocs os 
trs. Nada posso fazer para melhorar o estado dele. E pr-me para aqui feito histrico contigo tambm no o vai ajudar em nada. - Tinha razo, mas estas palavras 
no caram bem a Alex. Parecia fingir que nada acontecera, e ela continuava a pensar que Coop tambm deveria estar perto de Jimmy, gostasse ou no de hospitais. 
Jimmy podia morrer a qualquer momento, e a atitude de Coop chocava-a. - Alm disso, detesto hospitais, excepto quando vou ter contigo. Todos aqueles aparelhos fazem-me 
nervoso miudinho.  to desagradvel...

"A vida, s vezes, tambm  desagradvel", pensou Alex. Tambm Jimmy tivera de passar por uma situao "desagradvel" aquando da morte de Maggie. Tratara dela at 
ao ltimo momento e recusara-se a aceitar a ajuda de uma enfermeira. Achou que era esse o seu dever e quis cumpri-lo at ao fim. Mas as pessoas eram diferentes. 
Coop no gostava de lidar com coisas que no fossem nem bonitas nem agradveis. E os comas no eram agradveis, nem os acidentes, nem o aspecto de Jimmy. Mas, ao 
evitar uma situao destas, Coop no estava a dar apoio a ningum.

- Quando  que voltas para casa? - perguntou, como se nada tivesse acontecido. - Sempre vamos ao cinema?

Ao ouvir aquilo, Alex sentiu como que um baque.

- No posso. No sou capaz. Vou ficar por aqui mais um pouco a tentar dar apoio  me dele. O Mark e a Taryn

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no tardam a ir para casa. Acho que no ficaria bem com a minha conscincia se deixasse uma me sozinha com o filho comatoso numa cidade estranha.

- Que ternura! - ripostou Cooper, em tom de mofa. No achas que ests a levar isto longe de mais, Alex? Por amor de Deus! Ele no  teu namorado! Pelo menos, espero 
que no.

Alex nem sequer se dignou responder-lhe. O comentrio era insultuoso e denotava grande insensibilidade. Os cimes que Coop sentia de Jimmy eram inteiramente despropositados.

- Vou para casa mais logo.

- Talvez a Taryn queira ir ao cinema comigo.

O tom era petulante, e Alex sentiu um arrepio. Coop estava a comportar-se como um menino mimado, no como uma pessoa adulta. Esta faceta infantil fazia parte do 
seu charme.

- No creio que ela v, mas no custa perguntares-lhe. At logo! - retorquiu Alex, num tom brusco, e desligou. A reaco de Coop estava a transtorn-la.

s seis horas, quando saiu de servio e foi ter com Mark e Taryn, j eles estavam de sada. A me de Jimmy encontrava-se tambm na sala de espera. Aparentava uma 
certa compostura, apesar do ar triste. Mas no parecia to abatida quanto eles. Tambm tivera um dia difcil, com o choque da notcia e as vrias horas de voo desde 
Boston at Los Angeles. Mark e Taryn partiram pouco depois. Alex ofereceu-se para lhe ir buscar uma sopa e uma sandes ou um caf.

-  muito simptica - agradeceu Valerie, esboando um sorriso -, mas acho que no consigo comer o que quer que seja. - Acabou por aceitar um pacote de bolachas e 
uma tigela de sopa que Alex lhe trouxe do bar das enfermeiras. - Que sorte a senhora conhecer os cantinhos aqui no hospital - comentou, reconhecida. - Ainda no 
acredito que isto aconteceu. Coitado do Jimmy. Tem tido uma vida muito complicada. Primeiro, foi a Maggie que adoeceu e morreu, e agora isto. Estou preocupada com 
ele.

- Tambm eu - disse Alex, com voz sumida.

- Ainda bem que ele tem excelentes amigos aqui. Graas a Deus que deu o meu nmero de telefone ao Mark.

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E as duas mulheres ficaram a conversar durante algum tempo. Valerie quis saber coisas do trabalho de Alex e j tinha conhecimento da sua relao com Coop. Mark explicara-lhe 
a situao a fim de evitar que ela pensasse que se tratava da namorada de Jimmy. Mas o filho j lhe dissera, nos muitos telefonemas que haviam trocado, que no voltara 
a sair com uma mulher desde a morte de Maggie. E Valerie receava que ele nunca mais andasse com ningum. Jimmy e Maggie formavam um casal perfeito, tinham tido um 
casamento invejvel, tal como ela. H dez anos que era viva e h dez anos que no sentia qualquer atraco por ningum. Aos seus olhos, no havia outro homem na 
Terra como o pai de Jimmy. Ningum conseguiria substitu-lo e ela tambm no tinha qualquer vontade de tentar.

Conversaram durante bastante tempo. Valerie pediu a Alex que a acompanhasse da prxima vez que fosse ver Jimmy. Confessou que o facto de ir acompanhada lhe dava 
mais coragem. No final da conversa, Valerie no conseguiu conter a emoo e chorou. No imaginava a vida sem ele. Era tudo o que tinha no mundo, embora levasse uma 
vida muito ocupada. Fazia trabalho de voluntariado com cegos e sem-abrigo, em Boston. Mas Jimmy era o seu nico filho, e o simples facto de saber que ele estava 
algures no mundo, mesmo que longe dela, fazia com que a vida tivesse sentido.

Eram quase dez horas quando Alex pediu a uma enfermeira que preparasse uma cama para Valerie no corredor das traseiras. No queria deixar o filho sozinho. Preferia 
ficar no hospital, para o caso de acontecer alguma coisa.

Eram dez e meia quando Alex telefonou a Coop, mas ele no estava em casa. Taryn informou-a de que o pai fora ao cinema.

- Acho que os hospitais o pem nervoso - explicou, mas Alex j sabia disso h muito. Continuava a irrit-la o facto de ele nem sequer tentar enfrentar a situao, 
preferindo fazer de conta que nada acontecera.

- Diz-lhe que, hoje, durmo em minha casa. Tenho de estar no hospital s cinco da manh. E no quero acord-lo quando me levantar.

- Deixo-lhe um bilhete. Tambm estou estoirada.

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Alex disse-lhe que o estado de Jimmy continuava estacionrio.

Quando foi despedir-se de Valerie, j ela cara no sono. Saiu em bicos de ps e, nessa noite, ao deitar-se, pensou em Coop, tentando perceber o que sentia. Quando, 
por fim, se aninhou para adormecer, j chegara  concluso de que no estava zangada, apenas desapontada. Pela primeira vez, vira uma faceta de Coop de que no gostava. 
Ainda o amava, mas deixara de o respeitar. Desiludira-a profundamente.
CAPTULO 20

Na manh seguinte, no hospital, Alex telefonou a Coop, que lhe disse que ela perdera um filme magnfico. Continuava a recusar-se a encarar a situao. Nem sequer 
lhe perguntara como Jimmy estava. No entanto, Alex prontificou-se a inform-lo de que o seu estado continuava estacionrio. Mas Coop tratou logo de mudar de assunto.

- A saga continua - comentou, como se o que Alex acabara de dizer lhe fosse indiferente. Teve vontade de o abanar. No entendia que a vida de um homem estava por 
um fio?

Quando encontrou Taryn, na Unidade de Traumatologia, falou-lhe no assunto. Mark e Valerie estavam com Jimmy.

- Acho que ele no gosta de lidar com situaes difceis reconheceu Taryn.

Tambm ficara um pouco espantada com a reaco do pai, que, ao pequeno-almoo, lhe falara na necessidade de evitar a "energia negativa". Mas Taryn suspeitava que 
o sentimento de culpa o torturava. Por mais natural que fosse a sua reaco, Coop tinha conscincia de que no estava a agir correctamente. Mas o que mais aborrecia 
Alex era a forma como ele conseguia alhear-se por completo da situao. Nem sequer oferecera os seus prstimos a ningum. Alex sentia-se enganada. E pensou, com 
alguma preocupao, no que ele faria se, um dia, lhe acontecesse alguma coisa "negativa" a ela. Enfrentaria a situao, ou iria ao cinema? Era assustador v-lo fazer 
tudo o que podia para fugir.

Nesse dia, depois de sair do hospital, Alex foi at ao Palacete. Mas no queria pressionar demasiado Coop. Ele recebeu-a com toda a amabilidade, e at encomendara 
um delicioso jantar no Spago. Era a sua forma de a compensar pelo que no fizera. Para ele, a palavra "desagradvel" no existia. Tudo tinha de ser bonito, divertido, 
elegante. Conseguira expulsar da sua vida as coisas de que no gostava, ou que o assustavam, e s admitia as que achava divertidas e lhe davam

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prazer. O problema era que a vida real no era assim. Na vida, havia mais coisas desagradveis do que agradveis. Mas no no mundo de Coop. A, no deixava entrar 
as coisas ms, fingindo, para si e para todos quantos o rodeavam, que no existiam. O que contava era o gozar as coisas boas da vida. Apesar de tudo, tiveram uma 
noite maravilhosa, relaxante. Aos olhos de Alex, uma noite surrealista.

Entretanto, Alex telefonou para o hospital para se inteirar do estado de Jimmy, mas no disse nada a Coop. No houvera qualquer alterao. As esperanas comeavam 
a ser mais tnues. Estava em coma h quase quarenta e oito horas. E, a cada dia que passava, as hipteses de uma recuperao total iam diminuindo. Jimmy tinha mais 
um, dois dias para acordar do coma. A partir da, a possibilidade de uma recuperao total estaria definitivamente posta de lado. Poderia sobreviver, mas no seria 
a mesma pessoa. A nica coisa que Alex podia fazer agora era... rezar. Nessa noite, quando se deitou ao lado de Coop, Alex sentia-se profundamente angustiada, no 
apenas por causa de Jimmy, mas por causa da faceta de Coop que acabava de descobrir e a deixava deprimida.

No dia seguinte, estava de folga, mas, mesmo assim, foi ao hospital, para conversar um pouco com Valerie e visitar Jimmy.

- Obrigada por me vir fazer companhia - disse Valerie.

Estiveram sozinhas durante todo o dia. Mark fora trabalhar. Coop andava em filmagens para um anncio a uma empresa farmacutica nacional, e insistira em levar Taryn 
consigo.

Valerie e Alex ficaram na sala de estar durante horas e iam, de quando em quando, junto de Jimmy. Falavam sem parar, como se ele conseguisse ouvi-las. Entretanto, 
num desses perodos de viglia, Alex, que se encontrava aos ps da cama enquanto Valerie falava com ele, viu-o mexer um dedo do p. Ao princpio, ainda pensou tratar-se 
de um reflexo. Ento, todo o p se mexeu. Alex olhou para o monitor, depois, para a enfermeira. Esta tambm vira. De seguida, muito lentamente, Jimmy procurou a 
mo da me e apertou-a. Havia 

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lgrimas no rosto de Alex e Valerie, que no parou de falar, dizendo-lhe, numa voz muito calma, que o amava muito e que estava muito feliz por ele se sentir melhor, 
embora na realidade os sinais fossem ainda muito tnues. S ao fim de meia hora  que Jimmy abriu os olhos e, quando o fez, olhou para a me.

- Ol, me - murmurou.

- Ol, Jimmy - respondeu Valerie, sorrindo por entre lgrimas.

Alex teve de conter um soluo que quase a sufocava.

- Que aconteceu?

- s um pssimo condutor - respondeu a me, e at a enfermeira se riu.

- Como est o carro?

- Em pior estado do que tu. Terei todo o prazer em comprar-te um novo.

- Est bem. - Jimmy fechou os olhos, para os abrir de novo e encarar com Alex. - Que fazes aqui?

- Estou de folga e aproveitei para te vir visitar.

- Obrigado, Alex - retorquiu Jimmy, adormecendo. O mdico assistente apareceu, minutos depois, para o examinar.

- Conseguimos! - exclamou, com um sorriso radiante. Tratava-se de uma vitria de toda a equipa. E, enquanto examinavam Jimmy, Valerie soluava nos braos de Alex, 
no corredor. Chegara a pensar que o filho no resistiria. Sentia um alvio imenso.

-J passou... vai correr tudo bem... - confortou-a Alex, enquanto a abraava. Fora uma terrvel provao para Valerie.

Alex conseguiu, finalmente, convenc-la a passar a noite em casa de Jimmy. Descobrira uma chave sobressalente. Coop ainda se encontrava em filmagens quando chegaram. 
Alex verificou se Valerie tinha tudo o que precisava.

- Tem sido maravilhosa comigo - agradeceu Valerie, com os olhos marejados de lgrimas. Tudo a fazia chorar. Haviam sido dois dias de autntico pesadelo, e comeava 
a sentir-se seriamente abalada. - Quem me dera ter uma filha

como voc!
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- E quem me dera ter uma me como a senhora! - retorquiu Alex, sorrindo, antes de a deixar.

Alex sentia-se agora bastante aliviada. s onze horas, quando Coop chegou, j ela tomara um banho e lavara a cabea. Tambm fora um dia desgastante para ele.

- Oh, meu Deus, estou exausto! - queixou-se Coop, enquanto enchia trs clices de champanhe. - Fiz peas na Broadway que demoraram menos tempo do que as filmagens 
para este anncio horroroso.

Mas, pelo menos, pagaram-lhe bem, e Taryn achara interessante o que vira. Conseguira abstrair-se um pouco da situao de Jimmy, mas fizera vrios telefonemas ao 
longo do dia para se inteirar do seu estado.

- Que tal foi o teu dia, querida? - perguntou Coop, num tom descontrado.

- Excelente. - Alex sorriu para Taryn, que j sabia da novidade. - Jimmy acordou hoje. Vai ficar internado por uns tempos, mas vai conseguir recuperar.

A voz embargou-se-lhe. Fora uma experincia emocionante para todos, excepto para Coop.

- E viveram todos muito felizes - acrescentou ele, esboando um sorriso de superioridade. - Como vs, minha querida, as coisas acabam por se resolver por si s. 
 muito mais fcil deix-las na mo de Deus e irmos  nossa vida.

Estas palavras eram a negao do que Alex fazia, da sua profisso. Indubitavelmente que Deus controlava tudo, mas ela tambm contribua com o seu quinho.

-  uma forma de ver as coisas - retorquiu, calmamente.

- Como est a me dele? - indagou Taryn, preocupada.

- Um pouco abatida. Levei-a para casa do Jimmy.

- Com a idade dela, teria sido prefervel ficar num hotel, sempre tm servio de quartos - disse Coop. Como de costume, tinha o mesmo aspecto imaculado e elegante 
daquela manh, quando sara para as filmagens.

- Talvez no tenha dinheiro para ficar num hotel, e no  to velha como espervamos.

- Que idade  que ela tem? - perguntou Coop, parecendo surpreendido.

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- Cinquenta e trs anos - respondeu Taryn. - J lhe perguntei.  uma mulher muito bonita. Mais parece irm dele.

- Bem, pelo menos no temos de nos preocupar com a hiptese de ela cair e fracturar a anca - gracejou Coop, feliz com aquele desenlace e, naturalmente, aliviado 
por Jimmy se ter salvo. S no gostava de melodramas. Agora todos podiam voltar a fazer a sua vida normal. - Bem, o que  que vamos fazer amanh? - perguntou, com 
ar radiante.

Ganhara algum dinheiro e estava extremamente bem-disposto. E, agora, Jimmy tambm ia ficar bom. Alex sentiu-se aliviada por ver que Coop estava feliz com a recuperao 
de Jimmy.

- Vou trabalhar - respondeu Alex, a rir.

- Outra vez? - Coop parecia desapontado. - Que chatice! Pensei que estivesses de folga e pudssemos ir fazer compras  Rodeo Drive.

- Adoraria. - Alex sorriu. s vezes, Coop ficava com um ar to infantil que ela no conseguia continuar zangada com ele. A sua atitude relativamente a Jimmy desgostara-a 
bastante. - Acho que, no hospital, no gostariam muito de saber que eu no tinha ido trabalhar para andar s compras. Seria difcil de explicar.

- Diz-lhes que ests com dor de cabea, ou que achas que h amianto no hospital e os vais processar..

- Talvez v trabalhar - insistiu Alex, rindo.

 meia-noite, foram todos para a cama. Alex e Coop fizeram amor. Na manh seguinte, ela beijou-o antes de sair. Perdoara-lhe a falta de simpatia por Jimmy. Algumas 
pessoas no sabem lidar com emergncias ou problemas mdicos. Estes eram-lhe to familiares que tinha dificuldade em aceitar que outras pessoas no conseguissem 
agir como ela. Mas nem toda a gente conseguia fazer o que ela fazia. Sentia uma necessidade premente de arranjar desculpas para o comportamento de Coop. Estava disposta 
a desculp-lo desta vez. Era algo que tinha de fazer. O amor, pelo menos aos seus olhos, tinha a ver com compaixo, compromisso e perdo. A definio de Coop talvez 
fosse um pouco diferente. Teria a ver com beleza, elegncia e romance.

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Nesse dia, durante a sua hora de almoo, Alex aproveitou para ir ver Jimmy. A me fora  cafetaria comprar uma sanduche, e falaram dela por uns instantes. Alex 
disse que a adorava. Jimmy concordou. Estava calmamente deitado na cama. Ia deixar a UCI no dia seguinte.

- Obrigado por teres estado ao p de mim enquanto estive em coma. A minha me disse-me que, ontem, estiveste aqui o dia todo. Foi muito simptico da tua parte. Obrigado.

- No queria que ela ficasse aqui sozinha.  um stio aterrador para qualquer pessoa - explicou Alex, de olhos fixos nele. Ento, resolveu desafi-lo. Jimmy j se 
encontrava em condies de responder  pergunta que andava a atorment-la desde o dia do acidente. - Como  que aconteceu o acidente? Presumo que no andaste a beber. 
- Estava sentada muito perto dele, e, sem pensar, Jimmy pegou-lhe na mo.

- No, no bebi... no sei, julgo que o carro ficou descontrolado. Pneus velhos... traves velhos... qualquer coisa velha...

- O acidente aconteceu por acaso ou foi provocado? A voz de Alex mais parecia um murmrio. Jimmy fez uma longa pausa, depois, olhou-a nos olhos.

- Para ser sincero, Alex, no tenho a certeza... j fiz essa pergunta a mim mesmo. Estava a pensar nela... fazia anos no domingo que... foi fraco de segundos. 
Acho que comecei a derrapar, e deixei-me ir, e, quando tentei parar, no consegui dominar o carro. Depois, tudo se apagou, e acordei aqui. Era exactamente aquilo 
de que ela suspeitara. Jimmy estava to horrorizado como Alex. - Jamais voltaria a fazer uma coisa assim, mas naquela fraco de segundos atirei-me para os anjinhos... 
felizmente, eles no me quiseram l e mandaram-me de volta.

- Foi um susto tremendo - disse Alex, num tom triste. Magoava-a pensar na dor que o atormentara durante tanto tempo. Aprendera a lio da pior forma. Confrontara 
todas as suas angstias e terrores, e sobrevivera para contar a sua experincia. - Acho que o acidente foi uma boa terapia.

- Sim. Tambm acho. Tenho pensado muito nisso. J no suportava a constante sensao de angstia. Sentia-me a



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afundar e no conseguia vir  superfcie. Pode parecer uma loucura dizer isto, mas sinto-me muito melhor agora.

- Folgo em ouvir isso. No vou tirar os olhos de cima de ti. S te vou largar quando conseguir ver-te pular de alegria  porta de casa.

Jimmy riu-se da imagem que Alex criara.

- No creio que v dar muitos saltos.

Ia andar de cadeira de rodas durante um tempo, depois passaria para canadianas. A me prontificara-se a ficar para o acompanhar durante o perodo de recuperao. 
Os mdicos achavam que, dentro de seis, oito semanas, Jimmy j poderia andar. Estava ansioso por voltar ao trabalho, o que era um bom sinal.

- Alex - disse, cautelosamente -, obrigado pelo apoio que me tens dado. Mas como  que soubeste o que aconteceu?

- Sou mdica, lembras-te?

- Sim, mas os prematuros no conduzem carros por ravinas abaixo.

- Simples intuio. No sei porqu, mas, quando o Mark me deu a notcia, desconfiei logo.

- s uma mulher inteligente.

- Gosto muito de ti - retorquiu Alex, num tom srio. Jimmy tambm gostava dela, mas no se atrevia a dizer-lho.

Quando Valerie regressou com a sanduche, Alex voltou aos seus afazeres. Valerie teceu-lhe, ento, um ror de elogios e estava ansiosa por saber mais coisas sobre 
ela.

- O Mark diz que  a namorada do Cooper Winslow. No o achas um pouco velho para ela?

Ainda no se encontrara com Coop, mas sabia quem ele era. O filho, Mark e Alex j lhe haviam falado muito nele.

- Aparentemente, ela no  da mesma opinio.

- Como  que ele ? - perguntou, enquanto comia a sanduche de po integral com peru.

Jimmy estava de dieta e, ao v-la comer, ficou esfomeado. Era a primeira vez, em muito tempo, que se lembrava de sentir fome. Comeava a acreditar que talvez tivesse 
conseguido exorcizar os seus demnios. Talvez o acidente acabasse por se revelar uma bno.

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- Coop  arrogante, bem-parecido, charmoso, corts e egosta. O problema  que ela no v isso.

- No estejas to seguro disso - retorquiu, desconfiada de que o filho estava apaixonado por Alex. - Ns, as mulheres, temos uma maneira especial de ver as coisas: 
s lidamos com elas quando nos convm. Temo-las em arquivo. Mas no quer dizer que no as vejamos. Alm disso, Alex  uma mulher jovem e inteligente.

-  brilhante - acrescentou Jimmy, confirmando as suspeitas da me.

- Sem dvida. No ir cometer erros. Talvez s esteja interessada em andar com ele algum tempo, embora deva dizer que me parece uma combinao muito estranha, por 
tudo aquilo que tenho ouvido dele.

Mas ficou muito impressionada, no dia seguinte, quando mandaram Jimmy para um quarto particular, e Coop enviou um gigantesco ramo de flores ao filho. Ainda pensou 
que talvez tivesse sido Alex, mas concluiu que no. Era o tipo de buque que um homem mandava, no uma mulher. Um homem que est acostumado a deixar as mulheres pelo 
beicinho. Nem sequer passara pela cabea de Coop mandar menos de quatro dzias de rosas.

- Achas que ele quer casar comigo?

- Espero bem que no! - retorquiu Valerie.

Mas tambm esperava que Coop no casasse com Alex. Merecia melhor do que um actor de cinema idoso. Precisava de um homem jovem, que a amasse, que estivesse a seu 
lado e lhe desse filhos. Um homem como Jimmy. Mas Valerie no lhes diria nada.

Alex vinha visitar Jimmy todos os dias, quer estivesse a trabalhar, quer estivesse de folga. Trazia-lhe livros para o manter entretido e contava-lhe histrias engraadas. 
Chegou a trazer-lhe um "simulador de gases intestinais" com controlo remoto, para ele se meter com as enfermeiras. No era uma coisa muito digna, mas Jimmy adorava. 
 noite, costumava vir ter com ele e passavam longas horas a conversar. Do trabalho dele, do dela, do casamento dos pais dele, da vida com Maggie, da angstia que 
sentiu quando a perdeu. Alex falava-lhe de Crter, da irm, dos pais e da relao que quisera

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manter com eles em pequena e que eles nunca haviam sido capazes de lhe proporcionar. A pouco e pouco, iam desvendando os seus segredos e aumentando a simpatia que 
sentiam um pelo outro. Se lhes perguntassem o que os unia, responderiam que no passava de pura amizade. S Valerie tinha conscincia de que se tratava de mais do 
que isso. Estavam a preparar uma mistura explosiva. O nico entrave era Coop.

Nesse fim-de-semana, Valerie viu com os seus prprios olhos o entrave em pessoa. E teve de admitir que ficou impressionada. Era tudo aquilo que Jimmy dissera: egocntrico, 
arrogante, divertido e charmoso. Mas Coop era mais do que isso. Jimmy ainda no tinha idade suficiente para se aperceber do resto. O que Valerie viu em Coop foi 
um homem vulnervel e assustado. Independentemente do seu aspecto jovem ou do nmero de mulheres jovens de que se fazia acompanhar, sabia que o jogo estava quase 
no fim. Sentia-se aterrorizado. Tinha medo de adoecer, de envelhecer, de perder o aspecto jovem, de morrer. A forma como tentara alhear-se do acidente de Jimmy era 
sinal disso. E os seus olhos indiciavam o mesmo. Por detrs da gargalhada, escondia-se um homem triste. E, por mais charmoso que fosse, Valerie sentia pena dele. 
Era um homem que tinha pavor de enfrentar os seus prprios demnios. E a histria disparatada da jovem que ia ter um filho seu apenas servia para lhe alimentar o 
ego. E, mesmo que se queixasse da situao, aproveitava-se da histria para torturar Alex, lembrando-lhe, subliminarmente, que havia outras mulheres que queriam 
ter filhos seus. Isso significava que no s era jovem como potente.

No acreditava que Alex estivesse genuinamente apaixonada pelo velho actor. Ele mais no era do que o pai atencioso por que ela sempre ansiara e que nunca conquistara. 
Eram um grupo interessante. E Mark e Taryn tambm formavam um casal perfeito.

Apesar de tudo, Valerie achava as complexidades de Coop fascinantes.  primeira vista, ela no lhe despertara qualquer interesse. No correspondia, de forma alguma, 
ao perfil das mulheres que costumava cortejar. J tinha idade suficiente para ser me delas. O que lhe agradou, como mais tarde confidenciou a Alex, foi a sua graciosidade, 
o estilo e a

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elegncia de Valerie. No havia nela nada de pretensioso e no tentava aparentar a juventude que no tinha.

-  uma pena ela no ter dinheiro - comentou Coop.
- Mas tem ar disso. Ao fim e ao cabo - riu-se -, todos temos ar de endinheirados.

Alex era, de todos eles, a nica que tinha dinheiro, mas no o ostentava nem esbanjava em futilidades. Na opinio de Coop, o dinheiro s servia para gastar e para 
passar um bom bocado. Alex escondia o seu, ou ignorava-o. Precisava de lies para aprender a gast-lo. Lies que ele poderia dar-lhe, mas, de momento, hesitava 
em faz-lo. Uma vez mais os problemas de conscincia, que continuava a tentar ultrapassar. Algo que era novo nele e que estava a tornar-se um aborrecimento infernal.

No dia seguinte, encontrou novamente Valerie na piscina. Estava sentada  sombra da rvore favorita de Coop. S iria visitar Jimmy  noite. Envergava um biquini 
preto e exibia um corpo muito razovel. Tanto Alex como Taryn o invejavam e s esperavam chegar  idade dela e terem metade da sua beleza. Ao ouvir estes comentrios, 
Valerie limitou-se a dizer que era uma sortuda por ter bons genes, e que fazia muito pouca coisa para se manter assim. Mas sentiu-se lisonjeada.

Mais tarde, Coop convidou-a para beber um clice de champanhe. Valerie ficou espantada com a casa. No tinha nada de espampanante. A decorao era de um bom gosto 
irrepreensvel. As peas de antiguidade, esplndidas e os tecidos, de um grande requinte. Era a casa de um homem maduro, como comentou, mais tarde, com Jimmy. E, 
mais uma vez, achou que Alex estava deslocada naquele cenrio. No entanto, parecia reinar a felicidade entre os dois.

E comeava a acreditar que as intenes dele relativamente a Alex eram srias. Mostrava-se solcito, atento e carinhoso. Era evidente que estava apaixonado por ela, 
mas, tratando-se de Coop, era difcil dizer qual a profundidade do seu amor. Mantinha tudo na vida  superfcie, especialmente as emoes. No entanto, a hiptese 
de casar com Alex pelas piores razes no era de descartar: quer para provar algo a si prprio, quer para deitar a mo ao dinheiro dos Madison.

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Mas Valerie esperava, para bem de Alex, que houvesse mais sinceridade da parte dele. Fosse como fosse, Alex no parecia preocupada com o assunto. Sentia-se perfeitamente 
 vontade com Coop e feliz por estar no Palacete, especialmente na companhia de Taryn.

- Tens uns amigos adorveis - comentou Valerie para Jimmy, nessa noite, quando o visitou no hospital. E disse-lhe que gostara tanto da casa de Coop como da casa 
do caseiro.
- Percebo porque adoras a tua casa. - Tinha um ar rural e transmitia uma sensao de tranquilidade.

- Coop fez-te a corte?

- Claro que no. Sou uns trinta anos mais nova do que ele.  um sabido. As mulheres da minha idade  que o topam. A ele at lhe faria bem, mas j no tenho energia 
suficiente para um homem como ele.

No tinha nem energia nem desejo. Esse tempo j passara, como costumava dizer. Estava feliz por viver sozinha e por passar algum tempo com Jimmy. Prometera a si 
mesma acompanh-lo durante todo o perodo de convalescena. E ele s pensava em estar com ela, tal como fizera ao longo de anos. Adorava a sua companhia. Alm de 
serem me e filho, eram excelentes amigos.

- Talvez tambm devesses entrar na corrida pelo velho.

- Pouco provvel, querido - e riu-se -, a Alex ganhar-me-ia nas calmas. Ela merece.

Se era ou no bom para ela, essa era uma questo que ficava em aberto.
CAPTULO 21

Em Junho, o romance entre Mark e Taryn ia de vento em popa. Agiam com a mxima discrio possvel. Nem ela nem ele queriam aborrecer os midos. Mas tanto Jessica 
como Jason simpatizavam com Taryn, de tal modo que, no final do ano lectivo, no queriam ir a Nova Iorque visitar a me, que s os vira uma vez desde que estavam 
em Los Angeles. Quando telefonou a Mark para falar no assunto, Janet insistiu para que eles fossem visit-la. Alm disso, queria que ficassem consigo at depois 
do casamento. Ia casar-se com Adam depois do fim-de-semana do 4 de Julho.

- Eu no vou - sentenciou Jessica, quando falou do assunto com o pai. Jason j dissera que faria o que a irm fizesse. Jessica continuava furiosa com a me. - Quero 
ficar aqui contigo e com os meus amigos. E no vou ao casamento.

- Isso  outra questo. Podemos falar nisso mais tarde. No te podes recusar a ir visitar a tua me, Jessica.

- Ai, isso  que posso. Ela deixou-te por aquele cara de cu.

- Esse  um assunto entre mim e a tua me. No tens nada a ver com isso - retorquiu Mark, num tom firme. Janet conseguira deteriorar, se no mesmo destruir, a ligao 
com os filhos. E Adam no a ajudara. Sentira-se relegado para segundo plano pelos midos e no conseguira dissimular que andara envolvido com Janet quando ela ainda 
estava na Califrnia. Uma estupidez. A nica coisa que conseguira fora pr os midos em conflito com a me. Mas Mark achava que, mais cedo ou mais tarde, eles teriam 
de lhe perdoar. Tens de ir v-la. V l, Jess! Ela adora-os!

- Tambm a adoro - retorquiu Jessie -, mas estou zangada com ela. - Fizera dezasseis anos h pouco tempo e estava em conflito aberto com a me. Jason tomara uma 
posio mais expectante, mas era evidente que se sentia profundamente desapontado. Tanto ele como Jessie viviam muito mais felizes com o pai. - E no vou voltar 
para a escola de l.

243


Mark no tocara sequer nesse assunto. Janet queria-os consigo o mais rpido possvel e na escola de Nova Iorque, no Outono.

Mark acabou por ter de telefonar a Janet para discutir o assunto.

- No consigo convenc-los. Estou a tentar, mas eles no me do ouvidos. No querem voltar para Nova Iorque e recusam-se a ir ao casamento.

- No me podem fazer uma desfeita dessas! - E desfez-se em lgrimas. - Tens de os convencer.

- No os posso drogar e meter dentro de um avio numa mala - retorquiu Mark. Ela  que fizera a cama em que se deitara. Porm, no havia qualquer sentimento de vingana 
no modo como estava a abordar o problema. Sentia-se feliz com Taryn. - Porque no vens at c e falas tu prpria com eles? Talvez facilite um pouco as coisas - sugeriu, 
mas Janet ps logo a ideia de parte.

- No tenho tempo. Ando demasiado atarefada com os preparativos para o casamento.

Janet e Adam haviam alugado uma casa em Connecticut e iam ter duzentos e cinquenta convidados.

- Bem, os teus filhos no vo estar l, a no ser que faas algo para alterar a situao. Fiz tudo o que me era possvel.

- Obriga-os! - disse Janet, completamente fora de si. Espeto com eles em tribunal, se tiver de ser.

-J tm idade suficiente para serem ouvidos em tribunal. Com catorze e dezasseis anos, j no so nenhuns bebs.

- Esto a comportar-se como delinquentes juvenis.

- No esto nada - defendeu-os Mark, calmamente.
- S esto magoados contigo. Acham que lhes mentiste acerca do Adam. E  verdade. Ele fez todos os possveis para lhes dar a entender que me deixaste por causa dele. 
Julgo que era o seu ego a falar. Mas eles perceberam bastante bem.

- O Adam no est habituado a lidar com crianas. Janet defendia-o, mas sabia que Mark tinha razo.

- A honestidade  a melhor poltica. - Nunca mentira aos filhos, Janet tambm no, at conhecer Adam. Este embriagara-a completamente. E, agora, fazia tudo o que 
ele queria, levando-a a entrar em ruptura com os filhos. - No

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consigo ajudar-te, a menos que tambm faas alguma coisa para ajudar. Porque no vens c passar o fim-de-semana?

Por fim, acedeu. Instalou-se no Bel Air Hotel durante dois dias e Mark convenceu os filhos a ficarem com a me. As coisas ainda no estavam resolvidas no final da 
estada, mas os midos concordaram em ir a Nova Iorque passar o resto do ms de Junho. Janet prometera no os obrigar a ir ao casamento se no quisessem. Estava certa 
de que logo que l estivessem, conseguiria convenc-los. Mas Jessica deixara bem claro que voltariam para Los Angeles, para a escola. Jason era da mesma opinio. 
A me sabia que no podia obrig-los a ficar, mas disse a Mark que eles teriam de ir passar pelo menos um fim-de-semana por ms a Nova Iorque. Ele concordou e prometeu 
tentar convenc-los. Achavam que fora uma vitria Janet ter acedido a que continuassem a viver com o pai. Mark era da mesma opinio. Na semana seguinte, quando partiram 
para Nova Iorque, o seu estado de esprito era muito melhor. Iam l passar quatro semanas. Logo que os midos partiram, Taryn mudou-se para a ala de hspedes. Ela 
e Jessica j eram grandes amigas. A jovem reagira de modo completamente diferente com Taryn do que reagira com Adam, e o mesmo acontecera com Jason. Mas Taryn fora 
sincera com eles e no acabara com o casamento dos pais, o que era uma vantagem.

Taryn nunca gostara dos filhos de ningum e estava espantada com a excelente relao que estabelecera com os de Mark. Achava-os respeitadores, afveis e engraados, 
e havia entre eles uma amizade recproca.

- Se eles ficarem comigo permanentemente - disse Mark a Taryn, com ar pensativo, poucos dias depois de os filhos terem partido -, tenho de procurar casa. No posso 
ficar aqui eternamente. Temos de ter o nosso prprio espao.

No havia pressa, mas iria comear a procurar no Vero. E se a casa precisasse de obras de remodelao, poderiam ficar na ala de hspedes at Fevereiro.

Este assunto trouxe  baila a questo da relao entre os dois.

- Que acharias da ideia de ires viver connosco? - indagou Mark, num tom srio.

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Cinco meses antes, ficara completamente destroado quando Janet o deixou. E, agora, descobrira esta mulher maravilhosa, que parecia ser no s a esposa, mas tambm 
a madrasta ideal para os filhos.

-  uma ideia interessante. - E, inclinando-se para ele, beijou-o. - Mas temos de conversar melhor sobre o assunto. - No tinha pressa de voltar a casar e Coop j 
lhe dissera que podia ficar com a ala de hspedes, se Mark sasse, ou com a casa do caseiro, se Jimmy sasse. - Tens de te certificar de que os midos no se vo 
importar. No quero ser uma intrusa.

- O Adam  que  um intruso, no tu, querida.

E esboou um sorriso triste. Pensou que seria altamente improvvel que os filhos fossem assistir ao casamento da me e no sabia se havia de censur-los ou no. 
Era um sapo difcil de engolir.

O tempo que Mark e Taryn passaram juntos durante a permanncia dos midos em Nova Iorque solidificou ainda mais a sua relao e fez amadurecer a ideia de que tinham 
de resolver a situao a curto prazo.

As coisas estavam a desenvolver-se com tal rapidez que Taryn se viu obrigada a falar com o pai. Coop no foi apanhado de surpresa, mas ficou um pouco desapontado.

- Adoraria ver-te com um homem mais excitante comentou, como se ela estivesse consigo desde pequena. Taryn conseguira estimular o seu instinto protector. Em trs 
meses, conquistara no s o seu corao, como tambm a sua vida.

- No quero um homem excitante, j o tenho - confidenciou-lhe. Era uma mulher sensvel. - Tenho um pai excitante, no preciso de um marido excitante. Quero uma pessoa 
calma, em quem possa confiar, e que seja estvel. O Mark tem todos esses atributos.  uma excelente pessoa.

Coop no podia negar, embora falar de Direito Fiscal o aborrecesse.

- E os midos? No te esqueas do horror gentico que lhes temos. Achas que vais conseguir viver com esses delinquentes juvenis?

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Ainda no comentara com ningum, mas j os achava menos pestinhas e j os suportava um pouco mais. Mas dentro de determinados limites.

- Gosto deles. No, mais do que isso. Acho que os adoro.

- Oh, meu Deus, isso no! - E revirou os olhos, fingindo-se horrorizado. - Isso pode ser fatal. Pior do que isso
- acrescentou, tomando conscincia de outro pormenor. Os monstrinhos sero meus netos. Mato-os se disserem isso a algum. Nunca serei av de ningum. Podem tratar-me 
por Mister Winslow. - E riu-se.

Conversaram mais um pouco sobre o assunto. Ela e Mark j haviam falado em casar-se no Inverno seguinte. Ambos achavam que os midos no poriam qualquer objeco 
ao casamento.

- E a sua relao com Alex? - perguntou Taryn, depois de terem esgotado o assunto dos seus planos com Mark. Estava tudo a correr bem e, como  bvio, sentia-se feliz.

- No sei - respondeu Coop, algo atrapalhado. - Os pais dela convidaram-na a ir a Newport, mas ela recusou. Acho que devia ir. Eu  que no. O pai no est muito 
entusiasmado com a relao. Imagino porqu. No sei, Taryn. Acho que no estou a ser justo com ela. Foi uma questo com que nunca me preocupei. Devo estar a ficar 
senil.

- Ou mais maduro.

J conhecia muitas das fraquezas do pai. Era muito diferente do pai com que crescera. Vivera num outro mundo toda a sua vida. Tudo girara sempre  sua volta. Por 
isso, no era de estranhar que no tivesse desenvolvido a personalidade nalgumas reas. Nunca fora obrigado a isso. Mas Alex fizera-o olhar para coisas s quais 
nunca prestara ateno e desafiando todo o seu sistema de crenas e valores. Taryn tambm contribura para isso. E, gostasse ou no, Coop era outro homem.

Nessa tarde, ainda a pensar no assunto, foi sozinho at  piscina dar um mergulho. Taryn e Mark haviam sado, e Alex, como de costume, estava no hospital. Jimmy 
j viera para casa dias antes e continuava de cama, na companhia da me. Coop estava satisfeito por ter algum tempo para si, para pensar calmamente, e ficou espantado 
quando deu de caras com Valerie a nadar descontraidamente. Tinha o cabelo apanhado 

247
no alto da cabea, usava pouca ou nenhuma maquilhagem e envergava um fato de banho preto liso, que realava a sua silhueta jovem. No podia negar que se tratava 
de uma mulher bonita. Era de trato fcil, sensvel e tinha uma viso pragmtica da vida.

- Ol, Coop! - cumprimentou Valerie, com um sorriso, enquanto o velho actor se sentava numa das cadeiras de lona. Resolvera no tomar banho. Preferia ficar a observ-la. 
Tinha demasiadas preocupaes. Alex. E Charlene s faria o teste de ADN da a algumas semanas. Esse era outro problema.

- Boa tarde, Valerie. Como est o Jimmy? - perguntou, delicadamente.

- Est bom. Chateado, por ainda no conseguir andar. Est a dormir.  difcil andar a ampar-lo com aquelas canadianas. - Alm disso, Jimmy era muito pesado para 
ela.

- Devia arranjar-lhe uma enfermeira. No pode fazer todo esse esforo sozinha.

- Gosto de tratar dele. H muito tempo que no tinha oportunidade de o fazer. E , provavelmente, a minha ltima oportunidade.

Coop apercebeu-se, ento, da sua falta de tacto. Provavelmente no tinha meios para contratar uma enfermeira. Embora tivesse estilo, no deveria ser muito endinheirada. 
A nica prova em contrrio era a renda alta que Jimmy pagava, mas esse dinheiro tambm podia provir do seguro de vida de Maggie e, mais cedo ou mais tarde, tambm 
se esgotaria. Mas, fosse como fosse, Valerie O'Connor era uma mulher muito distinta.

- A Alex est no hospital? - perguntou Valerie, quando saiu da piscina e se veio sentar ao lado dele. No ia demorar-se muito tempo. No queria aborrec-lo. Achou-o 
pensativo.

- Claro. Trabalha que nem uma escrava, mas gosta daquilo que faz. - E,  sua maneira, admirava-a por isso. Ela no precisava do trabalho para nada, o que tornava 
a sua atitude ainda mais nobre, ou mais estpida, dependendo da perspectiva com que se encarasse o facto.

- Ontem vi um dos seus filmes antigos. - E disse-lhe qual. Vira-o a meio da noite, quando tratava de Jimmy. -

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Voc  um excelente actor, Coop. - Ficara surpreendida.

-  um excelente filme. - O oposto do tipo de trabalhos em que ele agora entrava. - Voc era um actor muito sbrio e ainda poderia s-lo.

- Estou muito preguioso. E velho. Fazer um filme desses exige muito esforo. J estou acomodado.

- Talvez no. - Valerie parecia ter mais f em Coop do que ele prprio. Ficara espantada com a excelncia do filme. Nunca o vira, nem ouvira falar nele. Coop deveria 
ter uns cinquenta anos quando o rodou e estava deslumbrante.

- Gosta do seu trabalho, Coop?

-J gostei mais. As coisas que fao actualmente no so muito motivantes. - A todos os nveis. O que interessava agora era arranjar dinheiro o mais rapidamente possvel 
e com pouco esforo. - Continuo  espera de um papel importante. Mas h muito tempo que isso no acontece. - Parecia triste e desmotivado.

- Talvez se surpreenda a si prprio, se fizer um esforo. O mundo merece v-lo de novo num grande filme. Gostei bastante do que vi.

- Folgo muito que tenha gostado. - Coop sorriu e ficaram em silncio por instantes, enquanto ele pensava no que Valerie dissera. Sabia que havia alguma verdade nisso. 
Lamento o que aconteceu ao seu filho. Deve ter sido um pesadelo. - Pela primeira vez, ao olhar para Valerie, viu a me devotada que se escondia por detrs daquela 
figurinha frgil.

- E foi. Ele  tudo o que tenho. A vida, para mim, deixaria de ter sentido se o tivesse perdido.

Devido  relao que mantinha com Taryn, Cooper conseguia imaginar a angstia que seria se a perdesse. Era o seu primeiro sinal de compaixo desde o acidente de 
Jimmy, e Valerie sentia isso mesmo e estava-lhe grata.

- H quanto tempo  que enviuvou?

- H dez anos. Parece uma eternidade. - Estava em paz consigo prpria, apesar dos rudes golpes que sofrera na vida. Coop achava que ela tinha uma enorme fora interior. 
E no se enganava. - J estou habituada.

- Alguma vez pensou em voltar a casar?

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Era uma conversa estranha aquela que estavam a ter debaixo das rvores, junto  piscina, num dia quente de Junho, a pensar na vida e naquilo que representava para 
eles. Valerie tinha idade suficiente para entender o modo como ele via as coisas, mas no era ainda to velha que tivesse perdido o gosto pela vida, e por todos 
os prazeres que ela proporcionava. Estava a gostar de falar com Valerie. E, por muito surpreendente que parecesse, achava-a jovem. Tinha menos dezassete anos do 
que ele. Em oposio aos quarenta que o separavam de Alex.

- Nunca pensei nisso. Nem me preocupei em andar  procura. Sempre achei que, se houvesse outro homem que me pudesse interessar, ele encontrar-me-ia. E, at agora, 
isso no aconteceu. Mas no me importo. J tive um homem bom. No preciso de outro.

- Talvez algum a surpreenda, mais cedo ou mais tarde.

- Talvez. - Tanto se lhe dava que aparecesse ou no um homem que lhe pudesse interessar. Coop achava engraado esse modo de encarar as coisas. Detestava o desespero. 
Voc tem muito mais energia para essas coisas do que eu. E sorriu, pensando que, se seguisse o exemplo dele, andaria a namorar com Jason. Mas no fez qualquer comentrio.

- Que vai fazer logo  noite?

Com Alex no hospital, Coop estava desocupado. Era-lhe difcil, s vezes, ser fiel a apenas uma mulher, principalmente a uma mulher que estava sempre a trabalhar. 
No passado, andava com vrias ao mesmo tempo, de modo a nunca ter de passar noites s, como acontecia agora. E sentir-se-ia ainda mais s se no tivesse Taryn. Fora 
uma ddiva divina.

- O jantar para o Jimmy. No quer vir jantar connosco? Estou certa de que o Jimmy gostaria muito de o ver.

J fora visit-lo uma vez, mas pouco se demorara, porque, como viria a confidenciar a Alex mais tarde, detestava quartos de doentes.

- Posso encomendar o jantar no Spago, se quiser - sugeriu, subitamente grato pelo convite. Gostava dela e apreciava a amizade que estava a surgir entre os dois. 
Era quase como uma irm para ele.

- Fao melhor massa do que eles - disse Valerie, orgulhosa, e soltou uma gargalhada.

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- No vou dizer ao Wolfgang que voc disse isso, mas gostaria de experimentar.

Nessa noite, quando Coop apareceu para jantar, Jimmy ficou surpreso. A me esquecera-se de lhe dizer que convidara Coop para jantar. Ao princpio, Jimmy sentiu algum 
desconforto. Passara muito tempo com Alex, quando ela o visitava, e contara-lhe todos os seus segredos, assim como ela lhe contara muitos dos seus. No sabia muito 
bem se estaria com cimes dele. Mas Coop parecia muito mais interessado em conversar com a sua me, tendo elogiado prontamente a qualidade da massa que ela preparara.

- Devia abrir um restaurante. Talvez devssemos transformar o Palacete num hotel.

Abe voltara a avis-lo de que, se no fizesse um corte nas despesas, teria de o vender. E ao contrrio do que o contabilista pensava, Coop no via Alex como a soluo 
ideal.

Aps o jantar, Jimmy foi para a cama. Depois de o ajudar a deitar, Valerie sentou-se com Coop e falaram, durante horas, de Boston, da Europa, dos filmes que ele 
fizera, das pessoas que conhecia, e ficaram ambos espantados ao descobrirem o nmero de amigos que tinham em comum. Valerie dizia que levava uma vida calma, mas 
Coop ficou surpreendido ao saber que ela conhecia algumas pessoas bem aceleradas. Do marido, apenas disse que fora banqueiro, mas no desenvolveu o assunto e ele 
tambm no insistiu. Gostava da sua companhia. E ficaram espantados ao ver que eram duas da manh quando Coop voltou para casa. Passara uma noite maravilhosa com 
Valerie.

Alex telefonara-lhe vrias vezes nessa noite e ficara admirada por ele no estar em casa. Coop no lhe dissera nada a respeito do jantar. Alex achava-o algo intranquilo 
e no sabia o que fazer para alterar esse estado de esprito. Nunca lhe passou pela cabea telefonar-lhe as duas da manh, nem que ele poderia ter ido jantar com 
os O'Connor. Mas, ao fim de cinco meses de relao, esperava tudo dele.

Nessa noite, Coop ficou acordado durante muito tempo a matutar naquilo que conversara com Valerie. Tinha muitas coisas em que pensar e algumas decises a tomar. 
Finalmente, adormeceu, passando o resto da noite a sonhar com Charlene e o beb.

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CAPTULO 22

Depois do jantar com Jimmy e Valerie, as coisas ficaram consideravelmente piores para Coop. No dia seguinte, teve uma reunio com Abe, que lhe disse que, se ele 
no conseguisse alterar a situao dentro de trs meses, teria de vender o Palacete.

- Tem os impostos em atraso, deve nas lojas e nos hotis, tem de pagar oitenta mil dlares ao alfaiate em Londres. Deve a joalheiros, deve a quase toda a gente do 
planeta. E, se no pagar o que deve de IRS at ao fim do ano, j para no falar nos cartes de crdito, confiscam-lhe a propriedade. As coisas estavam ainda mais 
negras do que pensara e, contra o que era costume, deu-lhe ouvidos. - Acho que deve casar com Alex.

Mas Coop ficou ofendido com a sugesto.

- A minha vida amorosa no tem nada a ver com os meus problemas financeiros, Abe.

O contabilista achava estes escrpulos uma estupidez. Era uma oportunidade de ouro que Coop tinha  sua frente. Porque no tirar partido disso? Casar com Alex seria 
o golpe de sorte de que ele precisava desesperadamente.

Uma noite, Alex chegou a casa, exausta, depois de trs dias seguidos no hospital. Estivera a substituir dois colegas e tivera uma srie de situaes de urgncia: 
bebs em situaes crticas, mes histricas, um pai que ameaara um mdico com uma arma quando o filho morreu inesperadamente. Mark e Taryn haviam ido passar dois 
dias fora. A nica coisa que Alex queria era tomar um banho e ir dormir ao lado de Coop. Nem sequer tivera energia suficiente para lhe descrever tudo aquilo por 
que passara.

- Correu mal o dia?

Alex limitou-se a abanar a cabea, prestes a rebentar em choro devido ao cansao. Sentia vontade de ir ver Jimmy, mas as foras faltavam-lhe. Prometera l ir de 
manh. Jimmy j estava farto de estar em casa. Alex telefonava-lhe o mais que podia, mas nos ltimos dois dias, nem tempo para isso tivera. Tinha a sensao de ter 
estado refm noutro planeta.

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- Trs dias pssimos - explicou Alex, enquanto Coop se oferecia para fazer o jantar. - Nem foras teria para mastigar. S quero tomar um banho e, depois, ir para 
a cama. Desculpa. Amanh j estarei boa.

Mas, de manh, Coop estava estranhamente calado. Sentou-se, com olhar ausente,  mesa do pequeno-almoo. Alex preparou-lhe bacon com ovos e sumo de laranja. Quando 
acabou de comer, olhou para ela com uma expresso triste.

- Ests triste? - Alex sentia-se melhor depois do sono reparador e do pequeno-almoo. Como era mais nova do que ele, recuperava rapidamente.

- Tenho uma coisa para te dizer - anunciou Coop, com ar angustiado.

- H algum problema? - Alex no sabia porqu, mas tinha a sensao de que a relao estava a esmorecer.

- Alex... h coisas que no sabes de mim. Coisas que no te quis dizer. Nem a mim quis dizer. - E esboou um sorriso triste. - Estou endividado at  ponta dos cabelos. 
Acho que sou um pouco como o filho prdigo e tenho gasto tudo numa "vida de pecado". O problema  que, ao contrrio dele, no posso voltar para casa do meu pai. 
J morreu h muito e no tinha dinheiro. Perdeu tudo na Grande Depresso. Estou com a corda na garganta, como se costuma dizer. Se no pagar os impostos e as dvidas, 
vou ter de arcar com as consequncias um destes dias. E posso at ter de vender o Palacete.

Alex ainda pensou, por instantes, que ele ia pedir-lhe dinheiro emprestado. No teria ficado aborrecida se o tivesse feito. Tinham confiana suficiente um com o 
outro para ser franco. Preferia isso a segredos entre eles, mesmo que a verdade fosse desagradvel. Sabia da difcil situao financeira de Coop pela boca do pai.

- Lamento, Coop. Mas no  o fim do mundo. H coisas piores. - Como a morte, a doena, o cancro, e aquilo que acontecera a Maggie.

- Para mim, no. O meu estilo de vida  importante ao ponto de ter chegado a vender a alma de vez em quando, fazendo maus filmes, ou gastando o dinheiro que no 
tinha, de modo a continuar a viver da maneira que queria e que achava que merecia. No  algo de que me orgulhe, mas fi-lo.

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Coop fazia o ponto da situao. Sabia que tinha de fz-lo. Era a voz da conscincia a falar.

- Queres que te ajude?

Alex olhou-o com ar apaixonado. Sentia um grande amor por ele, independentemente de querer ou no ter filhos. J resolvera fazer esse sacrifcio por ele, se fosse 
esse o seu desejo. Achava que Coop merecia todos os sacrifcios.

Mas ficou perplexa com a resposta do velho actor.

- No.  por isso que estou a falar contigo. Casar contigo seria o caminho mais fcil para resolver a situao. E, a longo prazo, o mais difcil. Se casasse contigo, 
nunca teria a certeza da razo por que o teria feito. Se por ti, se pelo dinheiro.

- Talvez no tenhas de saber. Essas coisas vm todas misturadas, como se de um pacote se tratasse. No precisas de fazer opes.

- Para ser sincero, no sei sequer se te amo. Pelo menos, o suficiente para nos casarmos. Adoro estar contigo, s uma mulher divertida. Nunca conheci ningum como 
tu. Mas s uma soluo para mim. A resposta a todas as minhas preces e problemas. E depois? Todos achariam que me comportara como um gigol e, se calhar, teriam 
razo. E tu tambm acabarias por achar. E do teu pai nem se fala. At o meu contabilista acha que devo casar contigo. Seria muito mais fcil do que esfalfar-me a 
trabalhar para pagar os impostos. Mas no  essa pessoa que quero ser. E talvez te ame, porque me preocupo contigo o suficiente para te dizer que no  comigo que 
quero que cases.

- Ests a falar a srio? - Alex estava horrorizada. O que  que me vais dizer a seguir? -J suspeitava, mas no queria ouvir.

- Sou demasiado velho para ti. Tenho idade suficiente para ser teu av. No quero filhos. Nem teus, nem da Charlene, nem de ningum. J tenho uma filha, graas a 
Deus.  adulta e uma jia de pessoa, e nunca fiz nada por ela. Sou um velho pobre e cansado, e tu s jovem e muito rica. Temos de acabar com isto.

Alex ficou com o pequeno-almoo como que colado  garganta.

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- Porqu? Nem sequer te estou a pedir para casares comigo. No preciso de me casar, Coop. E ao dizeres que sou muito rica,  discriminao.

Sorriu com a resposta de Alex, mas havia lgrimas nos seus olhos, e nos dele tambm. Detestava fazer isto, mas tinha de ser.

- Deves casar e ter filhos. Montes deles. Dars uma me sensacional. Alm disso, a qualquer momento, aquela cabra da Charlene vai transformar a minha vida num atoleiro. 
Nada posso fazer, mas, pelo menos, posso poupar-te ao embarao de tambm o atravessares. No te posso fazer isso. No te vou deixar resolver os meus problemas financeiros. 
Estou a falar a srio. Se casar contigo, nunca saberei porque o fiz. Para ser sincero, o mais provvel  que seja pelo dinheiro. Se no tivesse estes problemas, 
talvez nem me passasse pela cabea casar. Divertir-me-ia apenas.

Nunca fora to sincero com ningum, mas sentia que lhe devia isso.

- No me amas?

Alex sentia-se uma rapariguinha que acabara de ser expulsa do orfanato. Coop rejeitara-a. Tal como os pais. E Crter. Ao olhar para o velho actor, tinha a sensao 
de que o mundo desabara sobre si.

- Para ser franco, no sei. Nem sequer sei o que  o amor. Mas seja o que for, no deve acontecer entre uma jovem da tua idade e um homem da minha. No  natural 
e no est certo. No  a ordem correcta das coisas. E casar contigo por aquilo que podes fazer por mim no melhora nada. Pela primeira vez na vida, quero ter alguma 
dignidade, e no fingir que a tenho. Quero fazer aquilo que for mais correcto, para os dois. E o correcto neste caso  libertar-te e organizar a minha vida, custe 
o que custar. - Fora muito difcil para Coop dizer tudo aquilo a Alex, que estava completamente destroada. S tinha vontade de a envolver nos braos e de lhe dizer 
que a amava (porque era isso mesmo que sentia), o suficiente para no lhe estragar a vida casando com ela. - Acho que devias ir para casa, Alex - sugeriu, num tom 
triste. -  uma situao difcil para os dois. Mas, acredita,  a coisa mais acertada a fazer.

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Alex chorava convulsivamente. Pouco depois, foi at ao quarto e fez as malas. Quando desceu, Coop encontrava-se na biblioteca, com ar mrbido. Detestava o que estava 
a fazer, mas sabia que era esse o seu dever.

- A conscincia  uma coisa terrvel, no ?

- Amo-te! - sussurrou Alex, de olhos fixos em Coop,  espera que ele mudasse de ideias e lhe pedisse para ficar. Mas este no o fez. No podia.

- Tambm te amo, pequerrucha... tem cuidado contigo respondeu, no esboando qualquer movimento na sua direco.

Alex fez que sim com a cabea e saiu. Sentia que a vida de princesa dos contos de fadas acabara. Estava a ser expulsa de casa e lanada nas trevas e na solido. 
No conseguia entender por que motivo ele fizera isto. No conseguia deixar de pensar se no haveria outra pessoa. E havia: Coop. Encontrara-se a si prprio. Descobrira 
a pea que sempre lhe faltara. A pea que sempre receara encontrar.

Ao transpor o porto, lavada em lgrimas, Alex sabia, sem qualquer sombra de dvida, que o seu coche se transformara em abbora. Mas ela fora sempre a mesma pessoa. 
Coop  que, finalmente, se transformara num prncipe. De carne e osso.
CAPTULO 23

Jimmy no conseguia perceber por que razo Alex no dava sinal de vida h j algum tempo. Nem telefonara nem viera visit-lo. E Valerie disse que no a vira na piscina 
durante toda a semana. Tambm no vira Coop. Quando, finalmente, o encontrou, o velho actor estava com um ar triste e abatido. Valerie ainda hesitou em falar-lhe.

S ao fim de algum tempo  que ele lhe perguntou como estava Jimmy.

- Est melhor. Passa a vida a queixar-se. Est a ficar farto de mim. Far-lhe- bem quando puder andar por a de canadianas.

Coop limitou-se a fazer que sim com a cabea. Valerie perguntou-lhe, ento, por Alex. Seguiu-se um silncio interminvel. E, quando Coop olhou para ela, Valerie 
viu no seu olhar algo que nunca vira antes. Parecia infelicssimo, o que no era normal nele. Sempre conseguira dissimular aquilo que sentia. Fora brilhante nisso. 
Mas esse tempo acabara. J no era um deus, era um mortal. E os mortais sofrem. s vezes, muito.

- Deixmo-nos - disse, triste, enquanto Valerie secava o cabelo com uma toalha.

- Lamento muito. - No se atreveu a perguntar o que acontecera.

Coop j contara a Taryn, que almoara com Alex e constatara o estado de profunda tristeza em que ela se encontrava mergulhada. Tinha pena de ambos, mas achava que 
o pai tomara a deciso mais acertada. Alex levaria algum tempo a ver isso. Coop sentiu-se muito melhor quando a filha lhe disse. Precisava do seu apoio.

- Tambm lamento. Acabar com ela foi como acabar com as minhas ltimas iluses. Foi melhor assim.

No lhe falou nas dvidas, nem no facto de no casar com Alex por causa do dinheiro. Nessa noite, Coop teve imensas saudades dela. E no sentiu o mnimo desejo de 
ir a correr  procura de outra mulher, de preferncia jovem, facto que ocorria pela primeira vez.

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--  uma treta sermos pessoas maduras, no ? Eu detesto.

- Tambm eu - retorquiu Cooper, com um sorriso. Era uma mulher impecvel. Tal como Alex. E fora por isso que se recusara a valer-se dela. Talvez pela primeira vez 
na vida tivesse estado apaixonado.

- Quer jantar connosco?

Coop fez que no com a cabea. Pela primeira vez na vida, no queria ver ningum. No lhe apetecia falar nem brincar.

- Voc e o Jimmy podem carpir as vossas mgoas - insistiu Valerie.

- Estou quase tentado - replicou Coop a rir. - Talvez daqui a dias.

Ou da a anos. Ou a sculos. Estava surpreso com as saudades que sentia. Alex tornara-se um hbito delicioso. Com o tempo, t-la-ia sufocado, ou mesmo magoado, e 
isso era algo que nunca lhe faria.

Durante alguns dias, Valerie no disse nada a Jimmy, mas, quando este comeou a impacientar-se com o silncio de Alex, teve de contar-lhe.

- Acho que anda mal do corao.

- Que quer dizer com isso? - resmungou Jimmy. Estava farto da cadeira de rodas e do gesso nas pernas.

E estava zangado com Alex. Esquecera-se completamente dele.

- Acho que ela e o Coop se deixaram. Alis, tenho a certeza. H dias, vi-o na piscina, e ele contou-me. Acho que esto os dois chateados com o facto. Deve ser por 
isso que ela ainda no te disse nada.

Jimmy ficou em silncio. Depois de matutar sobre o assunto durante uns dias, telefonou para o hospital, mas disseram-lhe que Alex estava de folga. E no tinha o 
nmero de casa. Enviou-lhe uma mensagem para o bipe, mas ela no respondeu. S ao fim de uma semana a apanhou no hospital.

- O que  que se passa contigo? Morreste ou qu?

Jimmy andara a rabujar com a me durante toda a manh. Estava cheio de saudades de conversar com Alex. Fora a nica pessoa a quem abrira o corao.

- Sim, morri... mais ou menos... tenho tido muito trabalho.

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A voz saiu embargada. H duas semanas que no fazia outra coisa seno chorar.

-J sei - retorquiu Jimmy, num tom afvel, percebendo que Alex se encontrava mergulhada numa profunda amargura. - A minha me contou-me o que aconteceu.

- Como  que ela sabe? - Parecia perplexa.

- Acho que Coop lhe contou. Encontraram-se na piscina, uma coisa do gnero. Lamento, Alex. Imagino que estejas na fossa.

Achava que fora o melhor que ele fizera, mas no lho queria dizer, para no a aborrecer mais.

- E estou.  muito complicado. Ele teve uma crise de conscincia.

-  bom saber que ele tambm tem conscincia. Jimmy nunca morrera de amores por Coop. Especialmente depois de ter magoado Alex. Mas a dor era inevitvel nessas situaes. 
- Vo-me tirar boa parte do gesso na prxima semana. Posso ver-te nessa altura?

- Claro. Adoraria.

No queria ir v-lo a casa e arriscar-se a dar de caras com Coop. Seria doloroso para ela e talvez at para ele.

- Posso telefonar-te de vez em quando? No sei como entrar em contacto contigo. Andas sempre atarefada a trabalhar, e no tenho o teu nmero de casa.

- No tenho telefone em casa. Durmo em cima de uma pilha de roupa suja.

- Isso  algo que me seduz.

- Oh, merda, Jimmy! Sinto-me na fossa. Ele tem razo, mas acho que o amava. Diz que  muito velho para mim e que no quer ter filhos. E... tem uma srie de problemas 
e no quer que eu os resolva. Acho que estava a ter uma atitude nobre. Que ideia estpida!

- Acho que ele teve um acto de grande dignidade ao fazer aquilo que devia fazer. Ele tem razo.  demasiado velho para ti. Deves ter filhos. Quando tiveres cinquenta 
anos, ele ter noventa.

- Talvez isso no importe.

Alex continuava a sentir imensas saudades. Nunca conhecera ningum como Coop.

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- Talvez importe. No queres ter filhos? E, mesmo que o convencesses a ter filhos, ele nunca participaria na educao deles.

Alex sabia que Jimmy tinha razo. Quando ele teve o acidente, Coop demitira-se da obrigao de o ir ver ao hospital, com a desculpa de que era uma coisa "desagradvel". 
Ela precisava de um homem que estivesse disposto a fazer tanto as coisas "desagradveis" como as "agradveis". Coop nunca seria esse homem. Alex no gostara dessa 
sua faceta.

- No sei. Sinto-me na merda.

Era uma sensao boa poder desabafar novamente com Jimmy. Tivera saudades da sua amizade. A nica pessoa com quem falara desde que se separara de Coop fora com Taryn, 
que se mostrara compreensiva, mas tambm achara que a deciso de Cooper fora a mais acertada.

- Provavelmente, vais andar uns tempos na merda. Sabia bastante bem o que isso era. Fora como se sentira desde a morte de Maggie. Porm, sentia-se muito melhor desde 
o acidente. Fora uma espcie de epifania para si. - Quando tirar o gesso, levo-te a jantar fora e ao cinema.

- Sou uma pssima companhia.

- Tambm eu. Tenho passado a vida a chatear a cabea  minha me. Nem sei como  que ela me consegue aturar.

- Acho que ela te ama.

Ambos sabiam que Valerie o adorava.

Jimmy prometeu telefonar-lhe no dia seguinte. Quando o fez, Alex sentia-se muito melhor. Continuou a telefonar-lhe todos os dias, at lhe tirarem o gesso. Nesse 
dia, levou-a a jantar fora. Valerie  que conduziu e ficou aliviada ao ver que Alex se encontrava com melhor disposio. A separao fora dolorosa, mas tambm a 
coisa mais acertada que Alex e Coop poderiam ter feito. Coop andava a rodar uma srie de anncios, o que o distraa. E, de momento, estava preocupado com o teste 
de ADN de Charlene. A ltima coisa de que precisava era de um filho para sustentar, j para no falar de Charlene, com quem continuava furioso.

-Juro - dissera a Valerie, no dia anterior. - No volto a sair com mais nenhuma mulher. - Espumava de raiva.

- Porque ser que no acredito em ti? Mesmo que tivesses 

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noventa e oito anos e te encontrasses no leito de morte, no teria acreditado numa afirmao dessas. Toda a tua vida girou em torno de mulheres.

Nas ltimas semanas, haviam-se tornado amigos, e Coop falava com toda a franqueza com Valerie, e ela com ele.

-  verdade. Mas, na maior parte das vezes, as mulheres erradas. A Alex no era uma mulher errada e, se nunca tivesse sabido do dinheiro, as coisas teriam sido diferentes. 
Soube disso desde o primeiro momento em que a conheci. Foi sempre um factor que influenciou os meus sentimentos por ela. Nunca consegui separar os dois elementos: 
aquilo que sentia e aquilo que precisava dela. Era tudo muito confuso.

Analisara a questo milhares de vezes, mas acabava sempre confuso. Por fim, chegara  concluso de que tomara a deciso mais acertada.

- Continuo a achar que fizeste bem, Coop. Embora compreendesse, se tivesses casado com ela.  uma pessoa muito especial e ama-te.

Mas Valerie sempre esperara que isso no viesse a acontecer. Para bem de Alex.

- Tambm a amo. Mas a verdade  que no queria casar com ela. Nem ter filhos. E senti que tinha de casar com ela, porque precisava do dinheiro. Era isso que o meu 
contabilista queria que eu fizesse.

- O que  que vais fazer agora, para resolver esses problemas?

- Fazer um grande filme, ou uma srie de anncios muito maus.

J dissera ao agente que estava disposto a aceitar papis muito diferentes daqueles que representara at a. Poderia fazer de idoso ou de pai. J no esperava desempenhar 
o papel de actor principal. O agente ficara mudo de espanto. Mas sempre alimentara mais esperanas do que o prprio Coop na ltima dcada.

No dia 1 de Julho, tanto Coop como Alex j davam sinais de ter ultrapassado a mgoa em que haviam estado mergulhados desde a separao. Valerie levara Jimmy a visitar 
Alex ao hospital vrias vezes. E, num fim-de-semana em que

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Coop no se encontrava em casa, Alex viera jantar com Mark e Taryn. Os midos s voltariam depois do 4 de Julho. Haviam, finalmente, concordado em ir ao casamento 
da me. Continuavam a dizer que Adam era um cara-de-cu, mas fariam esse sacrifcio pela me, para orgulho de Mark.

- Vamos casar-nos - anunciou Mark, olhando orgulhoso para Taryn.

Sentiam-se envergonhados, mas era fcil ver que estavam ambos excitados e apaixonados.

- Parabns! - disse Alex, sentindo um aperto no corao. Continuava com saudades de Coop e do tempo que haviam passado juntos. Nunca esperara que as coisas acabassem 
to rapidamente e ainda sentia uma mgoa profunda.

Jimmy coxeava pela sala, agarrado s canadianas, e a me tentava convenc-lo a ir para a sua casa em Cape Cod, no final do Vero.

- No posso abandonar o trabalho. Mais cedo ou mais tarde, tenho de voltar.

Prometera regressar ao trabalho na semana seguinte. De canadianas, no poderia fazer visitas domicilirias. Mas, pelo menos, poderia fazer atendimento no seu gabinete. 
Valerie lev-lo-ia. Estava a pensar ficar at ele poder andar pelos seus prprios meios e conduzir.

- Sinto-me um mido, com a minha me a ter de me levar a todo o lado, inclusive  casa de banho - confessou a Alex.

- Agradece a Deus por teres uma me como ela - repreendeu-o Alex.

Nessa noite, ao regressar a casa, Alex perguntou a si prpria o que Coop estaria a fazer. Sabia que fora passar dois dias  Florida, fazer um anncio num barco  
vela. Mas no lhe telefonara. Coop achava melhor no falarem durante uns tempos, embora esperasse que ficassem amigos. De momento, essa no era uma perspectiva muito 
animadora. Continuava apaixonada pelo velho actor.

Os filhos de Mark voltaram para casa aps o 4 de Julho. Trs dias depois, Alex viu no calendrio que chegara o dia do teste de ADN de Charlene. O resultado saber-se-ia 
dentro de dez dias. Tinha curiosidade em ver o que iria acontecer. 

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Duas semanas depois, Coop telefonou-lhe. Estava eufrico e queria partilhar a novidade com Alex. Mal soube do resultado, pegou no telefone e ligou-lhe.

- No  meu! - exclamou, exuberante, depois de lhe perguntar como estava. - Telefonei-te porque pensei que gostasses de saber. No  maravilhoso? Safei-me desta 
cilada.

- De quem ? Sabes?

Alex estava feliz por ele, embora sentisse um aperto no corao ao ouvi-lo.

- No, estou-me nas tintas. S me interessa saber que no  meu. Nunca senti um alvio to grande na vida. Sou demasiado velho para ter filhos, legtimos ou ilegtimos.

Coop queria recordar-lhe que no era o homem certo para ela, para o caso de Alex ainda alimentar esperanas de reconciliao. Tambm sentia saudades dela, mas, a 
cada dia que passava, mais se convencia de que fora a melhor coisa que poderia ter feito. E cada vez estava mais desejoso de que ela arranjasse um homem que quisesse 
ter filhos.

- Aposto que a Charlene est desapontada - comentou Alex, pensativa, ainda a digerir o que ele acabara de dizer. Sabia que era um tremendo alvio para Coop, depois 
dos meses de autntica tortura por que passara.

- Provavelmente, vai dar um tiro na cabea. O pai  capaz de ser empregado numa estao de servio, como tal, o sonho da penso e de um apartamento em Bel Air vai 
por gua abaixo.

E riram-se. H muitos meses que Coop no se mostrava to descontrado. Na semana seguinte, na primeira pgina dos tablides surgiu a manchete: COOP WINSLOW NO  
PAI DA CRIANA! Alex sabia que era obra do agente dele. Coop vingara-se. Estava inocente e completamente livre. Mas ainda com dvidas e Alex na expectativa. Tornara, 
no entanto, a deixar claro que no voltaria para ela, para bem de ambos. J no lhe parecia correcto andar com uma mulher quarenta anos mais nova do que ele. Os 
tempos haviam mudado. Tal como Copp.

- Tens toda a razo - anuiu Alex, quando Jimmy a censurou por trabalhar mais do que era hbito: no voltara a v-la. - Mas ainda sinto a falta dele. No h muitas 
pessoas como Coop.

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- Talvez seja essa a soluo para trabalhares menos. Jimmy recomeara a trabalhar e h muito tempo que no se sentia to bem. Dormia lindamente e dizia que estava 
a engordar por causa dos cozinhados da me. Tinha ainda mais um ms de fisioterapia  sua frente e s depois  que poria as canadianas de lado. De vez em quando, 
levava Alex a jantar fora ou ao cinema, sempre com a me a servir de motorista. Mas andava muito mais bem-disposto e,  medida que o tempo ia passando, o mesmo acontecia 
com Alex. Parecia a mesma de h meses atrs e adorava estar com ele. As feridas emocionais comeavam a sarar. Maggie morrera h j seis meses e Coop acabara com 
Alex h um.

- Acho que devias comear a andar com algum - disse Jimmy a Alex, uma noite, durante um jantar, num restaurante chins. Apanhara, pela primeira vez, um txi. A 
me fora jantar fora e no queria abusar da sua boa vontade. Alex prontificara-se a lev-lo a casa.

- A srio? E quem  que te nomeou guardio da minha vida amorosa?

-  para isso que os amigos servem. s muito nova para andares a carpir mgoas por um tipo com quem andaste quatro ou cinco meses. Tens de te abrir outra vez ao 
mundo e comear de novo.

Parecia um pai a falar. Passavam bons momentos juntos e no havia um nico assunto entre eles que fosse sagrado. Alex era franca com ele, tal como ele com ela. A 
amizade que partilhavam tinha um grande significado para ambos.

- Bem... obrigada, doutor Estranho Amor. Mas ainda no estou preparada.

- No me venhas com histrias. s uma cagarolas.

- No sou nada. Est bem, sou - emendou. - E, alm disso, ando com muito trabalho. No tenho tempo para namoricos. Sou mdica.

- Mas tambm eras mdica quando andavas com Coop. Qual  a diferena?

- Eu. Ainda me sinto magoada.

Mas o olhar irradiava felicidade. Ainda no encontrara ningum com quem desejasse namorar, e Coop era difcil de substituir. Fora maravilhoso para ela, apesar de 
no se tratar do homem da sua vida.

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- No creio que estejas magoada. Ests mas  com preguia e com medo.

- E tu?

- Estou aterrorizado.  uma situao diferente. Alm disso, estou de luto - retorquiu Jimmy, num tom srio. Mas no estava to destroado, nem de perto nem de longe, 
como quando se conheceram. Estava muito mais animado. Mas, dentro de algum tempo, tambm comearei a sair com algum. Eu e a minha me temos falado muito no assunto. 
Ela passou pelo mesmo quando o meu pai morreu, e diz que cometeu um grande erro no voltando a andar com ningum. Acho que est arrependida.

- A tua me  uma mulher muito bonita - elogiou Alex. Tinha um grande afecto por ela e achava que Jimmy era um homem de sorte por ter uma me assim.

- Sim, eu sei. Acho que se sente muito s. E adora estar aqui comigo. J lhe disse que devia mudar-se para c.

- Acreditas que ela venha?

- Para ser sincero, no. Gosta de Boston. Sente-se l bem. E adora a casa de Cape Cod. Geralmente, passa l o Vero. Logo que eu deixe de andar com as canadianas, 
vai para l. J deve estar ansiosa. Quando l est, adora andar a cirandar de um lado para o outro, a pr as coisas no lugar.

- Gostas de l ir?

- s vezes.

Havia l muitas coisas que lhe traziam Maggie  memria. Resolvera l ir no Vero do ano seguinte. Nessa altura, sentir-se-ia muito melhor, do ponto de vista psicolgico, 
para enfrentar todas essas recordaes. E a me compreendia. Sempre fora uma pessoa muito compreensiva para com ele. Especialmente agora. Estava grata por ele estar 
vivo.

- Detesto a nossa casa de Newport. Parece a casa de Coop, s que maior. Sempre achei uma estupidez t-la para casa de praia. Quando era mida, queria ter uma casa 
simples, como os outros midos. Sempre tive tudo aquilo que era maior, melhor e mais caro. Era embaraoso.

E a casa de Palm Beach era ainda maior, e tambm a detestava.

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- E ficaste traumatizada - gracejou Jimmy, enquanto bebia o ch. Alex j parara de comer, estava cheia. Pareciam dois midos a entrar um com o outro. - Agora j 
percebo porque nunca andas com roupas decentes. No deves ter um par de calas de ganga que no esteja coado. Andas com um carro que parece ter sido comprado num 
ferro-velho e, por aquilo que me contas, o teu apartamento mais parece uma lixeira.  notrio que tens uma fobia psictica relativamente a tudo o que  decente ou 
caro.

No lhe passou sequer pela cabea, mas este discurso podia ter sido dirigido a Maggie, e fizera-o muitas vezes.

- Ests a queixar-te do modo como me visto?

Alex estava divertida com a conversa e no se sentia minimamente insultada.

- No, andas bem-vestida, atendendo a que passas noventa por cento do tempo com o uniforme do hospital. Estou a queixar-me do carro e do apartamento.

- Queixa-te tambm da minha vida amorosa, ou da falta dela. No te esqueas. H mais alguma coisa de que se queira queixar, Mister O'Connor?

- H - retorquiu Jimmy, olhando-a nos olhos, e reparando que estes eram de um castanho aveludado. - No me levas a srio, Alex. - A sua voz adquirira um tom estranho.

- Que devo fazer para te levar a srio? - Alex parecia perplexa.

- Acho que estou a ficar apaixonado por ti - murmurou Jimmy, sem saber qual seria a reaco de Alex, e aterrorizado com a eventualidade de ela o detestar por isso. 
Na noite anterior, quando conversaram sobre o assunto, a me encorajara-o a declarar-se.

- Tu, qu? Ests louco? - Estava perplexa.

- No era propriamente dessa resposta que estava  espera. Mas acho que sim, que estou apaixonado. Detestava ver-te com o Coop. Sempre achei que ele era o tipo errado 
para ti. S que eu no estava preparado para ser o tipo certo.
- Alex continuava de olhos fixos nele, boquiaberta. E ainda no sei se serei. Mas, um dia, gostava de ser. Quando muito, tentar ser. Ao princpio, talvez seja difcil, 
como penso.  como tirar o gesso e recomear a andar.  a mesma coisa. Tu s a nica mulher que conheo por quem sinto a

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mesma coisa que senti pela Maggie. Era uma mulher espectacular, como tu... j no sei o que estou para aqui a dizer, s sei que estou aqui e gosto muito de ti, e 
que gostaria de ver o que acontecer se nos dermos uma oportunidade. Provavelmente, ests a pensar que sou um luntico, porque estou a dizer coisas sem sentido, 
mais pareo um parvalho.

Jimmy no conseguia esconder o embarao. Alex estendeu, ento, a mo para tocar na dele.

- Tudo bem - murmurou. - Tambm estou assustada... e tambm gosto de ti... sempre gostei... fiquei aterrorizada quando pensei que ias morrer, depois do acidente, 
e a nica coisa que queria era que acordasses do coma e voltasses  vida... e voltaste... e, agora, Coop j faz parte do passado. Tambm no sei o que acontecer. 
Deixemos as coisas irem devagarinho... e veremos o que acontece...

E ficaram os dois de olhos fixos um no outro, a sorrir, sem saberem muito bem o que cada um deles dissera ou sentia. Mas de uma coisa tinham a certeza: gostavam 
um do outro. Talvez fosse suficiente. Eram boas pessoas e mereciam encontrar o parceiro certo. Se o eram ou no, o futuro o diria. Haviam aberto as portas e agora 
estavam no limiar de algo novo. Porm, naquele momento, nenhum deles se sentia ainda preparado para palmilhar esse novo caminho que se abria  sua frente.

Nessa noite, ao regressarem a casa, experimentavam um misto de sentimentos diversos. Se, por um lado, sentiam um grande bem-estar interior e uma esperana imensa 
no futuro, por outro, sentiam-se embaraados e assustados. Quando chegaram, Alex ajudou Jimmy a sair do carro e a subir as escadas. Jimmy voltou-se para ela e, com 
um sorriso radioso nos lbios, beijou-a, quase escorregando e caindo. Alex soltou um grito.

- Ests louco? Queres-nos matar? Podamos ter cado os dois pelas escadas abaixo!

Riu-se, no tirando os olhos de Alex. Sempre a adorara, e cada vez se sentia mais atrado por ela.

- Pra de gritar comigo! - retorquiu Jimmy, bem-humorado.

- Ento no faas maluqueiras daquelas!

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Jimmy beijou-a de novo. Poucos minutos depois, Alex foi-se embora, mas no sem gritar da sala de estar:

- Diz  tua me que lhe agradeo!

Por aquilo que ela lhes proporcionara, por encorajar Jimmy a viver de novo e por faz-lo esquecer Maggie, pelo menos um pouco. No havia nem promessas nem garantias. 
Mas havia esperana para ambos. Eram jovens, e a vida ainda lhes reservava muito. A caminho de casa, no conseguiu conter um sorriso ao pensar nele. Enquanto isso, 
no seu quarto, Jimmy, com ar pensativo, tambm sorriu. A vida, por vezes, era uma estrada perigosa, repleta de demnios e infortnios. A me tinha razo. Era tempo 
de comear uma nova vida.
CAPTULO 24

Nessa noite, enquanto Alex e Jimmy estavam no restaurante chins, Coop sara com Valerie. Prometera lev-la ao L'Orangerie. H quase dois meses que Valerie tratava 
do filho, e Coop achou que ela merecia uma noite bem passada. Alm de apreciar a sua amizade, no voltara a sair com nenhuma mulher desde que deixara Alex. No passado, 
teria ido logo a correr  procura de novos romances, para sarar as "feridas do amor", mas, desta feita, preferira passar algum tempo sozinho. Pela primeira vez na 
vida. Era tambm a primeira vez que ia a um restaurante no espao de um ms, e Valerie revelou-se uma excelente companhia. Partilhavam os mesmos pontos de vista 
sobre uma srie de assuntos.

Gostavam das mesmas peras, da mesma msica, das mesmas cidades europeias. Coop conhecia Boston quase to bem como ela e, alm disso, adoravam Nova Iorque. Valerie 
passara algum tempo em Londres com o marido, antes de Jimmy nascer, e Coop adorava l ir. At gostavam da mesma comida e dos mesmos restaurantes. Passaram uma noite 
descontrada e falaram de Mark e Taryn. Coop contou como Taryn entrara na sua vida. E Valerie falou de Jimmy e do pai, e das parecenas que havia entre eles. Coop 
falou ainda de Alex.

- Para ser franco, Valerie, fui louco por ela, mas acho que as coisas no iriam dar certo. No sei se ela j conseguiu perceber isso, mas acabaramos por nos tornar 
infelizes um ao outro. No ltimo ms, pensei amide na nossa relao, mas, egoistamente, no queria deix-la.

Falaram ainda de Charlene e da situao embaraosa em que a jovem o envolvera. No havia segredos entre eles. Alex ensinara-lhe isso. A sinceridade tambm j lhe 
era familiar. Falou-lhe dos problemas financeiros com que se deparava. Vendera recentemente um Rolls Royce, o que j era um passo importante. Pelo menos, por uma 
vez na vida, estava a enfrentar as coisas. Liz teria ficado orgulhosa dele. E j pouco faltava para o prprio Abe sentir tambm uma pontinha de

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orgulho. O agente dizia que andava atrs de um papel importante. Mas sempre dissera isso.

- Talvez no seja assim to mau ser uma pessoa madura.  uma novidade para mim. Nunca o fui. - Mas essa falta de responsabilidade fizera sempre parte do seu charme. 
S que o preo a pagar era demasiado elevado. E, agora, s lhe restava arcar com as consequncias. - Queria ir  Europa, no Vero. - Falara a Alex do Hotel du Cap, 
mas ela no podia deixar o trabalho. De qualquer forma, Coop no tinha dinheiro para a viagem. - Mas vou ficar por c, a tentar arranjar trabalho.

- Queres ir passar uns dias a Cape Cod? Tenho l uma casa antiga, mas confortvel. Era da minha av, e no tenho cuidado l muito bem dela. Est a cair aos bocados, 
mas tem muito charme. Desde criana que l passo os Veres.

A casa significava muito para Valerie, e agradava-lhe a ideia de a mostrar a Coop. Estava certa de que ele a apreciaria.

- Adoraria.

O velho actor esboou um sorriso afvel. Gostava de estar com ela. Via-se que era uma mulher que sofrera bastante, mas que tirara da vida muitos ensinamentos, aproveitando-os 
ao mximo. No era uma pessoa triste nem deprimida. Era calma e inteligente. Sentia-se bem junto dela. Percebera isso desde o incio. Gostava dela como amiga, e 
no era difcil imaginar a amizade a crescer com o passar do tempo. Nunca se sentira atrado por mulheres da idade de Valerie, mas comeava a perceber que mesmo 
estas tinham os seus atractivos. Ficara desgostoso com as mulheres do tipo de Charlene e no queria magoar ou desapontar ningum, como acontecera com Alex. Finalmente, 
chegara a hora de brincar com midas de idade mais prxima da sua. Afinal de contas, Valerie era quase vinte anos mais nova do que ele. J era um grande avano relativamente 
ao que andara a fazer nos ltimos anos, com jovens com metade da idade de Valerie.

- H algum na tua vida, Valerie? - indagou Cooper, curioso. Queria certificar-se de que no havia ningum  espera dela em Boston ou em Cape Cod.

Valerie fez um gesto negativo com a cabea e sorriu.

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- No me envolvi com ningum desde a morte do meu marido. E isso j foi h dez anos.

Cooper pareceu chocado.

- Que desperdcio! - Era uma mulher bonita e merecia ter algum ao seu lado.

- Estou a comear a pensar no assunto. E suponho que o Jimmy tambm. Tenho-o incentivado bastante. Vai levar algum tempo, mas ele no pode passar o resto da vida 
a pensar na Maggie. Era uma pessoa fantstica e uma excelente esposa. Mas morreu. Ele vai ter de enfrentar essa realidade um dia.

- De certeza que o far. A natureza encarregar-se- disso. - E riu-se. - Foi o que aconteceu comigo. Demasiadas vezes. - Depois, com um ar mais srio: - Mas tambm 
nunca passei por uma situao to angustiante como aquela por que ele passou. - Lembrou-se de Alex: esperava que recuperasse rapidamente e que no lhe ficasse com 
rancor. Sabia como Crter a magoara, e no queria contribuir para a magoar ainda mais. S desejava que ela encontrasse o seu prprio caminho.

Quando chegaram ao Palacete, deram um passeio pela propriedade. Estava uma noite agradvel. Sentaram-se durante algum tempo junto  piscina e conversaram. Ouviam-se 
risos na ala de hspedes. Coop sabia que Taryn se encontrava l com Mark e os filhos, embora estivesse a dormir de novo na ala principal, pois os midos j haviam 
voltado para casa.

- Acho que esto bem um para o outro - disse Coop, e Valerie concordou. -  engraado como as coisas mudam de repente. Agora, tem a Taryn, e os filhos querem viver 
com ele. De certeza que nunca lhe passou pela cabea que qualquer uma destas coisas acontecesse. O destino  uma coisa espantosa.

- Ainda hoje disse isso ao Jimmy. Ele tem de acreditar que as coisas se iro compor.

- E contigo, Valerie? As coisas esto a compor-se? E envolveu as mos dela nas suas.

- Tenho tudo o que preciso - respondeu Valerie, contente com o seu destino. J pouco esperava da vida. Jimmy sobrevivera. De momento, chegava-lhe. No se atrevia 
a pedir mais.

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- A srio? Que coisa rara. A maioria das pessoas no diria que tem tudo o que precisa. Talvez estejas a pedir pouco.

-  possvel. Talvez algum com quem partilhar a vida. Mas, se essa pessoa no aparecer, tudo bem na mesma.

- Gostaria de te ir visitar a Cape Cod, se, realmente, estavas a falar a srio.

- Claro que estava. Teria um grande prazer em receber-te.

- Adoro casas antigas. E sempre gostei de Cape Cod. Mantm a excelncia de outrora. No tem a grandeza de Newport, que sempre me pareceu um pouco despropositada, 
embora as casas sejam magnficas.

Teria gostado de visitar a casa dos Madison, embora isso j no fosse possvel, pelo menos por agora. Talvez um dia, quando reatasse a amizade com Alex, como era 
seu desejo. Mas agradava-lhe a ideia de visitar Valerie em Cape Cod. Estava desejoso de passar uns dias numa casa acolhedora, com uma mulher de quem gostava e com 
quem podia conversar. Tambm lhe agradava o facto de saber que no queria nada dela, nem ela, dele. O que quer que dessem um ao outro, viria do fundo do corao. 
No haveria segundas intenes, nem nada a ganhar ou a perder. Era tudo muito simples e claro.

Ficaram em silncio durante uns instantes. Coop acompanhou-a, ento, at  porta de casa. Desta vez, queria ir com calma. No tinha pressa. Tinham toda uma vida 
 sua frente. Valerie tambm no queria precipitar-se.

- Passei uma noite maravilhosa. Obrigado por teres aceite o convite para jantar.

- Tambm tive uma noite maravilhosa. Boa noite.

- Telefono-te amanh - prometeu Coop, enquanto Valerie fazia um ligeiro aceno de despedida com a mo e entrava em casa. Nunca esperara que a amizade com Coop chegasse 
a este ponto. Mas no estava arrependida, pelo contrrio. Por agora, no precisava de mais, e no sabia se alguma vez viria a precisar. Mas, de momento, isto era 
algo de especial para ambos.

272
CAPTULO 25

Coop fazia tenes de telefonar a Valerie, como prometera, no dia seguinte, mas recebeu uma chamada do agente a pedir-lhe que fosse o mais depressa possvel ao seu 
escritrio. No queria dar-lhe a notcia por telefone. Coop ficou irritado com o mistrio. Quando apareceu no escritrio do agente, s onze horas, este no proferiu 
qualquer palavra e limitou-se a entregar-lhe um guio.

- O que ? - perguntou Coop.

- Leia-o e, depois, diga-me o que pensa.  o melhor guio que j li.

Coop estava  espera de mais uma participao especial. H anos que no lhe ofereciam outra coisa.

- Eles vo pr o meu nome  considerao?

- No precisam. Este guio foi escrito a pensar em si.

- Quanto  que vo pagar?

- Discutimos isso depois de ler o guio. Telefone-me logo  tarde.

- Qual  o meu papel?

- De pai - respondeu o agente.

No era o papel de actor principal, mas Coop no se queixou. No se encontrava em posio de o fazer.

Levou o guio para casa, leu-o, e ficou impressionado. Era um papel potencialmente extraordinrio, dependendo do realizador e da quantia que estivessem dispostos 
a pagar-lhe.

- Pronto, j o li - disse Coop, quando telefonou ao agente. Estava interessado no papel, mas no se sentia eufrico: havia muitas coisas que ainda no sabia. - Agora, 
conte-me o resto.

O agente desbobinou os nomes.

- O Schaffer  o produtor. O Oxenberg, o realizador. O actor principal  o Tom Stone, que vai contracenar com a Wanda Fox ou a Jane Frank. A si, querem-no para o 
papel de pai. Com um elenco destes, vai ganhar, de certeza, um Oscar.

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- Quanto  que eles oferecem? - perguntou Coop, tentando mostrar-se calmo. H anos que no aparecia integrado num elenco daquela qualidade. Era um dos melhores filmes 
em que entraria, se aceitasse o papel. Mas estava certo de que no iriam pagar-lhe muito. No entanto, por uma questo de fama, talvez valesse a pena. As filmagens 
decorreriam em Nova Iorque e em Los Angeles, e estava convencido de que, atendendo ao tamanho do papel, durariam trs a seis meses. No tinha mais nada para fazer, 
 excepo de um monte de anncios. - Quanto? - insistiu, preparado para receber a m notcia.

- Cinco milhes de dlares, e cinco por cento da bilheteira. Que tal?

Coop ficou bastante tempo em silncio.

- Est a falar a srio?

- Claro que estou. Nunca pensei conseguir arranjar-lhe um papel destes.  seu, se quiser. Querem uma resposta nossa ainda hoje.

- Telefone-lhes. Assino ainda esta noite, se eles quiserem. No deixe fugir isto.

Coop mal conseguia controlar a respirao, de to aturdido que estava. Nem queria acreditar na sua boa sorte. Finalmente!

- Eles no vo fugir para lado nenhum. Esto ansiosos por o ter no elenco. Voc  o homem perfeito para o papel, e eles sabem-no.

- Oh, meu Deus! - exclamou Coop, trmulo, quando pousou o auscultador. Foi contar a Taryn, porque no sabia a quem mais dar a novidade. - Tens conscincia do que 
isto significa? Posso ficar com o Palacete, pagar as dvidas e pr algum dinheiro de lado para a minha velhice.

Era um sonho que se tornava realidade, a sua ltima oportunidade. Fez uma ligeira pausa e olhou para Taryn. Lembrou-se de que podia dizer a Alex que, agora, tinha 
dinheiro para prover ao seu sustento, mas o engraado  que j no sentia vontade de lhe telefonar. Em vez disso, precipitou-se para a porta da entrada. E Taryn 
gritou-lhe:

- Parabns, Coop! Onde  que vai?

Mas o velho actor no respondeu. Dirigiu-se, em passadas largas, at  casa de Jimmy e bateu  porta.

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Valerie abriu a porta, envergando calas de linho e uma T-shirt branca, e ficou espantada ao v-lo. Parecia um louco, com os olhos esbugalhados, e cabelos em desalinho. 
Nunca o vira assim, ningum vira. Mas ele estava-se nas tintas para isso. S sabia que tinha de dar a novidade a Valerie.

- Valerie, acabei de receber um papel espectacular num filme que vai ganhar todos os scares no prximo ano. E, mesmo que isso no acontea, posso resolver todas 
as minhas... responsabilidades...  um milagre. No fao ideia do que aconteceu. Vou ao escritrio do meu agente assinar o contrato - gaguejou Coop, mal contendo 
a excitao.

- Que bom para ti, Coop! Ningum merece mais do que tu.

-  exactamente como tu disseste: vou fazer o papel de pai em vez do de actor principal.

- Tenho a certeza de que vais fazer um papel fabuloso.

- Obrigado. Queres ir jantar comigo esta noite? Tinha de comemorar com ela. E ia convidar tambm

Jimmy, Taryn e Mark. Tinha pena de no convidar Alex, mas sabia que no era uma atitude sensata, por enquanto. Mas ia telefonar-lhe a dizer que j arranjara a soluo 
para sair do aperto econmico em que vivia.

- Tens a certeza de que queres jantar outra vez comigo? Ainda ontem jantaste. Assim no consigo manter a elegncia.

- Tens de jantar comigo - insistiu Coop, tentando mostrar um ar severo, mas no conseguindo reprimir um largo sorriso.

- Est bem. Terei muito gosto.

- E traz o Jimmy.

- No posso. Ele saiu. - Valerie sabia que o filho continuava a encontrar-se com Alex. Andavam a explorar novas facetas de uma velha relao. Sabia que Jimmy no 
poderia traz-la consigo, pois seria muito duro para ela. - Mas digo-lhe que o convidaste.

De qualquer das formas, o filho recusaria o convite. Preferia estar com Alex a estar com Coop. No sentia qualquer animosidade para com o velho actor, mas estava 
mais interessado em reconstruir a sua vida amorosa.

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- Telefono-te quando chegar, e digo-te onde vamos. Talvez ao Spago - despediu-se Coop, acenando, enquanto se dirigia apressadamente para o carro.

Cinco minutos depois, estava a caminho do escritrio do agente. Uma hora mais tarde, j havia regressado a casa. Assinara o contrato. Disse a Valerie e a Taryn que 
fizera uma reserva no Spago para as oito horas. Entretanto, telefonou a Alex, que atendeu de imediato. Era a primeira vez que lhe telefonava desde o dia em que soubera 
os resultados do teste de ADN de Charlene, havia cerca de um ms. O corao de Alex comeou a bater descontroladamente e as mos no paravam de tremer, mas tentou 
mostrar-se calma.

Coop contou-lhe o que acontecera, e Alex no escondeu o seu contentamento ao ouvir todos os pormenores. Instalou-se, ento, um longo silncio. Ele sabia muito bem 
o que ela estava a pensar e qual era a resposta. Matutara nisso durante toda a viagem de regresso a casa e, por um ou dois minutos, ainda se sentira tentado.

- Esta situao altera alguma coisa entre ns, Coop? indagou Alex, contendo a respirao. Nem sequer tinha a certeza do que queria agora, mas sabia que tinha de 
perguntar.

- Ainda h pouco pensei nisso. E adoraria dizer que sim. Mas no, no altera nada. No est certo. Mesmo com as dvidas pagas, sou demasiado velho para ti. Pensariam 
sempre que eu andava atrs do teu dinheiro. E no  correcto uma jovem da tua idade andar com um homem da minha. Precisas de ter um marido e filhos, e uma vida a 
srio, talvez com algum do teu prprio mundo, ou com algum que faa o mesmo tipo de trabalho que tu. Acho que, se tentssemos fazer com que as coisas entre ns 
resultassem, seria um erro tremendo. Lamento imenso se te magoo. Aprendi muito contigo, e talvez no andasse contigo por causa do dinheiro. Mas no seria justo. 
Talvez precisemos de pessoas prximas da nossa idade. No sei porqu, mas o instinto diz-me que precisamos de nos afastar, para no estragarmos tudo. Se te servir 
de consolo, leva um pedao do meu corao contigo. E guarda-o bem junto a ti. Mas no reatemos a relao. Seria um grande erro, de que nos arrependeramos amargamente

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mais tarde. Penso que o nosso caminho  para a frente, e no para trs.

 luz do tempo que haviam passado juntos e do que sentira por ele, Alex ainda alimentara esperanas de que Coop dissesse algo diferente, mas no discordava dele. 
Nas ltimas semanas, tambm pensara maduramente no assunto, e as concluses a que chegara no eram muito diferentes. Sentia muitas saudades e passara tempos maravilhosos 
com Coop, mas algo lhe dizia que no devia voltar para o velho actor.

De momento, o que verdadeiramente lhe interessava era aprofundar a sua relao com Jimmy. Ambos tinham as mesmas paixes, o mesmo amor por crianas, de tal modo 
que isso se estendia ao tipo de trabalho que realizavam. Jimmy estava fascinado pelo que ela fazia. Coop sempre se mostrara algo repugnado. Alis, ela nunca pertencera 
ao mundo de Coop. Gostara de estar nesse mundo com ele, mas sentira-se sempre uma visita, uma turista, nunca conseguira imaginar-se a viver l at ao fim dos seus 
dias. E tinha muito mais em comum com Jimmy do que com Coop. Se as coisas iriam ou no dar certo com Jimmy, isso era outra questo. Nenhum deles poderia ter a certeza. 
Com Coop, no haviam dado certo. Pelo menos, para ele, e talvez tivesse razo. Agora, era mais fcil andar para a frente do que voltar para trs, como ele dizia.

- Compreendo, Coop. E custa-me dizer que concordo. A cabea j concorda, o corao acabar tambm por concordar.

Uma parte dela no queria deix-lo, talvez porque Coop era o pai meigo e bonacheiro que nunca tivera.

- s uma rapariga corajosa.

- Obrigada. Convidas-me para a antestreia?

- Claro. E podes ir ver-me receber um Oscar.

- Combinado.

Alex sentiu-se muito melhor depois de falar com Coop. Era como se esta viragem na vida profissional do velho actor os tivesse libertado. Ele precisava desesperadamente 
do dinheiro, no s para pagar as suas contas, mas tambm para a sua paz de esprito e auto-estima. Agora, poderia fazer o que muito bem entendesse. Nessa noite, 
quando Jimmy foi ter

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com ela ao hospital, o estado de esprito de Alex melhorara consideravelmente, como ele prprio pde comprovar, ao entrar no carro. Iam jantar fora e ao cinema.

- Que aconteceu para estares to contente?

- Hoje falei com Coop. Conseguiu um papel importante num filme, o que vai permitir-lhe resolver muitos dos seus problemas.

Jimmy ficou em pnico, embora soubesse que a me fora jantar com Coop. Mas no queria dizer nada a Alex.

- Que tipo de problemas? Tm a ver com vocs os dois?

- Sim, e com outras coisas. - Alex no queria falar-lhe das dvidas do velho actor. - Chegmos  concluso de que no era correcto mantermos a relao. Foi divertido, 
mas, a longo prazo, precisaramos de uma coisa diferente.

- Que queres dizer com isso de precisarem de uma coisa diferente? Diferente como? - indagou Jimmy, algo nervoso.

- Como tu, meu palerma.

- Foi isso que ele disse?

- No especificou, mas deduzi. Lembra-te que sou mdica.

Alex conseguira assust-lo. Coop era um opositor formidvel para qualquer homem, e Jimmy sentia-se em desvantagem. Coop tinha um metro e noventa e imenso charme. 
Mas aquilo que Jimmy poderia oferecer a Alex seduzia-a muito mais. Era um homem terno e de uma grande pureza de sentimentos, qualidades que haviam conquistado o 
seu corao. E tinha mais a ver com ela do que Coop. De alguma forma, Alex e Jimmy eram a resposta s preces um do outro.

Nessa noite, tal como prometera, Coop levou Valerie, Mark e Taryn a jantar ao Spago. Estava eufrico. As pessoas no paravam de o abordar. A notcia j se espalhara. 
No dia seguinte, sairia um artigo sobre o assunto nos jornais. Coop era o homem do momento.

- Quando comeam as filmagens? - perguntou Mark, com ar interessado.

- Vamos para Nova Iorque em Outubro. E devemos voltar por altura do Natal. Aqui, as filmagens decorrero

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num estdio. - Coop tinha dois meses para se divertir. Antes de comear, gostaria de ir  Europa, em Setembro. E olhou para Valerie. Talvez pudessem ir os dois, 
depois da visita a Cape Cod. Agora tinha condies econmicas para o fazer. - Que te parece? - perguntou, em voz baixa, a Valerie, pouco depois, enquanto Mark e 
Taryn conversavam.

- Interessante - retorquiu Valerie, com um sorriso de Mona Lisa. - Veremos como as coisas correm em Cape Cod. - Havia muita coisa que ainda no sabiam.

- No sejas to racional. - Coop tinha a sensao de ter finalmente conhecido a mulher da sua vida. - Adoraria ficar no Hotel du Cap.

Valerie parecia tentada. Ambos sentiam o mesmo irresistvel impulso. Mas deixariam andar as coisas. No iriam for-las. Mais tarde, enquanto davam uma volta pela 
propriedade, Valerie disse isso mesmo a Coop, que concordou. Estavam a acontecer muitas coisas ao mesmo tempo, e o velho actor parecia um mido numa loja de doces, 
a querer partilhar tudo com Valerie.

Falou-lhe da conversa que tivera com Alex nessa tarde, e disse-lhe que se sentia de conscincia mais tranquila. Ambos sabiam que agira correctamente ao acabar com 
Alex, por mais dolorosa que a separao tivesse sido.

- Acho que a Alex e o Jimmy comearam a sair juntos
- informou Valerie, com algumas cautelas. No queria ser indiscreta, nem embaraar Jimmy, especialmente agora. Coop ficou pensativo por instantes, depois soltou 
um suspiro e olhou para Valerie. Por segundos, sentira cimes, mas acalmou-se quase de imediato.

- Acho que isso lhes far bem. A ambos. E a ns tambm - retorquiu Coop, pegando-lhe na mo.

Nessa noite, quando se despediram  porta de casa, beijou-a. Era engraada a forma como o destino cruzara os seus caminhos. Coop Winslow no era o homem por quem 
Valerie ansiara, mas estava feliz por ele ter aparecido na sua vida. No se sentia a Gata Borralheira, mas uma mulher que comeava a apaixonar-se pelo seu melhor 
amigo. A caminho de casa, Coop sentia exactamente o mesmo, e no via a hora de estarem juntos em Cape Cod.

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CAPTULO 26

No princpio de Agosto, como previsto, Jimmy tirou o gesso. A notcia do prximo filme de Coop fazia manchete nos jornais. O velho actor era um heri na cidade. 
Toda a gente o felicitava. E, de repente, comeou a ter mais ofertas de trabalho. Mas estava decidido a sair da cidade com Valerie durante umas semanas. Depois, 
iria para a Europa, independentemente de ela o acompanhar ou no. Valerie dizia que s decidiria aps as frias em Cape Cod.

Quando partiram, Jimmy j andava bastante bem pelos seus prprios meios. Continuava a encontrar-se com Alex, e a relao parecia ir de vento em popa. Mark e Taryn 
iam passar duas semanas em Tahoe com os midos. S Jimmy e Alex ficariam na cidade, por motivos profissionais.

Na noite anterior  partida para Cape Cod, Valerie preparou um dos seus memorveis jantares de massa. Iriam de avio at Boston, e depois, de carro at Cape Cod. 
Alex no viera ao jantar, pois estava de servio. Mas Valerie fora despedir-se dela ao hospital, e haviam almoado juntas. Mark, Taryn e os midos  que no faltaram 
ao repasto. Coop perguntou a Jason, num fingido tom rezingo, se partira alguma janela ultimamente. Jason empalideceu. Coop convidou-o, ento, para assistir s filmagens 
em Los Angeles, e o mido ficou radiante. Jessica perguntou logo se tambm podia ir e levar alguns amigos.

-Julgo que no vou ter outra alternativa. Algo me diz que vamos ser familiares dentro de pouco tempo. Farei tudo o que quiserem, desde que prometam nunca me tratarem 
por av, ou coisa do gnero. A minha reputao tem sofrido inmeros golpes ao longo dos anos, mas acho que no sobreviveria a esse. Passariam a dar-me papis de 
velho de noventa anos.

E todos se riram. Jessica e Jason comeavam a habituar-se a Coop a pouco e pouco. Eram loucos por Taryn e estavam dispostos a aceitar o velho actor como parte do 
acordo. Havia a hiptese de todos ficarem ligados por laos familiares,

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de uma maneira ou de outra, mais cedo ou mais tarde, o que era uma ideia extica. E ento, se Alex e Jimmy se casassem e Coop ficasse com Valerie, o que ele desejava 
ardentemente, as relaes tornar-se-iam algo promscuas. Mas todos sairiam a ganhar, at os filhos de Mark.

- Espero que as sanitas no estejam entupidas quando chegarem  Marisol - gracejou Jimmy, enquanto acabavam a sobremesa.

Coop olhou-o, intrigado, enquanto Valerie o repreendia por estar a assustar Cooper.

- No  to m quanto isso.  apenas uma casa muito velha.

- Esperem l... Quem  a Marisol? - indagou Cooper, com uma expresso estranha no olhar.

- No  "quem",  "o qu" - corrigiu Jimmy. -  a casa da minha me em Cape Cod. Foi mandada construir pelos meus bisavs e  uma combinao dos seus nomes: Marianne 
e Solomon.

Coop parecia ter sido atingido por um raio. Ficou boquiaberto.

- Oh, meu Deus! Marisol. Nunca me disseste nada dirigindo-se a Valerie. Reagia como se lhe tivessem dito que ela estivera presa nos ltimos dez anos. Essa novidade 
at talvez fosse mais fcil de digerir do que esta.

- O que  que nunca te disse? - perguntou Valerie, com ar inocente, enchendo outro copo de vinho. O jantar fora excelente, mas no era nele que Coop pensava.

- Sabes muito bem o que quero dizer. Mentiste-me acusou, de semblante carregado.

- No te menti. S no te expliquei. Achei que no interessava.

Mas Valerie sabia muito bem que interessava e receava que interessasse.

- E o teu nome de solteira  Westerfield, presumo. Valerie fez um gesto afirmativo com a cabea. - s uma impostora! Devias envergonhar-te! A fingir que eras uma 
pobretanas!

Coop estava chocado. A fortuna Westerfield era uma das maiores do mundo.

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- No fingi nada. S no discuti o assunto contigo retorquiu Valerie, nervosa, esforando-se por se mostrar calma. Por instantes, ficou preocupada com a reaco 
de Coop. Era muita coisa para engolir de uma s vez.

-J estive uma vez na Marisol. A tua me convidou-me, quando eu estava a rodar um filme l perto. A casa  maior do que o Hotel du Cap e, se a transformasses num 
hotel, poderias cobrar ainda mais. Mas isso seria concorrncia desleal.

Coop no estava to zangado como ela receara. A verdade  que os Westerfield eram a maior famlia de banqueiros do Este. Eram os Rothschild da Amrica dos primeiros 
tempos, e tinham ligaes aos Astor, aos Vanderbilt, aos Rockefeller e a metade das famlias de sangue azul dos Estados Unidos, se no mesmo do mundo. Os Madison 
ao p deles pareciam pedintes. Mas Valerie era uma mulher madura e no tinha de responder pelos seus actos. Era a pessoa mais despretensiosa do mundo. Coop sempre 
pensara que ela no passava de uma viva com poucos rendimentos. Agora percebia por que razo Jimmy alugara a casa com tanta facilidade, bem como muitas outras coisas 
relacionadas com as pessoas que Valerie conhecia e com os stios onde estivera. Coop fitou-a durante uns instantes, depois, recostou-se na cadeira e riu-se.

- Bem, de uma coisa podes estar certa: nunca mais vou ter pena de ti! - Mas tambm no ia deixar que ela o sustentasse. Se casassem, seria ele a sustent-la. Valerie 
poderia continuar a ser parcimoniosa nos seus gastos pessoais, mas, quanto s extravagncias, e haveria muitas, seria Coop a arcar com elas. - E mando chamar um 
canalizador, se o autoclismo no funcionar. O que  que terias feito se eu no conseguisse este papel no filme?

Mas, com Valerie no se levantariam os problemas que se haviam levantado com Alex. Valerie era uma mulher mais madura. Com Alex, o problema no fora apenas o dinheiro, 
mas tambm a diferena de idades, o no querer ter filhos, o no querer passar por gigol e o facto de Arthur Madison desaprovar o seu romance com a filha. Nenhuma 
dessas questes se colocava com Valerie. Alm disso, estava novamente de boa sade financeira. Alis, melhor do que nunca.

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- Se chamar um canalizador - avisou Jimmy, com um sorriso nos lbios -, a minha me tem um ataque. Ela acha que isso faz parte do charme. Tal como o telhado, que 
deixa entrar gua, e as persianas, que esto a cair aos bocados. No ano passado, quase parti uma perna quando o alpendre sul se desmoronou. A minha me adora fazer 
remendos na casa.

- Estou ansioso por ver isso tudo com os meus prprios olhos.

Mas Coop j conhecia a casa, e ficara apaixonado por ela desde que l estivera a convite da me de Valerie. Era uma das casas mais famosas do Este. Os Kennedy haviam-na 
visitado inmeras vezes quando estavam em Hyannis Port, e o prprio presidente chegara a l ficar instalado. Coop ainda abanava a cabea quando os restantes convivas 
saram.

- Nunca mais me mintas.

- Mas eu no te menti. S quis ser discreta.

- Um pouco discreta de mais, no achas?

- Nunca se  discreto de mais.

Coop adorava a elegncia e a simplicidade de Valerie. Era isso que a distinguia das outras mulheres. Mesmo de camisa branca e calas de ganga, no perdia o inegvel 
ar aristocrtico. De repente, lembrou-se de Alex. Jimmy era exactamente o homem de que ela precisava: fazia parte do seu mundo e era, igualmente, um renegado. E 
nem Arthur Madison teria argumentos para se opor  relao. Coop sentia uma grande satisfao por as coisas estarem a tomar o rumo devido. No s para si, mas tambm 
para Alex, embora esta ainda no soubesse que estava no caminho certo. Ento, enquanto Valerie levantava a mesa e punha a loia na mquina, Coop perguntou-lhe:

- A Alex sabe?

- Por aquilo que conheo do Jimmy, no. Ainda d menos importncia a isso do que eu.

Estava-lhes no sangue. J tinham nascido assim. Viviam da forma que haviam escolhido. E Alex era da mesma estirpe. No gostava de ostentar a riqueza, preferia viver 
como uma pessoa de poucas posses.

- Como  que me vou adaptar a tudo isso? - perguntou Coop, puxando-a para si.

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Valerie era a mulher da sua vida, soubesse ela ou no. Mas Coop estava decidido a convenc-la disso. No pelo dinheiro, mas simplesmente por ela e por aquilo que 
significava para si.

- Vais-te adaptar bem. J ests habituado. Alis, ns no te chegamos aos calcanhares em questo de elegncia.

Durante grande parte da sua vida, Coop vivera desafogadamente, apesar de extremamente gastador. Agora, com o filme, poderia saciar no s os seus caprichos como 
os dela.

- Acho que me vou adaptar. Para j, vou gastar todo o meu dinheiro a reparar a tua casa velha.

- No sejas tonto. Gosto dela como est, a cair aos bocados. D um certo charme.

- Tu tambm tens charme e no ests a cair aos bocados. - Mas sabia que, mesmo quando ela fosse atacada pela velhice, continuaria a am-la. Provavelmente, seria 
Coop o primeiro a ser atacado, porque, afinal de contas, tinha mais dezassete anos do que Valerie. - Queres casar comigo? perguntou, enquanto Jimmy subia as escadas, 
em bicos de ps. Era engraado como gostava mais de Coop, agora que Alex j no andava com ele. Comeava a ach-lo uma ptima pessoa.

- Finalmente - respondeu Valerie, esboando um sorriso. Coop beijou-a apaixonadamente e saiu. Iam partir de madrugada.

Na manh seguinte, o motorista conduziu-os ao aeroporto, no Bentley. Coop levava quatro malas de viagem, que haviam demorado uma eternidade a fazer. Mas era preciso 
no esquecer que depois da estada em Cape Cod partiria para a Europa. Valerie s levava uma, que fizera num abrir e fechar de olhos.

Coop despediu-se de Taryn  porta de casa. Valerie deu um apertado abrao ao filho, depois, beijou-o.

- Tem cuidado contigo, Jimmy - disse Valerie. Cooper e Jimmy quase tiveram de arrast-la porta fora, para no perderem o avio.

Partiram para o aeroporto com ptima disposio, e aproveitaram para dormir durante o voo. Quando acordaram, estavam quase a chegar a Boston. Valerie contou-lhe

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parte da histria da casa, que ele desconhecia. Cooper ficou fascinado e estava ansioso por a rever e partilhar com a sua amada.

No aeroporto, alugaram um carro e dirigiram-se para Cape Cod. Quando chegaram, a Marisol estava exactamente como Coop a recordava desde a ltima vez que l estivera. 
S que melhor: agora contava com a companhia de Valerie.

Coop ajudou Valerie a pregar pregos, a arranjar as persianas e a reparar algumas peas de mobilirio em vime. Passaram l trs semanas, o velho actor nunca se sentira 
to feliz, embora tivesse trabalhado como nunca trabalhara em toda a sua vida. Mas adorara desempenhar todas essas tarefas com Valerie, que andava sempre com um 
martelo e pregos no bolso, e a cara manchada de tinta.

No fim-de-semana do Primeiro de Maio, voaram at Londres, onde passaram trs semanas. Da, Coop partiu directamente para Nova Iorque, para comear a rodar o filme. 
Valerie voltou a Boston, onde passou uns dias; depois, voou tambm para Nova Iorque. Durante as filmagens, ficaram instalados no Plaza Hotel. Antes do Dia de Aco 
de Graas, regressaram  Califrnia. Entretanto, Taryn e Mark j estavam casados. A cerimnia realizara-se em Lake Tahoe, na semana anterior, apenas com a presena 
de Jason e Jessica. Havia muita coisa para festejar. Alex deixara o apartamento e mudara-se para casa de Jimmy, transformando o quarto deste num cesto de roupa suja. 
Estava prestes a concluir a especializao e continuaria como neonatologista na UCLA. J falara com Jimmy acerca da hiptese de se casarem, mas ainda no se encontrara 
com o pai.

No Dia de Aco de Graas, Coop conseguiu reunir todos ao jantar, inclusive Alex, que estava radiante na companhia de Jimmy. Wolfgang mandou um peru, que Paloma 
serviu, com os tnis de imitao de pele de leopardo calados e a nova farda cor-de-rosa. Os culos de aros brilhantes no os usava durante os meses de Inverno. 
E, para alvio de todos, gostava de Valerie. Esta tambm gostava dela.

Na semana antes do Natal, os tablides deram a notcia. Assim como a People, a Time, a Newsweek, os jornais respeitveis, as rdios e a CNN. As manchetes pouco diferiam: 
viVA 

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RICA CASA COM ESTRELA DE CINEMA; COOPER WINSLOW CASA COM HERDEIRA DA FORTUNA DOS WESTERFIELD. As

fotografias mostravam-nos, felizes e sorridentes, numa recepo que ofereceram. O agente de Coop fornecera-as  imprensa. No dia seguinte, Valerie descia as escadas 
com um monte de toalhas que encontrara num armrio.

- Estas servem muito bem, Coop.

As filmagens s recomeavam da a uma semana em Los Angeles, e Coop tentava convenc-la a ir passar uma semana a Saint Moritz, mas, at ao momento, Valerie no parecia 
interessada. Sentia-se feliz em casa com Coop - e ele tambm nunca fora to feliz em toda a sua vida.

- Que  isso? - perguntou Coop, enquanto dava uma olhadela s alteraes no guio. As filmagens estavam a correr bastante bem, e j havia propostas para outros filmes 
na Primavera. Os seus proventos haviam subido substancialmente, e Abe estava satisfeito.

- Encontrei um monte de toalhas com a tua inicial que suponho que j no usas e, uma vez que tambm tenho um W no nome, pensei que talvez pudssemos mand-las para 
a Marisol. Precisamos urgentemente de toalhas l.

- Desconfio que foi por isso que casaste comigo. Vamos mas  comprar toalhas novas. Posso oferecer-te umas quantas como prenda de casamento?

- Claro que no. Estas esto ptimas. Para qu comprar toalhas novas se as velhas servem?

- Amo-te, Valerie - disse Coop, levantando-se e dirigindo-se para ela. Abraou-a e forou-a a pousar as toalhas no cho. - Podes ter as toalhas que quiseres. Talvez 
consigamos encontrar tambm lenis com a minha inicial. Se no, podemos comprar uns quantos no Goodwill.

- Obrigada, Coop - disse Valerie, e beijou-o. Fora um ano maravilhoso.
